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sábado, 18 de fevereiro de 2012

A intolerância democrática


Nos países da Comunidade Européia vem ganhando vulto um escândalo de cariz religioso. A comunidade muçulmana propôs aos habitantes da Europa reduzir ao mínimo a criação de cães. Depois disso, os europeus vieram com uma outra proposta. 

Por exemplo, uma escola de cozinha em Copenhaga anunciou que se recusava a ensinar estudantes muçulmanos e judeus. O principal argumento apresentado é a necessidade de provar no processo culinário certos produtos, cujo consumo é proibido categoricamente pelos cânones de ambas as religiões.

O muçulmano Ikram Kormaz, cidadão dinamarquês, tornou-se a primeira “vítima” desta nova decisão da escola. Ele começou a frequentar o curso de cozinheiro em princípios de janeiro, mas anteriormente ninguém se preocupava com a sua confissão religiosa e ninguém lhe exigia degustar carne suína ou provar vinho. Mas agora deram-lhe a entender claramente que o seu estudo da arte culinária nesta cidade está concluído e que a continuação de estudos não tem sentidos se ele não renunciar, é claro, à leis canônicas do Islã. 

O primeiro vice – presidente da Direção Espiritual Central dos Muçulmanos da Rússia Albir Krganov declarou em entrevista à “Voz da Rússia” que exigir a violação dos cânones religiosos é um “lance proibido”, que não corresponde à política de tolerância preconizada tanto na Europa de hoje.

"Os Estados democráticos, - uma vez que se chamam democráticos, - devem ser democráticos até o fim e não exercer pressão sobre os fiéis nas questões referentes à alimentação. Creio que a Europa de hoje que dá ao mundo inteiro um exemplo de pluralismo de opiniões e de princípios democráticos, deve observar, ela própria, as leis pelas quais pugna. Devem ser levados em consideração os direitos dos cidadãos de diversas religiões e de diversas opiniões."

No entanto, muitos europeus reputam que a exigência inesperada da escola de cozinha de provar os produtos com que os alunos trabalham, é perfeitamente justa, pois é disso que depende em grande parte tanto a qualidade dos pratos servidos, como a reputação de restaurantes e cafés. 

Resulta, porém, que doravante os adeptos da doutrina do profeta Maomé e das leis da Tora não terão direito de cursar escolas culinárias laicas e de trabalhar nelas e podem apenas fazê-lo nos estabelecimentos em cujas portas está o cartaz com a inscrição “halial” ou “kashrut”, isto é, nos locais em que a comida é feita de acordo com os cânones religiosos. Este é um problema criado artificialmente  e sempre se pode encontrar uma saída, opina o rabi de Moscou, Aleksandr Lakchin.

"Há cerca de vinte anos um precedente idêntico deu-se nos EUA. Em Boston existe uma academia culinária, - uma das mais famosas do mundo. Um dia matriculou-se nela um judeu que observava todas as prescrições da sua religião. Ao ingressar ele apresentou várias exigências. Por exemplo, pediu que não o fizessem misturar produtos de carne e de leite, comer carne suína, etc. A administração deste estabelecimento de ensino foi ao seu encontro e chegou a fazer pequenas emendas nas receitas de alguns pratos. Portanto, qualquer problema pode ser resolvido."

Os peritos estão convencidos de que esta decisão da escola de cozinha de Copenhaga pode provocar uma nova onda de confrontação entre os cristãos e representantes de outras religiões, em primeiro lugar, os muçulmanos. 

Já há vários anos os políticos europeus aprovam leis que restringem ou, inclusive, proíbem o uso de símbolos e vestes religiosos, a construção de minaretes e de mesquitas nos seus países, revistas publicam caricaturas do profeta Maomé e alguns sacerdotes cristãos propõem, inclusive, queimar publicamente o Alcorão e outros livros sagrados dos muçulmanos.

Agora a Comissão Dinamarquesa para a Igualdade de Direitos juntou-se à análise do incidente neste estabelecimento de ensino. É possível que os estudantes muçulmanos e judeus sejam equiparados aos alérgicos. 

É que a não proíbe aos alérgicos, que não podem consumir certos tipos de produtos, receber instrução culinária neste estabelecimento de ensino, nem lhes é exigido provar os pratos feitos.

Estudos Teológicos: A Bíblia e o diálogo entre religiões


O Centro de Reflexão Cristã (CRC) promove um ciclo de colóquios, de 28 de fevereiro a 19 de junho, sobre:

 «A Palavra de Deus: A Bíblia e o diálogo entre religiões» 

a realizar no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

«Novas hermenêuticas e diálogo entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos»; «O Apocalipse e os Milenarismos» e «Como ler as Bíblias (Judaica e Cristã) e o Alcorão» são alguns dos temas das conferências, revela um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

Programa:

Colóquio I

28 de fevereiro de 2012
«Novas hermenêuticas e diálogo entre Cristãos, Judeus e Muçulmanos» - pastor Dimas de Almeida e padre Joaquim Carreira das Neves, O.F.M.


