quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Faculdades EST sedia consulta internacional entre Brasil e Alemanha


Acontece entre os dias 19 e 23 de Novembro na Faculdades EST a primeira consulta internacional que pretende refletir sobre o papel da Reforma Protestante na atualidade a partir de diferentes contextos.

O ano de 2017 será importante no calendário de muitas organizações, pois marca os 500 anos da Reforma Protestante. Trata-se de um momento fundamental para que as pessoas possam refletir sobre o significado da Reforma na atualidade. Nesse sentido, o evento Reforma Protestante, Educação, Transformação (RET).

Por isso, serão realizadas duas consultas internacionais, que devem reunir participantes da América Latina, África, Ásia, América do Norte e Europa. A primeira aqui no Brasil e a segunda, no próximo ano, entre os dias 18 e 23 de maio, na cidade de Halle, na Alemanha.

São esperadas mais de cem pessoas para o evento, que durante quatro dias vai debater o tema da Reforma Protestante a partir de diferentes contextos sociais. O foco é refletir sobre a relevância da educação pautada na Reforma Protestante a partir de processos de transformação social. Devem ser abordados os conceitos de teologia pública, educação para a libertação e transformação.

Segundo a coordenadora do projeto Anneheide von Biela, representante da Missão Evangélica na Alemanha,Faculdades EST foi escolhida para sediar o evento por sua experiência na área docente, aliada aos trabalhos práticos que realiza nas comunidades. 

“Queremos refletir e demonstrar o que quer dizer Reforma Protestante, hoje. Como a igreja reformada pode participar dessa transformação? Afinal ela pode ser positiva ou negativa para essa transformação”, destacou Biela. Além disso, a coordenadora destaca a importância da educação é muito importante para as igrejas reformadas, então como fazer uma educação que seja transformadora.

As consultas internacionais são organizadas Evangelisches Missionswerk in Deutschland (EMW), Faculdades EST, Franckesche Stiftungen Zu Halle, Martin Luther Universität Halle Wittenberg. Em cooperação com World Council of Churches (WCC), The Lutheran World Federation, World Communion of Reformed Churches, Evangelical Church in Germany (EKD).

Outras informações em www.r-e-t.net ou www.est.edu.br.






Desenterrada em Cabo Verde a igreja mais antiga dos trópicos


“Quem visita a Cidade Velha pela primeira vez pode ser perdoado por não reconhecer nesta povoação aprazivelmente ensonada o grande entreposto comercial que foi em tempos, no cruzamento das rotas do tráfico de escravos do Atlântico”.

É assim que começa o relato, que deverá ser publicado em breve na revista Current World Archaeology, das escavações arqueológicas lideradas em Cabo Verde por dois cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Em colaboração com colegas cabo-verdianos e portugueses, estudantes e trabalhadores locais, Marie Louise Stig Sørensen e Christopher Evans têm trabalhado, desde 2007, não só para resgatar do esquecimento a mais antiga construção religiosa europeia a ser erguida nos trópicos, como também parte do passado histórico da população cabo-verdiana.

Quando as ilhas de Cabo Verde foram descobertas pelos portugueses em 1456, décadas antes de Cristóvão Colombo descobrir a América, não estavam habitadas. As dez pequenas ilhas que compõem o arquipélago são feitas de rocha vulcânica e até àquela altura não havia lá nem árvores, nem pessoas, nem mamíferos. “É um sítio onde toda a gente, e também a maioria das plantas e dos animais, vieram de fora”, salientam Sørensen e Evans no seu relato.

Mas aquilo que começou por ser um local estratégico para o comércio com a África subsariana transformou-se, no século XVI, num centro global de comércio de escravos africanos, principalmente com destino à nova colónia portuguesa do Brasil“Estas ilhas foram um ponto de partida para a primeira vaga de globalização, integralmente baseada no tráfico de escravos”, diz Sørensen, citada num comunicado da Universidade de Cambridge.

Os portugueses transformaram as ilhas num dos principais centros do tráfico transatlântico de escravos, trazendo com eles plantas cultiváveis, animais domésticos e pessoas, comerciantes, missionários e “milhares e milhares” de escravos. Os escravos eram seleccionados e vendidos antes de serem despachados para as plantações espalhadas por todo o mundo atlântico.

Uma vez que o arquipélago de Cabo Verde se situa mais ou menos a meio caminho entre a costa de África Ocidental e o Brasil, “a descoberta do Brasil e o estabelecimento de plantações ali fez explodir o comércio que passava por Cabo Verde”, lê-se no comunicado.

