sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ONU lembra que refugiados não podem ser discriminados por suas religiões



A ONU lembrou nesta sexta-feira a todos os países que não se pode discriminar nenhum refugiado por sua religião, raça ou etnia e que devem assumir as responsabilidades que correspondem sob a legislação internacional.

“Do ponto de vista das Nações Unidas e desde um ponto de vista moral, os refugiados não devem ser tratados de forma distinta em função de sua religião, etnia ou raça”, disse o porta-voz da organização Stéphane Dujarric, perguntado pelos comentários do presidente húngaro, Viktor Orbán.

Orbán, de visita em Bruxelas, sustentou na quinta-feira que a Hungria tem direito de decidir que não quer um grande número de muçulmanos em seu território e insistiu que “a única resposta” à crise migratória na Europa é reforçar as fronteiras. O presidente húngaro insistiu hoje nessa linha e defendeu que se não forem protegidas as fronteiras, podem chegar ao continente dezenas de milhões de refugiados.

A Hungria recebeu nos últimos dias várias críticas por sua gestão da crise, entre outras coisas, por levantar uma cerca em sua fronteira com a Sérvia e bloquear a passagem de refugiados que querem atravessar seu território rumo a outros países. Dujarric lembrou que todos os países têm que assumir suas responsabilidades sob a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, a norma internacional que garante a proteção das pessoas refugiadas.


Desde Genebra, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), António Guterres, alertou hoje que é necessário criar 200 mil vagas para situar os refugiados que estão chegando à Europa e que o fracasso do continente em dar uma resposta comum à crise só beneficiou as redes de traficantes de pessoas.




Monoteísmo reforça submissão da mulher, afirma filósofa



Os conflitos de gênero e a submissão feminina que persistem no mundo atual devem muito de sua origem ao princípio masculino absoluto representado pelo Deus das religiões monoteístas. 

“É um Deus homem ao qual as próprias mulheres prestam culto e cuja autoridade vertical faz persistir essa herança ancestral de que homens e mulheres são diferentes, cabendo aos primeiros o domínio”, diz a professora de Filosofia e Teologia Ivone Gebara.

Para ela, é preciso fazer uma revisão de erros históricos que reduziram a mulher à tarefa de reprodutora humana. "Somos todos frágeis e limitados", acrescentou a professora, chamando homens e mulheres simplesmente de “seres viventes”.

“Precisamos combater a ideia de que homens são a única fonte de sabedoria e fadados aos pensamentos superiores, enquanto mulheres são mera matéria, sem rosto e talhadas apenas a tarefas cotidianas”, afirmou Ivone Gebara, doutora em Filosofia pela PUC-São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica), palestrante na noite de 12 de Agosto da 18ª Semana de Filosofia da Universidade Metodista de São Paulo.

Professora Ivone falou sobre “Filosofia e Feminismo” e lamentou que em geral os eixos da Filosofia foram mantidos por figuras masculinas. Não existiu ao longo da história e nem atualmente nas grandes universidades nenhuma cátedra para pensar a filosofia feminista, definida por ela como movimento sociocultural de mulheres e também de homens que buscam a afirmação de direitos igualitários.

Ao contrário, quando a partir do século 20 as mulheres quiseram fazer parte da história, esse atrevimento não foi bem-vindo. “Mulheres pensadoras sempre foram objeto de riso. Desconfia-se de que as mulheres realmente façam Filosofia ou Teologia”, afirmou a palestrante, autora de livros e artigos em Teologia e Filosofia na perspectiva feminista.

O primeiro eixo da filosofia feminista é justamente o direito de expor o pensamento das mulheres sob o direito de perceber o mundo fora da racionalidade masculina, “não necessariamente negando a racionalidade masculina”, disse.

O domínio masculino sobre a Filosofia pode ser exemplificado nas escolas de Platão e Agostinho, onde só eram admitidos homens por acreditarem-se donos da verdade e de todas as coisas, premissa herdada, segundo Ivone Gebara, da religião que concede autoridade à figura do homem, cabendo às mulheres obedecer.

“Por não se submeter a isso, Eva foi expulsa do paraíso, bruxas foram queimadas na Idade Média e mulheres pensadoras e críticas foram perseguidas e discriminadas ao longo da história. Até à Maria negou-se o sexo para procriar”.







