quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pentecostalismo e Calvinismo: alguma relação possível? - Por Clóvis Gonçalves



Introdução

Historicamente, a relação entre calvinistas e pentecostais não tem sido sempre amistosa. Em muitas obras publicadas o tom belicoso não foi evitado. Contudo, em tempos mais recentes e de forma crescente, pentecostais em busca de uma teologia mais robusta tem se aproximado do calvinismo, enquanto estes tem demonstrado maior abertura à liturgia pentecostal. 

Mesmo assim, essa crescente minoria tem sido vista com cautela, tanto por pentecostais como por calvinistas. E embora se admita que seja “muito possível que um crente individual, ou uma igreja, creiam firmemente nos cinco pontos do calvinismo e ao mesmo tempo creiam no batismo com o Espírito Santo como segunda experiência e na continuidade do dom de línguas”,1 tais crentes e igrejas são vistas como inconsistentes. A questão, pois, é se os dois sistemas são necessariamente auto excludentes ou existe compatibilidade entre as doutrinas distintivas de pentecostais e calvinistas.

O presente artigo não pretende ser uma defesa da doutrina pentecostal ou da teologia calvinista. Ao invés de investigar se os dois sistemas resistem a uma análise bíblico-teológica, parte-se da premissa de que ambos, ou pelo menos um deles, são verdadeiros, confrontando-os para descobrir se as duas teologias são fundamentalmente incompatíveis entre si. Dessa forma, o interesse recai sobre os eventuais conflitos entre os sistemas e sobre objeções recíprocas que apresentam, deixando de lado as objeções gerais com que os adeptos de uma ou outra corrente se deparam continuamente.

Não é raro, nas controvérsias teológicas, haver más representações das posições em debate. No que diz respeito ao pentecostalismo e calvinismo não é diferente, mesmo em obras tidas como de referência, que deveriam ser imparciais ao máximo. Neste trabalho serão seguidas as definições que concordem ao máximo com as oferecidas pelos próprios movimentos.

O que é calvinismo

O calvinismo é a tradição doutrinária associada ao reformador João Calvino (1509-1564), que forma a base teológica de igrejas reformadas e presbiterianas e define o conteúdo das confissões de fé clássicas como a Confissão Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563), os 39 Artigos da Igreja Anglicana (1562, 1571), os Sínodos de Dort (1619) e a Confissão de Fé de Westminster (1647), entre várias outras. AsInstitutas da Religião Cristã, escrita por Calvino em 1536 e ampliada em sucessivas edições, expõe as características centrais da teologia reformada. Além da obra de Calvino, os escritos de Theodore Beza (1519–1605), seu sucessor em Genebra e de Heinrich Bullinger (1504–1575), de Zurique, autor da Segunda Confissão Helvética, contribuíram para a formação da tradição reformada, que se espalhou rapidamente no continente europeu e inspirou o surgimento do puritanismo na Inglaterra.2

O calvinismo é também definido como uma visão de mundo fundamentada num único ponto, o qual determina sua perspectiva da história, política, artes e de cada detalhe da vida:3 a total soberania de Deus sobre a Criação, a História e a Redenção. Apesar do seu aspecto abrangente, o calvinismo é muitas vezes definido em termos de cinco pontos: Total Depravation (Depravação Total); Unconditional Election (Eleição Incondicional); Limited Atonement (Expiação Limitada); Irresistible Grace (Graça Irresistível); ePerseverance of the saints (Perseverança dos Santos).4 A origem dessa representação em cinco pontos remonta ao Sínodo de Dort, reunido entre 1618 e 1619 nesta cidade da Holanda, com o propósito de apresentar uma resposta aos chamados Cinco Pontos da Remonstrância, documento elaborado por dissidentes que pediam revisão da doutrina da salvação reformada.5

Depravação Total refere-se à condição do homem depois da Queda e significa que o pecado em seu poder, influência e inclinação afeta o homem por inteiro. Nosso corpo está caído, nosso coração está caído e nossa mente está caída. Não há nenhuma parte de nós que escape da devastação de nossa natureza humana pecadora.6 Isto não significa que o homem é tão mau como poderia ser, mas que ele nunca é bom o tanto que deveria ser. Neste estado não pode fazer nada que agrade completamente a Deus e sem a ação decisiva da graça divina não pode lograr ser salvo. Um termo correlato é inabilidade, que é a incapacidade de sairmos do estado de depravação. 

