sábado, 30 de julho de 2016

O Movimento Radical da Reforma (história e atualidade)




Os grupos da reforma mais conhecidos, como os luteranos, zwinglinianos e calvinistas, terminaram por ser aceitos e tolerados para que a situação política da época fosse sustentável depois de um tempo de fortes enfrentamentos.

No entanto, havia outros grupos, pequenos, descentralizados, pacifistas, defensores da interpretação independente da Bíblia, de uma teologia radicalmente cristocêntrica, de uma separação inegociável entre Igreja e Estado, à margem das “igrejas territoriais”, de grande simplicidade litúrgica, e que se tornaram conhecidos, sobretudo, porque se posicionavam contra o batismo infantil.

Por suas ideias radicais e porque rebatizavam adultos, eram chamados “Anabatistas”, e foram fortemente perseguidos, inclusive pelos contemporâneos reformadores protestantes.
Para não serem presos, torturados e queimados vivos ou afogados publicamente, grupos como os Huteritas, Menonitas e Amish migravam para outras partes da Europa e do mundo em busca da livre expressão religiosa.

Conhecer as bases filosóficas e teológicas dos Anabatistas é não apenas compreender que houve uma “ala radical” da reforma protestante, mas chamar atenção para um contramovimento dentro do próprio protestantismo.

Obviamente, não estamos nos referindo a algo como a contrarreforma católica, mas a um movimento de radical preocupação com princípios bíblicos à luz dos quais foram questionadas, não só a instituição católica, mas mesmo as incorreções e imprecisões, segundo os reformadores radicais, ainda presentes nas reformas implementadas por Lutero, Zwínglio e Calvino. Menno Simons deve ser colocado, ao lado dos três primeiros, como um dos quatro nomes mais relevantes para a compreensão do movimento intelectual e eclesiástico que foi a reforma protestante, inclusive no que diz respeito à herança que, afinal, a reforma deixou para a história da cristandade. A influência da reforma radical não é de forma alguma pequena.

O propósito da primeira palestra é mostrar os conceitos fundamentais anabatistas, seu alcance e influência, e indicar as fontes bibliográficas de maior importância disponíveis para os estudos dessa tradição.

Por outro lado, conhecer a história de migração dos Anabatistas é acompanhar a história da Europa, da Ásia e das Américas nos últimos 500 anos. Aonde quer que chegassem, esses migrantes se mantinham separados da comunidade local, mantendo seus dialetos derivados do alemão e holandês, seus costumes e, acima de tudo, sua religião. Sempre que a perseguição os alcançava, as mudanças políticas lhes eram demasiado extremas ou a terra se apequenava para as famílias de agricultores, se mudavam para outra parte do mundo.

Atualmente, muitos desses grupos ainda existem, algumas vertentes adaptadas ao contexto contemporâneo, como no Brasil e nos EUA, mas outras ainda vivendo bastante separadas, assim como os seus antepassados, como os Menonitas no México e na Bolívia.
O propósito da segunda palestra é apresentar as raízes dos anabatistas, e quão diferente ou semelhantemente esses grupos radicais da reforma atualmente vivem e expressam seus valores e princípios religiosos no contexto social, econômico, político e do meio ambiente em alguns dos lugares onde se assentaram.

Este é o primeiro de uma série de eventos a serem promovidos pelo Núcleo de Graduação em Ciências da Religião e pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Federal de Sergipe por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante, que se completam em outubro de 2017.







segunda-feira, 25 de julho de 2016

A pluralidade religiosa na sociedade contemporânea: Brasil e Canadá - Por José Tadeu Arantes


O modo como os fundamentalistas de diferentes religiões convive atualmente nos países ocidentais tem criado conflitos, muitas vezes violentos. 

O problema tornou-se comum e transversal a todas essas nações. Mas a forma como as sociedades nacionais resolvem a questão, ou pretendem resolver, varia bastante.

Um estudo colaborativo entre pesquisadores brasileiros e canadenses enfocou o tema nos respectivos países. A pesquisa, “Religious diversity in Brazil and Canada”, coordenada no Brasil por Paula Montero, da Universidade de São Paulo (USP), e no Canadá por Lori Beaman, da University of Ottawa, teve o apoio da FAPESP, no âmbito do acordo de cooperação com o Consorcio de Alberta, Laval, Dalhousie e Ottawa (Caldo).

“O Canadá tem sido referência mundial na construção de uma articulação entre as diferenças étnicas, culturais e religiosas que chamamos de ‘multiculturalismo’. Esse modelo foi repensado, criticado ou adotado em várias sociedades. Nossa ideia era entender as especificidades do pluralismo brasileiro e se o modo como a diversidade cultural foi contemplada pela Constituição de 1988, em termos de direito das minorias, dialogava ou não com a experiência canadense”, disse Montero, que é professora titular do Departamento de Antropologia da USP, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e coordenadora adjunta da FAPESP.

