sábado, 30 de janeiro de 2016

Número de centros islâmicos sobe 20% em 2015 em São Paulo – Por Camilla Costa



O número de mesquitas e mussalas (salas de oração islâmicas) no Estado de São Paulo cresceu cerca de 20% em 2015, impulsionado pela chegada de refugiados e pela conversão de brasileiros, segundo a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras).

Dos atuais 30 centros islâmicos do Estado, que abriga a maior comunidade muçulmana do país, cinco foram abertos de Janeiro a Setembro de 2015. No ano passado, apenas um foi criado.

O crescimento em São Paulo ilustra o aumento do número de praticantes do islã em todo o Brasil, que ainda não foi quantificado. Atualmente, há 102 centros de oração islâmicos em todo o país.

"Não há levantamento científico (sobre o número de muçulmanos no país), mas começaremos a desenvolver isso porque ficou bastante evidente que há um aumento baseado nesse fluxo de imigrantes vindos de diversas regiões do Oriente Médio e de países africanos", disse Ali Hussein El Zoghbi, vice-presidente da Fambras, à BBC Brasil.

O Censo 2010 do IBGE fala em cerca de 30 mil praticantes da religião no país, mas a Federação estima que o número total de fiéis tenha saltado de 600 mil em 2010 para algo entre 800 mil e 1,2 milhão em 2015.

Entre eles estão imigrantes de países como Gana, Nigéria, Tanzânia, Bangladesh, Marrocos e Síria, este último, palco, desde 2011, de uma sangrenta guerra civil. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão ligado ao Ministério da Justiça, 2.077 sírios receberam status de refugiados do governo brasileiro de 2011 até Agosto deste ano.

Conversão

Os novos centros religiosos atendem a comunidades no Tatuapé e em Aricanduva (zona Leste de São Paulo), na rua Guaianazes (centro), em Veleiros (zona Sul) e em Embu das Artes (Grande São Paulo).

Segundo El Zoghbi, a abertura deles está ligada principalmente à conversão de brasileiros ao islã nas regiões periféricas da Grande São Paulo, e à necessidade de ter salas de oração mais próximas de seus bairros.

O sheik Rodrigo Rodrigues, que conduz as orações na mesquita do Pari, no centro da capital paulista, diz que as conversões de brasileiros têm se tornado mais frequentes. 

"Acho que todo sábado duas ou três pessoas se convertem aqui. Nós não registramos, porque acreditamos que a conversão é pessoal e espontânea", disse à BBC Brasil.

A reportagem ouviu alguns brasileiros que se converteram; estes se aproximaram da religião motivados por curiosidade ou por romances com muçulmanos. As conversões são espontâneas, segundo o presidente da Fambras, e por isso, pouco registradas. 

"No Brasil, o islã não faz proselitismo da maneira como se percebe em outras religiões. Essencialmente, o islã coíbe a ideia de que você possa coagir alguém a entrar na sua religião", diz.

Mas para a antropóloga da USP Ribeirão Preto Francirosy Ferreira, que estuda o islã no Brasil há 17 anos, as conversões de brasileiros foram impulsionadas pelo aumento recente da divulgação da religião no país.

"A comunidade muçulmana vem fazendo um trabalho de divulgação da religião em várias cidades e Estados do país. Isso aproxima os muçulmanos da comunidade em geral. Existe também uma influência recente das campanhas de divulgação da religião nas ruas feitas nos EUA, que chegaram muito forte no Brasil na época da Copa do Mundo, motivadas pela presença no país de jogadores muçulmanos", afirma.

"Também há mais sheiks que falam português e investiram no contato com a população. Especialmente porque os muçulmanos são muito atacados. Então eles têm que ocupar o espaço público para se defender dos mal-entendidos sobre a religião".

Segundo Ferreira, isso tem aproximado mais os muçulmanos das comunidades onde eles vivem e deixado a porta aberta para que brasileiros tirem dúvidas sobre a imagem da religião construída pelos meios de comunicação. Esse processo acabaria atraindo novas pessoas para a prática.

"As comunidades vêm crescendo avassaladoramente na Paraíba, na Bahia, em Belém (PA). Na comunidade de Barretos (SP), a cada semana há uma conversão", diz.

Repúdio ao 'Estado Islâmico'

O vice-presidente da Fambras afirma que as notícias frequentes sobre a ação do grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI) no Iraque e na Síria fazem com que muitos brasileiros associem o islã com radicalismo.

Mas ele diz que, tanto entre os convertidos quanto entre os estrangeiros, é mais comum observar repúdio ao "EI" do que "qualquer tipo de admiração". Mesmo assim, segundo ele, as organizações muçulmanas no país ficam atentas à orientação dos novos fiéis, em particular os imigrantes.

"Temos buscado dialogar com essas comunidades, principalmente para levar o conhecimento adequado da religião e proporcionar solidariedade a esses grupos que, em geral, passam por algumas dificuldades. Levamos livros, damos cursos para que o islã essencial possa ser a base de fundação dessas pessoas".

"Toda religião tem vertentes diferentes, mas o Brasil tem uma característica. São mais de cem entidades muçulmanas em todo o país, mas o centro do processo é a tolerância, o respeito às diferenças, a não promoção da violência de forma alguma, a ideia de apoiar políticas públicas que fazem com que o ser humano seja respeitado em suas necessidades".

Ele diz ainda que os imigrantes de países do Oriente Médio e do continente africano costumam ficar longe de quaisquer implicações políticas do islã.

"Essas pessoas vêm de uma maneira desesperada (fugindo da pobreza ou de guerras) e o foco é sobreviver. Elas não vêm com uma formação do islã político, nada disso. Vêm com o objetivo de ter uma vida digna e um local para praticar sua religião".







