domingo, 22 de novembro de 2015

Umbanda, a religião brasileira que chegou à Alemanha – Por Carla Jiménez



Gabrielle Hilgers fundou o primeiro terreiro alemão. Há um ano começou a sentir o preconceito que a prática desperta no Brasil.

O coração segue caminhos misteriosos e foi por um desses mistérios que a terapeuta alemã Gabriele Hilgers se casou com o Brasil. O casamento foi selado através da umbanda, a religião brasileira que ela conheceu há dez anos e se apaixonou de tal forma que a levou para a sua terra natal. 

Gabriele se tornou a primeira mãe no santo alemã, status das sacerdotisas desta prática religiosa, depois de ser coroada em 2006 por um pai no santo brasileiro. Dois anos depois inaugurou o primeiro terreiro de umbanda da Alemanha. A dança alegre, o som dos atabaques e a linguagem simples para aflorar o amor ao próximo “tem quebrado paradigmas dos alemães que frequentam esta casa”, comenta mãe Gabrielle.

A religião brasileira, que acaba de completar 107 anos no último dia 15, nasceu sob influência dos negros trazidos da África para cá na época da escravidão. Ela trabalha a espiritualidade sob a inspiração de espíritos antigos e um panteão de orixás, as divindades cantadas em verso e prosa no Brasil. 

De Vinícius de Moraes (era adepto da religião), a Gilberto Gil, de Chico Buarque a Gal Costa, todos já renderam homenagem às figuras de Iemanjá, a rainha do mar, Oxum, que mora nas cachoeiras, ou pai Xangô, que vive na pedreira... Hoje os alemães também ‘batem cabeça’, expressão usada para discriminar a saudação aos guias espirituais na umbanda, a todo o panteão de divindades desta religião, que lembra, em alguns aspectos, a mitologia grega.

Dezenas de alemães vestidos de branco se reúnem semanalmente na Casa de Irradiações Espirituais de São Miguel, o centro de umbanda de Gabriele, que funciona atualmente em Viehl, mas está de mudança para Colônia, a quarta maior cidade alemã, onde será reinaugurada em janeiro.

Pele branquinha, olhos azuis e cabelos negros, Gabrielle é natural de Dusseldorf. Chegou à umbanda quando pesquisava novas religiões pelo mundo. Era uma etapa em que se encontrava inquieta, disposta a aprofundar sua capacidade de cura, que até então estava restrita aos conhecimentos da psicologia pela física quântica, uma divisão da física tradicional que enfatiza o poder da energia do pensamento, positivo ou negativo, sobre as pessoas.

Ironicamente, foi durante uma imersão de meditações na Índia que ela sentiu o impulso de aprender português e vir ao Brasil, onde nunca havia pisado antes. “Foi assim. Tive vontade de aprender a língua portuguesa. Não sei por que tive essa vontade se nunca havia tido contato com o país”, lembra. 

Seguiu a intuição e pediu indicações de espaços que desenvolvessem a espiritualidade. Chegou a um centro que lhe foi recomendado, na zona sul de São Paulo. Ao ouvir o som do atabaque que acompanha os ritos de umbanda, e a atmosfera de dança e de entrega à incorporação, disse a si mesma: 

“Isto é pra mim!”. “Eu dancei o tempo todo, algo que nunca havia feito antes, e pensava internamente: ‘isto é uma loucura’. E me senti feliz, como sempre me sinto quando estou com a umbanda.”

Sair do controle para uma representante da cultura germânica foi, ao mesmo tempo, inesperado e libertador. “É uma chance para nós, alemães, de viver a nossa verdade pelo coração, numa religião que não tem dogmas, como é a umbanda”, afirma. 

Ao contrário do catolicismo, por exemplo, onde os referenciais de transcendência são santos tão bondosos que beiram à perfeição, os filhos da umbanda conhecem a luz e a sombra dos orixás que regem a sua vida. Na luz, as qualidades afloram. Na sombra, os defeitos. Oxum, por exemplo, tem infinita amorosidade pelo outro. Mas é ciumenta, e não gosta de ser contrariada. Ogum é guerreiro, forte e determinado. Mas também instável e impulsivo e por vezes arrogante.