O homem não pode mudar o seu caráter ou agir de forma diversa dele. Não é capaz de conhecer as coisas espirituais, obedecer a lei de Deus e em seu estado carnal não pode agradar a Deus em nada. C. S. Lewis7 captou bem a inabilidade do homem ao dizer que “quanto pior você é, mais precisa do arrependimento e menos é capaz de arrepender-se”. A única forma de sair dessa condição desesperadora é através de uma operação divina, chamada regeneração.8

O segundo ponto é chamado Eleição Incondicional e “consiste em que, antes da Criação, Deus selecionou da raça humana, antevista como decaída, aqueles a quem Ele redimiria, traria à fé, justificaria e glorificaria em Jesus Cristo e por meio dele”.9 

A eleição é dita incondicional por ser uma expressão da graça livre e soberana, não constrangida nem condicionada por qualquer coisa naqueles que são os seus objetos. Para o teólogo pentecostal Duffield,10 a “eleição é um ato soberano de Deus porque, sendo Deus, não tem que consultar-se com, nem perguntar a opinião de ninguém mais.  E na medida em que a eleição teve lugar ‘antes da fundação do mundo’ (Ef 1:4), não havia ninguém com quem Deus pudesse consultar. E todo homem tendo pecado e sendo culpado diante de Deus, Ele não estava sob obrigação de prover salvação a ninguém. A eleição é um ato da graça de Deus por esta mesma razão”.

Expiação Limitada é a visão de que a obra de Cristo na cruz foi intencionada em favor dos eleitos apenas, embora pelo seu valor fosse suficiente para todos.11 Este talvez seja o ponto mais controverso do sistema calvinista, em parte por má expressão ou compreensão. O que o calvinista limita não é o valor da morte de Cristo. 

De acordo com o calvinista Sproul,12 “a expiação de Jesus Cristo é suficiente para todos os homens. O valor do sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai é de valor infinito. Há mérito na obra de Cristo para cobrir os pecados de cada ser humano que já viveu. Assim, não há limite de valor no sacrifício que foi feito. Neste sentido, o que Cristo fez na cruz é suficiente, objetivamente considerado, para cobrir os pecados de cada indivíduo no mundo”. A questão tem a ver com o propósito que Deus tinha ao enviar seu Filho com a missão de morrer na cruz: era tornar possível a salvação de todos ou certa a salvação dos eleitos? Os calvinistas respondem afirmativamente a esta última parte.

Graça Irresistível é o conceito teológico que denota que a obra de Deus na salvação de um indivíduo procede primeiramente de Deus e que não falha em trazer a pessoa para baixo dos benefícios da cruz, uma vez que não pode ser frustrada por seres humanos.13 Assim, Deus sozinho é o autor da salvação, do início ao fim. Porém, o termo Graça Irresistível não é isento de confusão. Pode transmitir que a graça de Deus não sofre resistência, enquanto a Bíblia se refere aos que sempre resistem a graça divina. 

Por isso, alguns preferem o termo Graça Invencível, o que indica que a graça, embora possa ser resistida é finalmente eficaz nos eleitos. A Graça Irresistível tem a ver com a regeneração, que na visão calvinista é monergística, vale dizer, é um ato simples e exclusivo de Deus, no qual a alma do homem permanece passiva.14

A Perseverança dos Santos é a crença de que uma pessoa regenerada e verdadeiramente justificada pela fé em Cristo tem a salvação eterna e não pode perdê-la.15 É uma decorrência lógica dos pontos anteriores. 

Se Deus elegeu incondicionalmente um povo para salvar e se proveu uma expiação que assegura essa salvação, é inevitável que os eleitos para a vida eterna vão chegar a essa vida eterna. Em outras palavras, negar a perseverança dos santos é negar a graça soberana de Deus na eleição incondicional.16Novamente, argumenta-se que o termo Perseverança dos Santos não é o mais adequado, preferindo-se Perseverança do Salvador ou Preservação dos Santos. 

De qualquer modo, a perseverança é o aspecto visível da eleição e da expiação. O que não significa que um crente regenerado não possa cair parcial ou temporariamente da fé. Nem que “uma vez salvo, salvo para sempre”, não importando a vida de santidade ou no pecado. Mas que se ele foi de fato salvo, então será reconduzido à fé e ao arrependimento, para alcançar a santidade necessária para ver o Senhor.

O que é pentecostalismo

Visto de forma isolada, o Movimento Pentecostal é o fenômeno religioso de maior destaque do século XX,17 18 . Em 1900, o movimento não existia. Cem anos depois, em conjunto com os renovados, o grupo é maior que todos os outros evangélicos somados, ficando atrás apenas da Igreja Católica Romana em números absolutos. Ao invés de se deixar ser tomado pelo triunfalismo, muitos pentecostais reconhecem que a sua influência não tem correspondido ao crescimento numérico, o que tem trazido perigos e desafios.

