sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Encontro promoveu a paz e reuniu representantes de diversas religiões no GHC



No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Espaço Inter-Religioso do Hospital Conceição realizou ato de acolhimento de diferentes crenças com a participação de integrantes de denominações religiosas como Judaísmo, Islamismo e de Matriz Africana.

Com o objetivo de promover a cultura da paz e da liberdade de crenças, o Espaço Inter-Religioso do Hospital Conceição realizou, nesta quinta-feira, 21 de Janeiro, um encontro temático com a participação de integrantes de diversas denominações religiosas. A data, que celebra o Dia Mundial das Religiões e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foi marcada pelo descerramento da placa do Espaço Inter-Religioso, que materializa o compromisso do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) de incentivar a liberdade de culto.

Convidados representantes do Judaísmo, Islamismo, Budismo, Espiritismo, Catolicismo, Anglicanismo, religiões Evangélicas e de Matriz Africana participaram da solenidade expressando a fé em prol do cuidado ao usuário. O gerente de Apoio do GHC, Márcio Belloc, defendeu que o Espaço Inter-Religioso é uma articulação importante, garantida por políticas públicas que buscam a diversidade. “É um privilégio que nossa instituição possa sustentar um espaço assim”, disse o gerente.

O diretor técnico do GHC, José Fossari, considerou de extrema importância a presença da religião no ambiente hospitalar. “Sabemos que manter o vínculo com a fé ajuda a diminuir o sofrimento, estimulando a longevidade em casos de recuperação e, nos casos terminais, um fim com conforto e qualidade que todos merecem”, declarou o diretor.

A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, também esteve presente no encontro e destacou o respeito às dimensões da espiritualidade como um momento histórico de reafirmação do GHC em relação à população do Rio Grande do Sul. 

“Estamos promovendo a paz em um momento oportuno das necessidades brasileiras. Aqui é realizado um trabalho civilizatório, de reconhecer a pluralidade, aceitar e acolher cada crença, e isso faz a diferença”, enfatizou a superintendente.

O coordenador da Participação Cidadã, Elpídio de Souza, reforçou a importância do encontro como meio de integração. “Este espaço é fundamental para a saúde do usuário”, disse o coordenador.

A assistência espiritual é feita nos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição (Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina), por meio de celebrações nos espaços inter-religiosos e conforme o calendário de atendimento com escala elaborada para contemplar todas as denominações. 

Também são realizadas visitas aos usuários internados, quando há solicitação. O objetivo é contribuir com a humanização e a atenção integral à saúde, levando em conta o aspecto físico, psicológico, social e espiritual.

Representantes das denominações religiosas parabenizaram o GHC e o Núcleo de Assistência Espiritual pela promoção de um espaço inter-religioso e ressaltaram a missão de incentivar a fé, a esperança e o respeito à diversidade. O espaço garante acesso à assistência espiritual e assegura aos usuários o direito de expressar sentimentos de fé, paz e solidariedade durante o tratamento médico.

Também estiveram presentes na cerimônia o gerente de Recursos Humanos do GHC, Diogo dos Santos, a coordenadora da Comissão Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Ceppir/GHC), Ludmila Marques, a coordenadora da Comissão de Gênero do GHC, Renata Zardin, o gerente de Administração do Hospital da Criança Conceição, Aldacir Oliboni, o representante do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul, Pai Clóvis de Xangô Aganju, a representante da Igreja Evangélica da Graça de Deus, Carla Oliveira, a representante da Igreja Anglicana, Roberta Santos.

O encontro inter-religioso integra a programação do GHC no Fórum Social Mundial 2016, e contou com a participação dos seguintes integrantes de denominações religiosas:

Ahmad Ali – Centro Cultural Islâmico do Rio Grande do Sul
Carlos Dreher – Igreja Evangélica de Confissão Luterana
Darlan Oliveira – Igreja Evangélica Assembleia de Deus
Guershon Kwasniewski – Judaísmo
Jussara Reis – Doutrina Espírita
Lea Bos Duarte – Federação Espírita do Rio Grande do Sul
Mãe Angélica de Oxum – Religião de Matriz Africana
Mãe Carmem de Oxalá – Religião de Matriz Africana
Maximiliano Zambom – Igreja Católica
Pai João de Iemanjá – Religião de Matriz Africana Umbandista




Para quem tolera, acarajé – Por Camila Moraes



Baianas lutam para evitar que evangélicos transformem sua comida sagrada em ‘bolinho de Jesus’.

Neste 21 de Janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o que você vai comer: um acarajé ou um bolinho de Jesus?

É bom ir avisando: estamos falando daquele bolinho de feijão fradinho temperado com cebola e pimenta, frito em óleo de dendê, muito popular no Brasil, sobretudo na Bahia, onde nasceu das oferendas às divindades (orixás) do candomblé, religião brasileira de matriz africana em que dança, música e comida são o tripé da prática espiritual.

Nos terreiros, preparado pelas tias baianas, ele sempre atendeu pelo nome de acarajé, mas de uns anos para cá alguns grupos de evangélicos tentam rebatizar a iguaria de bolinho de Jesus.

O nome pode soar engraçado, mas ecoa pouca ou nenhuma tolerância com as práticas religiosas do candomblé. Como se justifica, então, o novo batismo, em um país que preza sua diversidade religiosa e cultural?





DF cria 1ª delegacia para crimes de intolerância religiosa


Criação foi motivada por ataques a terreiros de candomblé no DF e Entorno.

