Papa elogia diálogo inter-religioso no 50º aniversário de declaração histórica – Por Filipe d'Avillez
Francisco não deixou de referir
os aspectos mais complexos das relações inter-religiosas, nomeadamente a
existência de fundamentalismos ou extremismos.
O Papa Francisco elogiou na quarta-feira (28/10) os progressos do diálogo inter-religioso, nomeadamente envolvendo
a Igreja Católica, no 50º aniversário da declaração Nostra Aetate, do Concílio
Vaticano II, que marcou uma mudança de postura da Igreja neste campo.
Francisco sublinhou em particular
o diálogo com os muçulmanos e, de forma especial, os judeus. “Agradecemos de
forma especial a Deus pela verdadeira transformação que houve nestes 50 anos no
diálogo entre cristãos e judeus. A indiferença e a oposição transformaram-se
colaboração e benevolência. De inimigos e estrangeiros tornámo-nos em amigos e
irmãos”, afirmou.
Este novo clima de diálogo
permite aos fiéis de todas as religiões unirem-se em certas causas e assim
corresponder às expectativas do mundo. “O mundo olha para nós, crentes, e
convida-nos a colaborar uns com os outros e com os homens e mulheres de boa
vontade que não professam qualquer religião, pede-nos respostas reais sobre
muitas questões: a paz, a fome, a pobreza que afecta milhões de pessoas, a
crise ambiental, violência, especialmente aquela cometida em nome da religião,
a corrupção, a decadência moral, a crise da família, a economia, as finanças,
e, sobretudo, esperança”.
“Acreditamos que temos receitas
para estes problemas, mas temos um grande recurso: A oração. E nós crentes
orar. Precisamos orar. A oração é o nosso tesouro, a que recorremos de acordo
com as suas tradições, pedindo os dons pelos quais a humanidade anseia”, disse
ainda Francisco.
Neste seu discurso, feito durante
a tradicional audiência geral das quartas-feiras, na qual participaram
representantes de diversas religiões, o Papa não deixou de referir os temas
mais complicados, como o extremismo religioso.
“Por causa da violência e do
terrorismo, difundiu-se uma atitude de suspeição ou mesmo de condenação das
religiões. Na verdade, apesar de nenhuma religião ser imune ao risco de desvios
por parte de indivíduos ou grupos fundamentalistas ou extremistas, temos de
olhar para os valores positivos que estas vivem e que propõem, e que são fontes
de esperança”.
Entre estes valores positivos,
referidos no Nostra Aetate, inclui-se “a procura humana de um sentido para a
vida, para o sofrimento, a morte, interrogações que sempre nos acompanham”.
Fonte: http://rr.sapo.pt
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