terça-feira, 17 de novembro de 2015

Diálogo inter-religioso na perspectiva do Teólogo Karl Rahner - Por José Ivan Lopes




A discussão que aqui se posta pretende apontar a possibilidade de se estabelecer, a partir da teoria de Karl Rahner, um diálogo com as proposições já existentes acerca da pluralidade religiosa. 

Não se trata, contudo, de buscar saídas pré-determinadas e absolutas. O que se verá é a análise aberta e objetiva de afirmações e opiniões anteriormente apontadas por um teólogo renomado para os tempos modernos.

A apreciação em epígrafe contempla de forma dialética as concepções do teólogo alemão Karl Rahner (1904-1984) no que se refere ao pensamento teológico acerca das religiões, numa tentativa de promover a moderna abertura e modernização do discurso religioso. 

Basta, no entanto, como argumento de relevância referente tal questão, afirmar que a obra desse teólogo inaugura um posicionamento singular no que diz respeito à abertura da Igreja face ao pluralismo das tradições religiosas constituídas ao longo da história da humanidade. Nessa direção, pretende discorrer aqui, algumas de suas ideias e sistematizar este sublime problema, tratado com propriedade no sistema rahneriano.

Karl Rahner nasceu em Friburgo, no ano de 1904. Faleceu em Innsbrusk, na Áustria, em 30 de Março de 1984. Estudou filosofia no noviciado de Pullach e teologia em Valkenburg. 

Foi ordenado sacerdote jesuíta em 1932. Tornou-se professor de teologia dogmática em Innsbruck em 1937. Fundou a Concilium, revista internacional de Teologia e, para tanto, contou com a colaboração de Yves Congar e Edward Schillebeeckx. É considerado um dos teólogos mais eminentes da teologia católica.

Hahner propiciou uma colaboração incomparável ao pensar teológico moderno, para Batista Mondin ele é um Teólogo de uma engenhosidade extraordinariamente aguda (um novo Duns Scot), Rahner não se contentou em transferir o Kerygma dos odres cosmocêntricos aos antropocêntricos para conservá-lo, mas submeteu-o também a novas e mais acuradas análises a fim de torná-lo mais apreciável.

O Concilio Vaticano II deve muito a Rahner, principalmente no que diz respeito à sua postura dialogal. O teólogo em questão tem uma postura teológica “profundamente sensível, a um só tempo, aos problemas do homem moderno e às necessidades da Igreja, Rahner contribuiu decisivamente para fazer do Vaticano II o Concílio do diálogo entre a Igreja e o mundo”. (MONDIN, 1979, p. 95).

Posto isso, ressalta-se a grandeza do pensamento de Rahner acerca da presente questão e o seu significado para a teologia moderna. Neste contexto Faustino Teixeira afirma que “levar a sério as religiões é reconhecer nelas algo de irredutível e irrevogável, que jamais será tematizado ou totalizado no cristianismo”.

Com esse pressuposto, compreende-se que, a partir de Hahner, o estudo da teologia das religiões passa por um processo crescente sem precedentes e, para tanto, abre novos horizontes para as Ciências, oferece novas perspectivas para o cristianismo e para tantas outras tradições religiosas no mundo contemporâneo.

É um fenômeno tipicamente moderno que se vai configurando e constituindo uma perspectiva do pluralismo religioso que não sustenta “estruturas fechadas” e nos interpela aos “sistemas abertos de conhecimento”.

Constata-se, por fim, que o pluralismo religioso é um fato inconteste e se mostra como um problema filosófico para a afirmação do cristianismo como religião absoluta.






Atendimento espiritual em discussão no Porto/Portugal - Por Juliana Batista



Vários oradores de diferentes áreas preparam-se para conduzir as Jornadas da Teologia que vão abordar o tema da misericórdia. A iniciativa terá lugar na cidade do Porto.

