sexta-feira, 29 de abril de 2016

Casal de pastores gays é o primeiro do Rio a registrar a união estável em cartório após decisão do STF



Os pastores evangélicos Marcos Gladstone e Fábio Inácio, fundadores da Igreja Cristã Contemporânea, foram o primeiro casal gay no Rio de Janeiro a registrar a união estável em cartório, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dois oficializaram a união, nesta quinta-feira, no cartório do 7º Ofício de Notas, no Centro. A assinatura do documento foi acompanhada por alguns fiéis da igreja.

“Hoje eu me sinto orgulhoso de ser brasileiro e de saber que o meu afeto e o meu amor são reconhecidos pelas nossas leis”, afirmou Marcos.

Os pastores estão juntos há cinco anos. Em 2009, eles realizaram uma cerimônia religiosa de casamento. Há dois meses, o casal iniciou o processo de adoção de duas crianças. Apesar da conquista com a decisão do STF, Fábio garante que a luta pelos direitos dos gays vai continuar.

“Depois de hoje, teremos um vínculo muito maior. O próximo passo será conseguir o registro civil”.

A tabeliã Edyanne Frota, do 7º Ofício de Notas, explica que a união estável faz com que o casal gay adquira um novo status. “Agora eles serão vistos como uma entidade familiar. Mas é importante frisar que a lei ainda não regulamente a união civil. No registro, eles continuam solteiros”.








quarta-feira, 20 de abril de 2016

AfD quer incluir posição anti-islã em seu programa partidário


Esboço de programa da Alternativa para a Alemanha traça imagem da religião como ameaça universal, aproveitando-se de temores difundidos contra o islã para angariar votos. Demais partidos e associação islâmica reagem.

Se dependesse do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), minaretes e muçulmanas cobertas de véus desapareceriam do país. Também o canto dos muezins, que, de qualquer forma, quase não se ouve em território alemão, deveria ser proibido.

"O islã não faz parte da Alemanha", consta no esboço para um novo programa de princípios partidários da AfD. A vice-presidente da legenda, Beatrix von Storch, vai ainda mais longe: "O islã, em si, é uma ideologia política incompatível com a Lei Fundamental [Constituição] alemã."

Na edição de domingo do Frankfurter Allgemeine Zeitung, ela e o segundo vice da AfD, Alexander Gauland, apresentaram o curso político do partido. Para Gauland, o islamismo seria um "corpo estranho" na República Federal da Alemanha, "sempre relacionado intelectualmente à tomada do Estado", acrescentou, sem apresentar provas para tal afirmativa.

O esboço de programa de duas páginas e meia será votado no início de maio em Stuttgart. Ele não apenas contém o rechaço a uma "sociedade paralela", com juízes norteados pela sharia (a lei islâmica) e ao salafismo de tendência violenta, como também propõe o fechamento das escolas corânicas. Igualmente descartada fica a equiparação legal de organizações islâmicas a igrejas.

Suposta ameaça universal

Numa entrevista à emissora DLF, o líder da AfD no estado da Renânia-Palatinado, Uwe Junge, reforçou: "O islã é uma religião política. Ele não tem essa reserva, que normalmente esperamos de uma religião, de se manter fora da política."

Seu partido não é contra todos os muçulmanos, ressalvou Junge: ele não se refere aos que "conquistaram seu lugar em nossa sociedade através da assimilação, da integração". Mas, afinal, existe também outro islã, voltado contra tudo o que compõe a ordem fundamental liberal-democrática, afirmou Junge. Esse islã seria intolerante, avesso à liberdade de opinião e à igualdade de homens e mulheres.

Em sua explanação, o político não se deu ao trabalho de esclarecer o que seria a regra e o que seria a exceção. Com isso, ele reforça a imagem de uma religião que supostamente constitui uma ameaça universal.

Partidos reagem

As afirmações do Alternativa para a Alemanha alarmaram os demais partidos do país. Falando ao diário Rhein-Neckar-Zeitung, Armin Laschet, vice-presidente da governista União Democrata Cristã (CDU), frisa que campanhas eleitorais voltadas contra religiões são um fenômeno novo, que "dividiria o país".

Também o vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Verde, Konstantin von Notz, acusa a AfD de apostar intencionalmente numa divisão da sociedade, e de procurar atrair eleitores representando o islã como encarnação do inimigo.