Estudiosos islâmicos defendem liberdade religiosa para todos




Lançado apelo às instituições educativas para uma revisão dos programas educativos, para eliminar tópicos que possam instigar à agressão e ao extremismo.

Uma Declaração para desenvolver uma jurisprudência islâmica sobre o conceito de cidadania, que seja inclusiva de todos os grupos, foi firmada em 27 de Janeiro por 250 estudiosos islâmicos reunidos em Marrakech, a convite do Ministério da Promoção dos Assuntos Islâmicos do Reino do Marrocos e do Fórum para a Promoção da Paz nas Sociedades Islâmicas, com sede nos Emirados Árabes Unidos.

A Declaração de Marrakech retoma a Carta de Medina

Segundo um comunicado referido pela Agência Fides, a Declaração de Marrakech retoma a Carta de Medina, divulgada há 1.400 anos, que nada mais é do que “um contrato constitucional entre o Profeta Maomé e o povo de Medina que garantia a liberdade religiosa para todos, independentemente da religião”.

Eliminar qualquer argumento que instigue à agressão e ao extremismo

Além de pedir aos estudiosos e aos intelectuais islâmicos para desenvolverem o conceito de cidadania na jurisprudência islâmica, é lançado um apelo às instituições educativas para “uma corajosa revisão dos programas educativos, para eliminar qualquer tópico que possa instigar à agressão e ao extremismo, levando à guerra e ao caos”; e aos políticos, para que “estabeleçam um contrato constitucional entre os cidadãos”. 

Pede-se, por fim, aos diversos grupos religiosos, para recordarem-se de que por séculos compartilharam a mesma terra, convivendo juntos, e de rejeitar toda forma de denegrir o outro.

Não usar a religião para atingir os direitos das minorias religiosas nos países muçulmanos

A Declaração de Marrakech conclui afirmando que é “inconcebível usar a religião para atingir os direitos das minorias religiosas em países muçulmanos”. No encontro de Marrakech estavam presentes cinquenta líderes de outras religiões que expressaram o seu agradecimento pela Declaração.





quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Novas leis "restringem" liberdade de expressão e religião na China


A China continua a ser um estado autoritário, que restringe uma ampla gama de direitos humanos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão, associação, reunião e religião, avalia um levantamento anual realizado pela Human Rights Watch.

Divulgado hoje, o 26.º relatório sobre direitos humanos da Organização Não Governamental (ONG) aponta que as liberdades de expressão e de religião, já limitadas entre os chineses, foram particularmente atingidas em 2015 por novas medidas restritivas.

"Indivíduos e grupos que lutaram pelos direitos humanos foram vítimas de uma campanha agressiva contra a dissidência pacífica, recebendo tratamento contrastantes com voto do presidente Xi Jinping de promover um estado de direito", destaca a análise.

Segundo a HRW, entre Julho e Setembro, cerca de 280 advogados que defendem ativistas e movimentos religiosos foram detidos e interrogados em todo o país. Destes, 40 permanecem sob custódia, a maioria em locais secretos sem acesso a advogados ou familiares.

A maioria deles teria sido acusada de fazer parte de uma "grande quadrilha criminosa" que "perturba gravemente a ordem pública". "O governo chinês também propôs leis para dificultar o funcionamento de ONG internacionais no país", interpretando "a crítica pacífica como uma ameaça à segurança nacional", refere o relatório.

Uma nova lei impôs um quadro de supervisão oneroso e restrições ao funcionamento dessas organizações, dando à polícia um papel expansivo na aprovação e acompanhamento dos seus trabalhos.

Sobre a restrição da liberdade religiosa, a HRW lembra a prisão do advogado Zhang Kai, detido por prestar assessoria jurídica aos cristãos na província de Zhejiang, que resistiam à remoção forçada de cruzes em prédios de igrejas.

Como ação positiva tomada pelo governo chinês para promover os direitos humanos em 2015, a entidade salienta a redução do número de crimes elegíveis à pena de morte, que passaram de 55 para 46. 

Na esfera internacional, a entidade relata que a China avança agressivamente com reivindicações territoriais na Ásia, causando alarme com a construção de estruturas em pequenos recifes no sul do país, que poderiam acomodar postos militares.

"No Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a China se juntou a Rússia para vetar uma resolução que teria referido a situação na Síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI)", cita a organização.

Os chineses também tentaram bloquear a discussão sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. O levantamento realizado pelo Human Rights Watch analisou a proteção aos direitos humanos em mais de 90 países.





Exposição 'Sacrodélico' une telas de santos e deuses com arte psicodélica – Por Juliane Peixinho



Serão mais de 30 telas expostas em uma cervejaria de Petrolina, PE. Estão presentes obras dos artistas cearenses Lupeu Lacerda e Guto Bitu.

A partir da quarta-feira (27/01) estará aberta a exposição de arte: 'Sacrodélico' em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Serão expostas mais de 30 telas, que revelam o culto às imagens, com o uso da pintura em óleo e biscuit de santos e divindades religiosas do artista e escritor Lupeu Lacerda, complementada, pelo universo psicodélico das telas do artista plástico cearense, Guto Bitu.

Obra de Lupeu Lacerda presenta na exposição Sacrodélico (Foto: Sérgio de Sá/ Arquivo pessoal)

A ideia da exposição conjunta surgiu a partir de um encontro entre Lupeu Lacerda e Guto Bitu no estado do Ceará.

“Quando eu estava morando em Juazeiro do Norte-CE, eu fiquei próximo ao Guto Bitu que tem um ateliê lá. Um amigo nosso Libório sugeriu misturarmos a exposição dele que estava em Fortaleza com a minha. Eu ia fazer uma exposição sozinho chamada Santéria, com santos de outros lugares, divindades cubanas, deusas, demônios, orixás”, explica Lacerda.