As Jornadas da Teologia já estão marcadas para o início do próximo ano. A iniciativa é organizada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Porto) e vai realizar-se de 1 a 4 de Fevereiro com o tema: 

“Do Deus da misericórdia à misericórdia de Deus”

Do texto da bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que inicia a 8 de dezembro, a Faculdade de Teologia destaca que a misericórdia “é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida”. 

Entre os oradores das jornadas encontram-se Enzo Bianchi, prior da comunidade monástica italiana de Bose, António Couto, bispo de Lamego, António Tavares, provedor da Misericórdia do Porto e Ana Maria Braga da Cruz, da Associação Coração Amarelo. 


“As Santas Casas da Misericórdia: do carisma à missão”, “O pecador e a penitência ao longo dos séculos” e “Atendimento espiritual e consulta psicológica” são três dos temas das várias conferências agendadas.





Vaticano: «Nobel» da Teologia para professores do Brasil e do Líbano



O Vaticano anunciou hoje que a quinta edição do Prémio Ratzinger, considerado o ‘Nobel’ da Teologia, vai distinguir dois professores, naturais do Brasil e do Líbano.

O anúncio foi feito em conferência de imprensa por D. Luis Francisco Ladaria Ferrer, membro do comité científico da Fundação do Vaticano ‘Joseph Ratzinger-Bento XVI’.

O padre brasileiro Mario de França Miranda, jesuíta, é especialista em Teologia Dogmática e, de acordo com a nota oficial divulgada pela Santa Sé, tem-se ocupado também “dos novos desafios teológicas destes últimos tempos, como a teologia das religiões, a inculturação da fé”.

Docente desde 197, foi membro da Comissão Teológica Internacional entre 1992 e 2003, então sob a liderança do cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa emérito Bento XVI.

Nabil el-Khoury, doutorado em Teologia com uma tese sobre Santo Efrém, o sírio, é professor de Filosofia e literatura comparada em Beirute e na universidade alemã de Tubinga. O premiado é o responsável pela tradução árabe da obra completa de Joseph Ratzinger-Bento XVI.

A distinção aos dois teólogos vai ser entregue no próximo sábado. O Prémio Ratzinger tem como objetivo chamar a atenção da opinião pública sobre os temas teológicos.






Livro marca os 50 anos do Pacto das Catacumbas: “por uma Igreja servidora e pobre” – Por Cristina Fontenele



Neste dia 16 de novembro, celebram-se os 50 anos do Pacto das Catacumbas, importante acordo firmado por 42 padres conciliares numa celebração eucarística, na Catacumba de Santa Domitilla, em Roma [Itália], no ano de 1965.

O Pacto, assinado nos últimos dias do Concílio Vaticano II (1962-1965), instou a Igreja Católica a renovar-se e a assumir o compromisso com os pobres e excluídos. Para memorar a data, o sacerdote brasileiro José Oscar Beozzo lança o livro: "Pacto das Catacumbas: por uma Igreja servidora e pobre”, pela Editora Paulinas.

Beozzo afirma à Adital que espera com a obra contribuir para o acolhimento e a discussão sobre o Pacto, gerando compromissos semelhantes na mudança da atual situação da Igreja. Para o autor, o Papa Francisco, em seus gestos e em sua preocupação com os pobres, segue em direção a uma Igreja pobre e servidora.

"Nas suas propostas para a Igreja, ele retoma e atualiza as grandes linhas do Pacto”, ressalta o autor, citando o exemplo da exortação apostólica Evangelii Gaudium e da encíclica ecológica Laudato Si’, escritas pelo Papa.

"Só podemos desejar que a recorrência dos 50 anos do Pacto das Catacumbas e do término do Concílio Vaticano II traga, para toda a Igreja, a primavera sempre insurrecional e seja um novo Pentecostes, como o desejava João XXIII, agora, declarado santo pelo Papa Francisco”, declara Beozzo em seu livro.