A Cidade Velha, instalada num pequeno vale fluvial pautado por campos de cana-de-açúcar e palmeiras, foi a primeira cidade que Portugal fundou em África, na sua aventura dos Descobrimentos. E durante 300 anos, foi não só a capital de Cabo Verde, como também chegou a ser “a segunda cidade mais rica do império português”, diz ainda o comunicado. A Cidade Velha foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 2009. O seu centro histórico é uma conhecida atracção turística.

Em 2006, Sørensen e Evans foram convidados pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde a realizar escavações na Cidade Velha com o apoio do Ministério da Cultura daquele país. O principal objectivo consistia em localizar a Capela da Nossa Senhora da Conceição, que se pensava ser a igreja original da Cidade Velha e, como tal, candidata a ser uma das primeiras igrejas cristãs dos trópicos, explicam ainda os dois cientistas no seu texto ainda por publicar.

“Konstantin Richter, historiador de arquitectura [da Universidade Jean Piaget] tinha reparado numa plataforma com argamassa que batia certo com o mapa que indicava a localização da igreja”, disse Evans ao PÚBLICO num email. 

“A seguir, localizámos a fachada da igreja e realizámos duas campanhas de escavações preliminares. E concluímos que sim, que tínhamos encontrado a igreja".

Agora, os cientistas, que beneficiaram entretanto do “empurrão” dado pela UNESCO, deram por acabada a escavação e a conservação do monumento, que deverá passar a poder ser visitado pelo público. Os primeiros vestígios da Capela da Nossa Senhora da Conceição remontam à década de 1470, com uma construção de maiores dimensões datada de 1500.

Um monumento notável

“Conseguimos recuperar a totalidade da planta de superfície da igreja, incluindo a sacristia, a capela lateral e a varanda lateral e agora temos um monumento realmente notável”, diz ainda Evans, citado pelo já referido comunicado. “Obviamente construída por volta de 1500, a sua porção mais complicada é o coro situado na extremidade oriental, onde se erguia o altar-mor, e que foi sofrendo múltiplas reconstruções devido aos estragos causados pelas cheias sazonais”, salienta Evans.

Para além da igreja, os arqueólogos descobriram várias lápides de dignitários locais da época. Uma delas é a de Fernão Fiel de Lugo, traficante de escravos e tesoureiro da cidade entre 1542 e 1557. Isso faz dizer a Manuel Monteiro de Pina, presidente da Câmara da Cidade Velha (também citado no comunicado): 

“Este é um lugar de imenso valor cultural e histórico, [e] esta escavação revelou túmulos e sepulturas de pessoas que apenas conhecíamos através dos livros de História e que sempre pensámos poderiam ser ficcionais”.

Os cientistas também descobriram um cemitério, cavado no chão da igreja, onde estimam que mais de um milhar de pessoas foi enterrado antes de 1525, uma autêntica “cápsula do tempo” dos primeiros 50 anos de vida colonial na ilha. 

Já foram realizadas análises, salienta o comunicado da Universidade de Cambridge, que indicam que cerca de metade eram corpos de africanos e que o resto dos sepultados provinha de várias partes da Europa. Uma escavação está prevista para analisar esses restos mortais de forma a conhecer melhor a população fundadora do país e as primeiras fases da história dos escravos que por lá passaram.

“Com base nos textos históricos, sabemos que houve uma sociedade ‘crioula’ que se desenvolveu rapidamente, com terras herdadas por mestiços que tinham direito a desempenhar cargos oficiais”, diz Evans, concluindo que os restos mortais agora descobertos constituem “uma oportunidade de testar esta representação das primeiras gentes de Cabo Verde”.

“Cabo Verde é uma nação jovem a muitos títulos e precisa de desenterrar a sua história para ter acesso a ela e continuar a construir a sua identidade nacional”, acrescenta Sørensen.

Faianças e azulejos

As escavações revelaram ainda faianças e azulejos vindos de Portugal, objectos de pedra provenientes da Alemanha, porcelanas chinesas e cerâmicas oriundas de várias partes da África Ocidental. 

Foi, aliás, essa a razão, em parte graças a circunstâncias fortuitas, da entrada na equipa da investigadora Tânia Casimiro, arqueóloga portuguesa especialista de faiança portuguesa da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL).