Colóquio II

20 de março de 2012
«O Apocalipse e os Milenarismos» - padre Joaquim Carreira das Neves, O.F.M; José Augusto Ramos e pastor Timóteo Cavaco


Colóquio III

17 de abril de 2012
«Como ler as Bíblias (Judaica e Cristã) e o Alcorão» - rabino Eliezer di Martino; Faranaz Keshavjee e padre Joaquim Carreira das Neves, O.F.M.


Colóquio IV

19 de junho de 2012
«A Compaixão que nos une» - Abdool Karim Vakil; Joshua Ruah e padre Peter Stilwell


Encontro Regional fortalece as religiões de matrizes africanas


O 6º Encontro Regional das Águas, no último domingo (12), movimentou o Parque Pinheirinho. O evento, realizado pela Prefeitura de Araraquara/SP – por meio da Coordenadoria Executiva Especial de Promoção da Igualdade Racial – reuniu aproximadamente  500 pessoas entre religiosos e simpatizantes de Araraquara e região. 

 O Encontro que celebra Oxum, a orixá das águas doces, filha de Oxalá e Iemanjá tem como objetivo fortalecer as religiões de matrizes africanas e proporcionar uma maior integração entre os seus adeptos. Alessandra de Cássia Laurindo, coordenadora municipal de Promoção da Igualdade Racial, lembra que “Araraquara, mais uma vez, dá o exemplo da respeitabilidade a todas as religiões”.

 Os rituais e oferendas praticados nas religiões de matrizes africanas compuseram as atividades do evento, aberto a quaisquer interessados. “O encontro é uma forma de dar maior visibilidade as religiões de Matrizes Africanas, com o intuito de minimizar as discriminações sofridas por esse segmento”, disse a coordenadora, lembrando que é fundamental combater a intolerância religiosa, respeitando os cidadãos e promovendo a igualdade, independente de cor, raça e religião. “Só assim seguiremos seriamente em nosso propósito que é o de uma Araraquara sem preconceitos”.

 Durante a cerimônia, inicialmente, cada terreiro fez os seus trabalhos separadamente. Depois, todos se uniram para uma grande homenagem a Oxum. Neste momento, os filhos de fé cantaram pontos de Oxum e fizeram seus pedidos e oferendas, em balaios, à Rainha das Águas Doces. Entre os presentes, foram oferecidos: bonecas, doces, frutas, perfumes, pedidos, flores e bijuterias douradas. Aparecida Benedita Rodrigues entoou cantigas em homenagem a Oxum.

 Luiz Zacarelli, secretário municipal de Governo, representou o prefeito Marcelo Barbieri e ressaltou o objetivo do governo popular, que é o de estar voltado realmente para todos, independente de credos religiosos. O evento contou com a participação de Drº Marco Antonio Zito, presidente do Conselho de Participação de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo

O presidente parabenizou a iniciativa e disse que o Conselho Estadual – do qual Alessandra é integrante – está à disposição de Araraquara e região, para impulsionar ações como essa, dando a respeitabilidade que a religião necessita. 

 O presidente da Câmara Municipal, Aluísio Braz, elogiou o evento “que simboliza o respeito às religiões de matrizes africanas” e valorizou a visita do Dr. Marco Zito, “no sentido de Araraquara – através das ações do Centro de Referência Afro – ter o reconhecimento que merece nas questões raciais”.

 O presidente da FECUMSOL (Federação Espírita de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo “Morada do Sol”), José Francisco Tomé dos Santos, salientou a dificuldade de fazer um evento desse porte e da necessidade dos religiosos se assumirem como umbandistas.

 Alessandra finalizou dizendo que o governo municipal está a disposição, através do Centro de Referência Afro, para ouvir e encaminhar todas as demandas das comunidades de terreiros. Para ela, a união é de fundamental importância para a realização de ações que possam ajudá-los a desenvolver melhor os trabalhos. 

 Estiveram presentes ainda: Kiko Salvador, presidente do COMCEDIR; Drª Rita de Cássia Corrêa Ferreira, presidente da Comissão da Igualdade da OAB- Araraquara – entre outras autoridades.


Sou 100% francês, mas para eles continuo sendo um imigrante, diz tunisiano que mora na França - Por Le Monde


Pelo telefone, era possível sentir que ele estava muito nervoso. “Você ouviu o que ele disse? A respeito das civilizações? Mas não é possível, será que nunca vão parar com isso?” Havíamos marcado um encontro para entender sua raiva. 