Lupeu é natural do Juazeiro do Norte-CE e vive há mais de 20 anos em Juazeiro, na Bahia. Aos 50 anos, o escritor que tem seis livros publicados conta que já fazia artesanato, mas esta é primeira vez que realiza uma exposição.

“Sempre minha pegada foi a literatura, mas eu sempre gostei muito de fazer o artesanato em biscuit. Inclusive, o biscuit já me sustentou uma vez. A minha primeira tela foi um Xangô, depois parti para o sagrado feminino do Peru e estudei os índios e a relação deles com a natureza e Deus”, esclarece.

Entre as telas de Lupeu que serão expostas estão o santo protetor dos maconheiros 'Jesus Malverde', 'Santa Muerte', 'Santa Casa', 'o anjo caído' e 'conexão' e obras inspiradas no Saci Pererê, orixás e a criação do universo. As telas são feitas a partir de uma mistura de tinta óleo e tintas variadas com biscuit líquido. Segundo Lacerda, é um grande caldeirão de experiências, não existe uma técnica definida, o que prevalece é a liberdade de criação.

Já a arte de Guto Bitu é caracterizada pela prevalência do colorido e da psicodélia. “O meu trabalho é bem experimental. Eu sou autodidata em desenho e comecei a envolver estudos em escultura e colocar pensamentos poéticos nas telas. Comecei a colocar um universo colorido, usando recursos do grafite, xilogravura, animação e fui misturando”, conta.

Guto é natural do Crato, tem 39 anos, estudou Comunicação Social e atua nas artes plásticas fazendo desenhos, murais, pinturas e esculturas. Ele produziu 17 telas utilizando pintura em acrílico que estarão presentes na exposição: 'Sacrodélico'.

“Acho bem estranho nomear as telas, porque são desenhos bem esquisitos. Eu exponho em raves e eventos alternativos, porque o público entende mais o que está vendo. São paisagens mais do mundo que eu imagino”, ressalta.

A exposição segue até o dia 27 de Fevereiro em uma cervejaria localizada na Avenida Cardoso de Sá, nº 674, Orla I em Petrolina.






terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Há cristãos a viver a fé clandestinamente no mundo árabe


Numa região do mundo em que abandonar o islão pode levar à morte os bispos têm de ser muito cautelosos quando um muçulmano lhes pede para ser baptizado.

Na Jordânia, em pleno ano 2016, há pessoas a viver a sua fé tal como os cristãos dos primeiros séculos, que praticavam a fé na clandestinidade, por ser proibida pelo Império Romano.

O vigário-patriarcal da Jordânia, que representa no país o patriarca latino de Jerusalém e tem, por isso, jurisdição sobre todos os católicos de rito latino, explica à Renascença os perigos e as dificuldades que enfrentam tanto a Igreja como os fiéis que querem abandonar o islão e converter-se ao cristianismo.

Na maioria dos países árabes a prática do cristianismo é permitida para as comunidades historicamente cristãs, e para imigrantes, mas a conversão, sobretudo do islão para o cristianismo ou qualquer outra religião, é proibida e duramente castigada. Quando alguém vem pedir o baptismo, o primeiro passo é julgar a sua sinceridade.

“Temos muita cautela, em primeiro lugar, para ter a certeza das boas intenções de quem diz que se quer converter. Porque podem ser enviados pelas forças de segurança para testar a nossa boa vontade. Por isso dei ordens aos meus padres de que se algum muçulmano vem dizer que se quer converter, enviem-no ao bispo e eu tenho a primeira conversa com ele. Muitos deles, quando ouvem falar no bispo, já não voltam mais”, diz Maroun Lahham.

Para os que insistem, contudo, há que explicar de forma bem clara as dificuldades que irão enfrentar.

“A primeira coisa que faço é explicar-lhes as dificuldades que enfrentarão, socialmente, a nível familiar, em termos religiosos, para o casamento, para os filhos que têm de permanecer muçulmanos”.

Os que resistem após este rol de avisos são encaminhados para começar um processo de catequese.

“Quando temos a certeza das suas boas intenções, digo a um ou dois padres para começar com eles um processo de catequese, que pode levar entre um e dois anos. Digo-lhes sempre que se querem ser baptizados e ficar na Jordânia, terão de viver a fé como os primeiros cristãos, escondidos”.

“Outros arranjam vistos para a Alemanha ou outros países europeus e vão para lá, onde têm liberdade de culto. Alguns, se há dificuldade em baptizá-los na Jordânia, enviamo-los para o Líbano, onde há mais liberdade. Por isso não é fácil, mas o princípio é que não se pode recusar alguém que seja sincero”.

Até Jesus tentou converter os judeus, mas não conseguiu

Em Portugal para participar numa série de conferência em Sintra, Lahham comentou ainda um documento recente da Comissão do Vaticano para as Relações Religiosas com os Judeus que diz que os cristãos não devem procurar converter os judeus ao cristianismo, uma vez que a Antiga Aliança entre Deus e Israel é irrevogável, segundo a Carta de São Paulo aos Romanos.

O bispo jordano começa por dizer, rindo, que o Patriarcado de Jerusalém não tem qualquer missão directamente dirigida aos judeus uma vez que “é muito difícil convertê-los. Jesus tentou e não conseguiu”, mas mostra depois que o argumento da comissão não o convence.

“Nesse famoso documento eles repetem mais de 100 vezes que a aliança de Deus é irrevogável. O facto de o repetirem mais de 100 vezes mostra que não acreditam nisso. Quando temos de insistir numa coisa tantas vezes é porque alguma coisa está mal”.

