sábado, 28 de maio de 2016

'Marcha Para Jesus' reúne milhares caminhando pela paz e pela vida/PI – Por Maria Clara Estrêla


Presente à 15ª edição da Marcha para Jesus, o governador Wellington Dias (PT) afirmou que o evento possui uma importância social muito grande, e contribui para afastar os jovens da violência.

"É um momento de adoração a Deus, de lembrar da importância de como a espiritualidade é importante no combate às drogas e à violência. É um momento de espalhar o amor entre as pessoas. Além de ser uma marcha muito organizada", afirmou o chefe do Executivo, que foi ao evento acompanhado de sua esposa, a secretária de Educação e deputada federal licenciada Rejane Dias (PT), que é evangélica.

Wellington e outros políticos presentes na 15ª edição da Marcha para Jesus ressaltaram a necessidade de combater o ódio na política e melhorar a interlocução com a sociedade, tendo como base o diálogo propositivo.

O pré-candidato a prefeito de Teresina, Amadeu Campos (PTB), comentou que a intensa disputa política no país e o tensionamento das discussões são fatores que têm fomentado um discurso de “nós contra eles”, que prejudica o debate. 

“Esse momento em que há um ódio politico, baseado no nós contra eles, acabou trazendo uma conturbação no país. O brasileiro quer a pacificação disso. Um dia como esse, no evento desse, é para todos nós cristãos buscarmos a paz nas relações políticas e pessoais”, comentou Amadeu.

A deputada federal Rejane Dias (PT), classificou a marcha como um evento da família e da paz. “Nos reunimos no sentido de resgatar os bons sentimentos. Os valores e a importância da família. Destacar os momentos de enaltecer a Deus”, pontuou a parlamentar.

Notícia original

Uma multidão de pessoas reunidas para dizer sim à vida e à paz. Assim pode ser traduzia a 15ª edição da Marcha Para Jesus, que aconteceu na quinta-feira (26/05) em Teresina

Com um percurso de seis quilômetros, adeptos de todas as manifestações religiosas participaram da caminhada com muita música e animação, levando a mensagem de amor e congregação aos piauienses.
A concentração do evento aconteceu no balão do bairro São Cristóvão e o desfecho da caminhada ocorre no cruzamento das Avenidas Frei Serafim com Coelho de Resende.

A Marcha para Jesus deste ano tem como lema: “Marchando Pela Vida”. O objetivo principal, segundo a organização do evento, é mostrar para as pessoas que viver não é só enfrentar dificuldades, mas saber passar por elas de maneira positiva, tentando sempre tirar o melhor dos momentos de adversidade. 

“Estamos juntos dizendo que viver vale à pena. Nós ficamos o tempo todo falando em crise, temos um índice de jovens tirando a própria que é assustador, vemos as pessoas acabando com tudo por conta da droga e do álcool. Queremos mostrar para elas que a vida é a saída. Que viver pode ser, sim, algo lindo”, resume o pastor.

O evento, de acordo com ele, é a congregação de todos os povos, de todas as fés. Significa a quebra de muros e a construção de pontes entre as pessoas, para um propósito maior que é celebrar a vida. 

“Nós vemos avôs, pais, filhos e netos juntos aqui. Os filhos trazem amigos, os amigos convidam os pais... então isso é muito bom de se ver. As pessoas juntas marchando como um só. Porque quando fala em Marcha para Jesus, a primeira coisa que pensam é que é evento só de evangélicos. Não é. É de todo mundo”, afirma o pastor Marcos Sérgio. 

Ele explica que o evento é organizado pela Aliança de Pastores do Piauí, mas que cerca de 40% dos participantes são católicos, e diz esperar que essa porcentagem aumente nos próximos anos.

É o caso de Francilande Alves, que frequenta a Igreja Católica do Dirceu. Ela, que foi acompanhado da filha e da irmã, diz que o propósito da Marcha “não é promover essa ou aquela religião”, mas levar uma mensagem de paz às pessoas. “Deus é paz, ele não faz distinção entre seus filhos e esse momento de união mostra bem isso”, afirma.

Já a estudante Maria de Fátima, frequentadora da Igreja Batista do Esplanada, resume a experiência de participar pela primeira vez da Marcha: 

“É muito bom porque reúne todas as igrejas. É um só povo em um só lugar, e é muito interessante isso. Acaba com os preconceitos, junta todo mundo, então vale muito à pena estar aqui”, diz.

Marchando

As 15 horas, os participantes da Marcha começaram a se concentrar no balão do São Cristóvão. As 17 horas, terá início um ato profético, que vai marcar a saída da caminhada. O percurso total tem extensão de sete quilômetros e encerra na Avenida Frei Serafim, na altura da Rua Coelho de Rezende.