Kerstin Griese, encarregada para assuntos religiosos do Partido Social-Democrata (SPD), também da coalizão governamental, rebate que bem mais de 90% dos muçulmanos no país respeitam os preceitos constitucionais. Portanto não se podem tirar conclusões sobre toda uma comunidade religiosa com base em uns poucos grupos extremistas, apela.

Generalizações como estratégia eleitoral

Não é a primeira vez que a AfD apela para generalizações com o fim de ganhar espaço. Nas últimas eleições, ele garantiu um maior apoio do eleitorado com sua crítica ao posicionamento do governo da chanceler federal Angela Merkel na questão dos refugiados. Alarmados pelo afluxo descontrolado de centenas de milhares de migrantes, muitos eleitores de fato escolheram a legenda que defende um isolamento rigoroso da Alemanha.

Nas eleições estaduais de março deste ano, os populistas de direita alcançaram 15% dos votos em Baden-Württemberg e quase 13% na Renânia-Palatinado. Na Saxônia-Anhalt, com 24%, a AfD consagrou-se até mesmo como segunda legenda mais forte.

No entanto, o número de refugiados vem caindo rapidamente, sobretudo graças a medidas polêmicas nos níveis nacional e da União Europeia. Junge refuta a acusação de que seu partido só teria "descoberto" o islamismo agora como tema central, pelo fato de a crise do euro e os refugiados ocuparem cada vez menos as manchetes. "O islã é um tema constante, que nós naturalmente tematizamos em conexão com a crise dos refugiados", alegou.

Islamofobia já existia

Para o presidente do Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha, Aiman Mazyek, a AfD simplesmente lança mão de reservas há muito difundidas. "Não é que esse partido tenha inventado essa islamofobia: ele só nada nessa onda que já existe na nossa sociedade", afirmou à emissora NDR.

"É a primeira vez, desde a Alemanha de Hitler, que um partido volta a desacreditar toda uma comunidade religiosa e a ameaçá-la em sua existência", condenou o representante islâmico, indiretamente traçando um paralelo com o partido nazista.

Por outro lado, Mazyek está convencido de que os estrategistas do grupo ultradireitista não visam os muçulmanos em primeira linha. "Estaríamos caindo na cilada do partido, se acreditássemos que o foco é realmente o islã." A intenção real da AfD seria, antes, minar a ordem liberal-democrática, ao atacar a liberdade de religião, assegura.

O presidente do Conselho Central dos Muçulmanos conclui invertendo a acusação dos populistas do Alternativa para a Alemanha: "Não é o islã que é inconstitucional, mas sim a AfD."





Fundo ligado ao Ministério da Justiça libera R$ 522 mil para pesquisa sobre ayahuasca – Por Juca Guimarães


Estudo será feito pela USP. Substância pode causar alucinação e delírios, diz especialista.

O Funad (Fundo Nacional Antidrogas), ligado ao Ministério da Justiça, aprovou o convênio que libera R$ 522 mil para o estudo dos efeitos da ayahuasca, produzida com as mesmas plantas do chá ritualístico do Centro Beneficente Espírita União do Vegetal, no combate ao vício em cocaína.

A União do Vegetal tem interesse na realização de pesquisas que mostrem aspectos positivos da ayahuasca. O ministro da Justiça Eugênio Aragão foi associado da União do Vegetal e é simpatizante do chá.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por outro lado, mantém a dimetiltriptamina - DMT na lista de substâncias proibidas no país. A DMT está presente no chá da União do Vegetal, assim como no Santo Daime e em outras bebidas de seitas ayahusqueiras.

A exceção para o uso da ayahuasca em rituais, sem risco de prisão por porte de substância proscrita, no Brasil é garantida por uma resolução do Conad (Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas) de 2010. Ao consumir o chá, em doses de 50 ml, os associados entram em estado de transe que pode durar até três horas, com letargia e alterações motoras. 

Por isso, após consumir a bebida, os associados se sentam em espreguiçadeiras durante o transe. As sessões duram a noite toda. Por sessão, alguns associados tomam até quatro doses de chá. A bebida pode provocar também vômitos e diarreia, que são interpretados como um processo de purificação pelos religiosos.