Trata-se, diz, de uma teologia afectada por circunstâncias externas. “Eu compreendo que o Ocidente queira reparar a história má que tem com os judeus, mas não se pode usar a Bíblia como um instrumento para assuntos políticos ou históricos. Se formos à Bíblia, essa frase está lá, mas há muitas outras que dizem o contrário”.

“É um tipo de teologia ocidental, baseada em eventos históricos e políticos e complexos psicológicos. A teologia, para ser verdadeira, tem de ser livre, como o Espírito Santo, de pressões. Para mim, isto não é verdadeira teologia”, conclui.






segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Na Índia, mais de 200 atos anticristãos em 2015


Em 2015 foram registrados mais de 200 atos de violência anticristã na Índia.

Sete pastores protestantes e um leigo foram mortos, enquanto as vítimas de diversas formas de violência, incluindo mulheres e crianças, chegaram a 8 mil.

Inúmeras igrejas foram atacadas ou destruídas. Foi o que revelou o relatório: "India Christian Persecution", elaborado pelo "Catholic Secolar Forum" (CSF), organização da sociedade civil indiana.

Grupos extremistas hinduístas responsáveis pela violência

Segundo o Relatório sobre as violências contra os cristãos na Índia em 2015, os autores da violência são grupos e formações extremistas e fanáticas hinduístas, que promovem a ideologia do Hindutva, que objetiva eliminar da Índia os fieis das religiões não hinduístas. Tais grupos são hostis às minorias religiosas muçulmanas e cristãs e difundem uma campanha de ódio e de difamação que depois gera atos concretos de violência.

Madhya Pradesh registra maior número de violências

Segundo revela o relatório, esta ideologia é mais propagada no Estado de Maharashtra, enquanto no topo da lista de violências anticristãs está o Estado de Madhya Pradesh. A seguir vem Tamil Nadu, Jharkhand, Chhattisgarh, Haryana, Odisha, Rajasthan, em uma lista da qual constam mais de 23 Estados da União indiana.

Cerimônia hinduísta de reconversão para dalit e tribais cristãos

O Relatório revela que uma das principais acusações contra os cristãos é a de "conversões forçadas", com meios fraudulentos. Por este motivo, o governo de Madhya Pradesh modificou a chamada "lei anti-conversões", tornando mais rígidas as penas. O leigo católico Joseph Dias, responsável do CSF, explica que "a conversão forçada não faz parte de forma alguma do horizonte da fé cristã. Trata-se somente de dar liberdade de consciência e de religião, prevista pela Constituição". Tiveram um aumento, por outro lado, as "cerimônias de reconversão", organizadas por grupos extremistas hinduístas em diversos Estados indianos, em que os dalit e tribais cristãos são obrigados a converterem-se em massa ao hinduísmo.

A difusão do grupo extremista hinduísta RSS

Entre os grupos responsáveis pelas violências, consolidou-se em 2015 o Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), que "reforçou sua influência sobre o sistema político do país", observa o texto. Atualmente a sigla conta com mais de 15 milhões de militantes distribuídos em 50 mil células locais, e em suas fileiras estão presentes membros da polícia, da magistratura e da administração estatal.






Papa vai visitar Suécia para assinalar quinto centenário da reforma protestante


O Vaticano anunciou hoje em comunicado que o Papa tem a “intenção” de deslocar-se à Suécia para “comemorar” o 500.º aniversário da reforma protestante.

Francisco quer participar numa cerimónia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial na cidade sueca de Lund, a 31 de outubro, acrescenta a nota oficial. A informação é divulgada, simbolicamente, no último dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Em novembro de 2015, o Papa visitou a Comunidade Luterana de Roma, na qual recordou os “tempos difíceis” das relações entre as duas Igrejas, com “perseguições”, pessoas “queimadas vivas”, situações pelas quais é preciso “pedir perdão”. Francisco foi recebido com uma salva de palmas no templo, que visitou como mensagem em “prol do diálogo e da unidade dos cristãos”, no contexto dos 500 anos da reforma protestante.

A 21 de Outubro de 2013, o Papa recebeu no Vaticano representantes da Federação Luterana Mundial, aos quais disse que católicos e luteranos devem “pedir perdão” uns aos outros e empenhar-se no diálogo ecuménico. A intervenção evocou o programa celebrativo comum que tem em vista assinalar os 500 anos da reforma protestante, em 2017.

“Acredito que é importante para todos confrontar em diálogo a realidade história da reforma, as suas consequências e as respostas que lhe foram dadas”, declarou Francisco. O Papa assinalou ainda o 50.º aniversário do diálogo teológico católico-luterano, cujo documento principal, até hoje, é a declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação (31 de Outubro de 1999).

Ainda em 2013, a Comissão Internacional de Diálogo Católica-Luterana pela Unidade publicou um documento intitulado: ‘Do conflito à Comunhão – Para uma comemoração comum da Reforma em 2017’. A 23 de Setembro de 2011, Bento XVI visitou o antigo convento dos Agostinhos em Erfurt, Alemanha, onde viveu Martinho Lutero (1483-1546), antes de promover a reforma que o levou à separação de Roma.

O agora Papa emérito destacou o facto deste encontro ecuménico decorrer num “lugar histórico”, onde Lutero “estudou teologia” contra a vontade do seu pai e foi ordenado sacerdote, em 1507. “Para ele a teologia não era uma questão académica, mas uma luta interior consigo mesmo e, por isso, tornava-se uma luta sobre Deus e com Deus”, disse.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).