A simplicidade com que são apresentados os torna mais próximos das pessoas, que se enxergam nesse espelho ao ver seu potencial, ao mesmo tempo em que se sentem mais à vontade ao reconhecer suas falhas quando percalços da vida coloca o equilíbrio em risco. Um bálsamo para seu seguidores no Brasil e para a rigidez alemã, assegura Gabriele. 

“Os alemães se sentem confortáveis com a umbanda porque podem ter um contato com Deus sem ter o peso de serem 100% corretos e perfeitos o tempo todo. Traz leveza para a sua realidade”, afirma. O erro se transforma numa fonte de aprendizado e não mais de penitência, compara.

A religião brasileira viva a crença de que os médiuns incorporam espíritos antigos de uma dezena de entidades, como o preto velho, espíritos de negros idosos, quase sempre escravos que morreram e guardam sabedoria para lidar com os problemas terrestres, ou o caboclo (índios guerreiros), e com a inspiração desses ancestrais se comunicam com as pessoas que procuram o centro de umbanda para dividir suas preocupações ou tristezas, em busca de uma orientação ou apenas um ombro amigo. 

“Temos recebido gente da Alemanha inteira e também de outros países vizinhos”, contou Gabriele ao EL PAÍS em sua passagem por São Paulo. 

Como no Brasil, as pessoas que buscam um 'atendimento' na umbanda vão atrás da cura de todo tipo de dor. Mágoa, raiva, ansiedade, depressão, dívidas... aquele momento confuso em que não se vê nenhuma saída. Quase sempre a porta de entrada para as religiões. A umbanda, porém, parece mais descomplicada a seus fieis e elementos muito familiares ao Brasil.

Os médiuns alemães atendem os seus invocando a energia das entidades conhecidas dos brasileiros, mas também trabalham com arquétipos da cultura local, como druidas e wikas, da mitologia celta. 

Hoje, centenas de alemães frequentam a Casa de Gabriele, que já vislumbra a coroação de três novos sacerdotes: duas mães no santo e um pai no santo, todos nascidos na terra da chanceler Angela Merkel. Quando questionada se os alemães não deveriam se sentir menos à vontade diante de um credo vindo de um país tão diferente, Gabriele responde certeira: “Os brasileiros são muito mais evoluídos espiritualmente que os alemães”, garante. 

Mas, nem todos têm essa leitura e algumas provações começaram a aparecer no caminho desta mãe no santo. Depois de uma acolhida calorosa no início, com fieis seguidores e um público crescente, há um ano começou a sentir na pele o preconceito que a religião também desperta no Brasil. 

Os vizinhos do endereço atual onde se encontra o terreiro começaram a reclamar da movimentação no entorno, do barulho dos tambores, do canto e a estranhar as vestimentas do grupo. 

“Começaram a me chamar de ‘líder de seita’, a reclamar na prefeitura, a enviar cartas para os jornais locais”, conta. Nada, porém, a faz desanimar da sua missão. “Me aguardem, não vou desistir jamais”, afirma, que já sonha com novos espaços dentro em breve.






Um milhão de muçulmanos franceses orou pelas vítimas do terrorismo – Por Rita Siza



Na Grande Mesquita de Paris, antes do culto de sexta-feira, muçulmanos passam mensagem de paz e tolerância. "Não queremos impor a nossa religião. Respeitamos tanto os valores republicanos quanto os cristãos, os budistas ou os ecologistas".

Clara é uma francesa de grandes olhos castanhos esverdeados, pele de porcelana e impecáveis credenciais republicanas: o seu avô, resistente comunista, foi preso pelos nazis e deportado para um campo de concentração. É também, uma convertida ao islão, uma entre as muitas mulheres muçulmanas de Paris que, apesar da tristeza imensa que sente, passa os dias a sorrir. “Sinto que as pessoas quando me vêem não se sentem à vontade, e por isso sorrio para as tranquilizar, para mostrar que não têm de ter medo de mim”, explica.

Debaixo de uma chuva copiosa, à porta da Grande Mesquita de Paris, Clara tem a paciência de explicar uma, duas e três vezes, em diferentes línguas, por que era tão importante para ela participar na grande oração de sexta-feira, esta sexta-feira, quando o calendário marca uma semana passada desde os ataques terroristas em restaurantes, cafés e no Stade de France, que mataram 130 pessoas. 