O modelo canadense consiste em conferir direitos explícitos a todas as minorias. Por exemplo, na província de Quebec, de colonização francesa, onde existe uma forte disputa linguística, todas as instituições estatais e muitas instituições privadas são bilíngues. 

Com atos simbólicos de forte impacto midiático, o atual primeiro-ministro, Justin Trudeau, projetou mundialmente a imagem do Canadá como um espaço de multiplicidade, respeito às diferenças e inclusão.

Mas, evidentemente, existem resistências ao multiculturalismo, que partem da sociedade e contam com um certo beneplácito do Estado. 

“Nossas parceiras canadenses estão estudando como uma discriminação não explícita e praticamente invisível acaba por marginalizar religiões minoritárias”, afirmou a pesquisadora.

Essa forma disfarçada de discriminação foi tratada pela coordenadora canadense Lori Beaman a partir do conceito de zoning (zoneamento). 

Por meio dessa abordagem foi possível perceber como as políticas de organização do espaço urbano, sem coibir explicitamente as expressões religiosas minoritárias, acabam por torná-las menos visíveis. No caso da religião muçulmana, por exemplo, impedindo que mesquitas se instalem em determinados bairros.

Ao contrário desse ocultamento sutil da diferença, o que vem ocorrendo no Brasil é uma explicitação cada vez maior. 

“É o caso das religiões evangélicas, que têm conquistado visibilidade crescente nas mais diversas esferas: no espaço urbano, na mídia, na política. O exemplo mais ostensivo é o Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, que disputa com a Catedral da Sé a máxima visibilidade na paisagem paulistana”, apontou Montero.

Como enfatizou a pesquisadora, essa explicitação em larga escala das diferentes religiões é um fenômeno relativamente novo no Brasil. 

“No caso das igrejas evangélicas, remonta aos anos 1970. Antes disso, e ao longo de toda a primeira metade do século XX, o catolicismo era o modelo daquilo que se entendia por religião no país. Por ter sido durante muito tempo religião de Estado, o catolicismo se ‘naturalizou’ como expressão do valor moral da nacionalidade. Ser católico era, para a maioria dos brasileiros, uma decorrência, tida como ‘natural’, da condição de nascimento e do contexto familiar, e não uma escolha individual. Desse modo, o catolicismo era parte inerente da experiência cotidiana e da paisagem da cidade. As pessoas não faziam disso uma questão. Era ‘natural’, por exemplo, que a imagem do Cristo Redentor fosse o símbolo visual mais característico do Rio de Janeiro. Até muito recentemente, essa exibição pública de imagens religiosas não era tida como questionável”, explicou.

Pluralismo religioso

É sabido que, no passado, houve perseguições violentas contra práticas populares organizadas em cultos como o candomblé, a umbanda e o espiritismo, principalmente por parte da Igreja Católica e das autoridades médicas e policiais. Mas esse controle estatal não se reconhecia explicitamente como “discriminação” e pretendia se justificar em termos de combate aos “crimes contra a saúde e a ordem pública”.

“A novidade hoje é a experiência social e normativa do pluralismo religioso. A partir da Constituição de 1988, pode-se dizer que se inaugura um processo social e político de relativização do catolicismo e do dever de reconhecimento da coexistência necessária de várias religiões. Antes disso, as pessoas já transitavam com bastante naturalidade entre as diversas religiões sem que isso se colocasse para elas como um problema individual de “conversão” ou “escolha”. Dependendo de sua situação familiar ou pessoal, elas iam do espiritismo para a umbanda, da umbanda para o candomblé, e do candomblé de volta ao catolicismo, sem precisar se definir religiosamente. Agora, as fronteiras entre as religiões se tornaram objeto de disputa e consequentemente mais visíveis e rígidas. Essa reafirmação das fronteiras faz emergir o conflito aberto entre religiões, a disputa por legitimidade, por espaço, por visibilidade e por adesões”, comentou a pesquisadora.

A palavra “dessincretização”, que muitos dicionários ainda não registram, ganhou expressão nos estudos sobre religiões, em referência principalmente, mas não apenas, ao movimento protagonizado por lideranças do candomblé para recuperar sua autonomia frente ao catolicismo. 

A Constituição de 1988 legitimou o paradigma do pluralismo. E este passou a ser um valor político normativo. A afirmação identitária de grupos diferenciados é exatamente o oposto da “miscigenação” e do sincretismo, que constituíam o grande mito brasileiro, tanto na esfera político-social quanto religiosa.

“Essa afirmação identitária pressupõe a produção de contrastes e fronteiras; no processo das relações sociais, isso significa a configuração de um campo de relacionamentos mais contraditório e conflituoso. Outra novidade reside no fato de esses conflitos religiosos muitas vezes serem levados até as instâncias jurídicas. A sociedade de direitos, que começou a se organizar a partir da Constituição de 1988, passou a exigir do Judiciário um esforço de regulação do religioso. A noção de tolerância, que no passado fora formulada para pôr fim às guerras religiosas na Europa, voltou a ser requisitada diante de um contexto de conflito religioso”, analisou Montero.