O projeto de pesquisa "Canabidiol e ayahuasca no tratamento da farmacodependência à cocaína: possíveis intervenções terapêuticas?" é realizado pelo departamento de neurociência e comportamento da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, sob o comando do professor Jaime Hallak. 

Além da ayahuasca, a pesquisa também vai analisar os efeitos da substância canabidiol (encontrada na maconha) no tratamento da dependência em cocaína. A expectativa da União do Vegetal é que o resultado da pesquisa, previsto para ser divulgado em 2019, confirme algum efeito terapêutico do chá.

Restrições

O Conad proíbe a comercialização do chá pelas seitas. Os membros podem fazer doações e pagar mensalidades para a manutenção das seitas. Também é proibido o chamado "turismo religioso", expedições organizadas para centros ou florestas com distribuição do chá para não-membros. Outra determinação do conselho para evitar o uso do chá como entorpecente é o cadastro das seitas e seus membros. 

Em 1991, as religiões que fazem uso do chá, publicaram uma carta de princípios definindo três diretrizes: não fazer propaganda do chá, não adicionar álcool ou outras substâncias ao chá e não comercializar a bebida.

A psiquiatra e presidente da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marquês, fez uma análise sobre o uso da ayahuasca em pesquisas científicas. 

R7: Os estudos sobre os efeitos da ayahuasca no tratamento de dependentes de cocaína são promissores?

Ana Cecília Marquês: Todo estudo com substâncias que podem causar consequências para o cérebro são importantes e requerem uma metodologia rigorosa. Se o resultado pode ser promissor, ainda não tenho uma opinião formada, pois a literatura mostra que o modelo da terapia de substituição, isto é, administrar uma droga da mesma classe farmacológica, com as mesmas propriedades, inclusive capazes de causar dependência durante o tratamento, tem várias complicações e eficácia moderada para alguns efeitos e baixa para outros. Um exemplo disso é a heroína sendo substituída pela metadona.

R7: A DMT presente no chá ritualístico é um entorpecente perigoso?

Ana Cecília Marquês:  É um estimulante do sistema nervoso central que pode causar alucinações, delírios, despersonalização, desrealização, deterioração do pensamento, do funcionamento social, laboral e etc. E causar uma psicose.

R7: A religiões que usam o chá alertam para o perigo da mistura com entorpecentes e álcool. Eu queria saber se o uso prolongado apenas do chá também não é arriscado?

Ana Cecília Marquês: Sim, pode ser. Isto é, ainda não temos o acompanhamento do uso crônico para dizer que não é arriscado. Não estamos avaliando alface, mas sim uma droga psicotrópica.

R7: A União do Vegetal  diz que o chá é inofensivo e pode ser usado por crianças. A doutora acha que o chá pode ser usado por crianças e mulheres grávidas?

Ana Cecília Marquês: Não. Pois já temos conhecimento científico do impacto do uso de drogas psicotrópicas durante a gravidez no feto. Tanto na formação do cérebro como no organismo como um todo. Assim como no cérebro da criança, que também está em formação e pode apresentar uma vulnerabilidade para tal comportamento ou hábito.







terça-feira, 19 de abril de 2016

Governo alemão diz que "islã faz parte do país"


O governo alemão expressou nesta segunda-feira rejeição aos pronunciamentos islamofóbicos da formação populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e lembrou que, tal como expressou reiteradamente a chanceler Angela Merkel, o "islã faz parte do país".

A Constituição garante a liberdade de religião e de culto, apontou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, para acrescentar que não era incumbência do Executivo "comentar" os conteúdos dos programas dos partidos políticos.

O porta-voz da chanceler respondeu assim à polêmica surgida por causa das declarações da vice-presidente da AfD, Beatrix von Storch, no fim de semana passado, que definiu o islã de "ideologia que não está de acordo com a Constituição" alemã e alertou contra a suposta "islamização" progressiva do país.

A própria Merkel, questionada sobre a questão em um comparecimento junto ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, se limitou a repetir as palavras de Seibert com relação à liberdade de religião, para acrescentar que "a imensa maioria dos muçulmanos pratica aqui sua religião de acordo com a Constituição".

Quando não é assim, enfatizou a chanceler, corresponde aos corpos de segurança atuarem em consequência e mantê-los sob observação.

Storch, representante do ala mais radical desse partido, se propõe a impulsionar uma moção no próximo congresso da formação, que será realizado em duas semanas em Stuttgart (sul do país), para proibir símbolos muçulmanos.

