sábado, 12 de março de 2016

Liberdades de expressão e religião são complementares no combate à intolerância, diz relator da ONU



Relator especial das Nações Unidas lembrou que ambos os direitos são ferramentas para o combate à incitação ao ódio, convocando os governos a compartilhar ativamente suas experiências e melhores práticas no combate à intolerância, aos estereótipos negativos e à estigmatização de pessoas com base em sua religião ou credo.

As liberdades de religião e expressão não são contraditórias, mas complementares, já que os dois direitos são ferramentas para o combate à incitação ao ódio, disse um especialista de direitos humanos independente das Nações Unidas nesta quarta-feira (09/03).

“Existe uma percepção disseminada de que os direitos de liberdade de religião ou crença e a liberdade de opinião e de expressão se opõem”, disse o relator especial da ONU para liberdade de crença e religião, Heiner Bielefeldt, durante apresentação de seu mais novo relatório no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Enquanto a liberdade de expressão parece dar “luz verde” para todos os tipos de provocação, a liberdade de religião parece dar uma “luz vermelha”, explicou. Mas, em seu relatório, o especialista considerou que os dois direitos estão relacionados à lei e à prática, e protegem incondicionalmente o pensamento e as crenças de uma pessoa.


O especialista pediu que os Estados compartilhem ativamente suas experiências e melhores práticas ao implementar a Resolução do Conselho de Direitos Humanos 16/18 para combater a intolerância, os estereótipos negativos e a estigmatização de pessoas com base em sua religião ou credo, assim como discriminação, violência ou incentivo à violência.




Procissão do Senhor dos Passos se consolida como um dos principais eventos religiosos de SC - Por Karine Wenzel



A aposentada Benilde Maffezzoli já perdeu as contas de quantas vezes os pés descalços percorreram o caminho entre a Capela Menino Deus, nos altos do Imperial Hospital de Caridade, e a Catedral Metropolitana, em Florianópolis.

Vestindo uma coroa e carregando uma pequena cruz nas costas, a moradora de São José de 75 anos estima que há três décadas participa da Procissão do Senhor dos Passos. 

Curada de uma cirurgia no joelho feita no Hospital de Caridade, Benilde se tornou devota. Neste fim de semana, será uma das 60 mil pessoas a acompanhar a procissão, que completa 250 anos e é a mais antiga do Estado.  “Ele me acolheu e rezo todos os dias para o Senhor Jesus dos Passos”, conta. 

O historiador e organizador do livro: Memorial Histórico da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos (1997), Nereu do Vale Pereira, reforça que a procissão se transformou ao longo destes dois séculos e meio:

“É uma manifestação popular que tem base religiosa, mas se transformou num patrimônio cultural de Santa Catarina, dada a participação popular e de todos os níveis de hierarquia das comunidades, como prefeitos e deputados. Eles fazem questão de participar da solenidade, que está incrustada na memória de todos os florianopolitanos e demais catarinenses”.

Tentativa de se tornar patrimônio do Brasil 

 Neste ano, uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai acompanhar a procissão, que já é tombada pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado desde 2006 e agora busca o registro como Patrimônio Cultural Brasileiro. 

“Como manifestação religiosa popular é a mais antiga de Santa Catarina, principalmente devido à dimensão de Nossa Senhora do Desterro [Florianópolis na época] quando se iniciou a procissão. Florianópolis tinha cerca de 12 mil habitantes e quase todo mundo participava da procissão. Foi praticamente o primeiro evento público cultural e espiritual de Santa Catarina”, reforça Pereira.

Mas o padre Pedro José Koehler, capelão da Igreja do Senhor Jesus dos Passos prefere ser mais comedido com superlativos em relação à procissão. Ele lembra que a romaria a Frei Bruno, em Joaçaba, por exemplo, também é significativa, reunindo 60 mil fiéis em fevereiro deste ano. Ainda assim, Koehler, que acompanha a procissão do Senhor dos Passos desde 1968, afirma que o crescimento de público é perceptível, inclusive nas missas que celebra. 

A presença de jovens também aumenta a cada ano, misturando-se aos fiéis experientes que seguem a tradição há décadas. E é essa renovação que deve manter a tradição do Senhor dos Passos por muitos anos.

A procissão está longe de ser apenas uma manifestação católica. A pensionista Maria Antônia Fraga, 67 anos, segue as imagens pelas ruas do centro de Florianópolis desde quando acompanhava os pais, aos sete anos. Hoje, na companhia de uma vela, a umbandista vai todos os anos para pagar promessas ou agradecer: “Para mim, cada ano está mais lindo. A religião não importa, enquanto Deus me der perna, vou”. 