A noção de intolerância passa a ser utilizada principalmente por parte das religiões de origem africana, que começam a sofrer agressões de pastores evangélicos que as acusam de “falsa religião” e de “fazerem parte com o demônio”. No esforço de construção de uma defesa jurídica capaz de tipificar como crime de intolerância religiosa essas agressões utilizou-se como instrumento o crime de racismo.

Outra novidade na cena religiosa contemporânea do Brasil, decorrente dos afluxos recentes de imigrantes do Oriente Médio e da África, mas também de uma política de conversões, é a maior visibilidade da religião muçulmana. 

Neste caso, há muito o que aprender com a experiência canadense, pois o islamismo, praticado por 3,2% da população, já é a terceira opção no ranking estatístico daquele país, depois do cristianismo (67,3%) e de um muito expressivo segmento populacional sem religião (23,9%).

“Conforme o modelo de parceria definido pelo acordo de cooperação, fui duas vezes ao Canadá, para ouvir o grupo canadense e expor o meu trabalho. E minha parceira veio duas vezes ao Brasil, para ouvir o meu grupo e expor o seu trabalho. A partir daí, formatamos um estudo maior, que está sendo conduzido agora no âmbito do projeto temático: “Religião, direito e secularismo: a reconfiguração do repertório cívico no Brasil contemporâneo”, com 20 pesquisadores e vigência até agosto de 2020”, finalizou Montero. 



 


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Assembleia de Deus: ministérios, carisma e exercício de poder



Nada mais distante da realidade do já centenário movimento pentecostal assembleiano no Brasil do que uma imagem de unidade, de idênticas características, de uma identidade singular.



Este livro trata das complexidades, do pluralismo interno, dos interesses divergentes, dos traços singulares que cercam uma ‘nebulosa assembleiana’, formada por centenas de ministérios, mais de 12 milhões de fiéis, várias convenções, que competem entre si pelo controle dos mitos fundantes, pela reprodução de uma história considerada comum, mas, enquadrados dentro de uma ‘lógica’ que procura dividir internamente, mas sem revelar os mecanismos de poder, que produzem conflitos e cisões, continua e crescentemente.


O texto de Marina Correa busca ajudar o leitor a desvendar parte do aparente intrincado universo das Igrejas das Assembleias de Deus brasileiras.



Convite: I simpósio de religiões na Amazônia sul ocidental e o III colóquio de religiões e campos simbólicos



Projeto de Extensão I simpósio de religiões na Amazônia sul ocidental e o III colóquio de religiões e campos simbólicos.

Coordenador do Evento Professor Dr. Francisco Pinheiro de Assis
A comissão organizadora do evento torna público as inscrições para submissão de propostas para:

a)    Grupos de trabalhos (Gts);
b)     Minicursos;
c)    Painéis;
d)    Mesas.



Datas para submissão das propostas 20 de julho de 2016 a 20 de agosto de 2016.

Data de divulgação das propostas aceitas pela comissão organizadora do evento 22 de agosto de 2016.

Inscrições para apresentar propostas de comunicações nos grupos de trabalhos 22 de agosto 2016 ao dia 12 de setembro de 2016.

Contatos: 
Email: isimposiodereligioes@gmail.com/ Professor Francisco

Rio Branco Acre 20 de julho de 2016






sexta-feira, 15 de julho de 2016

Convite

De 27 a 29 de setembro de 2016, o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da UMESP promove a Semana de Estudos de Religião, evento que abordará o tema:

 "500 anos da Reforma Protestante: críticas e perspectivas"


Endereço:

Rua Alfeu Tavares, 149
Rudge Ramos, São Bernardo do Campo - SP, CEP: 09641-000



terça-feira, 5 de julho de 2016

O 'Deus Mercado' e a religião capitalista, segundo Jung Mo Sung – Por Tatiana Carlotti



Segundo especialista, a narrativa religiosa do neoliberalismo coloca a fé no Mercado como única possibilidade de salvação e culpa os pobres por sua pobreza.

Os aspectos religiosos do neoliberalismo e o proselitismo na comunicação foram temas debatidos pelos professores da Universidade Metodista, Jung Mo Sung (Ciências da Religião) e Magali Cunha (Comunicação). 

Eles participaram do seminário: “A Metafísica do Neoliberalismo e a Crise de Valores no Mundo”, promovido pelo Fórum 21, no último dia 2 de julho (sábado), no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESP).

O evento é o primeiro de uma série de debates voltada à discussão do neoliberalismo hoje. A escolha do tema, explica Anivaldo Padilha, presidente do Fórum 21, deve-se ao caráter sagrado atribuído ao mercado que congrega os atributos da “onipotência, onipresença e onisciência”. Uma espécie de “deus Mercado” que vem fracassando, sistematicamente, “em termos de justiça social e de igualdade entre os homens”. 