“Mais do que nunca, os muçulmanos precisam de projectar uma mensagem positiva. O que eu quero dizer é que estamos contra estes actos, e queremos garantir à população que somos pela paz e a tolerância. Não queremos impôr a nossa religião: respeitamos tanto os valores republicanos como os cristãos, os budistas, os ateus, os ecologistas ou os defensores dos direitos dos homossexuais”, enumera a jovem.

A Grande Mesquita de Paris tinha convidado todos os muçulmanos da cidade a reunirem-se ali às duas da tarde, e a trazer os seus amigos. O dia de portas abertas, com a participação de dignitários políticos e autoridades religiosas, acabou por ser cancelado, na véspera, por motivos de segurança. Mas isso não demoveu os crentes.

Camélia, uma marroquina que vive em Montreuil, nos arredores de Paris, há 11 anos, não pratica o culto na cidade, só que ouviu a convocatória do reitor da mesquita de Paris e veio de propósito. 

“Quando foi o ataque ao Charlie Hebdo, fiquei deprimida durante cinco meses. Isolei-me. Acho que foi por isso que decidi vir hoje, para me sentir acompanhada, para vir prestar a minha homenagem às vítimas daqueles assassinos num lugar que é muito significativo para mim”, conta ao PÚBLICO. Os franceses vão à Place de la République, e Camélia vai à Grande Mesquita, compara.

Mais de um milhão de muçulmanos franceses eram esperados nas mesquitas e salas de oração de toda a França para as tradicionais celebrações de sexta-feira, que foram especialmente consagradas à homenagem às vítimas dos atentados de 13 de Novembro, com a leitura de uma oração comum: uma iniciativa inédita no país.

No rescaldo dos ataques, o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) emitiu um comunicado com a sua rejeição “categórica e sem ambiguidade, de todas as formas de violência ou de terrorismo, que são a negação dos valores de paz e de fraternidade transmitidos pelo islão”. Mas os líderes da comunidade muçulmana entenderam que seria preciso ir mais além das declarações escritas e tomadas de posição oficiais.

Segundo o presidente do CFCM, Anouar Kbibech, depois dos trágicos acontecimentos de há exactamente uma semana, era preciso deixar bem clara, desde logo aos muçulmanos, “a mensagem do islão sobre o terrorismo”. E essa, afirmou, é uma mensagem totalmente oposta àquela que os atacantes de transmitiram aos parisienses. 

“Não podemos nunca deixar de dizer, uma e outra vez e tantas quantas forem precisas, que o islão autêntico está a anos-luz da ideologia odiosa destes criminosos terroristas”, sublinhou.

Para Camélia, a distinção é evidente. “Não sei se viu os jornais de hoje”, pergunta, referindo-se às capas que descreviam a alegada kamikazemorta no apartamento de Saint-Denis, Hasna Aitboulahcen, como uma “pândega”, que gostava de sair à noite e vestir roupas provocantes, ou ainda os relatos que diziam que, enquanto os seus comandos disparavam sobre as esplanadas do 10.º e 11.º bairro (arrondissement) de Paris, o presumível autor dos ataques, Abdelhamid Abaaoud, estava a fumar droga e beber whisky em Saint-Denis

“Ora isto não são muçulmanos”, conclui Camélia, informando: “Um muçulmano não se pode drogar, não pode beber álcool, não pode dar-se com prostitutas e muito menos pode matar em nome de Alá”.

A prece distribuída pelo CFCM baseou-se em versos do Corão e do Hâdith, as palavras do profeta Maomé reproduzidas pelos seus companheiros, para reafirmar a “sacralidade da vida” e recordar o dever da djihad, ou seja, de seguir num caminho espiritual de melhoramento pessoal e aproximação a Alá. 