Sua proposta, secundada por outro dos vice-presidentes do partido, Alexander Gaulant, suscitou críticas de todo o espectro parlamentar alemão.

Desde as fileiras conservadoras de Merkel, o porta-voz de assuntos religiosos de seu grupo parlamentar, Franz Josef Jung, advertiu sobre a progressiva radicalização desse partido e disse que sua postura com relação ao islã cai na inconstitucionalidade.

O Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha já havia expressado no domingo protesto e seu presidente, Aiman Mazyek, comparou hoje o AfD com o partido nazista e o qualificou de partido anticonstitucional.

Estima-se que na Alemanha vivam quatro milhões de muçulmanos, aos que é preciso somar a grande maioria dos 1,1 milhão de peticionários de asilo chegados ao país no ano passado.

A AfD é uma formação emergente, presente nas câmaras regionais de seis dos 16 estados federados alemães, assim como na Eurocâmara, embora sem cadeiras no Bundestag.

No pleito regional realizado em março em três estados federados, o partido obteve porcentagens que oscilaram entre 12% e 24% e as pesquisas em nível nacional (embora as próximas eleições não ocorrerão até o ano que vem) lhes outorgam uma perspectiva de voto de 12% há algumas semanas.





Olhares sociológicos e jornalísticos sobre religião, saúde e secularização são tema de evento na UFSCar



Mesa ocorre no dia 27 de abril e é organizada pela Pós-Graduação em Sociologia da Universidade.

Com o objetivo de abordar o modo como a religião, a saúde e a secularização têm sido vistas por grande parte dos cientistas sociais e também jornalistas, o Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realiza, no dia 27 de abril, a Mesa:

 “Olhares sociológicos e jornalísticos sobre: religião, saúde e secularização”. 

Coordenada pelo professor do Departamento de Sociologia André Ricardo de Souza, a Mesa terá a participação do pesquisador de pós-doutorado em Sociologia da USP, Massimo Bonato, do repórter de ciência do jornal Folha de S. Paulo, Reinaldo José Lopes, e do pesquisador de pós-doutorado em Antropologia da Unicamp, Rodrigo Ferreira Toniol.

Segundo André, a religião convive no Brasil e na absoluta maioria dos países do mundo com o processo de secularização, que consiste basicamente na diminuição da influência religiosa sobre o Estado e a produção de conhecimento. 

No meio da relação entre religião e ciência, a saúde ocupa um lugar de destaque, tanto pela busca de alternativas à medicina convencional, quanto pela crescente valorização feita por médicos de uma dimensão humana chamada espiritualidade.

André destaca que, apesar da secularização, há uma crescente valorização da espiritualidade por parte da Medicina. 

“Isso ocorre devido a pesquisas feitas pelos próprios profissionais da área médica”, explica. Para exemplificar essas pesquisas, ele cita dois grupos. Um deles é o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), sediado o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP; o outro é o Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, vinculado ao Programa de Pós-Gradação em Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora. “As pesquisas realizadas pelos médicos-cientistas desses grupos utilizam uma ampla gama de tecnologias que visam identificar, isolar e interpretar a condição espiritual das pessoas e seus efeitos para a saúde”, afirma André.
Serviço

O evento, que integra a programação das Quartas Sociológicas, é destinado aos alunos do PPGS e demais interessados no tema. 

A Mesa ocorre das 10 às 12 horas, no Auditório do Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH), localizado no Edifício de Aulas Teóricas AT 2, na área Sul do Campus São Carlos da UFSCar. Não é necessária inscrição prévia.






segunda-feira, 18 de abril de 2016

Religiões na era high tech – Por Raquelle Wacemberg



A tradição tem interagido com a tecnologia em várias igrejas da Região Metropolitana.

Manter a fé de tradições milenares com a cara do século 21. Religiões que se curvam à era tecnológica, mas não deixam de lado a essência da doutrina.

Graças à Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, no século 16, estátuas, imagens e pinturas desaparecem para dar lugar à simplificação do culto. Sem expressões visuais da religiosidade, a adaptação ao mundo contemporâneo para os templos evangélicos é mais simples.