Todo o trajeto será acompanhado por trios elétricos onde bandas gospels e grupos de igrejas de Teresina se apresentam, para animar o público. Uma das atrações é a Banda Manancial, que veio de Salvador e participa pela primeira vez do evento.

“Quem gosta de forró, tem forró. Quem gosta de rock, tem rock, quem gosta de pagode, tem pagode, então são vários estilos. Nós vamos fazer esse percurso com grande animação e orando pela vida”, diz o pastor Fabrício Fonseca, que também integra a organização do evento.

Estrutura

Todo o percurso da Marcha Para Jesus é acompanhado pela Polícia Federal, no trecho da Avenida João XXIII, até a Ponte JK; e depois, a partir da Avenida Frei Serafim, pela Polícia Militar, através da Força Tática e da Ciptran. Viaturas estão dispostas em pontos estratégicos do trajeto, que conta a inda com o apoio de uma ambulância do Corpo de Bombeiros, para casos de emergência.

A Avenida João XXII já foi totalmente interditada e sinalizada entre o balão do São Cristóvão e a Ponte JK. Strans e Ciptran direcionam os motoristas, que precisam passar pelo local, em rotas alternativas.





Roda de tereré em igreja acolhe a todos e tenta apagar cicatrizes das religiões – Por Thailla Torres


Pela primeira vez no oratório da Capela da Inclusão, que integra a Missão da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em Campo Grande, uma Roda de Tereré da Inclusividade é aberta para falar de sexualidade. 

O termo chegou para identificar a comunidade religiosa que acolhe e aceita a todos. Na roda, são colocados em discussões assuntos do cotidiano e um debate com proposito de acolher e ajudar aqueles que em algum momento da vida tiveram cicatrizes por conta das imposições religiosas. 

A congregação, que mostra publicamente o apoio aos homossexuais, também deixa claro que recebe qualquer pessoa, independente de denominação religiosa. A reunião recebeu inclusive ateus, para dividir o que sofre alguém que vai contra regras das igrejas. 

O frei Alexandre Bruno, de 27 anos, explica que é uma iniciativa para as pessoas conhecerem a comunidade e levantar questões importantes como política, igualdade, gênero e, principalmente, respeito à sociedade como um todo. A escolha do tereré foi pela cultura que costuma reunir pessoas e confraternizar.

"A inclusividade de fato acontece quando todos encontram o seu lugar. E é nessa perspectiva que a gente fez essa abertura junto com o tereré, a partir de um bate-papo, para de fato mostrar que a igreja deve aceitar todo mundo", explica. 

A Igreja chegou na comunidade em 2016 e há 6 anos está ligada a trabalhos sociais com pessoas em situações de vulnerabilidade. 

"Nosso foco é a família em sua totalidade, não importa o gênero. A gente sabe que esses debates são muito extensos, mas nós acolhemos as pessoas justamente para explicar o cristianismo e a sua essência que é o amor de Jesus. Pois o resto é tudo invenção do homem", diz o frei. 

Lesli Lidiane Ledesma, de 31 anos, é assistente social, cristã e decidiu conhecer a comunidade graças a um grupo de amigos. 

"Achei importante para buscar incluir determinados grupos que não se sentem incluídoscom outras formas de religiosidade, e isso propõe discussões que estão voltadas a trocas de experiências, formação e o que as pessoas estão buscando", explica. 

Ela acha a proposta da comunidade positiva por mostrar que inclusão tem a ver com informação. "Aqui a gente tem a oportunidade de ver todos os lados, de discutir e conversar de todos os assuntos com mais liberdade", comenta.

O psicológo Arthur Galvão Serra, de 27 anos, é ateu e faz parte da militância LGBT. No entanto, mesmo sem a pratica de uma denominação religiosa, ele gosta do debate. 

"Uma coisa que eu até falei para todos em minha apresentação é que a religião ela tem um papel importante na sociedade. O que me chama atenção é a diversidade de trajetórias e posicionamentos", comenta. 

Ele acredita que a roda é uma forma de colocar pessoas a pensar em assuntos que muitas vezes são deixados de lado pelas próprias doutrinas, como por exemplo a política. 

"Fico interessado em estar lado a lado de determinados movimentos e o questionamento mais interessante é o de política. Algumas religiões se eximem dessas questões e falar de uma vida melhor para o povo soa como partidário, mas não é, a ideia é tentar incluir pessoas que estão alheias a esses assuntos", diz. 

O tereré da "inclusividade" deu certo e a igreja pretende realizar o evento todo mês, em diversas regiões da cidade, para que a comunidade tenha acesso, sempre reforçando o respeito a todos. 

"Se nós não seguirmos o evangelho, nós não vamos alcançar a plenitude. Muitas igrejas não seguem, porque se seguissem, saberiam respeitar as diferenças", finaliza o frei.