Como movimento, o pentecostalismo encontra sua origem no trabalho do evangelista da santidade e pregador de cura divina, Charles F. Parham. Enquanto dirigia uma pequena escola bíblica em Topeka, Kansas, Parham instruiu seus alunos a lerem o livro de Atos em busca de uma evidência bíblica do batismo com o Espírito Santo. A pesquisa chegou a um espetacular resultado quando, no primeiro dia do ano de 1901, uma estudante, Agnes Ozman, falou em línguas.19 

Embora haja relatos de pessoas falando em línguas antes de 1901 e a terminologia batismo com o Espírito Santo tenha sido usada por evangélicos tradicionais antes disso, o ocorrido em Topeka é significativo por estabelecer a ligação entre batismo com o Espírito Santo como revestimento de poder e a evidência associada ao falar em línguas.20

Poucos anos depois um pregador negro do movimento de santidade, William J. Seymour foi convencido da experiência pentecostal e passou a pregá-lo em Los Angeles, onde finalmente estabeleceu uma missão pentecostal na Rua Azusa, na qual negros e brancos cultuavam juntos. 

Devido a localização estratégica de Los Angeles para viagens internacionais e a divulgação pela imprensa local do que acontecia nos cultos da igreja, muitos tiveram conhecimento e contato com a experiência pentecostal, que se espalhou pelo globo, embora manifestações pentecostais tenham surgido em várias regiões do mundo sem uma influência direta de Azusa.21

O movimento pentecostal se distingue de outros ramos do protestantismo por dois pontos doutrinários: a crença no Batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da conversão e na atualidade dos dons espirituais, especialmente o falar em línguas. Em geral, os pentecostais adotam uma soteriologia arminiana, são credobatistas, aceitam a cura divina e advogam uma escatologia premilenarista. Contudo, tais convicções vieram do contexto onde o pentecostalismo surgiu e não são essenciais à pneumatologia pentecostal.

O Batismo com o Espírito Santo é definido como a experiência definitiva, subsequente à salvação, na qual a terceira pessoa da Divindade vem sobre o crente para ungir e conceder poder para o serviço.22 A experiência é relatada no Novo Testamento como o Espírito “caindo sobre”, “vindo sobre” ou sendo “derramado sobre” o crente, de forma repentina e sobrenatural. Os cristãos tradicionais enfatizam o aspecto soteriológico da obra do Espírito Santo (com o que os pentecostais concordam), e consideram o batismo com o Espírito Santo como experiência inseparável da regeneração, definindo-o como o ato do Espírito de Deus que coloca os crentes no Corpo de Cristo, a Igreja.23 

Os pentecostais enfatizam a separalidade e, não raro, a subsequência do batismo com o Espírito Santo em relação à experiência da conversão, recorrendo aos relatos de Atos para demonstrar que os que receberam o batismo com o Espírito Santo eram crentes, tinham se arrependido e entrado numa nova vida com Cristo antes disso.24

Apesar do Batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas estarem relacionado entre si, expressando a singularidade da origem do movimento pentecostal, são questões separadas. Há quatro posições possíveis relacionadas ao Batismo com o Espírito Santo e com o falar em línguas como sinal.25 Já nos referimos aos tradicionais que consideram o Batismo com o Espírito Santo indistinto da conversão, para estes não há evidência inicial, como o falar em línguas. 

Para os Unicistas, que também consideram o Batismo com o Espírito Santo como parte da conversão, o falar em línguas é evidência inicial obrigatória.26Há os grupos que consideram o Batismo com o Espírito Santo usualmente como posterior à conversão, mas que nem sempre são acompanhadas do falar em línguas, como a Igreja O Brasil Para Cristo.27

Finalmente, há os que defendem o Batismo com o Espírito Santo geralmente após a regeneração e sempre acompanhado do falar em línguas, posição das igrejas Assembleias de Deus.28 Mesmo estes últimos admitem outras evidências do Batismo com o Espírito Santo, como o fruto do Espírito, várias manifestações carismáticas e o poder dinâmico do Espírito Santo na vida do crente.29 De qualquer modo, os pentecostais em geral creem na atualidade do dom de falar em línguas, seja como sinal inicial, seja como evidência contínua.

O dom de línguas é o dom do Espírito Santo que consiste em habilitar uma pessoa para falar num idioma que não é seu.30 A exata natureza do dom de línguas é matéria controversa. Para os primeiros pentecostais, tratava-se de hetero-glossolalia, a capacidade de falar idiomas desconhecidos por quem fala, mas compreensíveis para os ouvintes. Agnes Ozman falou o idioma chinês e outros alunos falaram em cerca de outros 20 idiomas diferentes. 

Para a maioria dos pentecostais, contudo, o dom de línguas é glossolalia, a capacidade de falar num idioma desconhecido, tanto para quem fala quanto para quem ouve, daí a necessidade do dom de interpretar.31 O dom de línguas é utilizado para expressar adoração a Deus ou para pronunciar mensagens proféticas, neste último caso, por poucas pessoas e sucessivamente, sempre se fazendo acompanhar do dom de interpretação.