“Em 2009, deparei-me com uma notícia de jornal que mencionava que a Marie Louise e o Chris estavam a fazer escavações na Cidade Velha”, contou-nos a cientista por email. “No momento, já me encontrava a meio do meu doutoramento sobre a presença de faiança portuguesa em Inglaterra e na Irlanda e começava a interessar-me na sua distribuição atlântica. Entrei em contacto com eles nesse ano e fui imediatamente colocada na equipa como a especialista da cultura material portuguesa entre os séculos XV e XX”.

É ela que faz o registo, identificação e estudo de toda a cerâmica identificada nas escavações. “Tenho aprendido imenso, não apenas relativamente à faiança e a outra cerâmica portuguesa”, explica-nos. “Mas sobretudo acerca de como era utilizada nos contextos coloniais e por diferentes populações, tanto europeias como africanas. Compreendo como era o quotidiano de sociedades multiculturais”.

Os cientistas não tencionam ficar-se por aqui. “Esperamos continuar a realizar novas escavações na ilha. Estabelecemos uma colaboração profissional muito importante com as autoridades locais e com o Ministério da Cultura de Cabo Verde”, diz-nos Evans.

“Claro que vamos continuar”, diz-nos Tânia Casimiro. “Ainda este ano eu e mais dois colegas da FCSH-UNL estivemos durante o mês de Abril na Cidade Velha. Cabo Verde encontra-se repleto de provas da ocupação portuguesa”, acrescenta.

“Para Cabo Verde e a Cidade Velha, este foi efectivamente um projecto fundamental, porque atraiu sobre eles olhares estrangeiros que ali trouxeram novas metodologias e interesses. E, pessoalmente, foi uma oportunidade para aprender com pessoas fantásticas, com as quais desenvolvi [pesquisas] muito interessantes a par de uma sólida amizade”.




René Girard e a superação da violência – Por Maria Clara Lucchetti Bingemer*




Novembro começou com uma triste notícia: a morte de René Girard. Nascido em Avignon, França, há 91 anos, este grande pensador de nossa época faleceu em Stanford, Estados Unidos, onde vivia já há alguns anos. 

Figura maior do pensamento contemporâneo, autor de muitos livros e escritos, Girard é dificilmente classificável entre as disciplinas de ciências humanas e sociais, em meio às quais transitou. 

Não é nem crítico literário, nem etnólogo, nem exegeta, mas é tudo isso ao mesmo tempo. E, no entanto, é mais conhecido como antropólogo e filósofo, além de especialista em literatura, e assim foi introduzido na Academie Française, em 2005.

Trata-se de um autor difícil, que se des-vela e seduz à medida que se avança na leitura e na exploração de seu pensamento.  Quanto mais nos aprofundamos na leitura de suas obras, mais percebemos que ele nos conduz ao coração dos problemas de nossa época, lançando sobre eles uma luz que resgata o conhecimento clássico, embora seja muito nova.

O perfil religioso de Girard também foge aos padrões costumeiros. Convertido ao catolicismo na época em que preparava seu primeiro livro, em 1961, desenvolveu sua obra buscando sempre isenção e rigor próprios de um grande pensador.  Submeteu suas teorias ao crivo da ciência e sempre afirmou que nenhum apelo sobrenatural tinha o direito de romper o fio condutor das análises antropológicas. Porém, raros são os pensadores contemporâneos que leram as Escrituras com a profundidade e ao mesmo tempo a originalidade com que ele o fez.

O centro de seu pensamento está na tensão entre violência e sagrado, a partir da categoria do desejo mimético. E ao elaborar esta teoria, encontra na Bíblia e nos Evangelhos sua grande inspiração. Aparentemente, afirma, os relatos evangélicos são semelhantes aos mitológicos: ao centro, há uma vítima torturada e executada pela multidão unânime.  E este evento é rememorado pelo culto e pelo sacrifício ritual. Assim Dionísio, assim Jesus.  

O paralelo parece perfeito exceto em um ponto: a vítima é inocente. Entre Dionísio e Jesus, não há diferença quanto ao mártir.  Mas enquanto Dionísio aprova o linchamento da vítima única, Jesus e os Evangelhos o desaprovam. Enquanto os mitos repousam sobre uma perseguição generalizada e consentida, e são construídos sobre a mentira da culpabilidade da vítima, o judeu-cristianismo destrói essa unanimidade para defender as vítimas injustamente condenadas e trazer à luz a responsabilidade dos carrascos injustamente legitimados.