Daí a pergunta: por que o capitalismo atrai tanto? 

Segundo o professor Jung Mo Sung, a compreensão dos aspectos religiosos do capitalismo é fundamental para o entendimento não apenas de sua atração, mas também do que se passa hoje no Brasil. Mostrando, a partir de imagens, os ícones (Ferrari, bolsas Louis Vuitton), templos (shopping centers), igrejas (institutos von Mises) e mitos do neoliberalismo, Sung destrinchou a narrativa religiosa e sedutora, por trás do discurso neoliberal. 

“Antes, quando as pessoas se sentiam pecadoras ou impuras, elas iam à Igreja para recuperar a humanidade e a pureza. Hoje, quando se sentem tristes, elas vão ao shopping. Verdadeiras catedrais modernas”, apontou. 

Não é de se estranhar, portanto, a forte semelhança arquitetônica entre as catedrais e os shopping centers (confiram a imagem acima).

Os mitos do desenvolvimento

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, a teoria econômica (da esquerda e da direita) foi embalada por dois mitos principais. Primeiro, a crença de que o “bom da vida era aumentar o poder de consumo”. Sung destacou que, frente a essa ideia, a modernidade promoveu uma inversão: o “bom da vida” passou a ser possível dentro da história (via consumo) e não mais restrito ao pós-morte”. 

O segundo mito era que “o padrão de consumo dos países ricos poderia ser universalizado”, fortalecendo “a ideia de que todos os seres humanos têm direitos”. 

Sung também mencionou que a discordância entre os economistas marxistas e liberais capitalistas se deu aos caminhos para se atingir essa universalização: o mercado ou a planificação estatal. 

O exemplo é simples: “Quando se privilegia o ajuste econômico no Brasil e se corta o dinheiro da Educação e da Saúde, por exemplo, é preciso justificar essa decisão. Quando se corta o pagamento de juros aos bancos, para privilegiar programas sociais, também é preciso justificar. Essas duas justificativas, porém, são completamente diferentes porque trabalham com duas estruturas míticas diferentes”. 

Em 1970, porém, esses mitos caíram por terra, quando da publicação de “Os Limites do Crescimento” (1972), pelo Clube de Roma. A obra reconhecia os limites do crescimento do sistema capitalista e a impossibilidade da universalização do padrão de consumo. “A primeira reação dos capitalistas foi dizer ´isso é bobagem´. Depois não deu mais para negar”, lembra. 

A Fé no Mercado

A partir de então, novos mitos foram construídos. Em 1974, em plena crise do petróleo, F. von Hayek, um dos teóricos do capitalismo, ganhava o Prêmio Nobel de Economia com a obra: “A Pretensão do Conhecimento”. Hayek sustentava que a crise do sistema tinha como principal causa a “pretensão dos economistas de saberem como o mercado funciona, porque toda intervenção pressupõe conhecimento”.

“A raiz de todas as crises”, explicou Sung, passou a ser a tentativa de compreensão do funcionamento do Mercado. Em termos míticos, “esse discurso neoliberal é uma reeleitura do mito da Gêneses”, que interditava a Adão e Eva os frutos da Árvore do Conhecimento. “Se não podemos conhecer as leis do Mercado, o que podemos fazer? Temos de ter fé no Mercado”.

Uma fé, destacou, de que “o mercado sempre vai produzir outros melhores resultados possíveis”. “Essa é a base epistemológica do neoliberalismo” que apresenta uma contradição lógica: “se você não pode intervir, porque não pode conhecer o mercado, como pode afirmar que ele sempre vai produzir melhores resultados possíveis? O salto lógico se tornou uma questão de fé”. 

Anos depois, ou prêmio Nobel, Milton Friedman, afirmaria: “os que são contra, no fundo, têm um problema de falta de confiança na liberdade do mercado”. Uma narrativa, frisou Sung, disseminada em todos os cantos do mundo, a partir da mídia e, também, da proliferação de institutos, como os institutos von Mises.

Sobre a obra de L. von Mises, “A Mentalidade Capitalista”, o professor avaliou: “é uma maravilha de livro de teologia”. Nela se defende a ideia de que “todo adulto é livre para montar a sua vida de acordo com os seus próprios planos, a partir de um conceito de liberdade pelo qual não existe o outro: sou eu e o meu desejo. É puro indivíduo”. 

Captura do desejo

Para L. von Mises, no sistema de mercado livre, “os consumidores são soberanos” e “desejam ser satisfeitos”. Mas, apontou Sung, “consumidor não é qualquer indivíduo” nesta lógica. “O nível é: todos somos humanos, mas nem todos os humanos são cidadãos, e nem todos os cidadãos são consumidores. O desejo soberano [se restringe] aos consumidores”.