A conciliação é possível

Uma constatação imediata da análise dos pontos distintivos dos dois sistemas teológicos é que pertencem a áreas distintas do conhecimento teológico. Os cinco pontos do calvinismo são afirmações soteriológicas, enquanto que os dois pontos distintivos do pentecostalismo dizem respeito à pneumatologia. 

Óbvio que não são áreas estanques ou que um cristão possa manter suas convicções departamentalizadas. O calvinismo atribui um papel fundamental ao Espírito Santo na regeneração, enquanto que o pentecostal mantém que a função principal do Espírito Santo é glorificar a Cristo, por quem somos salvos e por meio de quem recebemos o próprio Espírito Santo. Assim, sendo disciplinas distintas dentro de uma teologia sistematizada, não há conflito direto, mas estando inter-relacionadas, um exame sobre eventual incompatibilidade se faz necessário.

O maior potencial para conflito está no entendimento do que seja o Batismo com o Espírito Santo. Já houve quem pensasse que o mesmo se referia ao batismo realizado na igreja local sob direção do Espírito Santo ou que no batismo Deus infunde o Espírito Santo no batizando. 

Porém, o mais comum entre os não pentecostais é que o Batismo com o Espírito Santo seja entendido como parte da experiência de conversão-iniciação no Corpo de Cristo, quando não a mesma coisa. Os pentecostais por sua vez mantêm a subsequência do Batismo com o Espírito Santo em relação à conversão. Mas será que esta diferença é tal que incompatibiliza uma convicção calvinista-pentecostal coerente?

Que o Batismo com o Espírito Santo é distinto do ato de regeneração e da experiência de conversão parece ser ponto comum, com exceção de poucos que dizem ser a mesmíssima coisa. O ponto em debate é a separalidade ou a subsequência. Mas mesmo neste caso, há suficiente testemunho de que os reformados nem sempre discordam dos pentecostais. R. A. Torrey ensinou que uma pessoa pode ou não ser batizada no momento da regeneração e refere-se ao batismo com o Espírito Santo de D. L. Moody como tendo ocorrido depois de sua conversão . Martyn Lloyd-Jones também se referiu ao Batismo com o Espírito Santo como uma experiência distinguível da regeneração e da conversão. Para ele, sempre que o Novo Testamento falava de crentes sendo cheios do Espírito Santo tratava-se de Batismo com o Espírito Santo, exceto Ef 5:18.34

Os pentecostais, por sua vez, com sua ênfase na separalidade, de forma alguma desvalorizam a obra do Espírito Santo no novo nascimento. Para eles, tanto o pregar o evangelho, como o responder a ele, é uma obra do Espírito Santo. Nas palavras de Fee, 35“fica claro disto tudo que a conversão do crente individual começa com um ato soberano de Deus, executado pelo Espírito Santo... a ação de Deus é claramente a anterior”. 

Para ele, “o Espírito parece tanto o que inicia a nossa fé como o que é recebido por essa mesma fé”. Quanto ao Batismo no Espírito Santo como iniciação-inclusão no corpo de Cristo, este é o entendimento de muitos pentecostais com relação a 1Co 12:13, entre eles R. M. Riggs, E. S. Williams, Donald Gee, P. C. Nelson e Myer Pearlman.36 Portanto, as diferenças entre calvinistas e pentecostais quanto ao Batismo com o Espírito Santo em si não são tão evidentes, nem irreconciliáveis, especialmente à luz da herança comum das duas tradições.

Além disso, tanto calvinistas como pentecostais tem em comum o que Alister McGrath lista como características das igrejas evangélicas: suprema autoridade das Escrituras, majestade de Jesus Cristo, senhorio do Espírito Santo, necessidade de conversão pessoal, prioridade da evangelização e importância da comunidade cristã.37 

Além disso, reivindicam para si o fato de terem os mesmos antepassados. Os pietistas, que se reuniam nos domingos à tarde para estudar a Bíblia relatam que em seus dias foram batizados com o Espírito Santo. 

Os puritanos, calvinistas que eram estudantes metódicos da Palavra de Deus, incentivavam uns aos outros a buscarem uma outra experiência com o Espírito Santo, distinta da conversão, à qual chamavam de selo do Espírito. Os mestres de Keswick, entre os quais listam-se Hudson Taylor, Andrew Murray, F. B. Mayer, G. Campbell Morgan e D. L. Moody também se referiram a uma experiência mais abundante com o Espírito Santo, posterior à conversão. Todos eles podem, e geralmente são, considerados como antepassados tanto de tradicionais como de pentecostais.38

Experiências recentes têm demonstrado que uma pessoa ou igreja pode, de forma coerente, manter convicções calvinistas e pentecostais. Existem seminários tradicionais dirigidos por teólogos pentecostais, ou por tradicionais e pentecostais em harmonia. 