Não é de admirar que o pensamento de René Girard tenha recebido um acolhimento extremamente positivo e favorável por parte dos teólogos da libertação. Com seus mais ilustres representantes manteve inclusive um diálogo que resultou em um livro disponível em português.  Os diálogos ali  transcritos entre Girard e os teólogos latino-americanos giram em torno dos mecanismos idolátricos e violentos que produzem vítimas e as sacrificam nos altares do mercado e do consumo contemporâneo.

Para Girard, a “boa nova” evangélica afirma claramente a inocência da vítima, denunciando e desmascarando assim o germe da destruição da ordem sacrificial sobre a qual repousa o equilíbrio das sociedades. Os relatos da Paixão de Jesus nos evangelhos, longe de tentarem um embelezamento estético da violência e da crueldade humanas que fazem repousar a ordem do mundo sobre o assassinato, descrevem toda a sua feiura repelente sem complacência.

E sobre esse ritual macabro o desejo mimético exercerá um papel não menos macabro, reproduzindo e imitando a violência fundamental para exorcizá-la. E o que é pior, sem consegui-lo. O Deus da Revelação, como Girard mostra, não mimetiza a violência humana e seus mecanismos vitimários.  Pelo contrário, rompe a espiral da violência, assumindo-a desde dentro e assim redimindo-a.

A recepção de seus escritos pela crítica é bastante plural. Duramente criticado, inclusive dentro da área da teologia e das ciências da religião, Girard replicará que para entrar na inteligência de suas teorias há que haver o pressuposto de uma conversão e mesmo de uma graça. 

Talvez, enquanto ainda vivemos o luto de sua ausência no mundo do pensar contemporâneo, possamos recordar algum dito de Jesus que podemos aproximar da afirmação que acima citamos.  

“Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam” (Mateus 9.16,17).

Para ser capaz de penetrar nesta teoria que desconstrói a violência a partir de dentro é preciso, sem dúvida, passar pela conversão e ser revestido pela graça de uma novidade fundamental, tal como dizia René Girard. Que ele descanse em paz. E que nós, que continuamos defrontando-nos com a violência de cada dia, destruidora de vítimas inocentes, possamos ser fiéis a seu inestimável legado.

 *professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. A teóloga é autora de “Simone Weil – Testemunha da paixão e da compaixão" (Edusc).






“Grupos de pressão económicos e culturais" estão na "Europa contra a Europa”


A Comissão ‘Caritas in Veritate’ do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) alerta que a Europa não deve “esquecer a grandeza” dos "recursos internos materiais e espirituais” num “momento histórico” com guerras, acolhimento dos refugiados e “pressões económicas”.

“Grupos de pressão económicos e culturais estão ativamente mobilizados na Europa contra a Europa. As instituições continentais estão a sofrer com a tensão entre as identidades dos povos e a dimensão da burocracia”, revela o comunicado do CCEE enviado hoje à Agência ECCLESIA.

A Comissão ‘Caritas in Veritate’ alerta que as “ideologias hoje” estão a tentar remover da Europa os seus valores e dividi-los em “apoiantes e opositores” de modelos “construídos não sobre a história comum da Europa, mas em teoria”. 

A política de “indiferença religiosa” e a tentativa remeter as religiões do espaço público para a esfera privada coloca em “risco” a coexistência das religiões. “O fenómeno religioso é apresentado como perigoso, a política rejeita-o”, acrescenta o comunicado.

Segundo o conselho das Conferências Episcopais da Europa as preocupações económicas “são muitas vezes vítima de preocupações políticas e financeiras” e os Estados estão “a sofrer e a lutar” para mediar, de forma significativa, entre as pessoas e as instituições europeias transnacionais.

Perante as novas divisões entres os Estados, “fortes e fracos, alinhados numa cultura dominante e não-alinhados de segunda classe, os bispos europeus assinalam que procurar “valores comuns não significa impor a todos os valores de alguns”.

Neste contexto, destacam realidades concretas como a “situação difícil” na Grécia que “causou problemas muito mais amplos”, até da própria União Europeia, e a situação de conflito na Ucrânia, “terra historicamente muito significativa para o continente europeu e sua civilização entre Oriente e Ocidente”.

“Uma Europa mais segura que por sua vez é uma fonte de segurança é uma Europa ordenada. Não respeitar a vida e a família também significa criar conflito e enfraquecer a paz”, desenvolve o comunicado.

