terça-feira, 24 de novembro de 2015

Em novo livro Zizek discute o Cristianismo e o Marxismo na luta contra o fundamentalismo



O livro: "O absoluto frágil”, do filósofo esloveno Slavoj Žižek, mostra como o Cristianismo e o Marxismo podem estar lado a lado na luta contra o fundamentalismo. 

E defende que o legado cristão teria um núcleo subversivo, essencial para a constituição de uma política de emancipação universal.


O filósofo traz na obra o materialismo à luz dos dias atuais, sem perder de vista "a história espectral que assombra o espaço da tradição religiosa judaica” e a importância da filosofia de Hegel [filósofo alemão] para uma análise do capitalismo contemporâneo.

O livro se mostra como um ensaio ousado, que fez com que o crítico inglês Terry Eagleton chamasse seu autor de "um ativista intelectual frenético, que sempre parece estar em seis lugares do planeta ao mesmo tempo, como Sócrates pós-esteróides”.

Conhecido pela originalidade de seu pensamento crítico, Žižek parte nesta obra de uma abordagem desafiadora para discutir o fundamentalismo e a violência praticada em nome deste mesmo fundamentalismo. 

Na tentativa de entender como a espectralidade funciona na ideologia, o autor analisa as narrativas bíblicas à luz do Marxismo e do Cristianismo, sob o argumento de que ambos "deveriam lutar do mesmo lado da barricada contra o furioso ataque dos novos espiritualismos”.

Sem se submeter ao espírito de uma época que se considera pós-secular, Žižek faz uma crítica de dentro das religiões islâmica, judaica e cristã, para mostrar como o conceito fenomenológico de sacrifício e a figura freudiana do Deus-Pai podem ser usados para entender os conflitos étnicos e culturais que vivemos hoje.

"Como devemos interpretar medidas administrativas como a do Estado francês, que proibiu jovens muçulmanas de usar o hijab nas escolas?” "E por que as mulheres no Islã são uma presença tão traumática, um escândalo tão ontológico, que precisam ser veladas?” 

Não há uma resposta fácil para essas questões. Daí a recusa do autor a reduzir acontecimentos como a exposição do islã à modernização ocidental ou a desintegração da Iugoslávia e a defesa do humanismo militarista à crença de que é com a tolerância que se combate o ódio.

Cruzando psicanálise lacaniana, filosofia hegeliana e exemplos que vão da arte moderna ao cinema de Lars Von Trier, Krzysztof Kielowski e Alfred Hitchcock, Žižek elabora em "O absoluto frágil” uma teoria crítica da alteridade, na chamada sociedade de risco. 

Como diz Paulo Gajanigo, no posfácio do livro, "O absoluto frágil” pode ajudar a pensar em como grupos conservadores e o neopentecostalismo vêm galgando espaço na sociedade brasileira. Além disso, chama a atenção para maneiras de estabelecer com o Outro uma relação que não se dê pela aceitação da semelhança ou da diferença. Entender a fé no século XX pode ser, nesse sentido, uma importante ferramenta na busca pela liberdade.

Ficha técnica

O absoluto frágil ou, porque vale a pena lutar pelo legado cristão
Editora Boitempo
Autor:Slavoj Žižek
Tradução: Rogério Bettoni

Ano: 2015




Cristianismo cresce na Índia através dos `dalits´, a casta baixa do país


Apesar da contínua opressão os dalits, considerados o povo `intocável´, são a principal razão da difusão do Evangelho na Índia.

A economia da Índia está crescendo, e sua população pode, em breve, ultrapassar a China como a maior do mundo. Mas por trás dessas tendências existe algo muito maior: o cristianismo está crescendo mais rápido do que os líderes do governo admitem, e as mudanças espirituais estão remodelando uma nação que tem sido identificada, há milhares de anos, pelo hinduísmo.

Segundo o escritor J. Lee Gray, que esteve no país essa semana, um milagre está acontecendo na Índia. "O mais notável é que as pessoas que espalham o Evangelho de forma mais ativa não são missionários estrangeiros, mas os evangelistas indianos que são tidos como parte inferior do sistema opressivo de castas", relata.

Ainda que a Índia tenha supostamente proibido o sistema de castas, os dalits ainda sofrem um intenso estigma social e discriminação nos âmbitos da educação, emprego e moradia. Apesar da contínua opressão, os dalits são a principal razão da difusão do Evangelho no país.

"As mesmas pessoas que foram informadas de que não eram dignos o suficiente para entrar em um templo hindu, estão descobrindo que Jesus Cristo tocou leprosos, pecadores e outros 'intocáveis' daquela época e os convidou para jantar em sua mesa", afirma Gray.