E foi um homem jovial que desceu para nos receber nesta tarde, no andar de baixo de seu prédio localizado no conjunto habitacional Cité des 4000, desta vez do lado norte, logo abaixo de uma alça de acesso.

Aos 54 anos, Mohammed Aouichi, divorciado e pai de três filhos, é agente logístico da UPS no aeroporto de Roissy. “Você vai conhecer meu palácio”, ele brinca, entrando em sua quitinete “melhorada”.

Mas seu rosto se fecha quando falamos em Nicolas Sarkozy. “Não aguento mais ele. Nem ele, nem seus ministros Guéant, Hortefeux, Besson. Desta vez, foi Guéant nos dizendo que existem civilizações melhores que outras, antes foi Hortefeux, que dizia ‘quando tem um deles, tudo bem, é quando são vários deles que temos problemas’... E, toda vez, Nicolas Sarkozy os apoia. Eu não entendo; na condição de presidente, de ministro, tem certas frases que você não deve dizer. Você não pode incitar a discriminação e o ódio entre os povos...”

Nascido na Tunísia de pais argelinos, Mohamed Aouichi chegou à França em 1962. Assim como outros habitantes da comuna de La Courneuve que encontramos, ele passou seus primeiros anos na França em uma favela, em Pantin, antes que sua família se mudasse para um apartamento todo equipado do recém-terminado bloco Balzac. “Banheiro, gás e quartos de verdade! Para nós, que estávamos saindo da favela, era um luxo!”, ele lembra. “Era uma outra época: ainda havia grandes áreas verdes, e o leiteiro entregava seu leite com sua charrete!”. Ele viveu ali por 25 anos, e nunca mais deixou a cidade desde então.
 

“Estão cansados das misturas”
 

Ao considerar que “as civilizações não são todas iguais”, Claude Guéant afirmou não visar nenhuma civilização em particular. Mas ele citou, ao acaso, dois exemplos se referindo ao islamismo: o uso da burca e as orações de rua.

Mohamed Aouichi se apresenta como um “muçulmano moderado”. Ele é contra o uso do véu, não gosta de ver gente rezando na rua. Mas essas palavras o magoaram, pois se falou em uma civilização como um todo. 

E ele, então, francês, muçulmano, filho de argelinos criado na França, à qual civilização ele pertence, na visão de Claude Guéant? E na visão daqueles que o escutam? “Estão cansados de misturas. Toda eleição presidencial é a mesma coisa, querem assustar com os imigrantes, os muçulmanos, os subúrbios”.

Uma longa passagem da entrevista à “Figaro Magazine” de sábado (10), na qual Nicolas Sarkozy esboçou os contornos de seu futuro projeto presidencial, se dedicava à imigração. Ele falou especificamente em duas ondas: uma antiga, “de uma comunidade cultural e religiosa muito próxima de nossa história” que “pudemos integrar ao caldeirão republicano”, e uma outra “mais recente” que “é diferente”. 

Ao dizer que era contra os estrangeiros poderem votar nas eleições locais, ele alegou o risco de ver cantinas se tornando “halal” [que segue os preceitos islâmicos] e piscinas reservadas para mulheres.

“Os políticos misturam tudo para mexer com o medo das pessoas. E depois eu vejo no dia a dia esse medo nos olhos delas, olhares de reprovação para mim, pelo fato de que tenho um emprego, por exemplo...” ele explica. 

“Tenho nacionalidade francesa, servi o Exército, cantei a Marselhesa. Respiro e durmo  a França, sou 100% francês. Mas, para eles, continuo sendo um imigrante. Então o que devo fazer? Cheguei à França bem novinho, fiz todos meus estudos na França, sou um ardoroso defensor da laicidade, sou um homem honesto, então me diga: o que mais preciso fazer para que simplesmente me vejam como um francês?”, ele se revolta.

E diz ainda: “Estou cansado do fato de que sempre só olhem para o passado, inclusive que certos imigrantes ainda se refiram à colonização. Acabou, é preciso seguir em frente, foi isso que ensinei a meus filhos. Mas, toda vez, essas declarações estigmatizantes nos jogam para trás.”

Ele fala sobre seus três filhos: o mais velho trabalha com segurança, a segunda estuda administração e a última está prestando vestibular para literatura. “Não é por mim que isso me magoa. É por eles. Eles adoram a França e não quero que eles passem pelo que passamos, pela discriminação”. 

Em alguns minutos, ele listou os exemplos de jovens com Bac+5 [algo equivalente a um mestrado] que não conseguem encontrar emprego apesar de seus diplomas. “Hoje, meus filhos sonham em ir trabalhar no exterior. Um amigo foi morar na Austrália: lá, seu nome magrebino nunca causou problemas!”, ele conta.