Com base na impossibilidade de satisfação dos desejos, conforme alguns vão sendo satisfeitos, surgem novos desejos, von Mises chega a defender a avidez como “impulso que conduz o homem em direção ao aperfeiçoamento econômico”. Afirma, ainda, que “manter alguém contente com o que já conseguiu ou pode facilmente conseguir, sem interesse por melhorar suas próprias condições materiais não é uma virtude”.

“Essa é a tese teórica”, salientou Sung, lembrando que a sociedade vem criando mecanismos para, justamente, controlar a avidez do desejo individual.  “Nós somos seres infinitos na condição de finitude e o nosso desejo é infinito, mas, em uma economia escassa, não há satisfação para todos”. 

E se não há satisfação para todos, então, como lidar com a frustração? “A saída neoliberal é a criação de uma verdadeira teologia da culpa”. No capitalismo, todos somos alimentados pela frustração”, apontou.

Teologia da Culpa

“Se você não consegue ser o rei do chocolate, o campeão de boxe ou a estrela de cinema, você é o culpado. Essa é a teologia da culpa: o indivíduo passa a ser culpado pela sua própria frustração”, explicou. E trata-se de uma culpa que atinge a todos, começando pelos mais pobres. 

“Por que pobre é pobre? Porque é culpado. Ele merece a sua pobreza”. Segundo essa lógica, “o pobre que não pode comprar brinquedo para o filho assume a culpa duas vezes: pela pobreza e por sentir culpa em ser pobre”. Enquanto isso, o Mercado se consolida enquanto juiz transcendental. 

“Se a culpa é de todos, por conta da distribuição de riqueza, quem é o juiz que faz essa destruição? O Mercado. Mas, eu posso questionar o mercado? Não. Ele é inquestionável, está além do bem e do mal, do injusto e do justo”. Na medida em que não está sob o juízo humano, o Mercado se torna algo sagrado. “E o sagrado é aquilo que é separado do sistema profano, acima do juízo e do questionamento da justiça”, explicou. 

Sung também alertou: para o capitalista e para o neoliberalismo, o verdadeiro o problema “está nas pessoas que acreditam que os seres humanos têm direitos”.

Direitos Humanos

Ele explicou que o pensamento liberal moderno foi fundado na tradição neotestamentária. Segundo essa tradição, primeiramente, “todos os homens são iguais perante a Deus. Depois, todos os homens passaram a ser iguais perante as leis; e, de acordo com a razão moderna, a essência humana traz consigo direitos implícitos”. 

São justamente esses direitos implícitos, denunciou, que estão sendo rejeitados pela teoria pós-moderna ao defender que “tudo é cultural”, inclusive, “afirmar que a natureza humana dá direitos é cultural”. Sob essa ótica, “o grande erro das esquerdas e dos humanistas é acreditar que ser humano tem direito por natureza. Não tem. Quem não conseguiu direitos no contrato do mercado, não tem direito nenhum”.

Essa é a narrativa dos que criticam programas sociais como o Bolsa Família ou o Mais Médicos. “Se pobre não tem direito a comer, porque não tem direito, o que é um programa social como o Bolsa Família? Um roubo. Você tira de quem tem direito e o ganhou justamente via Mercado - e passa para quem não tem direito”. 

Daí a inversão, situou Sung, já que “os defensores dos direitos dos pobres e dos programas sociais tornam-se os grandes malfeitores da humanidade”. A violência explode: “eu estou frustrado porque esse desgraçado de esquerda continua querendo o meu imposto para dar para esses pobres desgraçados. De quem é a culpa da minha frustração? Da esquerda e dos pobres. Aí eles colocam fogo no mendigo”, destacou. 

Deveres

Quando o então ministro Alexandre Padilha (Saúde) comemorava o sucesso do Mais Médicos, ele estava reafirmando não apenas o direito das pessoas à Saúde, mas o dever do Estado para com elas. No entanto, muitas pessoas foram contra o programa e retrucaram: “eles não têm direitos e nós não temos deveres. Isso é um roubo”. “Tratam-se de duas estruturas de pensamento diferentes. Saber isso nos ajuda a compreender a agressividade”, explicou.

Em sua avaliação, sempre existiram egoístas exagerados, a diferença é que antes, “as pessoas tinham vergonha de ser publicamente egoístas, porque havia uma pressão cultural. Hoje, elas têm orgulho. Depois que passar a vergonha do Temer, vai continuar esse orgulho e ele vai continuar enquanto esse modelo civilizatório prevalecer”. 

A lógica da Responsabilidade

Segundo Sung, “nós retornamos a um debate surgido no século XVIII: o ser humano tem direitos? Para os defensores do neoliberalismo, esses direitos são vistos como ´coisa de bandido´. O processo tecnológico chegou ao ponto de destruir as bases humanistas do mundo moderno”.