O escritor conta que os cristãos indianos de castas mais baixas descobriram seu verdadeiro valor e dignidade depois de conhecer a Jesus. "Eu estava feliz por adorar com eles, os abracei, comi com eles e os lembrei que não há sistema de castas no Reino de Deus", conta.

Enquanto isso, uma intensa guerra política-espiritual acontece na Índia. O primeiro-ministro Narendra Modi, eleito em 2014 como um ativista hindu auto-declarado, está trabalhando para que seu governo pró-hindu barre o crescimento do cristianismo, bem como o crescimento do Islã. Atos de violência contra os cristãos, incluindo o incêndio às igrejas, têm se intensificado.

"O tempo que passei na Índia me convenceu de que veremos um milagre enorme se desdobrar nesse país. Uma nação que foi fraudada para favorecer os ricos está, literalmente, sendo virada de cabeça para baixo por causa dos pobres 'intocáveis', que foram tocados por Cristo", conclui Gray.




Exposição


Paula Montero lança o livro Religiões e controvérsias públicas - experiências, práticas sociais e discurso


A pesquisadora do Cebrap Paula Montero acaba de lançar o livro: Religiões e controvérsias públicas - experiências, práticas sociais e discurso, da Editora Unicamp. 

Veja abaixo uma breve descrição da obra: 

O que os estudos sobre religião, em suas distintas expressões e atravessamentos, ainda têm a dizer sobre a sociedade brasileira? O leitor terá a oportunidade de verificar, com a leitura desta obra, o quanto ela ratifica a importância da realização de pesquisas socioantropológicas nesta área, em contínuo processo de mudanças, produzindo dinâmicas e inovações.

O eixo utilizado pelos autores para discutir suas temáticas consiste na noção de controvérsia. Tal foco possibilita contextualizar, problematizar e atualizar temas relevantes, como acusações de abuso espiritual, denúncias, pastorado feminino, políticas públicas de patrimonialização, homossexualidade, transplante de células-tronco, educação de surdos, autenticidade, intolerância.

Este livro apresenta olhares e perspectivas instigantes e qualificados, que apontam permanências, impactos e ressonâncias da religião no espaço público, caracterizando singularmente pela ideia fundante de diversidade.


Trata-se de um convite à reflexão sobre questões em voga no debate contemporâneo sobre Religiões no Brasil.







UFPB realiza I Semana Acadêmica de Ciências das Religiões



Será realizado de 9 a 11 de Dezembro, no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a 

“I Semana Acadêmica de Ciências das Religiões”

Que terá como tema: “Diversidade, Liberdade Religiosa e Direitos Humanos”. O evento é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões (PPGCR), Diretório Central dos estudantes - Gestão Mudar de Vez, Centro Acadêmico de Ciências das Religiões Professora Neide Miele e corpo discente da graduação.

O evento vai reunir professores, pesquisadores e estudantes de Graduação e Pós-Graduação em Ciências das Religiões, Direito e áreas afins. Tem como objetivo realizar debates que levem a reflexão sobre a situação atual da religião na sociedade.

A primeira edição do evento terá mesas de debates, conferências, apresentação de pôsteres, Grupos de Trabalho (GTs), minicursos, lançamentos de publicações e programação cultural que propiciarão a reflexão e o aprofundamento da temática central, bem como dos estudos que as Ciências das Religiões e áreas afins têm realizado atualmente.

A programação contará com a presença de conferencistas das diversas regiões do Brasil como: Dr. Alexandre Brasil Carvalho Fonseca - UFRJ (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República); Dra. Araceli Sobreira Benevides – UERN; Dr. Eduardo Rabenhorst – UFPB; Dr. Romero Venâncio – UFS; Dr. Gilbraz de Souza Aragão – UNICAP; Dra. Zeny Rosendahl – UERJ; Dra. Rosa Maria de Aquino – UFRP; Dra. Vírginia Leal – UFPE; Dr. Eduardo Meinberg – USP (Presidente da ABHR – Associação Brasileira de História das Religiões); Renato Ramalho – UFPB (Representou a juventude brasileira em Comissões da ONU e da OEA; Articulador em Negociações Internacionais pelo Engajamundo); Dr. Deyve Redyson – UFPB (Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da UFPB); e o Dr. Frederico Pieper – UFJF.

As inscrições podem ser feitas até o dia do evento; mais informações na página: http://semanadecrufpb.wix.com/2015