UFPB recebe Simpósio Brasileiro sobre Ayahuasca



Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio do grupo de pesquisa Sacratum, do Programa de Pós-graduação em Ciências das Religiões, receberá de 21 a 23 de Setembro, o Simpósio Brasileiro: 

“Ayahuasca e a Sociedade”

Legalizada para a utilização em rituais religiosos, a Ayahuasca, bebida psicoativa produzida a partir da decocção de duas plantas nativas da Amazônia, tem se tornado cada vez mais objeto de estudo seus possíveis efeitos terapêuticos no tratamento de dependentes químicos.

Segundo o psiquiatra e presidente do Instituto Hermes de Transformação Humana, Dr. Wilson Gonzaga no Brasil, ao menos 28 milhões de pessoas possuem algum familiar que é dependente químico, e cerca de 8 milhões de brasileiros são dependentes de maconha, álcool ou cocaína. 

“Em setembro de 2014 aconteceu uma Conferência Mundial em Ibiza, na Espanha, com cientistas de aproximadamente de 50 países somente para discutir a utilização da Ayahuasca dentro do contexto terapêutico. Hoje esta discussão atual e oportuna, vem para Paraíba e se faz importante o apoio e a participação de autoridades do mundo acadêmico bem como a todos aqueles que se preocupam e se interessam pela causa da ‘droga dependência’ que tanto vem preocupando a todos os setores da sociedade”, declarou Gonzaga.

Para o professor no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na Unisinos (RS), Marcelo Mercante, o uso ritual da ayahuasca tem chamado a atenção pelo seu potencial no processo de recuperação de pessoas que fazem uso abusivo de substâncias psicoativas ou se encontram em situação de dependência. 

"A ayahuasca já vem sendo utilizada na recuperação de dependentes há pelo menos 20 anos, e milhares de pessoas já foram atendidas. No entanto, a ayahuasca não é uma solução mágica para um problema que tem seu fundo no funcionamento da sociedade. Mas estudos recentes apontam sim para o fato de que esta pode ser uma ferramenta eficaz de transformação do indivíduo e da sociedade”, declarou Mercante.

Tendo em vista este cenário o evento, realizado na capital paraibana, leva a missão de mobilizar a sociedade para a pesquisa e investigação no uso controlado da Ayahuasca como processo terapêutico e espiritual na recuperação de dependentes químicos, além do auxílio na recuperação de outros problemas da saúde mental.

Para a vice-coordenadora do curso em Ciências das Religiões da UFPB, profa. Dra. Suelma Moraes, o debate se faz importante porque é a oportunidade da academia contribuir com pesquisas que promovam na prática o bem da sociedade. 

“Hoje o mundo científico possui grande interesse nesta substância como uma eficaz possibilidade de ser utilizada como uma ferramenta importante na batalha contra a dependência química, uma pandemia que preocupa o mundo todo”, concluiu Suelma.

O evento, que é gratuito e aberto a comunidade, tem como públicos-alvo: médicos, Psicólogos, Psiquiatras, Terapeutas, Líderes Religiosos, Organizações do Enfrentamento às Drogas, ONGs, além da comunidade acadêmica.






Bioética, Vida e Morte no Mundo Atual são assunto de palestra na UCPel


A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) recebe, no dia 21, o chanceler da Pontifícia Academia pela Vida, do Vaticano, padre Renzo Pegoraro. Em palestra aberta à comunidade, ele falará sobre: 

Bioética, Vida e Morte no Mundo Atual

O evento será realizado no Auditório Dom Antônio Zattera, às 20h. Especialista em Bioética, Pegoraro irá discorrer sobre o desafio da vida, do nascimento à morte, incluindo aí pontos polêmicos como o aborto e a eutanásia, passando por temas como critérios na internação hospitalar e uso de verbas dedicadas à saúde. 

O convidado fará uma conexão com a maneira como o cristianismo e a Igreja Católica entendem essas questões. Antes da palestra, às 18h, Pegoraro tem um encontro com estudantes e professores da área de saúde da UCPel. 

Nessa agenda, restrita ao público-alvo, ele conversará com o grupo sobre a Bioética como disciplina transversal na área da saúde. As atividades são promovidas pelo Núcleo de Formação Humanística e Teológica (LUTE) da UCPel.

Quem é


Padre Renzo Pegoraro é presbítero da Diocese de Pádua. Fundador e diretor científico da Fundação Lanza em Pádua, médico pela Universidade de Pádua. Mestre em Teologia Moral na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Especialista em Bioética na Universidade Georgetown de Washingon. Docente de Bioética na Faculdade Teológica de Triveneto. Membro do Comitê Ético para a Experimentação da Instituição Hospitalar de Pádua. Presidente do Comitê Ético do Instituto Oncológico Veneto. Presidente da Associação Europeia dos Centros de Ética Médica (EACME).