A saída, apontou, “está na luta social”. Uma luta que, em última instância, pressupõe “a descoberta dos direitos fundamentais de todos os seres humanos”. Sung também alertou: “culpa e humilhação não acabam quando você come. Quando você come, você mata a fome. Isso vai aparecer em violência familiar, em neuroses, loucuras. E quem se sente culpado não luta”. 

Em sua avaliação, “para sair desse entrave é preciso lembrar que apenas um mito combate outro mito”. Citando a experiência do apóstolo Paulo de Tarso que, em pleno Império romano, conseguiu criar comunidades de resistência, Sung avaliou que “Paulo tem algo a nos ensinar”, sobretudo, quando afirma:

“Enquanto ainda éramos inimigos de Deus, Deus se reconciliou conosco” (Rom 5,10).

Essa citação, analisou, é uma “crítica radical à ideia de Deus norteadora das culturas de opressão, que pressupõem um Deus que culpa e pune. E não um Deus, não importa aqui se existe Deus ou não, que humaniza o ser humano e se reconcilia. Antes de qualquer articulação cultural, todos os seres humanos têm direito à vida”. 

A proposta de Paulo, avaliou, abre uma fenda na “lógica da culpa” e nos permite entrar em outra lógica: a da responsabilidade. “É preciso responder aos problemas sociais. A lógica da responsabilidade nos chama à ação. A lógica da culpabilidade apenas aponta o culpado. E apontar culpados não resolve nada”, concluiu.

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Jung Mo Sung, autor de diversos livros, entre os quais: “Mercado, religião e desejo: o mundo de hoje na perspectiva da Teologia da Libertação” (Suhae Munjip, 2014); “Para além do espírito do Império" (Paulinas, 2012) e “Deus em nós: o reinado que acontece no amor solidário aos pobres" (Paulus, 2010).






Lamya, 18 anos. Escrava do estado islâmico durante 20 meses - Por Sofia Lorena


Simplesmente por pertencer à comunidade yazidi, ligada aos curdos, a jovem iraquiana Lamya Taha foi vendida e violada até pensar que não aguentaria mais. Mas sobreviveu. Para contar a sua história. 

Dizem que os yazidis são adoradores do diabo, mas eles sabem que o diabo são os outros. A religião deles é muito antiga, anterior a Cristo e a Maomé, provindo diretamente dos sistemas de crenças da Mesopotâmia. Mas desde que os muçulmanos existem, os yazidis vivem entre eles. 

Por professarem uma religião de sincretismos num mundo islâmico fundamentalista, os yazidis sempre foram perseguidos e hoje estão espalhados pelo mundo. Em 2010, sobravam uns 800 mil, a maioria no Iraque. Hoje, depois de Saddam Hussein e dos extremistas, ninguém sabe quantos são.

Estejam onde estiverem, os yazidis acreditam que o dia do julgamento final vai acontecer no templo de Lalish, a montanha do Curdistão iraquiano. É dali, dizem, que se separam os caminhos: para um lado, o inferno; na direção oposta, o paraíso. 

Em Lalish há uma serpente e é desta que os ignorantes falam quando os acusam de adorar o diabo. O que eles não sabem é que foi com esta serpente que Noé tapou o buraco da arca e, assim, a vida pôde continuar.

O pediatra Mirza Dinnay sabe bem o que é resgatar crianças atiradas ao inferno. Lamya Taha exibe as marcas do diabo no rosto, mas continua a adorar a vida e ainda quer ser professora. Tem 18 anos e a cara desfigurada pela bomba que explodiu quando fugiu de quase dois anos de cativeiro impensável. O impensável chama-se Isis (o autodenominado Estado Islâmico). A bomba tirou-lhe o olho direito e deixou-lhe o esquerdo com a visão 90% reduzida.

As piores marcas são as que não se veem. O pediatra Mirza sabe disso. Afinal, é ele quem cuida de Lamya e procura resgatá-la para uma nova vida. 

Conversão ou morte

“Sou uma das milhares de moças yazidis capturadas pelo ISIS (sigla em inglês para Estado Islâmico do Iraque). Eu e toda a minha família fomos capturados em Agosto de 2014 em Korcho, a nossa aldeia. Os combatentes chegaram e disseram: ‘têm três dias para se converter ao islão ou serem mortos’”, conta Lamya, com Mirza a fazer de intérprete.

Quando os combatentes chegaram, o terror estava apenas começando. “No fim desses três dias, obrigaram-nos a ir para a escola da aldeia. Separaram as mulheres e as crianças dos homens. Levaram os homens lá para fora e mataram-nos. Depois, transportaram-nos para outra zona e foi aí que nos dividiram, mulheres para um lado, moças para outro”, descreve. 

Na aldeia, diz Mirza, viviam 1900 pessoas, 400 eram homens, como o pai de Lamya que ela nunca mais viu; os outros eram mulheres e crianças. 