A oração também sublinhava que “os textos das escrituras devem ser apreendidos e explicados por religiosos de referência, conhecidos e reconhecidos, dotados de ciência e de sabedoria”, têm sido inúmeros os especialistas no fenómeno da radicalização que têm apontado o dedo à auto-aprendizagem ou doutrinação pela Internet e redes sociais como o principal método de recrutamento de terroristas pelo Estado Islâmico (ou Daesh, o acrónimo árabe que tem uma conotação pejorativa e que foi adoptada pelos franceses).

Olhando à volta para o dispositivo de segurança montado em torno do grande templo parisiense, Samuel lamentava que se confundissem as mesquitas com “escolas militares” e garantia que “os imãs condenam, a todo o tempo, os actos de violência. Não é só quando há atentados terroristas”, observa. O que, sim, acontece de cada vez que há um ataque, refere este homem de 26 anos, que nasceu em Paris e trabalha num restaurante, é uma “vaga de islamofobia”. 

É a “amálgama” de que falam todos os meios de comunicação franceses, uma palavra que resume a confusão de muçulmanos com potenciais terroristas, e que transforma muitos homens e mulheres árabes em alvos de retaliação. “A mim ainda não me aconteceu nada, mas sei de muita gente no sítio em que vivo que é insultada na rua”, refere.

Com a tranquilidade que a caracteriza, Clara, que agora responde pelo apelido Battikh do marido, confirma que, como os outros muçulmanos, se sente mais exposta desde sexta-feira. 

Aliás, “exposta em duplo sentido”, elabora: tal como as vítimas dos terroristas, atingidas quando festejavam com os seus amigos o fim de mais uma semana de trabalho, Clara costuma encontrar-se com os seus amigos à noite, em convívios combinados ou espontâneos em restaurantes ou esplanadas. “Como todos os jovens parisienses que vão ao café, sinto que naquela noite podia ter sido eu”, diz.






Líderes de diferentes religiões se reúnem na Hebraica Manaus – Por Natália Caplan



Um encontro histórico entre líderes das principais religiões do mundo foi realizado na noite da última sexta-feira (20/11), na sede da Hebraica Manaus.

O embaixador de Israel no Brasil, Reda Mansour, foi recebido em um jantar com a presença da comunidade judaica, do presidente do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Ali Saleh, do arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Eduardo Castriani, e do pastor da Nova Igreja Batista (NIB), David Hatcher.

O diplomata, inclusive, representou a fé drusa, pequeno grupo religioso encontrado em diferentes países do Oriente Médio e em território israelense, e se disse honrado pela oportunidade. 

“Todo mundo normalmente fala de Israel como um país judeu e poucos sabem que há uma minoria bem integrada de 20% da população de drusos. Fiquei muito feliz. Não é somente uma cerimônia para a chegada de um embaixador de Israel”, disse.

Dedicado à compreensão intercultural, incentivando o respeito pelas diferenças, Mansour defende a conversação para dar exemplo às novas gerações. “Para mim, um dos veículos mais importantes da democracia moderna é diálogo, organizar eventos e produzir imagens para que os jovens e a sociedade vejam os líderes religiosos unidos, mandando mensagem de paz, de convivência. Essa é uma das partes mais importantes da minha visita ao Amazonas”, enfatizou.

Em meio à tensão dos ataques terroristas que dominaram os veículos de comunicação nos últimos dias, o presidente do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Ali Saleh, foi um dos mais ovacionados durante os discursos. Para ele, esse tipo de acontecimento ofusca a verdadeira essência de todas as religiões e fez questão de lembrar a ligação entre os povos, árabes e judeus descendem de Abraão.

“Estamos, hoje, em um grupo heterogêneo, porém, a homogeneidade dele sobrepõe qualquer diferença. É um motivo de orgulho, uma transmissão de paz, que todo representante de religião tem que fazer”, discursou. 

“E não seria diferente da religião islâmica, que prega a paz e o respeito às diferenças. No final, somos todos primos”, completou, ao lembrar os filhos do patriarca, Ismael e Isaque, respeitados pelas respectivas crenças.

Como o líder muçulmano, o fundador da Nova Igreja Batista (NIB), pastor David Hatcher, ressaltou a importância do “Velho Testamento”, a “Torá” dos judeus, para os cristãos. 

