segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Na Índia, mais de 200 atos anticristãos em 2015


Em 2015 foram registrados mais de 200 atos de violência anticristã na Índia.

Sete pastores protestantes e um leigo foram mortos, enquanto as vítimas de diversas formas de violência, incluindo mulheres e crianças, chegaram a 8 mil.

Inúmeras igrejas foram atacadas ou destruídas. Foi o que revelou o relatório: "India Christian Persecution", elaborado pelo "Catholic Secolar Forum" (CSF), organização da sociedade civil indiana.

Grupos extremistas hinduístas responsáveis pela violência

Segundo o Relatório sobre as violências contra os cristãos na Índia em 2015, os autores da violência são grupos e formações extremistas e fanáticas hinduístas, que promovem a ideologia do Hindutva, que objetiva eliminar da Índia os fieis das religiões não hinduístas. Tais grupos são hostis às minorias religiosas muçulmanas e cristãs e difundem uma campanha de ódio e de difamação que depois gera atos concretos de violência.

Madhya Pradesh registra maior número de violências

Segundo revela o relatório, esta ideologia é mais propagada no Estado de Maharashtra, enquanto no topo da lista de violências anticristãs está o Estado de Madhya Pradesh. A seguir vem Tamil Nadu, Jharkhand, Chhattisgarh, Haryana, Odisha, Rajasthan, em uma lista da qual constam mais de 23 Estados da União indiana.

Cerimônia hinduísta de reconversão para dalit e tribais cristãos

O Relatório revela que uma das principais acusações contra os cristãos é a de "conversões forçadas", com meios fraudulentos. Por este motivo, o governo de Madhya Pradesh modificou a chamada "lei anti-conversões", tornando mais rígidas as penas. O leigo católico Joseph Dias, responsável do CSF, explica que "a conversão forçada não faz parte de forma alguma do horizonte da fé cristã. Trata-se somente de dar liberdade de consciência e de religião, prevista pela Constituição". Tiveram um aumento, por outro lado, as "cerimônias de reconversão", organizadas por grupos extremistas hinduístas em diversos Estados indianos, em que os dalit e tribais cristãos são obrigados a converterem-se em massa ao hinduísmo.

A difusão do grupo extremista hinduísta RSS

Entre os grupos responsáveis pelas violências, consolidou-se em 2015 o Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), que "reforçou sua influência sobre o sistema político do país", observa o texto. Atualmente a sigla conta com mais de 15 milhões de militantes distribuídos em 50 mil células locais, e em suas fileiras estão presentes membros da polícia, da magistratura e da administração estatal.






Papa vai visitar Suécia para assinalar quinto centenário da reforma protestante


O Vaticano anunciou hoje em comunicado que o Papa tem a “intenção” de deslocar-se à Suécia para “comemorar” o 500.º aniversário da reforma protestante.

Francisco quer participar numa cerimónia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial na cidade sueca de Lund, a 31 de outubro, acrescenta a nota oficial. A informação é divulgada, simbolicamente, no último dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Em novembro de 2015, o Papa visitou a Comunidade Luterana de Roma, na qual recordou os “tempos difíceis” das relações entre as duas Igrejas, com “perseguições”, pessoas “queimadas vivas”, situações pelas quais é preciso “pedir perdão”. Francisco foi recebido com uma salva de palmas no templo, que visitou como mensagem em “prol do diálogo e da unidade dos cristãos”, no contexto dos 500 anos da reforma protestante.

A 21 de Outubro de 2013, o Papa recebeu no Vaticano representantes da Federação Luterana Mundial, aos quais disse que católicos e luteranos devem “pedir perdão” uns aos outros e empenhar-se no diálogo ecuménico. A intervenção evocou o programa celebrativo comum que tem em vista assinalar os 500 anos da reforma protestante, em 2017.

“Acredito que é importante para todos confrontar em diálogo a realidade história da reforma, as suas consequências e as respostas que lhe foram dadas”, declarou Francisco. O Papa assinalou ainda o 50.º aniversário do diálogo teológico católico-luterano, cujo documento principal, até hoje, é a declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação (31 de Outubro de 1999).

Ainda em 2013, a Comissão Internacional de Diálogo Católica-Luterana pela Unidade publicou um documento intitulado: ‘Do conflito à Comunhão – Para uma comemoração comum da Reforma em 2017’. A 23 de Setembro de 2011, Bento XVI visitou o antigo convento dos Agostinhos em Erfurt, Alemanha, onde viveu Martinho Lutero (1483-1546), antes de promover a reforma que o levou à separação de Roma.

O agora Papa emérito destacou o facto deste encontro ecuménico decorrer num “lugar histórico”, onde Lutero “estudou teologia” contra a vontade do seu pai e foi ordenado sacerdote, em 1507. “Para ele a teologia não era uma questão académica, mas uma luta interior consigo mesmo e, por isso, tornava-se uma luta sobre Deus e com Deus”, disse.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).






Um dia de tristeza - Nota de Falecimento de Afonso Maria Ligorio Soares

Recebemos da SOTER a noticia do falecimento do professor Afonso Maria Ligorio Soares, amigo pessoal e um dos grandes nomes das Ciências da Religião no Brasil.


Ele foi Professor Livre-Docente (2009) do Departamento de Ciência da Religião da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo-UMESP (2001), com pós-doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, 2005). Mestre em Teologia Fundamental pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, 1990). 

Como Professor Associado da PUC/SP, lecionou no Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião. Foi Chefe do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC/SP (2007-2009), exerceu mandato trienal (2007-2010) como Presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião do Brasil (SOTER) e foi Vice-presidente da INSeCT-International Network of Societies for Catholic Theologies (Chicago/EUA, 2008-2011). 

Foi Editor da revista Religião & Cultura (2002-2009) e da revista Último Andar (2006-2009); criou e editou pela Paulinas Editora a revista eletrônica Ciberteologia (desde 2005), coeditor da Revista REVER (do Programa de Estudos Pós-graduados em C. da Religião da PUC-SP). Foi Editor-assistente de Paulinas editora (desde 1996), atuando na área de Ciências Humanas. Publicou 47 artigos em periódicos especializados. 

Possui 53 capítulos de livros e 6 livros publicados, dentre os quais: "De volta ao mistério da iniquidade" (2012), "Religião & Educação" (2010), "No espírito do Abbá: fé, revelação e vivências plurais" (2008) e "Interfaces da revelação: pressupostos para uma teologia do sincretismo religioso" (2003). Também organizou 11 livros e foi tradutor de outros 10. Participou de vários eventos acadêmicos no exterior e no Brasil. 

Supervisor de pós-doutorado, já orientou várias dissertações de mestrado e teses doutorais, além de trabalhos de iniciação científica e de conclusão de curso, especialmente nas áreas de Ciência da Religião, Teologia e Filosofia.