Para o CCEE, na gestão da migração, que hoje tem aspectos de “emergência humanitária”, a Europa “não deve renunciar” a sua civilização jurídica e os valores fundamentais da sua cultura que “assimilou a partir da tradição da lei moral natural”, enriquecido e transmitidos pela tradição cristã e presente noutras culturas e religiões.

No comunicado são apresentadas preocupações também com a defesa de uma “ecologia integral”, o combate aos “problemas” do emprego, a defesa dos direitos humanos, a paz, “um bem comum não apenas material, mas também espiritual”.


O Conselho das Conferências Episcopais da Europa pede ainda atenção à família, a dignidade dos seres humanos, a distinção entre política e religião são “valores europeus e os valores humanos” e têm de ser defendidos, promovendo um verdadeiro encontro entre as religiões.




Testemunhas de Jeová em todo o mundo são elogiadas pelo Papa Francisco


Como o Papa Francisco e a Igreja Católica encaram o grupo religioso internacional das Testemunhas de Jeová?

Muitas pessoas falam que religião, política e futebol são temas que não se discutem; todavia, muito provavelmente, são os assuntos mais comentados no dia a dia da humanidade. A sociedade “respira” política; fala sobre futebol com paixão e vive de acordo, mesmo que por tradição, com a religião em que nasceu ou foi doutrinada, muito embora, o número de ateus e agnósticos venha crescendo.

Atualmente ouve-se falar de várias religiões e seus líderes. Surgimento dos extremistas islâmicos; a multiplicação dos tele-evangelistas; o protestantismo voraz, etc. Nessa maré da história, o Papa Francisco que é considerado “pop”, ou um líder extremamente carismático até pelos não Católicos Romanos, assume o papel de reaproximar a igreja do seu rebanho, abrindo o canal de comunicação com os movimentos LGBT; com as pessoas que representam ou praticaram abortos; com os cônjuges que optaram pelo divórcio e vem reconhecendo que ao longo dos séculos a igreja cometeu desvios significativos do cristianismo primitivo do 1.º século.

Segundo um jornal de destaque na Itália, a Igreja Católica, por exemplo, ressoou um “grito de alarme” porque anualmente aproximadamente 10.000 católicos se tornam Testemunhas de Jeová (TJs.). Os clérigos não desejam perder os seus rebanhos, justamente para um grupo minoritário em quantidade. 

Mas quais são as técnicas de sucessos utilizadas pelas Testemunhas de Jeová para angariar tantos adeptos? Pegunta esta feita por inúmeros dirigentes da Igreja Católica, os quais receberam o aval papal para que descobrissem as causas.

“Sob o prisma religioso, os mais perigosos são de fato as Testemunhas de Jeová porque elas são muito bem treinadas e tem uma bíblia nas mãos sempre, disse o jesuíta italiano Giuseppe De Rosa. 

A conclusão semelhante chegou a revista jesuíta no Vaticano, La Civiltà Cattolica, quando escreve que “o 1.º motivo para a propagação do movimento são as estratégias de pregação feita de forma minuciosa, de casa em casa por indivíduos muito bem treinados para este fim e os mesmos estão convencidos da veracidade do que falam. O 2.º motivo é o poder de atração das boas novas do seu Deus Jeová, que é capaz de sustentar, satisfazer as demandas, anseios e desejos do ser humano nos instáveis tempos modernos”.

A mesma revista católica ainda aborda a existência de uma “3.ª razão para o êxito de crescimento das TJs, que é conferir aos seus membros uma acolhida fraterna nos seus locais de adoração”, o que faz total sentido, já que conforme algumas pessoas, elas dizem viver em um mundo competitivo e egoísta voltado para si próprio.

Enfim, as TJs diferentes das religiões tradicionais, repudiam a existência do inferno, pregando sim, o desaparecimento futuro dos maus por meio de uma destruição eterna, então, não é pelo medo ou ameaça do sofrimento eterno que conquistam seguidores.

Muitos católicos chegam a afirmar que mesmo sendo católicos, nascidos e criados em lares católicos, aprenderam a admirar o trabalho virtuoso e honesto das Testemunhas de Jeová em todo o mundo, trabalho este que é benéfico e útil para toda a sociedade. Cabe sim as pessoas, na possibilidade do livre arbítrio fazer as suas escolhas religiosas, onde o tempo sempre será o senhor da razão em algo pessoal e intransferível.


O que sim é uma verdade clara é o que o próprio Papa Francisco afirmou: “a incoerência dos fiéis e dos pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver, mina a credibilidade da Igreja”.