Não pelo mesmo motivo, mas para os mórmons, que surgiram no século 19, a chegada da tecnologia também não interfere nos dogmas da religião. Pelo contrário. Fazem questão de acompanhar a modernidade. Os católicos, embora de forma mais discreta, já têm se adequado ao uso da tecnologia.

Por conta do ritual pré-moderno, a Igreja Católica não consegue se render às exigências da modernidade. Os ritos "ainda são determinantes para a religião”, explica o professor do Departamento de História da UFPE, Severino Vicente da Silva.

Católicos

Apesar da resistência, alguns templos católicos no Estado já possuem conectividade diária com os fiéis. Na Nossa Senhora de Fátima, no bairro de San Martin, Zona Oeste do Recife, a comunidade pode interagir com o padre da paróquia por um aplicativo que tem o mesmo nome da igreja. É até possível pedir orações pela plataforma. 

“Preciso separar uma hora do dia para acompanhar tanto o aplicativo quanto o meu WhatsApp”, disse o pároco Laércio José de Lima. Os administradores do app, acrescentou, mandam mensagens para os usuários com o objetivo de incentivar a leitura bíblica.

Protestantes

Em vez de bíblias, tablets e smartphones. Os ternos e paletós foram substituídos por camisas básicas e calça jeans. Foi-se a época em que os cânticos eram encadernados ou colocados em lâminas para retroprojetores. 

A realidade digital pode ser vista na A Ponte, que fica no Bairro do Recife, área Central da Capital. A troca inusitada de trocar a bíblia por um tablet para pregar. Máquinas de cartão de crédito e débito para facilitar a vida dos membros. Com tantos recursos tecnológicos, o pastor da igreja, Guilherme Franco, destacou que a prioridade é a ortodoxia. “Hoje, temos muitos métodos que podem nos auxiliar, mas fazem parte do superficial, e não do essencial”, disse.

Mórmons

São 83 capelas e um templo no Estado. Todos eles com tendências tecnológicas. Rede Wi-fi para quem deseja acessar a internet. Nos cultos, bispos substituem a bíblia por tablets. Por meio de aplicativos específicos da igreja, os membros podem acompanhar os hinos tocados nas celebrações pelo celular. 

“A igreja tem a tendência de disponibilizar para as pessoas a forma que melhor convier para ter acesso às escrituras e palavras dos apóstolos e profetas da igreja”, afirmou Mozart Soares, diretor assistente de Assuntos Públicos da igreja em Pernambuco. A assistente de marketing Richelle Santos, 23 anos, não deixa de levar o smartphone para as aulas na capela do bairro de Piedade.







Explosão em templo da religião sikh deixa três feridos na Alemanha



Três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, após uma explosão em um templo sikh de Essen, na Alemanha.

Segundo a polícia local, o incidente aparenta ter sido causado de forma deliberada. A forte explosão ocorreu na noite deste sábado (16/04), depois da realização de um casamento no local.

O interior do tempo ficou parcialmente destruído, e janelas foram quebradas. Segundo um vídeo postado pelo Sikh Channel no Facebook, crianças estavam no templo ensaiando para uma celebração no momento da explosão.

Um porta-voz da polícia de Essen disse que uma pessoa mascarada foi vista fugindo do local momentos antes do incidente. Homens que seguem a religião monoteísta indiana sikh costumam usar turbantes e chegam a sofrer preconceito ao serem confundidos com muçulmanos.

Em 2012, um homem matou seis pessoas num ataque a um templo sikh em Wisconsin, nos EUA. O caso foi tratado como um crime de motivação racial segundo a polícia, entretanto, não há indícios de que tenha sido um ataque terrorista.



Jesus Cristo é um ‘ready-made’ – Por Juan Villoro



Se alguma coisa define o nosso tempo é o uso religioso do que consideramos laico.

“A religião é o ópio do povo”. A frase de Marx se tornou um dos grafites mais repetidos da história. Seu sucesso comprova a força do que critica. É difícil encontrar sociedades alheias à fé, à superstição ou ao consumo, forma moderna da teologia. Se alguma coisa define o nosso tempo é o uso religioso do que consideramos laico.

Acabo de ver a frase em Oaxaca. As letras de spray foram traçadas sobre um velho muro da pedra esverdeada. Em nome da razão, a pintura industrial tingia a pedra. O grafiteiro assumia uma postura ateia e ao mesmo tempo revelava uma concepção sagrada da escrita: a mensagem lhe parecia tão transcendente que poderia escrevê-la aonde fosse.