“As moças, como eu, fomos para Mossul (a segunda maior cidade do Iraque, no Norte do país, sob controle dos jihadistas). As mulheres mais jovens e as crianças pequenas foram levadas para Tal Afar (outra cidade). As mais velhas foram mortas”, conta a jovem. 

“Depois de uns dias, levaram-me, a mim e à minha irmã, para Raqqa (a cidade síria que os membros do Isis chamam de capital do seu autoproclamado 'califado'). Um combatente saudita nos levou e nos violou, as duas no mesmo dia, antes de nos devolver ao grupo”.

Vendida e comprada

Foi então que Lamya foi vendida e comprada pela primeira vez. Tinha 16 anos e pensou que não aguentaria. 

“Um dos emires, um saudita, comprou-me e levou-me. Torturou-me, espancou-me, violou-me e eu cortei os pulsos, tentei matar-me. Estive três dias no hospital e, logo a seguir, ele levou-me para Deir Ezzor, outra cidade da Síria. Tentei fugir e passei uns dias com uma família. Mas eles me denunciaram e fui capturada outra vez”, recorda Lamya, franzina e frágil, vestindo camiseta branca e trazendo um fio ao pescoço.

Por tentar fugir, foi punida com nova dose de espancamentos e violações. 

“Depois, quiseram levar-me para Caim, no Iraque, mas eu saltei do carro e fugi. Capturam-me num controlo do ISIS e voltei para Deir Ezzor. Enfiaram-me numa prisão, e violaram-me seguidamente sem me darem comida nem água. Entregaram-me a um outro combatente e fui escrava deste durante três meses. Este vendeu-me a um que era o responsável por fazer as bombas.  Além de me estuprar, ele me obrigava a construir explosivos. Passados outros três meses, consegui fugir e voltei a ser capturada”, conta, num só fôlego. 

“Levaram-me de volta para Mossul, para ser julgada num tribunal da shaaria (lei islâmica). Devia ser morta ou ser mutilada, ficando sem os pés, por ter fugido. Decidiram matar-me, mas veio outro saudita que perguntou se me podia comprar. Primeiro, espancaram-me até todo o meu corpo sangrar por todos os lados. Depois, deixaram que o saudita me levasse para o mercado de escravos”, lembra. 

“Fui comprada por um médico iraquiano que era muito mau para mim. Passei um ano com ele, ele comprava e vendia moças yazidis o tempo todo”.

A grande explosão

Lamya não estava sozinha e conseguiu convencer duas outras yazidis a fugir com ela. Determinada, entrou em contato com uns familiares afastados para lhe enviarem um contrabandista. 

“Consegui escapar com duas amigas, uma de 18 anos, outra de oito. Fugimos de noite, mas perto da fronteira com o Curdistão uma delas pisou uma bomba e houve uma grande explosão. Elas morreram e eu perdi o meu olho direito e fiquei com a cara assim, quase cega do olho esquerdo. Um contrabandista levou-me ao Curdistão”.

Além do pai, um irmão de Lamya foi assassinado. Duas irmãs já estão na Alemanha, onde Lamya chegou há um mês; como ela, foram resgatadas pela organização do pediatra Mirza. Outro irmão, com 12 anos, foi forçado a combater durante um ano nas fileiras do ISIS. “Conseguimos resgatá-lo e está no Curdistão. A mãe dela e outro irmão estão desaparecidos até agora”, diz Mirza. 

“O plano é reunir os sobreviventes da família na Alemanha”, explica o pediatra. Mas nos campos de deslocados no Norte do Iraque não faltam “outros casos de moças que precisam de cuidados médicos e psicológicos e de quem as acolha depois do trauma” do cativeiro. “As condições em que vivem no Iraque são terríveis”, diz o eurodeputado Josef Weidenholzer, que visitou os campos e sabe do que fala Mirza. O médico Mirza vive entre o Curdistão e a Alemanha, dedicado  a resgatar crianças daquele inferno.

No Iraque, lembra Mirza, “são raríssimos os profissionais da psicologia, e não existe uma infraestrutura para acolher este tipo de refugiado que carrega terríveis feridas escondidas. “Em todo o Curdistão, há vinte psiquiatras para atender milhões de pessoas. E há mais de seis mil crianças que passaram meses e anos em cativeiro”, descreve.

“Estas pessoas estão muito traumatizadas, vivem em campos de tendas sem qualquer ajuda, o apoio médico e psicológico é quase inexistente”, diz. “Há crianças de seis anos que ainda acordam às 6 horas da manhã para rezar com medo de serem mortas pelos homens do ISIS. Não perceberam que já não estão em cativeiro”.

Ainda em fuga

Na Grécia, conta o médico, há 4700 refugiados yazidis em diferentes campos. “Fugiram da discriminação que sofriam no seu país, mas estão em campos onde continuam a ser discriminados. Sabemos que 231 escaparam dos campos o mês passado porque os refugiados sírios muçulmanos queriam obrigá-los a fazer jejum durante o Ramadão. Houve uma rapariga que se suicidou há dias. Temos de tira-los de lá”.