Todos os anos, Maria se emociona ao ver a imagem sendo carregada ladeira acima, seguida pela multidão de fiéis. Quando leva parentes e amigos de outros Estados para conhecer a celebração, todos ficam encantados. Apesar de despertar a atenção de visitantes pela multidão que a acompanha, a procissão atrai principalmente o público da região, não peregrinos, afirma o presidente da Santa Catarina Turismo (Santur), Valdir Walendowsky. 

Para impactar o fluxo turístico estadual, teria que ser feito um trabalho mais focado para que a procissão entrasse no roteiro de turismo religioso em SC. Hoje, Nova Trento com o Santuário Santa Paulina é o que recebe maior fluxo o ano inteiro, acrescenta. Segundo Walendowsky, são cerca de 65 mil visitantes por mês.



Parque do Varvito recebe 1º Encontro de Culturas Afro Brasileiras-Itu/SP


 Acontece neste domingo (13/03), às 8h, no Parque do Varvito, o 

1º Encontro de Culturas Afro Brasileiras

O evento busca promover culturas com raízes africanas como a Capoeira e a Umbanda. Os participantes poderão ter contato com uma roda de capoeira, demonstrando um pouco de sua história, cultura e ancestralidade. 

Além disso, contarão com algumas músicas típicas da Umbanda (pontos cantados), e uma demonstração de ritual e oferenda ecológica. A Capoeira é, não só um esporte, como também uma disseminadora da cultura e costume dos nossos antepassados. 

"Além disso, ela traz aos seus praticantes musicalidade, disciplina, força, equilíbrio e paz interior”, explica Paulo Jamaika, professor na Associação Mundo Inteiro Capoeira. Sobre a Umbanda, o objetivo é mostrar que se trata de uma religião 100% brasileira. 

“A ideia é apresentar a religião e sua influência africana (Candomblé) e europeia (Catolicismo, Kardecismo). Também queremos desmistificar um pouco, pois ela não é uma seita perigosa. É uma religião, que prega o amor, a caridade, retidão e respeito ao ser humano e à natureza. Não tem segredos ou demônios”, explica Fernando Vira, Sacerdote da Tenda de Umbanda Caboclo Gira Mundo.

O evento arrecadará produtos de limpeza que serão doados ao Parque do Varvito.






Convite


Dinamarca ganha mesquita especial liderada só por mulheres – Por Antonia Blumberg


Uma nova mesquita em Copenhague, capital da Dinamarca, tem todas as características de uma casa de oração muçulmana tradicional, exceto pelo fato de que a Mesquita Mariam é liderada totalmente por mulheres imãs, ou pregadoras no culto islâmico.

A fundadora da mesquita, Sherin Khankan, uma conhecida escritora e comentarista política na Dinamarca, disse ao jornal dinamarquês Politiken que decidiu abrir o templo Mariam, em Fevereiro, porque “nunca se sentiu em casa nas mesquitas existentes”.

“Muitas mulheres e jovens nem sequer entram nas mesquitas, que são um espaço patriarcal dominado por homens, no qual um homem tem o chão [para orar], [onde] um homem lidera as orações; os homens são o foco e dominam. É por isso que estamos abrindo uma mesquita sob os nossos termos”, disse Khankan.

Tradicionalmente, homens e mulheres sentam separados durante o culto nas mesquitas, muitas vezes com divisórias entre eles. Algumas mulheres dizem que essas imposições de separação afetam sua experiência de louvor, ao bloquear a visão do imã. Khankan, que é uma das imãs na Mesquita Mariam, considera a casa de oração um “projeto feminista”.

“Normalizamos estruturas patriarcais em nossas instituições religiosas. Não apenas no islã, mas também no judaísmo, cristianismo e outras religiões. E gostaríamos de desafiar isso”, disse Khankan à agência France PresseA mesquita ficará aberta aos homens na maioria dos dias, exceto nas preces de sexta-feira, segundo a AFP.

Mesquitas de mulheres existiram na China por várias centenas de anos, mas começaram a surgir em outras partes do mundo apenas recentemente. Uma mesquita só para mulheres abriu as portas em Los Angeles no ano passado, com a esperança de “aumentar o acesso das mulheres ao conhecimento islâmico, encorajando a participação feminina nas mesquitas existentes, e promovendo tanto a liderança quanto o conhecimento islâmico, ambos dentro e fora da comunidade muçulmana”, disse uma das fundadoras ao The Huffington Post.

Embora as mulheres normalmente liderem os cultos em tais mesquitas, há um debate atual sobre se as mulheres podem ou devem ser imãs. Em 2006, o Marrocos se tornou o primeiro país árabe a permitir a formação de líderes religiosas. A iniciativa foi “uma rara experiência no mundo muçulmano”, afirmou Merieme Addou, coprodutora de um documentário sobre essa nova geração de mulheres imãs.