Escolas pentecostais têm em seus quadros de professores calvinistas convictos. É cada vez maior o número de alunos pentecostais em seminários tidos como tradicionais.39 Um dos pontos do movimento chamado novo calvinismo é exatamente o ministério cheio do Espírito Santo, ou seja, a crença na atualidade dos dons espirituais.40

A associação é proveitosa

Porém, a associação entre calvinismo e pentecostalismo não é apenas possível, mas grandemente útil. Até mesmo obras críticas ao pentecostalismo reconhecem que há benefícios a serem desfrutados. Como exemplo, Chantry41  (1990) cita o interesse revivido no Espírito Santo, uma vez que a igreja tradicional tem menosprezado o ensinamento sobre o Espírito Santo. 

Depois de reconhecer que nem todas as igrejas pentecostais têm sido débeis na doutrina, Macleod42 diz ser possível aprender muito com os pentecostais em termos de zelo, mobilização de todo o corpo de crentes e anelo pelo ministério do Espírito Santo. De outro lado, os pentecostais estão procurando chegar a um acordo com sua herança evangélica tradicional.43 

Muitos reconhecem que falando de modo geral, deram mais ênfase à experiência que à teologia, o que os manteve afastados da ética e dos postulados doutrinários da Reforma Protestante.44Uma relação com calvinistas resultará proveitosa em desenvolver uma maior robustez teológica.

Banister45 insiste que não precisamos escolher entre o legado tradicional e o renovado quando podemos aproveitar o que há de melhor nos dois mundos. Os pentecostais só têm a ganhar com pregações expositivas, maior ênfase na autoridade e suficiência das Escrituras, de uma visão mais bíblica do sofrimento e que o Reino de Deus ainda não está completo aqui. 

Os tradicionais ganhariam com uma maior ênfase no poder do Espírito, na crença que Deus fala ainda hoje, no culto participativo e de que o Espírito Santo deve ser experimentado. Uma mente calvinista e pentecostal não é uma mente dividida, mas uma mente que de forma consistente reconhece a soberania de Deus na salvação e na capacitação para o serviço.


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Notas

1MACLEOD, Donald. El bautismo con El Espíritu Santo: Una perspectiva bíblica y Reformada. San José, Costa Ríca: CLIR, 2005.
2REID, D. G.; LINDER, R. D.; SHELLEY, B. L. & STOUT, H. S. Dictionary of Christianity in America. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1990.
3REID et all, op. cit.
4ANDRADE, C. C. Diccionario Teológico. Miami, Flórida: Patmos, 2002
5BUSWELL JR, J. O. Teología sistemática, tomo 3. Miami, Florida: Logoi, Inc., 1983.
6SPROUL, R. C. The Unexpected Jesus: The Truth Behind His Biblical Names. Fearn, UK: Christian Focus Publications, 2005
7LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
8WOOD, D. R. W., & MARSHALL, I. H. New Bible dictionary. Leicester, England: InterVarsity Press, 1996.
9PACKER, J. I. Teologia concisa: síntese dos fundamentos históricos da fé cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 1998.
10DUFFIELD, G. P. & VAN CLEAVE, N. M. Foundations of Pentecostal theology. Los Angeles, CA: L.I.F.E. Bible College, 1983.
11KARLEEN, P. S. The handbook to Bible study: With a guide to the Scofield study system. New York: Oxford University Press, 1987
12SPROUL, R. C, op. cit.
13KARLEEN, P. S. op. cit.
14HODGE, Charles. Teologia sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
15REID et all, op. cit.
16BUSWELL JR, J. O. op. cit.
17REID et all, op. cit.
18MENZIES, William W. & MENZIES, Robert P. No poder do Espírito: fundamentos da experiência pentecostal. São Paulo: Vida, 2002.
19REID et all, op. cit.
20MENZIES, William W. & MENZIES, Robert P. op. cit.
21ENZIES, William W. & MENZIES, Robert P. op. cit.
22DUFFIELD, G. P. & VAN CLEAVE, N. M. op. cit.
23KARLEEN, P. S. op. cit.
24HORTON, Stanley M (ed). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
25HORTON, Stanley M (ed). op. cit.
26JACKSON, T. M (ed). Bible doctrines: fundation of the church. Hazelwood, MO: Pentecostal Publishing House, 1984.
27CONVENSUL. Credo da Igreja O Brasil Para Cristo. Disponível na Internet por http em: http://www.convensul.com.br/obpc/credo/#.URk38KU0WSo. Acesso em 11/02/2013.
28CPAD. Cremos. Disponível na Internet por http em: http://www.cpad.com.br/assembleia/cremos/. Acesso em 11/02/2013.
29HORTON, Stanley M (ed). op. cit.
30LOCKWARD, A. Nuevo diccionario de la Biblia. Miami: Editorial Unilit, 2003.
31DEIROS, P. A. Diccionario Hispano-Americano de la misión. Casilla: Argentina: COMIBAM Internacional, 1997.
32RYRIE, C. C. Teologı́a básica. Miami: Editorial Unilit, 2003.
33RYRIE, C. C. op. cit.
34LARSEN, T.; BEBBINGTON, D. W., & NOLL, M. A. Biographical dictionary of evangelicals.
Leicester, England; Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2003.
35FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o povo de Deus. Campinas, SP: United Press Ltda, 1997.
36HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
37BANISTER, Doung. A igreja da Palavra e do Poder. São Paulo: Vida, 2001.
38BANISTER, Doung. op. cit.
39BANISTER, Doung. op. cit.
40NIEL, Filipe. Os quatro pontos do novo calvinismo. Disponível na Internet por http em: http://filipeniel.blogspot.com.br/2011/02/os-4-pontos-do-novo-calvinismo.html. Acesso em 12/02/2013.
41CHANTRY, Walter J. Señales de los apostoles: observaciones sobre el pentecostalismo antiguo e moderno. Carlise, Pensilvania: El Estandarte de la Verdad, 1990.
42MACLEOD, Donald. op. cit.
43MENZIES, William W. & MENZIES, Robert P. op. cit
44NAÑEZ, Rick. Pentecostal de coração e mente. São Paulo: Vida, 2007.
45BANISTER, Doung. op. cit.