Um dia de tristeza - Nota de Falecimento de Afonso Maria Ligorio Soares

Recebemos da SOTER a noticia do falecimento do professor Afonso Maria Ligorio Soares, amigo pessoal e um dos grandes nomes das Ciências da Religião no Brasil.


Ele foi Professor Livre-Docente (2009) do Departamento de Ciência da Religião da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo-UMESP (2001), com pós-doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio, 2005). Mestre em Teologia Fundamental pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, 1990). 

Como Professor Associado da PUC/SP, lecionou no Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião. Foi Chefe do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC/SP (2007-2009), exerceu mandato trienal (2007-2010) como Presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião do Brasil (SOTER) e foi Vice-presidente da INSeCT-International Network of Societies for Catholic Theologies (Chicago/EUA, 2008-2011). 

Foi Editor da revista Religião & Cultura (2002-2009) e da revista Último Andar (2006-2009); criou e editou pela Paulinas Editora a revista eletrônica Ciberteologia (desde 2005), coeditor da Revista REVER (do Programa de Estudos Pós-graduados em C. da Religião da PUC-SP). Foi Editor-assistente de Paulinas editora (desde 1996), atuando na área de Ciências Humanas. Publicou 47 artigos em periódicos especializados. 

Possui 53 capítulos de livros e 6 livros publicados, dentre os quais: "De volta ao mistério da iniquidade" (2012), "Religião & Educação" (2010), "No espírito do Abbá: fé, revelação e vivências plurais" (2008) e "Interfaces da revelação: pressupostos para uma teologia do sincretismo religioso" (2003). Também organizou 11 livros e foi tradutor de outros 10. Participou de vários eventos acadêmicos no exterior e no Brasil. 

Supervisor de pós-doutorado, já orientou várias dissertações de mestrado e teses doutorais, além de trabalhos de iniciação científica e de conclusão de curso, especialmente nas áreas de Ciência da Religião, Teologia e Filosofia.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Luteranos se desculpam com católicos por atos da Reforma - Por Jarbas Aragão



Durante séculos ocorreram embates violentos e mortes por causa da Reforma iniciada por Martinho Lutero.

A Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) possui uma postura de ecumenismo e tem se aproximado do Vaticano nos últimos anos. Em um “diálogo teológico” convocado em Agosto e realizado na Academia de Missão da Universidade de Hamburgo, pediram desculpas aos católicos e ortodoxos por certos atos cometidos por luteranos durante a Reforma Protestante.

Perto de completar 500 anos (em 2017), os luteranos estão lamentando a destruição de imagens religiosas. Os teólogos da EKD deixaram isso claro na declaração da bispa para as relações ecumênicas Petra Bosse-Huber. Ela chefia a Comissão de Diálogo protestante.

Em nota, afirma que hoje se reconhece que as imagens sagradas, em suas mais variadas formas têm muito valor como expressão da espiritualidade. Diz ainda que a igreja protestante alemã “se opõe à destruição de imagens”.

Durante o período da Reforma, na tentativa de livrar as pessoas da idolatria, líderes protestantes removeram pinturas, esculturas e vitrais na Alemanha, na Suíça, na Inglaterra e na Holanda. Em muitos casos as imagens eram queimadas publicamente. As delegações do Patriarcado Ecumênico, da Igreja Ortodoxa, estiveram no encontro na Academia de Missão a convite do Conselho da EKD. Desde 1969, representantes de ortodoxos e protestantes têm mantido relações próximas.

Embora não tenha se manifestado publicamente sobre o assunto, o Vaticano também dá mostras de sua disposição em se aproximar dos luteranos. Em breve, Roma terá uma praça com o nome de Martinho Lutero, perto do Coliseu. Há cinco séculos, quando Lutero tentou fazer com que a Igreja Católica mudasse suas práticas, foi excomungado pelo papa. Durante séculos ocorreram embates violentos e mortes por causa da Reforma iniciada por Lutero.

Por isso, causa estranheza que o Vaticano apoie que a praça receba o nome do reformador. O Papa Francisco desde que começou seu pontificado, mostrou o desejo de ver uma maior unidade entre todos os cristãos. 

Com informações de Urban Christian News e Christian Headlines.






Podem as religiões ajudar a superar a crise ecológica? - Por Leonardo Boff


Pela primeira vez depois de anos, os 192 países se puseram de acordo na COP21 de Paris em fins de 2015, de que o aquecimento global é um fato e que todos, de forma diferenciada mas efetiva, devem dar a sua colaboração.

Cada saber, cada instituição e especialmente aquelas instâncias que mais movem a humanidade, as religiões, devem oferecer o que podem. Caso contrário, corremos o risco de chegarmos atrasados e de enfrentarmos catástrofes como nos tempos de Noé.

Abstraímos o fato de que cada religião ou igreja possuem suas patologias, seus momentos de fundamentalismo e de radicalização a ponto de haver cruéis guerras religiosas, como houve tantas entre muçulmanos e cristãos. Agora o que se pede, é ver de que forma, a partir de seu capital religioso positivo, estas religiões podem chegar a convergências para além das diferenças e ajudar a enfrentar a nova era do antropoceno (o ser humano como o meteoro rasante ameaçador) e a sexta extinção em massa que está já há muito tempo em curso e se acelera cada vez mais.

Tomemos como referência as três religiões abraâmicas por serem do espaço cultural. Primeiro, vejamos rapidissimamente a contribuição do judaísmo. A Bíblia hebraica é clara ao entender a Terra como um dom de Deus e que nós fomos colocados aqui para "cuidá-la e guardá-la”.

