Vida de Maomé em quadrinhos provoca polêmica
Cerca de três meses após lançar
caricaturas do profeta, revista francesa volta às manchetes com biografia em
HQ. "Totalmente halal", assegura editor. "Uma provocação",
aponta assessor de premiê da Turquia.
O semanário satírico francês
Charlie Hebdo ameaça novamente provocar polêmica internacional com o lançamento
de uma história em quadrinhos sobre a vida do profeta islâmico Maomé. A edição
especial foi publicada nesta quarta-feira (02/01). Em setembro último, a
revista suscitara protestos com sua série de caricaturas bastante grosseiras de
Maomé. Para os muçulmanos mais ortodoxos, a representação do profeta em imagem,
em si, já representa uma transgressão.
O editor e desenhista do
semanário, Stéphane Charbonnier antecipara que a HQ seria "totalmente
halal", referindo-se aos preceitos de pureza, também alimentar da lei
islâmica. O caricaturista, de pseudônimo "Charb", acrescentou,
contudo: "Se as pessoas quiserem ficar chocadas, elas vão ficar".
Em si, não há nada de chocante na
publicação, garantiu. O homenzinho amarelo característico de Charb conta a vida
de Maomé: a situação de seus pais, Abdula e Amina; seu local de nascença, Meca;
o futuro profeta como recém-nascido, criança, adolescente; viagens, guerras santas.
No prefácio, a coautora Zineb assegura: trata-se de "um livro muito
sério", baseado em fontes islâmicas.
Anunciada como "primeira
edição" e com a promessa de uma continuação, a revista de 64 páginas
termina com o encontro entre Maomé e o arcanjo Gabriel. Ela está sendo vendida
nas bancas da França por seis euros. Segundo a editora, foram impressos 80 mil
exemplares, 10 mil acima da tiragem normal do Charlie Hebdo.
Humor com consequências
Como primeira reação à
publicação, a porta-voz do governo francês Najat Vallaud-Belkacem referiu-se à
liberdade de expressão vigente no país. No entanto, falando à emissora France
2, ressalvou: "Não é preciso colocar lenha na fogueira". A França necessita
de um equilíbrio entre a liberdade de expressão e o respeito pela ordem
pública, concluiu a porta-voz.
Ibrahim Kalin, assessor político
do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, escreveu em sua página no
Twitter: "O diretor do Charlie Hebdo afirma que a história em quadrinhos
não é ofensiva para os muçulmanos. Transformar a vida do profeta do Islã em
personagem de HQ, em si, é errado". "Independente do que pensem as
pessoas do Charlie Hebdo, trata-se de uma provocação. Eu aconselho os muçulmanos
a ignorá-la", completou Kalin.
Após a publicação das caricaturas
na revista, três meses atrás, diversos órgãos públicos franceses no exterior
tiveram que fechar suas portas temporariamente por motivos de segurança. Pouco
antes, a divulgação de um filme produzido nos Estados Unidos satirizando Maomé
provocara violentos protestos de muçulmanos contra o mundo ocidental, com
diversas vítimas fatais. Em 2006, mais de 150 pessoas morreram nos protestos
provocados pela divulgação de caricaturas do profeta num jornal dinamarquês.
Fonte: http://www.dw.de
Comentários