O governador Rodrigo Rollemberg sancionou nesta quinta-feira (21/01) lei que cria uma delegacia especializada para combater casos de intolerância religiosa. A delegacia foi proposta depois que quatro terreiros de candomblé foram incendiados no Distrito Federal e no Entorno nos últimos meses.

Durante a assinatura da lei, o sindicato dos policiais civis do DF fez um protesto em frente ao Palácio do Buriti, sede do Executivo local, contra a criação da delegacia. O sindicato diz que a Polícia Civil tem déficit de funcionários e que falta infraestrutura nas delegacias já existentes na capital.

De acordo com o GDF, 100 policiais civis e 20 escrivães serão contratados até o final de Fevereiro para compor a equipe. A nova delegacia funcionará no Departamento de Polícia Especializada. Segundo o governador, “é inaceitável” que na capital do país sejam aceitos casos de intolerância religiosa.

"Queremos um mundo que as pessoas apreciem e respeitem a diversidade cultural, natural e religiosa. A criação da delegacia é só um pequeno passo, uma pequena semente. É dever do governo proteger as pessoas".

O diretor da Polícia Civil, Eric Seba, disse ter sido questionado sobre a criação da delegacia. "Muitas pessoas disseram que já que existiam 31 delegacias espalhadas pelo DF e que não precisávamos de alguma especializada. E eu digo: por que retroceder? Queremos dar um passo pra frente. Como as mulheres têm locais específicos de proteção, as religiões também terão".

O autor do projeto, o deputado distrital Lira (PHS), disse que a delegacia vai registrar e abrir inquéritos nos casos que envolvam crimes praticados contra pessoas, entidades ou patrimônios públicos ou privados, cuja motivação seja a intolerância religiosa.

"As vítimas terão um lugar acolhedor e eficaz para combater os crimes. Não faz sentido que em pleno século 21 as pessoas ainda não respeitem a diversidade das religiões. A diversidade deve ser respeitada e amparada pelo Estado, que se tornou laico desde a primeira constituição republicana, em 1891."

A administradora do terreiro de candomblé Axé Oyá Bagan, Adna Santos, conhecida como Mãe baiana, agradeceu ao governador Rodrigo Rollemberg pela criação da delegacia. Emocionada, ela caracterizou os adeptos da religião como "sofrido".

"Nosso terreiro foi destruído por um incêndio no fim de Novembro, uma cena lamentável. A delegacia será um local para todos, onde teremos respeito e segurança. Não queremos arma, queremos amor e paz".

Casos

O templo Axé Oyá Bagan, de matriz africana, no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, entre o Lago Norte e Paranoá, foi incendiado na madrugada no dia 27 de Novembro do ano passado. Seis pessoas dormiam no local no momento, mas ninguém ficou ferido. O barracão ficou destruído. Esse foi o mais recente caso de ataque a locais de culto no Distrito Federal.

Em Setembro, dois templos de religiões de matriz africana foram incendiados em Águas LindasSanto Antônio do Descoberto, no Entorno. O terreiro de Santo Antônio, do babalorixá Babazinho de Oxalá, já tinha sido alvo de outros ataques.





Da modéstia a ostentação: a religião no Brasil


O bairro do Brás, em São Paulo, é uma amostra da fé brasileira.

O bairro do Brás, em São Paulo, é uma amostra da fé brasileira, o que inclui vários tipos de igrejas pentecostais. Os dados sobre religiões no país não são exatos. Segundo o censo, entre 1980 e 2010, o número de pentecostais subiu de 3,9 milhões para 25,4 milhões. Enquanto isso o número de católicos caiu de 89% para 65%.

Apesar de serem, em sua maioria, mais pobres, os pentecostais são os fiéis mais generosos. Um estudo de 2002-03 revelou que quando eles eram apenas 13% dos brasileiros, eles representavam 44% dos que pagam dízimo às igrejas no Brasil.

A igreja pentecostal mais conhecida do Brasil é a Assembleia de Deus, que conta com cerca de 70 milhões de fiéis ao redor do mundo. O grupo da Igreja Universal do Reino de Deus também se destaca. 

Iniciada em 1977 por Edir Macedo, um antigo funcionário de lotérica, que foi preso em 1992 sob acusação de charlatanismo, agora exibe um grande prédio, o Templo de Salomão, que abriu em 2014.

Nem todo mundo no Brás é Pentecostal. A modesta Igreja Católica de São João Batista, por exemplo, fica à sombra do templo.





Corrente das Nações quer o fim da intolerância religiosa/ES


No próximo domingo (24/01), terá mais uma edição do Corrente das Nações. 

Um evento que tem o propósito reunir uma manifestação pública do Povo de Santo do Espírito Santo. “Queremos pedir paz e respeito entre as religiões”, afirma Jerdam de Matamba, organizador.


O evento será na Praça Encontro das Águas, em Jacaraípe, Serra, a partir das 09 horas. 

A temática do 2º Corrente das Nações é demonstrar repúdio ao fanatismo religioso que vem sendo praticado contra os adeptos das religiões de matriz africana no Brasil.

Intolerância

A cada três dias, em média uma denúncia de intolerância religiosa chega a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. 

Entre 2011 e 2014, 504 queixas desse tipo foram relatadas a pasta pelo disque 100 (canal de denúncias para violações dos diretos humanos que são repassados a polícia e ao Ministério Público).

Fiéis de religiões de matriz africana (candomblé e umbanda) são alvos mais comuns dos relatos de intolerância recebidos pelo serviço.