Para a eleição presidencial, ele fez sua escolha: no primeiro turno, votará em François Bayrou. “Porque, ao contrário de François Hollande, ele não promete mundos e fundos. Aqui, desde Mitterrand, não se acreditam em belas promessas. Bayrou é sincero: ele nunca escondeu as dificuldades. E ele tem uma postura presidencial, ele nunca eleva o tom de voz. Ele não procura incitar o ódio entre as pessoas dizendo que umas são melhores que outras”.

“Liberdade, igualdade, fraternidade - acredito nisso. Mas seria bom que houvesse fraternidade também, para que a França reencontrasse seu prestígio”, ele conclui antes de acrescentar: “É um país que possui tantos belos valores, não podemos aceitar que uns poucos os sabotem, falando qualquer coisa.”

"Meus valores para a França” era o título da grande entrevista através da qual Nicolas Sarkozy esboçou sua campanha.

Lápides encontradas no México revelam mitos da cultura pré-hispânica - Por Agencia de Noticias El Pais


O centro da agitada capital do México ocultava um dos grandes segredos da cultura pré-hispânica. Um grupo de arqueólogos descobriu em frente ao Templo Mayor asteca 23 lápides de cerca de 550 anos de antiguidade, que mostram mitos da cultura mexicana como o nascimento do deus da guerra, Huitzilopochtli, e a origem da Guerra Sagrada.
As pedras gravadas, feitas de tezontle (rocha vulcânica) e localizadas no final de 2011 na Plaza Manuel Gamio, representam serpentes, prisioneiros, ornamentos e guerreiros que se referem à origem da antiga cultura mexica, segundo explicou em um comunicado o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (Inah).
A descoberta ocorreu durante os trabalhos de supervisão arqueológica anteriores à criação de um novo acesso ao museu do Templo Mayor. Uma vez terminados os trabalhos de restauração e pesquisa para determinar a existência de alguma oferenda embaixo das lápides, será um piso de vidro para que os visitantes possam admirar as 23 lápides.
Possivelmente as gravações foram orientadas para o que foi o centro de adoração de Huitzilopochtli, o que presume que correspondam à quarta etapa da construção do Templo Mayor (1440-1469), segundo o pesquisador Raúl Barrera, responsável pelo programa de arqueologia urbana do Inah. O Templo Mayor, edificado no que é hoje o Zócalo da capital mexicana e áreas vizinhas, foi o centro mais importante da vida religiosa dos mexica.
Os vestígios pré-hispânicos têm grande valor arqueológico, já que é a primeira vez que se encontram dentro do que foi o recinto sagrado da antiga Tenochtitlan e podem ser mostrados "à maneira de documento iconográfico um discurso que narra certos mitos dessa antiga civilização", segundo o arqueólogo.
De acordo com o mito do nascimento de Huitzilopochtli, a deusa da terra e da fertilidade, Coatlicue, engravidou quando uma pluma entrou em seu ventre enquanto varria. Incomodados com isso, seus filhos, 400 guerreiros surianos (na língua náhuatle "centzonhuitznahua") e a deusa da lua, Coyolxauhqui, decidiram ir à montanha de Coatepec, onde morava a grávida, para matá-la. 
"Ao chegar lá", explica o arqueólogo Barrera, Coyolxauhqui e os guerreiros enfrentaram Coatlicue e a decapitaram. Nesse momento nasceu o deus da guerra Huitzilopochtli, que enfrentou os guerreiros e matou sua irmã, a qual desmembrou".
A lenda sobre a origem da Guerra Sagrada entre os mexica, descrita nos códigos Chimalpopoca e Boturini, estabelece que durante o percurso que realizaram de Aztlán até o lago de Texcoco, no vale do México, onde edificariam sua cidade, baixaram do céu os guerreiros estelares do norte, chamados em náhuatle mimixcoas, que foram enfrentados, derrotados e sacrificados pelos tenochcas.
"Os dois mitos se relacionam com o conceito de uma batalha estelar, na qual o deus da guerra e do sol, Huitzilopochtli, sai vitorioso do confronto com os 400 guerreiros do sul e Coyolxauhqui, o que deu origem às estrelas (combatentes mortos) e à lua (ao lançar a cabeça de sua irmã decapitada ao céu)", indicou Barrera.
As imagens representam oito serpentes com as bocas abertas, um escudo de guerra ou chimalli com figuras de caracóis e contas de pedra, e dardos em direção à parte inferior, e traços que talvez simbolizem jatos de sangue, segundo explicaram Lorena Vázquez e Rocío Morales, arqueólogas envolvidas na pesquisa.