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Igreja ditadura como religiosos se tornaram maior inimigo militares - Por Igor Natusch

Saudada pela Igreja, a ditadura tomou o poder no Brasil . Mas bispos e frades ajudaram a sociedade civil a reencontrar o caminho da democracia. O golpe que lançou o Brasil em 21 anos de regime militar em 1964 encheu de euforia o coração de um presbítero de Petrópolis (RJ). Reconhecendo na “revolução” a chance de um novo país, livre do comunismo ateu que ameaçava a cristandade, o padre deslocou-se até o Rio de Janeiro com um só objetivo: dar a bênção às tropas do general Olímpio Mourão Filho, que tinham vindo desde a mineira Juiz de Fora para ocupar a Guanabara. Dois anos depois, esse religioso, chamado Paulo Evaristo Arns, foi ordenado bispo; em 1970, assumiu como arcebispo de São Paulo. Desde então, o outrora entusiasta da ascensão dos militares assumiu posição decisiva na contestação e denúncia dos crimes da ditadura. Lutou contra a tortura, liderou o histórico ato na Catedral da Sé em memória do jornalista Vladimir Herzog, criou a Comissão Justiça e Paz e abraç...

Estudo analisa a pluralidade do espiritismo kardecista - Por Valéria Dias

Ao contrário do catolicismo e do protestantismo, o espiritismo kardecista é uma religião sem corpo eclesiástico definido.  Para entender as formas de autoridade existentes na doutrina, a socióloga Célia da Graça Arribas reconstruiu a história dessa religião ao longo do século 20 a fim de compor o cenário e o elenco espíritas, e como esses personagens atuaram no período.  Os dados estão em sua pesquisa de doutorado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ( FFLCH ) da USP . Quase 4 milhões de brasileiros se declararam espíritas no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Apesar de não ter um corpo eclesiástico definido, algumas pessoas dentro da doutrina têm o poder de ditar regras, normas e práticas que estão, muitas vezes, em contraste com as ideias originais de Allan Kardec, o decodificador da doutrina espírita” , explica a socióloga. Célia pesquisou jornais, livros e periódicos espíritas do século 20,...

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro terá debate sobre intolerância religiosa

Encontro contará com presença de Kailane Campos, vítima de agressão. Rubem César Fernandes, coordenador do Viva Rio , também participará. Um encontro que vai acontecer na próxima quinta-feira (16/07), na biblioteca do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro , vai debater a intolerância religiosa. Os participantes do encontro serão a jovem Kailane Campos, de 11 anos, que foi vítima de agressão quando seguia para um centro espiritualista, vestida de branco, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao lado dela, também participará o coordenador da ONG Viva Rio , Rubem César Fernandes. A ouvidora-geral do TJRJ, Andréa Pachá, será a mediadora. O espaço tem capacidade para 40 lugares e as senhas serão distribuídas uma hora antes do evento começar. A agenda de encontros também prevê uma abordagem sobre o trabalho de professores de uma escola municipal em Cordovil, na Zona Norte, na qual se destaca a qualidade do ensino. Outro encontro previsto é com a mãe do brasileiro Islam...

O Peso do véu: a vida de muçulmanas no Brasil - Por Isabela Bonfim

No Paquistão , uma mulher muçulmana pode ser legalmente apedrejada por cometer adultério. Sarah Ghuraba, de 27 anos, tinha consulta marcada e se dirigia a um posto médico perto de casa, quando foi surpreendida por uma pedrada na perna. O agressor gritou “muçulmana maldita” e fugiu. A cena não se passou no Paquistão , mas em um bairro da zona sul de São Paulo. No Brasil , apedrejamento é crime de lesão corporal com pena prevista de três meses a doze anos de prisão. Sob nenhum aspecto, no Brasil ou no Paquistão , o apedrejamento é aceito pelo Corão, livro sagrado do islamismo. Sarah não é adúltera. Ela acredita ter sido apedrejada por ser muçulmana e escolher vestir o hijab, véu tradicional usado por mulheres adeptas do islã para cobrir a cabeça. A agressão aconteceu em Janeiro, uma semana depois do atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo , em Paris, em que doze pessoas foram assassinadas a tiros por radicais islâmicos.  Os autores pretendiam vingar o pro...

Patrimônio Cultural de terreiros de Candomblé é tema de curso de extensão na Bahia

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O I nstituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) promovem o curso de extensão Gestão e Salvaguarda do Patrimônio Cultural dos Terreiros Tombados, que começa na próxima terça-feira, 14 de julho, no auditório da Escola de Administração em Salvador (BA).   O tema da aula inaugural é:  Educação e Salvaguarda, por um habitar os caminhos da ancestralidade A iniciativa surgiu a partir das demandas de um Grupo de Trabalho criado em 2015, reunindo representantes de terreiros Casa Branca, Afonjá, Gantois, Oxumarê, Bate Folha, Alaketu e Serja Hunde, tombados pelo Iphan. Foi diante desse contexto que a UFBA celebrou o convênio para a realização do curso de extensão universitária, gerando oportunidade para 70 lideranças de terreiros de candomblés salvaguardados aprofundarem suas reflexões sobre a salvaguarda compartilhada do patrimônio cultural. O curso está organizado em seis módulos te...

Liberdade religiosa e dever de neutralidade estatal na Constituição Federal de 1988 - Por Ingo Wolfgang Sarlet

A controvérsia sobre o ensino religioso em escolas públicas, ora em debate no Supremo Tribunal Federal e objeto de recente audiência pública convocada pelo ministro Luis Roberto Barroso, relator do respectivo processo, recoloca em pauta o antigo mas sempre atual e polêmico tema da neutralidade estatal em matéria religiosa, ou seja, a posição ocupada pelo Estado em face do fenômeno religioso. A despeito da afirmação do caráter laico do Estado Constitucional contemporâneo, como também se verifica no caso brasileiro desde a proclamação da República, nunca é demais relembrar que as liberdades de consciência, de crença e de culto, as duas últimas usualmente abrangidas pela expressão genérica “liberdade religiosa”, constituem uma das mais antigas e fortes reivindicações do indivíduo.  Levando em conta o seu caráter sensível (de vez que associado à espiritualidade humana) e mesmo a sua exploração política, foi uma das primeiras liberdades asseguradas nas declarações de direito...

É divino, maravilhoso: o império do Divino Espírito Santo, o imaginário e as insistências da memória na Cidade de Goiás – Por Alex Mendes

A Cidade de Goiás me inspira a pensá-la.  Encontramos na cidade e nas suas tradições ecos importantes do que já fomos e do que representávamos, vestígios de fazeres próprios da nossa cultura e saberes de épocas passadas que ainda servem, de forma importante, para nos definir como goianos. Aqui e em nossas outras tantas cidades históricas, encontramos práticas que vêm do passado e invadem o século presente e nos marcam.  A memória dos vilaboenses está em seu corpo social. Jacques Le Goff, na sua obra Memória e História, citando Pierre Nora, diz que memória coletiva se define como o que fica no passado, no vivido dos grupos, ou que os grupos fazem do passado.  Essa lição importante do eminente medievalista francês justifica a minha profunda simpatia pela Cidade de Goiás, suas velharias (como muitos dizem), suas invenções do passado e do presente, suas tradições, ora celebradas, ora desprezadas dentro e fora dos limites de sua urbe. Sem a resistênc...