Não, o Islã não é inerentemente misógino. Eis o porquê – Por Bina Shah



Junaid Jamshed, cantor pop paquistanês que virou pregador islâmico, viu-se em apuros recentemente por fazer declarações misóginas na TV. 

Tentando provar erroneamente que as mulheres não têm status independente no islamismo, ele disse: "O nome de Hazrat Maryam (Maria) é apenas mencionado no Alcorão, e isso por causa de Hazrat Isa (Jesus). Nenhum outro nome de mulher é citado no livro sagrado. Além disso, Alá não gosta quando o nome de uma mulher é mencionado no Alcorão".

Um movimento: "Proíbam Junaid Jamshed" surgiu nas redes sociais horas depois de ser divulgada a declaração. Paquistanesas revoltadas estão pedindo um boicote aos empreendimentos comerciais de Jamshed, que incluem um açougue e uma linha de roupas.

Infelizmente, muita gente no mundo islâmico ainda pensa como Jamshed, em maior ou menor grau; ortodoxos e pessoas que interpretam o Alcorão literalmente usam as escrituras e as Hadiths, ou ditos do profeta, para justificar sua misoginia, interpretando as alegorias do livro com uma literalidade maliciosa. 

Elas distorcem o significado, a intenção e o contexto das escrituras até que o significado verdadeiro tenha sido obliterado. Elas não levam em conta o fato de que os versos que dizem respeito a homens e mulheres tinham o objetivo de introduzir equilíbrio numa sociedade árabe pagã que não conhecia a ideia de harmonia e cooperação entre homens e mulheres.

Sociedades muçulmanas há muito são campos de batalha de um conflito entre o patriarcado clássico e o espírito revolucionário do Islã em seus primeiros momentos. O ambiente pré-Islã da Meca do século 7, com seu tribalismo, falta de lei e ordem e guerras frequentes, era dominado pelos homens. 

O advento do Islã desafiou o status quo e procurou não só introduzir um novo tipo de ordem social como também limitar os excessos da sociedade da época, que prejudicava mulheres e meninas, a abolição do costume de enterrar meninas recém-nascidas é um dos melhores exemplos desse espírito. 

No início, o Islã tentava elevar as mulheres e defini-las como agentes independentes, dotadas de livre arbítrio, responsáveis por seus atos e imbuídas de certos direitos sobre os homens (assim como os homens são imbuídos de direitos e privilégios complementares sobre as mulheres).

"No início, o Islã tentava elevar as mulheres e defini-las como agentes independentes, dotadas de livre arbítrio, responsáveis por seus atos e imbuídas de certos direitos sobre os homens."

Embora seja verdade que só Maria seja citada pelo nome no Alcorão, podemos contar 24 mulheres nas escrituras, mencionadas de várias formas e com vários propósitos. Segundo Seyyedeh Sahar Kianfar, que escreve para a Associação Internacional do Sufismo, 18 dessas mulheres aparecem como personagens secundárias.

As cinco principais, incluindo Maria, mãe de Jesus, Bilquis, a rainha de Sheba, Hannah, mãe de Maria, Hawa (Eva) e Umm Musa, a mãe de Moisés, "servem como exemplos de bom caráter, com o qual se pode aprender e no qual pode-se mirar".

Há um capítulo inteiro do Alcorão intitulado "Maria", que conta a sua história e o nascimento de Jesus. Outro capítulo, chamado "Mulheres", delineia em detalhes os direitos e responsabilidades das mulheres e os direitos e responsabilidades dos homens para com elas. Não parece um livro no qual a aparição de mulheres seja uma ofensa a Deus.