"A Terra é minha e vós sois hóspedes e agregados” (Lev 25,23). Não podemos como nenhum hóspede normal faria, sujá-la, quebrar seus móveis, danificar seu jardim e matar seus animais domésticos, mas nós o fizemos. Por isso há a tradição do Tikkum Olam, da “regeneração da Terra” como tarefa humana pelos danos que lhe temos provocado. 

Há também senso de responsabilidade face aos não humanos. Assim antes de comer, cada um deve alimentar seus animais. Não se pode tirar uma ave do ninho que está cuidando dos filhotes. O “dominar a Terra” (Gn 1,28) deve ser entendido à luz de “cuidar e guardar” (Gn 2,15) como quem administra uma herança recebida de Deus.

O Cristianismo herdou os valores do judaísmo. Mas acrescentou-lhe dados próprios: o Espírito Santo fixou morada em Maria e o Filho, em Jesus. Com isso assumiu de alguma forma todos os elementos da Terra e do universo.

A Terra é entregue à responsabilidade dos seres humanos, mas eles não possuem um direito absoluto sobre ela. São hóspedes e peregrinos e devem cuidar dela. São Francisco de Assis introduziu uma atitude de fraternidade universal e de respeito a cada um dos seres, até das ervas silvestres.

Pelo fato de o Deus cristão ser relacional, pois é Trindade de Pessoas, sempre relacionadas entre si, faz com que o próprio universo e a tudo o que existe seja também relacional, como o Papa Francisco tão bem expressou em sua encíclica.

O Islamismo está na esteira do judaísmo e do cristianismo. Também para ele a Terra e a natureza são criação de Deus, entregues à responsabilidade do ser humano. No Alcorão se diz que temos nossa morada aqui por um curto momento e apenas podemos desfrutar de seus bens (Sura, 2,36).

O Altíssimo e Misericordioso nos dá pela riqueza e a diversidade da natureza sinais que lembram constantemente de sua misericórdia com a qual dirige o mundo. (Sura 45,3). A entrega confiante a Alá (islam) e a própria jihad (luta pela santidade interior) implicam cuidar de sua criação. Hoje muitos muçulmanos despertaram para o ecológico e de Singapura a Manchester pintaram suas mesquitas todas de verde.

Há uns pontos convergentes nestas três religiões: entender a Terra como dom e herança e não como objeto a ser simplesmente usado a bel-prazer, como o entendeu a modernidade. O ser humano tem responsabilidade face ao que recebeu, cuidando e guardando (fazê-la frutificar e conferi-lhe sustentabilidade); ele não é dono mas guardião. A Terra com sua riqueza remete continuamente ao seu Criador.

Estes valores são fundamentais hoje, pois a tradição científico-técnica tem tratado a Terra como mero objeto de exploração, colocando-se fora e acima dela. Somos Terra (Gn 1,28). Por isso há um parentesco com ela, nossa sustentadora.

Ademais todas as religiões desenvolvem atitudes que são imprescindíveis atualmente: o respeito à Terra e a tudo o que nela contem, pois as coisas são muito anteriores a nós e possuem um valor em si mesmas; a veneração face ao Mistério do universo. Respeito e veneração não apenas ao Alcorão ou à hóstia consagrada, mas a todos os seres, pois são sacramentos de Deus.

Essas atitudes impõem limites ao poder dominador, hoje colocando o equilíbrio da Terra em risco e ameaçando a nossa subsistência. A tecnociência é fundamental para superar a crise ecológica. Mas somente ela é insuficiente, pois precisamos de uma nova forma de relação de sinergia e de respeito para com os ciclos e os ritmos da natureza. Há um tipo de tecnociência que chegou a ser irracional por ter criado um aparato militar que nos pode liquidar a todos. 

Como todo saber, ela também deve conhecer limites éticos, impostos pela própria viva que quer continuar a viver e a conviver com os demais seres da Casa Comum. Senão para onde iremos? Seguramente não à montanha das bem-aventuranças, mas ao vale de lágrimas.

Leonardo Boff é articulista do JB online e escreveu: A Terra na palma da mão: uma nova visão do planeta e da humanidade, Vozes, 2016.






sábado, 23 de janeiro de 2016

Dirigente de Umbanda é homenageado no Dia Mundial da Religião



Em entrevista ao Jornal, o dirigente, ou sacerdote, da Tenda de Umbanda Unidos em Oxalá, Luis Claudio Bertolini, disserta sobre a religião de raízes afrobrasileiras que, em Valinhos, é crescente e já possui cinco terreiros abertos ao público. Anteontem (21 de Janeiro) foi comemorado o Dia Mundial da Religião e do Combate à Intolerância Religiosa.

Desconstruindo preconceitos, o administrador procura ressaltar questões que, desde sempre, são considerados tabus e envolvem uma série de estereótipos formados por falta de informação.

Silene Henrique Bertoli, sua esposa, também é dirigente da Tenda, e deve a ela grande parte do progresso que o terreiro teve durante sua história, que iniciou-se em 2008.

“O fundamento da Umbanda tem que ser o mesmo sempre: caridade e ajudar o próximo”, diz Luis, demonstrando que, apesar de ser uma religião e uma cultura negligenciada por todo o país, prega, suposta e basicamente, conceitos que procuram a transcendência espiritual das pessoas.

Como funcionam os rituais?

Resumindo a Umbanda exercida em seu terreiro, diz: “é a psicologia do espírito”, já que algumas simbologias e práticas se alteram conforme os locais e dirigentes. Basicamente, todos os rituais têm o intuito principal de doação não necessariamente material, mas de conselhos para auxiliar os que procuram autoconhecimento. 