“Nossas raízes, do Cristianismo e dos evangélicos, estão em Israel. A Palavra de Deus veio para nós por meio de Israel. É uma alegria conhecer o embaixador e o representante da religião islâmica, que também tem origem na pessoa de Abraão, no livro de Gênesis”, afirmou.

Oportunidade única

Para o presidente do Comitê Israelita do Amazonas (Ciam), Salomão Benchimol, reunir representantes de cinco crenças distintas, porém, praticamente nascidos na mesma origem, foi uma oportunidade única. 

“Tomamos conhecimento da agenda do embaixador, uma grata surpresa. A diretoria do Comitê Israelita pensou ‘por que não chamar membros de outras religiões para participar deste encontro?’. Em um momento tão sensível e tão necessitado de paz. Estamos muito felizes. Afinal, são todos irmãos”, declarou.

“Quando a gente se conhece, percebemos que somos muito parecidos, há muito mais coisas que nos unem do que aquilo que nos separa. A regra de ouro é fazer para o outro aquilo que eu quero que ele faça para mim. E não fazer aquilo que não quero para mim. Todos nós gostamos de ser respeitados e amados. Temos o nosso lugar”, disse Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus.

“Essa ocasião é para expressarmos também que nos queremos bem, apesar das diferenças. O papa Francisco tem falado muito sobre a importância da ‘cultura do encontro’. Encontrar-se na paz, na liberdade e na verdade; perceber que somos todos irmãos e irmãs, humanos. A humanidade nos une e temos muito a aprender uns com os outros. É fundamental um encontro como esse e espero que se repita”, completou.






Entidade ataca homenagem à Santana – Por Darwin Valente


A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), entidade localizada no Balneário Pinhal, no Estado do Rio Grande do Sul, encaminhou ao Ministério Público de Mogi uma representação contra o Município de Mogi das Cruzes exigindo que seja retirada do interior do prédio da Prefeitura Municipal uma imagem de Santana, ali colocada temporariamente num altar, nos dias que antecederam a festa da Padroeira da Cidade.

Mesmo com a imagem não se encontrando mais naquele local, a denunciante alega que a Prefeitura estaria “violando a laicidade do Estado e a liberdade de crença e consciência protegidos constitucionalmente”.

Ao receber tal representação, o promotor de Justiça Renato Kim Barbosa, do MP local, deu um prazo de 10 dias para que a Prefeitura se manifestasse sobre o caso, com “informações pormenorizadas sobre os fatos”, com cópias de documentos relativos a eles. A procuradora-geral do Município, Dalciane Felizardo, já encaminhou os devidos esclarecimentos solicitados.

Apresentando-se como uma associação sem fins lucrativos, surgida da “necessidade de defesa dos ateus e agnósticos contra todas as formas de discriminação praticada por pessoas físicas ou jurídicas, sejam elas públicas ou privadas, bem como para a defesa incondicional da laicidade do Estado”, a Atea acusa o Município de Mogi de, mantendo o altar com santa na Prefeitura, estar externando “um injustificado favorecimento para as religiões cristãs, em especial ao Catolicismo, não só em detrimento do interesse público, mas também pela natureza laica do Estado brasileiro que não permite que qualquer das entidades autônomas da Federação faça proselitismo religioso de qualquer forma”.

Para justificar tudo isso, cita alguns pontos da Constituição Federal, antes de questionar e já responder: “Será que as minorias religiosas, como os wiccas, umbandistas, satanistas, judeus, espíritas, ateus, agnósticos e etc, teriam o mesmo tratamento perante o poder público, para serem beneficiados com espaços públicos para homenagear os símbolos de cada uma dessas crenças/descrenças? Evidente que não”, diz a representação assinada pelo advogado Thales Vinicius Bouchaton.

Diz ele que “religião não é sinônimo de bondade” para lembrar que, ao contrário, muitos conflitos e guerras do passado e presente ocorrem em decorrência da religião, “através da intolerância com outros credos” e “diferentes interpretações dentro de uma mesma crença”. Ele cita o caso do Estado Islâmico, praticante das “maiores atrocidades contra seres humanos” e lembra que no Brasil, a violência religiosa é frequente, “ainda que não sejam tão atrozes os ataques perpetrados geralmente por cristãos contra não-cristãos”.