A análise grosseira de Jamshed ignora o fato de que o Alcorão nunca teve a intenção de ser um "livro" cujo objetivo era satisfazer sensibilidades intelectuais. Muitos detratores do Islã apontam as leis de herança, a poligamia e certos versos que são interpretados como uma aceitação da violência doméstica, da escravidão sexual e de outras violações da justiça e dos direitos humanos. 

Há muitas feministas islâmicas, tais como Amina Wadud, Kecia Ali, Riffat Hassan e Laleh Bakhtiar, que trabalham ativamente para retraduzir e reinterpretar esses versos do Alcorão. 

Elas colocam muitos versos das escrituras, assim como várias Hadiths, no contexto histórico correto, ignorado pelos juristas clássicos e tradutores e intérpretes. Os detratores do Islã apontam para um suposto chauvinismo "inerente", e os misóginos tentam justificar a perpetuação das tradições patriarcais com citações literais das escrituras.

"O advento do Islã procurou não só introduzir um novo tipo de ordem social como também limitar os excessos da sociedade da época, que prejudicava mulheres e meninas."

A misoginia não atrai todos os homens muçulmanos, mas todos os homens muçulmanos de sociedades tradicionais foram criados em um contexto cultural de patriarcado, que opera com fortes princípios de exclusão e de privilégio masculino. Monarquia, colonialismo e ditaduras violentas, que afetaram a maioria dos países muçulmanos em algum ponto de suas histórias, enraizaram profundamente esses princípios patriarcais na psique de homens e mulheres. 

Pode-se dizer que os homens internalizaram os princípios do autoritarismo, amparados pelos sistemas políticos de seus países. Por sua vez, eles tentam governar as mulheres como seus países foram governados por autocratas locais e depois colonizados por potências ocidentais. A misoginia serve para manter o senso de poder pessoal do homem quando seu poder político lhe foi roubado.

Ultimamente, as mulheres muçulmanas vêm reivindicando mais direitos, graças a um aumento gradual da educação e da alfabetização. Elas também respondem a uma demanda crescente por mulheres na força de trabalho, para fortalecer as economias de seus países. Desenvolvimento, direitos humanos e movimentos democráticos vindos do Ocidente às vezes tentam usar os direitos e o status das mulheres como uma régua para medir quão "oprimida" ou "livre" é uma sociedade. 

Sylvia Poggioli, correspondente-sênior da rádio americana NPR, identificou a tendência da seguinte maneira: "No debate acalorado sobre o Islã no Ocidente, as mulheres muçulmanas costumam ser o ponto crítico, seus códigos para se vestir, seus direitos, seus papeis na sociedade".

Resultado: alguns homens muçulmanos dão boas-vindas a essa maior estatura das mulheres, enquanto outros se ressentem e vêem nos "direitos das mulheres" uma influência estrangeira maliciosa, uma continuação do colonialismo que humilhou e alienou a geração de seus pais. 

A perda do equilíbrio que sempre serviu bem aos homens, causada tanto pelo Ocidente quanto por mulheres muçulmanas e seus aliados homens, é responsável por uma espécie de competitividade destrutiva em relação às mulheres. Os homens que não conseguem lidar com essas mudanças reagem usando força física e mental para evitar que elas tenham mais autonomia.

"Há muitas feministas islâmicas que trabalham ativamente para retraduzir e reinterpretar certos versos do Alcorão sob uma perspectiva feminina."

Nenhuma análise da misoginia nas sociedades muçulmanas estará completa sem que se entenda o papel da mãe na família muçulmana. Ela é extremamente poderosa. A maioria dos muçulmanos se lembra de crescer em uma casa na qual a autoridade maior era a mãe, igualmente apoiada por figuras femininas fortes: tias, irmãs mais velhas, avós. A autoridade da mãe sobre a criança é completa (e o Islã garante que o filho fique sob os cuidados da mãe em caso de divórcio), apesar de isso ir de encontro ao patriarcado que as crianças observam fora de casa.

Sociedades inteiras no mundo muçulmano podem de desenvolver e progredir com o avanço das mulheres, e não há nada nas escrituras que contradiga essa ideia. Mas a misoginia no mundo islâmico tem de ser enfrentada, para não darmos um passo adiante e logo depois um passo para trás. Nossas sociedades estão mudando rapidamente, e precisamos garantir os direitos das mulheres.






