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Sem empregos e educação, milhões ficam à margem de crescimento brasileiro

Ao chegar de carro por uma estrada de terra arenosa, uma placa dá as boas-vindas a Assunção do Piauí , "a capital do feijão". Mas as letras desbotadas, quase apagadas, deixam claro que a principal atividade econômica local já viu melhores dias. Na pequena cidade, a 270 km de Teresina, as colheitas fracas estão fazendo muitos desistirem de plantar feijão. "Aqui é assim, a gente só trabalha no escuro. Num ano dá e no outro não dá" , diz a dona de casa Francisca Pereira Moreno, mãe de cinco filhos. Depois de conversar com alguns moradores de Assunção, perguntar onde cada um trabalha parece perder sentido. Os principais empregos da cidade são na prefeitura local, mas para adultos como Francisca, que não sabe ler nem escrever, a única opção está na roça ou nos serviços domésticos. Sem alternativas, a maioria sobrevive do Bolsa Família. "Tem que ter o Bolsa Família. Porque a renda aqui do feijão não está dando dinheiro. Dá R$ 60, R$ 70", fiz ...

Não deixemos nos reduzir a véus, sotaques ou crenças - Por *Marguerite Abouet, Mehdi Thomas Allal, Sophia Aram, Yagoutha Belgacem, Frédéric Chau, Baya Kasmi, Karim Miské, Rosa Moussaoui, Yannick Noah*

Nós, que somos filhos herdeiros da imigração, perguntamos: quantas vezes será preciso gritar? Quantas vezes será preciso repetir? Somos franceses! Não podemos mais suportar que certos representantes desta República nos ataquem, nos constranjam, nos humilhem, nos acusem... Como aceitar o fato de que os ministros desta República laica se recusam a entender que a religião é uma escolha, não um nascimento ou uma cor de pele, que a religião é um assunto particular, e não público.  Está na hora de certos representantes do povo francês pararem de dar lições a seus compatriotas, de semear confusão entre “civilização” e “política”, “cultura” e “cidadania”, indo além do sentido das palavras de nossa língua francesa, como a complexidade da história, e a diferença entre as ideias e os povos, e o mesmo tanto de aproximações que parecem haver lá para mascarar a indizível noção de “raça”... A civilização francesa não pertence a nossos representantes atuais mais do que a nós todos! ...

Alunos sentem orgulho de seus mestres e criam laços de afeto, diz pesquisa

De acordo com a pesquisa histórica realizada por Françoise Waquet, diretora de pesquisa do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França) , mestres e discípulos criam um vínculo emotivo semelhante a de pais e filhos. Produto desse estudo, e com um título condizente,  "Os Filhos de Sócrates"  percorre séculos de história e reúne exemplos das mais diversas áreas, apresentando a figura universal do mestre, cujo arquétipo é Sócrates. O filósofo não ficou famoso apenas por ser o ideal de professor, mas também pela fama de seus alunos, como Platão. O volume demonstra a diversidade e a complexidade de uma relação fundada no poder e no afeto, desvelando "um laço da alma". Essa relação pessoal passar a existir como o modo de transmissão do verdadeiro saber, em contraste com o conhecimento dos livros. Abaixo, leia um trecho do livro. A honra de ser aluno A notoriedade do mestre também atinge o discípulo, ela se incorpora a seu capital. Isso é partic...

Imagem que retrata a Primavera Árabe ganha o World Press Photo - Por Sara Webb

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O retrato de uma mulher com véu carregando um parente machucado em seus braços, tirada no Iêmen pelo fotógrafo espanhol Samuel Aranda para o "The New York Times" , ganhou o prêmio de melhor fotografia do ano do World Press Photo. A imagem capturou um momento do conflito no Iêmen, quando manifestantes que protestavam contra o presidente Ali Abdullah Saleh usaram uma mesquita na capital, Sanaa, como um hospital improvisado para tratar os feridos.  World Press Photo of the Year 2011: © Samuel Aranda, Spain, for The New York Times. Sanaa, Yemen, 15 October. A woman holds a wounded relative during protests against president Saleh. Os jurados, porém, disseram que a imagem representava de forma mais abrangente a Primavera Árabe. "A fotografia vencedora mostra um momento pungente e compassivo, a consequência humana de um evento enorme, um evento que ainda continua" , disse o chefe dos jurados, Aidan Sullivan, sobre a foto de Aranda, que venceu o World Press...

Tarsila do Amaral é alvo de grande retrospectiva no Rio - Por Silas Martí

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Mais de 30 anos depois de pintar "A Negra", de 1923, retrato de uma antiga ama de leite que virou um ícone do modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral tentou fazer uma segunda versão da tela. Não conseguiu ou não quis, deixando enormes faixas cinzentas atravessando a tela no lugar das cores da original. É essa obra incompleta que norteia a mostra da artista, morta aos 86 em 1973, em cartaz no C entro Cultural Banco do Brasil do Rio. Enquanto discursos surrados sobre a artista tendem a ganhar mais força no marco dos 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, sua "Negra" inacabada aponta para outra direção, Tarsila foi mais volúvel e errática do que a musa moderna que virou depois uma espécie de mito. Seu quadro inacabado data de um momento conturbado na vida da artista. Em crise financeira e amargando a morte da neta Beatriz, que morreu afogada em 1949, esse retorno tardio à fase áurea da carreira, a década de 1920 em que vivia em Paris , até hoje in...

Viva a simbiose de culturas - Por Edgar Morin

Cada cultura tem suas virtudes, seus vícios, seus conhecimentos, seus modos de vida, seus erros, suas ilusões. Na nossa atual era planetária, o mais importante é cada nação aspirar a integrar aquilo que as outras têm de melhor, e a buscar a simbiose do melhor de todas as culturas. A França deve ser considerada em sua história não somente segundo os ideais de Liberdade-Igualdade-Fraternidade promulgados por sua Revolução, mas também segundo o comportamento de uma potência que, como seus vizinhos europeus, praticou durante séculos a escravidão em massa, e em sua colonização oprimiu povos e negou suas aspirações à emancipação.  Há uma barbárie europeia cuja cultura produziu o colonialismo e os totalitarismos fascistas, nazistas, comunistas. Devemos considerar uma cultura não somente segundo seus nobres ideais, mas também segundo sua maneira de camuflar sua barbárie sob esses ideais. Podemos nos orgulhar da corrente autocrítica minoritária de nossa cultura, desde Montai...

Nova Exposição e mostra de filmes no Museu Histórico Nacional

Marcando um ano da tragédia ocorrida no Japão , quando o Grande Terremoto do Leste devastou algumas áreas da região de Tohoku , na costa nordeste do país, gerando um tsunami, que atingiu várias cidades, o Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro e o Museu Histórico Nacional realizam uma exposição com cerca de 100 imagens em painéis fotográficos, apresentando os detalhes inéditos deste episódio. As fotos mostram como as cidades ficaram devastadas pelo terremoto/tsunami e as respectivas reconstruções de cada região. Imagens impressionantes da força de um povo, que não se abateu com a tragédia e buscou rápidas soluções para que a população retomasse sua vida normal. A exposição mostra também imagens dos encantos da região de Tohoku , sua culinária regional, sua paisagem, artesanato e arquitetura, proporcionando um interessante panorama de vários aspectos da cultura japonesa. Complementando o evento, será oferecido ao público uma mostra de filmes japoneses em apoio à re...