Enquanto a religião desaparece como tema de estudo nas escolas, as sociedades abraçam idolatrias que vão da política do espetáculo à técnica e ao comércio.

Dependemos de equipamentos cujo funcionamento ignoramos e ganhamos prestígio por meio de marcas. Tirar os mercadores do templo é inútil porque deles é o reino. O lançamento de um novo iPhone faz com que os peregrinos durmam às portas das capelas da Apple. 

Os aplicativos da telefonia substituíram os sinais de orientação do Espírito Santo? Tempos de fraudes e talismãs, supervisionados pela caneta óptica. Diante da supremacia absoluta do econômico, Marx falou do fetichismo da mercadoria, cuja força hipnótica é superior à do ópio.

Nessa fase sacralizada do capitalismo, em que o CEO de uma empresa é mais importante do que um presidente, o Papa Francisco ganhou relevância.

Enquanto a economia se mistifica, a Igreja atravessa um inesperado processo de normalização. Tem um Pontífice aposentado e seu sucessor tem o nome do santo padroeiro dos pobres, prepara sua própria comida, carrega sua pasta e chega de Fiat às reuniões nas quais os outros chefes de Estado chegam de limusine. Além desses gestos (num ofício em que tudo é gesto), Francisco aproxima a agenda do Vaticano dos hábitos mundanos: o divórcio, a homossexualidade, as incorporações das mulheres à hierarquia eclesiástica deixaram de ser temas tabus. Ainda não existem resoluções decisivas a respeito, mas o que antes era um anátema é discutido no sínodo da família.

Até que ponto as crenças ultraterrenas podem ser secularizadas? Curiosamente, na própria raiz do cristianismo existe um desejo de associar o divino com o cotidiano. Para Kierkegaard, a figura de Cristo despojou de aspecto sobrenatural a Deus ao mostrar que um homem pode sê-lo. Estendendo a comparação, o filósofo russo-alemão Boris Groys disse: “Jesus Cristo é um ready-made”. A frase faz alusão a Duchamp, que fez algo semelhante em estética. Ao escolher um urinol como obra de arte “já feita”, sugeriu que todo objeto pode ser arte.

Baseado no homem comum, o catolicismo se tornou ao longo dos séculos o império dos bispos cobertos de joias. Francisco procura voltar às palavras que Jesus disse aos pescadores. Mas o faz numa época dominada pela religiosidade difusa, em que os crentes mais fervorosos estão fora do templo, absortos na realidade virtual ou nos negócios, e nem sequer sabem que são crentes.

A propósito da corrupção no Banco do Vaticano, o Papa disse: “Se não sabemos cuidar do dinheiro, que se vê, como podemos cuidar das almas dos fiéis, que não se veem?”. A verdade é que o dinheiro se vê cada vez menos; aparece como crédito ou investimento offshore no Panamá.

A tecnologia e o consumo sacralizaram o profano. Do ópio dos povos passamos à cocaína que, em vez de adormecer, provoca a ilusão de dominar a realidade.






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Do Comunismo. O Destino de Uma Religião Política



O professor, jornalista e cientista político romeno Vladimir Tismăneanu, presidente da Comissão Presidencial Consultiva para a Análise da Ditadura Comunista da Romênia, escreveu este livro como um esforço teórico e também histórico-memorialístico da experiência comunista na Romênia.



Este volume, diz ele, não é um “tratado acerca do comunismo”, mas uma reunião de textos que evidenciam o destino do comunismo como mito político, como religião secular com ambições de explicar a totalidade do mundo e da história humana.


Nele, o autor explica por que, antes de encarnar-se como regime político concreto, o comunismo foi e permanece uma doutrina apocalíptico-revolucionária.

Declaração sobre o momento nacional


O texto foi aprovado pelos bispos reunidos na 54ª Assembleia Geral 

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, na tarde da quinta-feira, 14 de abril, Declaração sobre o momento nacional, dentro das atividades da 54ª Assembleia Geral da CNBB, que acontece em Aparecida (SP), de 6 a 15 de abril. 

Na ocasião, participaram o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha; o arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente, dom Murilo Krieger; o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral, dom Leonardo Steiner. 