A Conferência da ONU e as religiões – Por Marcelo Barros



Dentro de poucos dias, a ONU fará em Paris mais uma Conferência internacional sobre as mudanças climáticas para pedir aos Estados membros novos compromissos que possam deter o aquecimento global. Nessa semana, tivemos no dia 06 de Novembro: 

"o dia internacional para a prevenção da exploração do meio ambiente”

Cada vez mais, a humanidade toma consciência de que a prevenção contém um elemento técnico, supõe uma opção política clara, mas não basta. O ser humano só mudará a sua forma de relacionar-se com os seus semelhantes e com os outros seres vivos se optar por um olhar de amor sobre o universo. 

Na sua mais recente encíclica, o Papa Francisco mostra que, para cuidar da Terra, nossa casa comum, é preciso aprofundar a relação consigo mesmo, com os outros e pressentir uma marca divina por trás de cada ser do universo.

Atualmente, o nosso planeta abriga quase 7 bilhões de pessoas. Nos próximos 50 anos, a previsão é de que o mundo tenha entre 8,5 a 9 bilhões de habitantes. Mas, como viverá essa população, se metade dos recursos hídricos disponíveis para consumo humano e 47% da área terrestre já são utilizados? E ainda assim, um bilhão de pessoas sofrem desnutrição e insegurança alimentar.

A cada dia, mais de 30 mil morrem por este motivo. A relação entre crescimento populacional e o uso de recursos do Planeta já ultrapassou em 20% a capacidade de reposição da biosfera e esse déficit aumenta cerca de 2,5% cada ano. Isso quer dizer que a diversidade biológica, de onde vêm novos medicamentos, novos alimentos e materiais para substituir os que se esgotam, está sendo destruída muito mais rápido do que está sendo reposta. Esse desequilíbrio cresce a tal ponto que, até 2030, 70% da biodiversidade poderá ter desaparecido.

Quando, no século XVIII, os bandeirantes e aventureiros de São Paulo penetraram no nosso Centro-oeste, atrás de ouro e de índios para escravizar, depararam-se com a Serra Dourada, qual misterioso paredão de pedras que atravessa quilômetros, se levanta como uma barreira que exige parada e reflexão.

Hoje essa cadeia montanhosa, que atravessa diversos municípios do cerrado goiano, divide os territórios da querida Cidade de Goiás da velha Mossâmedes, que, até pouco mais de um século, era um aldeamento para amansar "bugres brabos”, ou seja, índios que não aceitavam ser escravos. Dizem que a serra foi ficando amarelada de tanto ver injustiças e opressões.

Os brancos que só pensam em riquezas viram a serra empalidecer. Julgaram ser por causa do brilho do ouro em suas veias de pedra. Denominaram-na de Serra Dourada. Ao aproximar-se da cidade de Goiás, o majestoso paredão se enriquece de picos para que melhor se contemple, do mais alto, o planalto agreste tão amplo, que no horizonte se torna azul e se faz um só com o céu sem nuvens.

Dizem que ali, sobre um daqueles pontos altos mais próximos ao céu, há uma pedra misteriosa que os índios chamavam de "Salto do Vento”. É um recanto sagrado que nenhum branco sabe com certeza designar onde fica. Naquele ponto do paredão vertical, muitos guerreiros Kaiapós voaram para os campos sem escravidão, para não ser aprisionados por seus algozes.

Até hoje, os espíritos dos antepassados rondam aquele lugar sacrossanto. Com o urubu-rei que, nos fins de tarde, sobrevoa o paredão, velam sobre aquele santuário, até hoje, intocado. Agora, os espíritos choram não mais apenas pelos jovens guerreiros que saltaram sobre o Salto do Vento. Eles lamentam a situação trágica do Cerrado goiano, o mais frágil dos ecossistemas brasileiros e que continua agredido de todas as maneiras pelo sistema econômico que busca apenas o lucro fácil.

O clamor da Terra ferida só tem sido escutado pelos povos originários indígenas e afrodescendentes. E também pelos grupos da sociedade civil que aprofundam a espiritualidade ecológica e se põem em diálogo para buscar novos caminhos. Todos esses buscam resgatar a dignidade da Terra, da Água e do Ar. 

No Ocidente, o Papa Francisco e no Oriente, Bartolomeu, patriarca ecumênico de Constantinopla, têm pedido a todas as Igrejas cristãs que se insiram nessa caminhada de cura da Terra e ajudem a humanidade a contemplar e respeitar o Espírito presente e atuante na natureza.

Para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), que acontecerá em Paris no final desse mês, as Igrejas e outras religiões devem se colocar junto com os movimentos sociais e organizações da sociedade civil internacional no compromisso de priorizar o que o Papa Francisco chama de "ecologia integral”. Devemos colaborar na educação de toda a humanidade para restabelecer a aliança entre o ser humano e todos os outros seres vivos.


Não basta que as religiões cultivem em seus cultos o cuidado com a Terra, a Água e todos os seres vivos. É fundamental que esse amor se expresse em termos sociais e políticos. Toda humanidade deve ser convidada para fazer da vida e da convivência com a Terra uma experiência de ternura e amor.