quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Crise de fé: 2.000 igrejas serão fechadas na Inglaterra - Por Jarbas Aragão



A Igreja da Inglaterra, conhecida como episcopal anglicana no resto do mundo, possui 16.000 igrejas no Reino Unido, contando com algumas centenas de capelas, além de 42 catedrais. 

Com o cristianismo entrando em declínio, a exemplo da maior parte da Europa, a opção administrativa é fechar pelo menos 2.000 templos. Nesses locais, reúnem-se regularmente menos de dez fiéis. A maioria é idosa e as ofertas são poucas e esparsas. Isso inviabiliza os custos de manutenção.

A opção é transformá-las em “igrejas de feriado”, que só abrem nas semanas do Natal e da Páscoa, quando muitos cristãos nominais procuram alguma igreja por hábito. Segundo um relatório publicado esta semana, a Igreja da Inglaterra possui menos de 800.000 fiéis indo a um de seus templos aos domingos. 

Os índices são menos de metade do que na década de 1960, quando o liberalismo teológico se tornou a norma. Atualmente a igreja anglicana aceita o casamento homossexual e possui líderes abertamente gays. 

No último censo do governo, o cristianismo ainda é a maior religião na Inglaterra e no País de Gales, com 33,2 milhões de seguidores. Uma redução de 4,1 milhões em relação ao censo anterior, de 2001. Em média, nas últimas duas décadas, são fechados 25 templos cristãos por ano no país.

Muitas das igrejas são monumentos históricos e o relatório afirma que elas “ajudam na proclamação do evangelho apenas por estarem lá”. Mas não diz de que forma isso acontece.

Sugere ainda que uma resposta mais positiva seria transformar os templos em espaços comunitários. De acordo com o Daily Mail, nos últimos anos, centenas foram vendidas e se tornaram agências do correio, cafés, centros de aconselhamento e cooperativas de crédito ao lado de locais de culto. Uma minoria foi remodelada e servem agora como casa.  Há casos de igrejas que se tornaram mesquitas.

O maior debate é sobre a possibilidade de se vender todos esses templos, que seriam inevitavelmente demolidos para dar espaço a novos edifícios. O valor maior é do terreno, geralmente com localização central.


O bispo de Worcester, John Inge, que presidiu a produção do relatório, afirmou: “Nossas igrejas são um sinal visível da fé cristã em toda a Inglaterra, além de ser uma parte incomparável do patrimônio de nosso país. Esperamos, portanto, que este relatório seja um catalisador para a discussão sobre como as igrejas podem ser melhor cuidadas e utilizadas para o bem comum”.



Recomendação


EUA denunciam antissemitismo europeu e ataques do EI


Os Estados Unidos denunciaram na quarta-feira (14/10) que o antissemitismo aumentou consideravelmente na Europa Ocidental em 2014 e identificaram as ações de organizações jihadistas, como o Estado Islâmico (EI) e o Boko Haram, contra grupos religiosos como a tendência mais preocupante em respeito à liberdade de culto.

Esses são os dois fenômenos de destaque no relatório anual sobre a liberdade religiosa no mundo publicado pelo Departamento de Estado dos EUA hoje, mas relativo ao ano passado. "As minorias religiosas deveriam ter os mesmos direitos que as maiorias", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, durante a apresentação do relatório.

O documento destaca que França e Alemanha viveram ao longo de 2014 "uma onda de sentimento contra Israel que cruzou a linha em direção ao antissemitismo". "O auge do antissemitismo na Europa Ocidental em 2014 fez com que muitos questionassem a viabilidade das comunidades judaicas nesses países", indica o relatório.

Apesar da maioria dos incidentes terem sido discursos de incitação ao ódio e profanação de instituições ou monumentos, outros foram violentos, como o atentado ao Museu Judeu de Bruxelas, na Bélgica, em maio do ano passado, quando morreram quatro pessoas. O responsável do Departamento de Estado para a Liberdade Religiosa, David Saperstein, alertou também para um certo sentimento antimuçulmano em parte da Europa. Em declarações aos jornalistas, ele pediu que os governos não discriminem os refugiados que estão chegando ao continente em razão de sua fé islâmica.

O relatório destaca o crescimento de atores não governamentais que atacam liberdades religiosas e "teriam cometido alguns dos abusos de direitos humanos mais desprezíveis do ano passado". No Iraque e na Síria, afirma o documento, o EI "tratou de eliminar os membros de qualquer grupo que considerasse fora de sua violenta e destrutiva interpretação própria do Islã, provocando o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas e realizando execuções maciças". 

Esse cenário foi agravado pelo presidente sírio, Bashar al Assad, que, segundo os EUA, "promoveu uma narrativa sectária" no país e não atuou para "deter os ataques do EI contra grupos religiosos". Na bacia do lago Chade, que compreende regiões de Nigéria, Camarões, Chade e Níger, os radicais islâmicos do Boko Haram "perseguiram deliberadamente cristãos e muçulmanos que denunciaram ou se opuseram à ideologia extremista do grupo". 

O Departamento de Estado dos EUA destaca o sequestro em Abril do ano passado de mais de 200 meninas, em sua maioria cristã, na cidade de Chibok (na Nigéria), que se transformaram em escravas do Boko Haram e foram convertidas à força ao Islã. O documento condena também a aplicação de leis sobre blasfêmia e apostasia no Paquistão, Sudão e na Arábia Saudita, além da "execução, detenção, assédio e discriminação" de minorias no Irã.

Também denuncia a repressão de igrejas cristãs e as repressões aos muçulmanos uigures e aos budistas tibetanos na China, assim como a "limitação da liberdade de expressão relativa à religião" na Índia.






Juiz decide que faculdades devem respeitar a liberdade religiosa de alunos adventistas – Por Myllena de Luca



O juiz David de Oliveira Gomes Filho, da Segunda Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, decidiu que deve ser respeitada a liberdade religiosa dos alunos da Faculdade Mato Grosso do Sul (Facsul) e da Faculdade Campo Grande (FCG). 

Estes alunos, em razão da de crença, não frequentam aulas no sábado e são prejudicados com faltas e avaliações. Os alunos procuraram a OAB para buscar a garantia dos direitos. 

De acordo com o presidente Leonardo Avelino Duarte, se buscou a garantia da realização de obrigações acadêmicas de maneira alternativa, sendo aplicadas nos outros dias da semana tendo como base a Lei Estadual nº 2.104/00. A Lei assegura ao aluno a fazer provas ou trabalhos acadêmicos em dias que não seja o sábado. A Ação Civil Pública foi ajuizada pela seccional da OAB/MS em 2012, assinada pelo então presidente Leonardo Avelino Duarte.

De acordo com as instituições, não poderiam mudar a grade curricular e cronograma de atividades em razão da fé dos acadêmicos, quando o aluno entra na faculdade está de acordo com o regimento da instituição superior de ensino.

Um parecer do Ministério Público Estadual recomenda que FACSUL e a FCG tem obrigação constitucional de respeitar a liberdade de crença “dos seus acadêmicos, em especial aqueles que guardam o pôr do sol de sexta até o pôr do sol de sábado por serem adeptos da religião Adventista do Sétimo Dia”.


Os alunos que guardam o sábado terão as faltas abonadas e a universidade deverá oferecer atividades em datas alternativas para os acadêmicos que justificarem a transferência da data por razão de ser adventista.