Infelizmente, a imagem que se possui das confraternizações umbandistas é negativa, já que muitos não possuem conhecimento suficiente e alguns, de má fé, realizam “giras” (encontros) em função de metas e interesses pessoais de maneiras ludibriosas, daí a visão pejorativa do termo “macumba” , por exemplo, que, na verdade, faz referência a um instrumento musical, somente.

Em sua Tenda, Luis fornece uma cronologia de como se guiam os atos: percussões iniciam-se, promovendo específicos cantos de abertura, cujas letras e melodias procuram manter os participantes em sintonia e prontos para ajudar e serem ajudados.

Logo após dos “procedimentos de vibração” (como o sacerdote aponta), as orações de Pai Nosso, Ave Maria e Cáritas são reproduzidas, demonstrando a relação direta com o catolicismo. Vem, então, o procedimento mais espiritual: os chamados médiuns, através de mais cantos e música, recebem entidades em seus corpos, que são personificadas para que possam, organizadamente, atender os participantes da gira separadamente e tentar ajudar em problemas específicos. As entidades são como personalidades ligadas à cultura afro-brasileira, ou seja, são modos diferentes de auxiliar o próximo. Às vezes, o que separa uma entidade ou outra são somente os arquétipos: sotaques, nomes, formas de trabalho e histórias.

São 82 médiuns que auxiliam o terreiro, cooperando para fazer com que tudo não seja nada além de uma atividade voluntária. Existem, então, responsáveis por diversos setores da Unidos em Oxalá, desde tesoureiros a responsáveis por oferendas às figuras religiosas. A maioria do dinheiro provém de doações solidárias.

Obviamente, elas impulsionam os procedimentos, mas nunca são cobrados e nunca serão, de acordo com o dirigente. Além disso, bingos, rifas e almoços beneficentes são realizados. Somente em sua “casa”, são recebidas 200 pessoas por semana, com rituais realizados de quintas-feiras (a partir das 20h) e sábados (a partir das 15h).

Para a melhor organização, são entregues senhas em função dos atendimentos particulares com os médiuns. Estas, de quinta-feira, começam a ser entregues às 19h, e de sábado, 14h.

Deixando o preconceito de lado

Compreendendo que, em quaisquer que sejam as religiões, há corrupção das intenções primordiais, “onde há oportunidade de interesses, o homem estraga”, diz. Um clássico exemplo, para o sacerdote, é o que muitas igrejas evangélicas fazem ao relacionar transcendência ao valor material financeiro. “Tornam a fé um mercado”, diz. 

“Estas pessoas te blindam de seus próprios defeitos”, item que afirma que a Umbanda pratica de modo totalmente contrário: “te coloca contra você mesmo”, em outras palavras, autoconhecimento.

A cultura valinhense

De acordo com Luis, a Umbanda é uma religião presente na cidade há quase 40 anos, graças a outras casas mais antigas como a do “Pai Sacomé”, cujo dirigente é o Pai Marco. Este ponto leva diretamente à discussão da valorização cultural da cidade, uma vez que, além de típica do município, é intrínseca à história do Brasil.

Levando em conta uma das festas mais tradicionais da cidade, a Festa do Figo, quando questionado, o dirigente diz que sente falta de maior valorização por parte do incentivo governamental, e que poderia haver integração cultural, uma vez que pode trazer música e exercícios espirituais ao público, com o objetivo de desconstruir preconceitos, também. Para ele, e muitos mais, ficou claro no evento Revelando São Paulo, que envolveu a Umbanda.

Mencionando suas vontades, destaca que adoraria realizar um evento de homenagem à religião, promovendo a reunião de vários terreiros e personalidades da Umbanda em espaço público para celebrar com cantos e alegria. 

Além disso, exclama: “eu tenho um sonho: colocar um padre e um pastor no terreiro, e vice e versa”. Luis espera que logo a religião receba tanto prestígio na cidade como qualquer outra, livre de amarras preconceituosas.





O testemunho e apelo ao «conhecimento» do outro


Felix Lungu, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, destaca a importância do diálogo ecuménico e inter-religioso, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, quando Portugal acolhe refugiados com tradições e formas próprias de viver a fé.

“O primeiro passo da integração desejável é conhecer o outro, haver uma aproximação de alguém que é diferente, desconhecido, vem de longe com outra cultura, religião”, explica Felix Lungu, observando que é “normal” a primeira reação ser “o medo, o receio”.

À Agência ECCLESIA, sublinha que a solução para a “normal” primeira reação de “medo, receio” é o conhecimento, o acolhimento do outro que “não só é igual como podem enriquecer, ajudar”, e não são apenas “um motivo de preocupação”.

Neste contexto, destaca que a religião é um aspeto “muito interessante” para os cristãos que podem “acolher outros cristãos”, nomeadamente com a atual crise de refugiados do Médio oriente e África.

“Estando com o espírito aberto vamos sair todos enriquecidos. Eles pelo acolhimento que possamos dar, nós pela riqueza de uma cultura diferente, de uma religião também que nos pode ajudar a sermos melhores”, desenvolve Felix Lungu.

Neste contexto, o entrevistado que trabalha na Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) recorda a génese da fundação pontifícia que nasceu para ajudar os refugiados da 2.ª guerra mundial e o seu fundador percebeu que o auxílio não estava completo sem a dimensão espiritual.

Segundo Felix Lungu, quando o padre Werenfried van Straaten iniciou este projeto de solidariedade percebeu que “era importante, ou tão mais importante a ajuda espiritual”, para além da “intuição” de ajudar os refugiados com “medicamentos, cobertores, comida”, tendo ficado conhecido como o “padre toucinho”.

“Essa marca do martírio faz parte do ADN do cristianismo, dar testemunho”, acrescenta, revelando que é “muito interessante” os testemunhos que a AIS recebe, “quase numa base diária”, de cristãos perseguidos “com risco de perder a vida” mas não lhes “podem tirar a fé”.