Frente à crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, o episcopado brasileiro conclama "o povo brasileiro a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade. Manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia. Os meios de comunicação social têm o importante papel de informar e formar a opinião pública com fidelidade aos fatos e respeito à verdade".

Confira a íntegra do texto:

DECLARAÇÃO DA CNBB SOBRE O MOMENTO NACIONAL

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz” (Jo 3,21).

Nós, bispos católicos do Brasil, reunidos em Aparecida, na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frente à profunda crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, trazemos, em nossas reflexões, orações e preocupações de pastores, todo o povo brasileiro, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes, 1).

Depois de vinte anos de regime de exceção, o Brasil retomou a experiência de um Estado democrático de direito. Os movimentos populares, organizações estudantis, operárias, camponesas, artísticas, religiosas, dentre outras, tiveram participação determinante nessa conquista. Desde então, o país vive um dos mais longos períodos democráticos da sua história republicana, no qual muitos acontecimentos ajudaram no fortalecimento da democracia brasileira. Entre eles, o movimento “Diretas Já!”, a elaboração da Carta Cidadã, a experiência das primeiras eleições diretas e outras mobilizações pacíficas.

Neste momento, mais uma vez, o Brasil se defronta com uma conjuntura desafiadora. Vêm à tona escândalos de corrupção sem precedentes na história do país. É verdade que escândalos dessa natureza não tiveram início agora; entretanto, o que se revela no quadro atual tem conotações próprias e impacto devastador. São cifras que fogem à compreensão da maioria da população. Empresários, políticos, agentes públicos estão envolvidos num esquema que, além de imoral e criminoso, cobra seu preço. 

Quem paga pela corrupção? Certamente são os pobres, “os mártires da corrupção” (Papa Francisco). Como pastores, solidarizamo-nos com os sofrimentos do povo. As suspeitas de corrupção devem continuar sendo rigorosamente apuradas. Os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes, respeitado o seu direito de defesa; os culpados, punidos e os danos, devidamente reparados, a fim de que sejam garantidas a transparência, a recuperação da credibilidade das instituições e restabelecida a justiça. 

A forma como se realizam as campanhas eleitorais favorece um fisiologismo que contribui fortemente para crises como a que o país está enfrentando neste momento.

Uma das manifestações mais evidentes da crise atual é o processo de impeachment da Presidente da República. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha atentamente esse processo e espera o correto procedimento das instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito. 

A crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais.  
De acordo com a Constituição Federal, os três Poderes da República cumpram integralmente suas responsabilidades. O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social.

Conclamamos o povo brasileiro a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade. Manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia. Os meios de comunicação social têm o importante papel de informar e formar a opinião pública com fidelidade aos fatos e respeito à verdade.

Acreditamos no diálogo, na sabedoria do povo brasileiro e no discernimento das lideranças na busca de caminhos que garantam a superação da atual crise e a preservação da paz em nosso país. “Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a se preocupar com a construção de um mundo melhor” (Papa Francisco).

Pedimos a oração de todos pela nossa Pátria. Do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos a bênção e a proteção de Deus sobre toda a nação brasileira.

Aparecida - SP, 13 de abril de 2016.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia

Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB







O nascimento do cemitério: Lugares sagrados e terra dos mortos no Ocidente medieval


O livro de Michel Lauwers altera e enriquece de forma significativa nossa percepção da sociedade medieval.



O estudo apoia duas mudanças de ponto de vista afirmadas pela historiografia recente. Em primeiro lugar, que as relações sociais no período não são estáticas e que as razões da dominação não estão depositadas apenas na força das armas e no temor religioso.

A obra propõe um quadro diferente à imaginação comum congelada em torno da ideia de uma sociedade cuja organização encontra-se completamente orientada pelos laços feudo-vassálicos, em que a aristocracia, que inclui os homens de poder do clero, se apropria da riqueza produzida por aqueles que trabalham.