A obra relata a história e os compromissos assumidos no Pacto das Catacumbas, assim como a lista dos bispos presentes e concelebrantes. Além do período do Pacto, o livro retoma a trajetória histórica pós-Concílio, retratando a importância de Conferências Episcopais, como as de Medellín (Colômbia, 1968), Puebla (México, 1979) e Aparecida (Brasil, 2007).

"O que não foi possível alcançar no Concílio tornou-se realidade, três anos depois, na II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Medellín, na Colômbia, em 1968”, diz o texto. 

O livro destaca ainda que Puebla, 11 anos depois, aprovou, como prioridade, a opção preferencial pelos pobres, enquanto Aparecida representou "uma vigorosa retomada da tradição eclesial latino-americana”.

O autor apresenta os 13 compromissos assumidos nas Catacumbas, em diálogo com referências bíblicas e passagens do próprio Concílio Vaticano II. Entre as promessas firmadas pelos padres, em Domitilla, estão:
  • "viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo o que se segue”
  • renunciar "à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos serem, com efeito, evangélicos)”; 
  • não possuir "imóveis nem móveis, nem conta em banco etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo em nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas”.

Como testemunhos vivos do Pacto, o livro cita os gestos concretos de alguns sacerdotes, como o brasileiro Dom Helder Câmara, no Recife [Estado de Pernambuco], que, rapidamente, deixou a residência oficial dos arcebispos, o Palácio de Manguinhos, para ir morar na sacristia da Igreja das Fronteiras, na periferia da cidade. Também Dom Antônio Fragoso, em Crateús [Estado do Ceará], que se deslocou para uma casa simples de um bairro popular.

A obra destaca ainda como outro resultado consistente do Pacto das Catacumbas o surgimento das comunidades eclesiais de base no meio dos pobres, que "desabrocharam, de maneira especial”, nas pastorais sociais da Igreja latino-americana.






'Terrorismo não tem religião': nas redes sociais, muçulmanos condenam ataques em Paris



Muçulmanos de diversas partes do mundo usaram as redes sociais para condenar os ataques ocorridos em Paris na última sexta, responsáveis pela morte de mais de 130 pessoas.

Em Turim, na Itália, jovens muçulmanas seguraram em protesto cartazes onde se lia a hashtag: #NotInMyName (“Não em meu nome”). Manifestações como essa ocorreram em vários outros países. Muçulmanos também estão usando hashtags como #TerrorismHasNoReligion ("Terrorismo não tem religião") e #MuslimsAren'tTerrorists ("Muçulmanos não são terroristas").

A comunidade muçulmana internacional também lançou mão da hashtag: #ISISisnotIslam (“Estado Islâmico não é o Islã"), em referência ao grupo autoproclamado "Estado Islâmico", que assumiu os atentados. “O profeta Maomé nos ordenou a não fazer mal a ninguém e disse que quem fizer o contrário não é muçulmano”, escreveu um internauta do Egito no Twitter.

Muitos também citaram trechos do Alcorão para condenar o atentado: “Quem mata um inocente é como se matasse toda a humanidade”, tuitou um outro usuário. 

'Não em meu nome'

Após os ataques de Paris, foi retomado o uso da hashtag: #NotInMyName, movimento que começou no Reino Unido em 2014 após decapitações de estrangeiros pelo “EI”.

O marroquino Wafi Abdouss, que tem um canal no YouTube, publicou um vídeo que já foi visto mais de 100 mil vezes. Nele, diz: “O que ocorreu em Paris foram ações cometidas por criminosos, que não representam nem os muçulmanos nem os árabes. Os jihadistas e os fundamentalistas só representam eles mesmos”.

Muçulmanos na Espanha também condenaram de maneira dura os ataques. Sami El Mushtawi, diretor do departamento de Cultura do Centro Islâmico de Madri, publicou um comunicado deixando claro seu “rechaço total a toda forma de terrorismo”. “Esse tipo de ação não tem justificativa nenhuma”, afirmou.