O ecumenismo e diálogo inter-religioso fazem parte da vida de Felix Lungu, para além da experiência na fundação pontifícia AIS, é natural da Roménia onde fez parte de uma minoria num ambiente político adverso.

Nesta república unitária semipresidencialista, do centro-sudeste da Europa, viveu num prédio de quatro andares, eram “blocos comunistas muito feios”, e como vizinhos tinha no quarto andar uma família de etnia cigana, “também religiosos”, no terceiro vivam ortodoxos, no segundo eram luteranos e no primeiro andar a família católica de Felix Lungu.

“Tudo num país comunista que proibia a religião”, recorda o entrevistado ao Programa ECCLESIA da Antena 1 da rádio pública. O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos que este ano evoca experiências de guerras, conflitos e violências que afetaram muitos povos da Europa a partir da reflexão proposta pelas Igrejas da Letónia.

‘Chamados a proclamar as obras maravilhosas do Senhor’, da Primeira Carta de São Pedro (1 Pedro 2, 9), é o tema desta semana que quer reforçar identidade comum dos cristãos e as tentativas de resposta às respostas que ainda os dividem e termina dia 25 de Janeiro.





Cânticos e palavras de manifesto ecoam durante I Caminhada das Bandeiras de Matriz Africana – Por Rita Torrinha


Centenas de pessoas participaram da caminhada, no centro de Macapá, em defesa da liberdade religiosa, na tarde de quinta-feira, 21/01.

Funcionários do Instituto Municipal de Políticas para Promoção da Igualdade Racial (Improir) também integraram o evento que, independente do credo, fez com que todos vestissem branco para pedir o fim da Intolerância Religiosa.

Durante todo o trajeto (com saída da Praça Barão do Rio Branco, descendo a Cândido Mendes em direção ao Trapiche Eliezer Levy), grupos religiosos de matriz africana lideraram a caminhada com cânticos e palavras de manifesto, pedindo respeito e paz.

Antes de iniciar o percurso, ainda na Praça Barão, representantes de diferentes religiões, autoridades públicas, professores e doutores manifestaram suas impressões sobre a realização dessa que foi a I Caminhada das Bandeiras de Matriz Africana – Diga Não à Intolerância Religiosa.

Sacerdotisa da primeira casa Mina Nagô do Amapá, que se tem conhecimento, onde soaram os primeiros toques de tambor da religião, em 1962, mãe Jaguarema Moreira fez um apelo.

“Queremos ser respeitados como respeitamos toda forma de credo e crença. Não atacamos ninguém, não ferimos ninguém, só queremos ter garantido que nossos rituais e tudo aquilo em que acreditamos possam ser realizados sem qualquer agressão, porque o que propagamos é a paz e não a guerra. Mas, para que isso aconteça, é necessário que a sociedade busque entender ainda mais sobre as diferentes religiões e compreenda que todos têm um único Deus”.

O professor Maurício Pascoal foi batizado na Igreja Católica e se considera fiel dedicado, mas fez questão de participar da caminhada e destacou que o desrespeito ao diferente nasce da falta de conhecimento.

Acredito muito na diversidade cultural e religiosa da qual o nosso povo brasileiro foi formado. Devemos muito as matrizes africanas e a matriz indígena em nossa formação. Temos o dever de respeitá-los. Não admito que a verdade esteja em uma só pessoa, em uma só religião. A verdade está dentro de cada um de nós, por isso estou aqui e estarei sempre, defendendo as diferenças que nos tornam irmãos, porque a intolerância nasce da ignorância”.

Uma das coordenadoras da caminhada, Mãe Nina, agradeceu pelo momento. “Nas nossas casas a gente presta um serviço à comunidade, damos o nosso axé. Precisamos desse respeito perante a sociedade e agradecemos a todos que estão aqui de boa fé”.

O presidente em exercício do Improir, Adlan Bismarck, deixou seu recado, reforçando a união como ponto fundamental de fortalecimento em busca de igualdade.

“Hoje celebramos a paz entre as religiões, e nós, enquanto poder público e de promoção da igualdade racial, estamos de peito aberto, caminhando de mãos dadas, porque somente juntos podemos combater atos de preconceito e racismo. Juntos podemos mudar a realidade que vive as casas de terreiro, os sacerdotes, e buscarmos uma sociedade mais igualitária e justa”.

O número de pessoas que acompanhou a caminhada ainda é pequeno diante da quantidade de casas de religiões afro que se têm conhecimento. São mais de 300, somente em Macapá. No entanto, para os líderes religiosos, a semente foi plantada e vingará pelos próximos eventos.

“Se conseguirmos, em cada ato como este, mudar o coração de uma, duas pessoas, já é válido. Queremos mostrar à sociedade que este sentimento de medo em relação às nossas religiões é herança de um Brasil preconceituoso, aonde tudo o que vem do negro não é bom. Nossa luta é contra a intolerância religiosa, mas, principalmente, contra o racismo, que é o que gera toda a forma de ódio”, deixou seu recado o pai Moraes, sacerdote candomblecista.

Terminadas as falas, o encontro que mobilizou casas de terreiros, templos afro religiosos, integrantes de Marabaixo, do hip-hop, da capoeira, gente de todas as classes, idades e diferentes religiões seguiu em marcha pelo centro de Macapá.

Na linha de frente, as enormes bandeiras das casas de terreiro balançaram ao vento, anunciando que Macapá também está se fortalecendo para exigir seus direitos. Ao chegar ao Trapiche Eliezer Levy, o movimento continuou com rituais místicos, rodas de cantigas, de Marabaixo e de capoeira.