Simplesmente por pertencer à comunidade yazidi, ligada aos curdos, a jovem iraquiana Lamya Taha foi vendida e violada até pensar que não aguentaria mais. Mas sobreviveu. Para contar a sua história. Dizem que os yazidis são adoradores do diabo, mas eles sabem que o diabo são os outros. A religião deles é muito antiga, anterior a Cristo e a Maomé, provindo diretamente dos sistemas de crenças da Mesopotâmia. Mas desde que os muçulmanos existem, os yazidis vivem entre eles. Por professarem uma religião de sincretismos num mundo islâmico fundamentalista, os yazidis sempre foram perseguidos e hoje estão espalhados pelo mundo. Em 2010, sobravam uns 800 mil, a maioria no Iraque. Hoje, depois de Saddam Hussein e dos extremistas, ninguém sabe quantos são. Estejam onde estiverem, os yazidis acreditam que o dia do julgamento final vai acontecer no templo de Lalish, a montanha do Curdistão iraquiano. É dali, dizem, que se separam os caminhos: para um lado, o inferno;...