Sem romper com a ideia de sociedade feudal, Lauwers desvenda aspectos cruciais de sua constituição ideológica e funcionamento cotidiano. Néri de Barros Almeida (do Prefácio)

Serviço:

Livro: O nascimento do cemitério: - Lugares sagrados e terra dos mortos no Ocidente medieval
Autor: Michel Lauwers
Tradutor: Robson Murilo Grando Della Torre
ISBN: 978-85-268-1226-0
Edição: 1
Ano: 2015
Páginas: 400
Dimensões: 16x23

Sobre o Autor

Michel Lauwers é professor de História Medieval da Universidade de Nice, Diretor de Pesquisas do CNRS e autor, entre outros, de La mémoire des ancêtres, le souci des morts. Morts, rites et société au Moyen Age, Paris, Beauchesne, 1997. É co-autor da obra organizada por Monique Zerner, Inventar a heresia? Discursos polêmicos e poderes antes da Inquisição, também publicada pela Editora da Unicamp.




quinta-feira, 14 de abril de 2016

Vila Olímpica terá assistência religiosa durante Jogos, diz arcebispo – Por Henrique Macedo


Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecerão em agosto e setembro.

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Dom Orani João Tempesta, disse que a Vila Olímpica terá assistência religiosa durante as Olimpíadas 2016. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecerão na capital fluminense em agosto e setembro deste ano.

A informação foi divulgada na terça-feira (12/04), durante entrevista coletiva em Aparecida. Os bispos do Brasil participam da 54ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

“Teremos uma capelania inter-religiosa na Vila Olímpica, a Igreja Católica, como maior expressão de abertura para o ecumenismo, terá um padre capelão da Vila para organizar essa assistência religiosa para com os irmãos, com a responsabilidade de promover a liberdade religiosa”, contou.

Além disso, a Arquidiocese terá também em suas comunidades e paróquias um acolhimento específico para os atletas e turistas que estarão no Rio de Janeiro, como missa nas línguas nativas dos estrangeiros.




domingo, 10 de abril de 2016

Senado aprova 3 de março como o Dia Nacional da Igreja O Brasil Para Cristo


Proposições legislativas

O Plenário do Senado aprovou nesta quinta-feira (07/04) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 87/2014, que institui o dia 3 de março como o Dia Nacional da Igreja O Brasil Para Cristo. O projeto, de autoria do deputado Roberto Lucena (PV-SP), segue agora para sanção presidencial.

Fundada em 3 de março de 1956 pelo missionário Manoel de Mello e Silva, a igreja, que começou como um movimento itinerante de evangelismo, inovou nos ritos religiosos, enfrentou a censura do regime militar e se tornou uma das mais importantes igrejas evangélicas pentecostais do país.


Hoje, a igreja O Brasil Para Cristo tem mais de 4 mil congregações em atividade no Brasil, possui cerca de 2 mil pastores e contabiliza mais de 1 milhão de membros e frequentadores. A igreja já tem presença no exterior, com congregações em Portugal, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru.



quinta-feira, 7 de abril de 2016

Devoções e Fronteiras entre Religiões


Fórum Inter-Religioso da UNICAP, organizado pelo nosso Observatório, articula desde 2007 uma série de encontros com animadores das tradições espirituais da região, para re-conhecimento humano da fé e exercício do respeito à diversidade de suas expressões, para reflexão sobre a vivência pluralista do sagrado e ensaio de uma mística transreligiosa.

Após estudar as principais religiões no Recife e também aprofundar temáticas transversais às grandes tradições espirituais, o Fórum da UNICAP está se debruçando agora sobre os desafios teóricos, fenomenológicos e hermenêuticos, para a compreensão crítica e engajada da nossa religiosidade.

Uma dimensão central das nossas religiões populares são as devoções, a dedicação ritual aos santos e divindades, que criam e destroem fronteiras de fé, como nas festas de São Jorge/Ogum ou de Xangô/São João, que dão materialidade às experiências religiosas comuns em diferentes contextos culturais, que revelam e escondem o poder carismático dos seus beatos.

No auditório do CTCH (1º andar do bloco B) da Universidade, das 17 às 18h30, temos no dia 11, segunda-feira, a sessão do mês de abril, com o tema: 

“Devoções da religião popular: ontem e hoje”

Participarão da conversa sobre a devoção, como materialização do sagrado e tempo-espaço para o estudo comparado das religiões, @s amig@s Priscila Alcon, Gilvan Neves, Artur Tavares e Sylvana Brandão.

A entrada é franca para quem tem interesse em debater, com esses historiadores, antropólogos e cientistas da religião, sobre os portais para a transcendência do nosso povo, suas controvérsias e maravilhas.