Os yazidis e todos os refugiados que permanecem na Grécia estão também vulneráveis aos traficantes. São 15 mil ao todo, quase cinco mil são yazidis. E entre estes, há os 470 identificados.

Lamya fugiu em abril em direção ao Curdistão iraquiano. Na Alemanha, ela ainda não tem estatuto de refugiada. Foi levada ao país pela associação do pediatra Mirza. Tem um visto de curto prazo, três meses, para tratamento médico. Mas Mirza vai tentar mantê-la lá, impedir que regresse às tendas do Iraque, onde não tem nenhuma perspectiva de sobrevivência.

Ainda há 3 mil yazidis escravos do ISIS, lembra a jovem. “Gostaria que todos fossem resgatados”, diz Lamya. “A situação das mulheres e das crianças que conseguiram fugir é muito ruim. Espero que outros países as queiram acolher”.

Quem são os yazidis?

Os yazidis, membros da comunidade à qual pertence Lamya Taha, têm sido perseguidos ao longo dos milênios, vítimas de vários genocídios e do ódio, tanto de cristãos como de muçulmanos. Agora, ameaçados de extermínio pelo Estado Islâmico, começaram a treinar, no Curdistão, para pegar em armas. Dizem que estão “em busca de vingança” pelos familiares que perderam nos massacres dos últimos anos.

Povo da mesopotâmia em fuga perpétua, os yazidis são etnicamente curdos, mas distinguem-se pela religião que praticam. Monoteístas, pré-cristãos, misturam elementos de várias tradições, especialmente do zoroastrianismo, que foi culto majoritário na antiga Pérsia, mas também do islão e do cristianismo.

Segundo a religião yazidi, Deus colocou a terra sob a proteção de sete divindades (anjos). A principal, Melek Taus, o Anjo-Pavão, é também conhecida pelo nome Shaytan, o mesmo que o Alcorão dá a Satanás. Isto leva a que muitos muçulmanos, em particular os mais radicais, vejam os yazidis como “adoradores do diabo”.

Para agravar os desentendimentos com outras religiões da área em que vivem, os yazidis acreditam na reencarnação e não seguem nenhum livro sagrado. 

A esmagadora maioria dessa comunidade caracterizada pelas suas tradições orais, entre 200 a 600 mil, vive na planície de Nínive (a antiga capital da Babilônia), no norte do Iraque. Mas a diáspora não para de crescer. Estima-se que existam entre 20 a 50 mil na Alemanha, 10 a 20 mil na Síria e entre 70 a 110 mil na Armênia, na Geórgia e no Azerbaijão.

O monte Sinjar tem-lhes servido de refúgio, mas muitos já não querem voltar: “Não sei, não sei se algum dia poderemos voltar. Já não queremos voltar para o Sinjar. Se as coisas continuarem como estão agora, não queremos voltar. Se voltássemos hoje, estaríamos todos mortos amanhã”, explica um refugiado que conseguiu fugir ao cerco dos extremistas do Estado Islâmico.

O massacre de yazidis está também servindo de justificação moral para o Ocidente armar os curdos pechmerga, os únicos que, no terreno, parecem capazes de poder travar o avanço do Estado Islâmico que já declarou um califado numa vasta região que abrange o norte do Iraque e o leste da Síria.

Os yazidis, hoje, só pedem uma coisa: “salvem-nos” do Estado Islâmico.





sexta-feira, 1 de julho de 2016

Jogos Evangélicos atraem 700 atletas de 60 igrejas - Por Leiliane Roberta Lopes 



São diversas modalidades esportivas disputadas nesse evento que chega à 7ª edição.

Neste final de semana acontece no Ginásio do Arena do Morro, em Natal, a segunda rodada do futsal masculino e a primeira rodada do basquete que fazem parte da 7ª edição dos Jogos Evangélicos do Rio Grande do Norte (JOERN).

O evento conta com o apoio de mais 60 igrejas que enviaram aproximadamente 700 atletas para competir nas modalidades de futsal, futebol de areia, basquete, vôlei, xadrez, karatê, judô e tênis de mesa.

As competições acontecem nos dias 2 e 3 de julho entre as 8h e as 20h, atraindo milhares de espectadores que acompanharão as partidas.

O JOERN é um evento promovido pela Rede Internacional Jesus Warriors no Brasil, tendo como principal objetivo promover o esporte e a integração dos cristãos do estado.

Ao longo desses 7 anos, as igrejas da região estão se tornando cada vez mais participativas, entendendo esse propósito de unidade em torno do propósito que é expandir a verdade da Palavra de Deus.

Para acompanhar as competições e saber mais sobre o evento acesse o site: www.jogosevangelicosdorn.com