segunda-feira, 27 de junho de 2016

A “Teologia” do dinheiro – Por José Vicente Ferreira



A Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 4 de Julho de 1776, refere:

“Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade…”.

Nestes tempos, que são os nossos, parece que muita coisa está posta em causa e que a criatura desfigura e nega o Criador. O mundo está bastante esquisito e cada vez mais difícil de entender. 

O desrespeito pela vida, pela liberdade e pela procura da felicidade são aspectos tristes e bem marcantes no actual estado do mundo. A ânsia de dinheiro e de poder aí estão a impor um jogo perigoso porque não conhece regras. De facto, o dinheiro saltou para primeiro plano e parece que, para além deste fenómeno, nada mais existe. Tudo gira à volta do vil metal, cada vez mais vil, pois destrói tudo o que lhe passa pela frente.

Dinheiro, dinheiro, lucro e mais lucro sem limites, obviamente sem qualquer preocupação ética ou humana, ditam a lei do mais forte. O diabo anda à solta e diverte-se com a estupidez humana transformada em ganância. A criatura nega o Criador e o homem transforma-se em lobo do próprio homem.

Tudo vale e tudo tem sido permitido por Estados fracos e pessoas sem escrúpulos. Pessoas sem qualquer sentido ético comportam-se como corsários, porque a partilha dos interesses instalados assim o permite. Ora, em muitas situações recentes, a história continua a ser recriada pois anda por aí gente que faz do corso a sua forma de vida.

Alguns devem possuir mesmo a chamada “carta de corso” que traduz um modo de vida, que foi muito praticada por povos nómadas, que sobreviviam daquilo que roubavam, por onde passavam. Sabiam viver das conjunturas e, enquanto estas fossem propícias, facturavam sem olhar a meios. Adaptando-se aos novos tempos, a arte de sacar passou a ter nomes mais modernos como favores maquiavélicos, salários e pagamentos obscenos, branqueamentos, corrupção, cambão,… num capitalismo de rapina muito informal e obviamente clandestino.

A moda dos corsários aí está bem visível em tudo o que seja dinheiro ou finança, com ou sem autorização dos governos. Tudo simples mas, mais sofisticado, e feito no recato dos corredores dos vários poderes instalados. E assim vamos vivendo falando de transparência, mas longe dela. É um mundo reservado onde os eleitos vão vivendo sustentados numa novíssima corte de vassalos.

Na sociedade portuguesa continuam a gerar-se novas classes senhoriais que se sucedem umas às outras e enquanto duram são suficientemente influentes na lógica do poder e das benesses que lhes está associada. Manipulam números, pessoas e conhecimentos, sem ética. O único critério são eles próprios, quais senhores omnipotentes. São pessoas de raciocínio rápido, frio e feio. Nos tempos actuais, em que o crime parece compensar, é necessário que as autoridades se assumam com credibilidade pois só assim será possível recuperar o clima de confiança e de tranquilidade para o cidadão comum que vive do seu trabalho.

Desculpas e sucessivas justificações sobre a crise financeira internacional apenas demonstram que os “Alibabás” do sistema financeiro se dão ao luxo de dizerem e fazerem o que lhes apetece porque nada acontece na teia de interesses instalados. Governos e autoridades, mostram as suas próprias debilidades, ao permitirem que estes esquemas lhes passem ao lado.

Entre nós, pequena economia aberta em fase de marasmo, o problema financeiro está a tranformar-se em crise económica que atinge o dia a dia das pessoas. A crise social mostra, com intensidade, os seus sinais preocupantes de mais desemprego, maior empobrecimento e mais dificuldades para cumprir os compromissos assumidos.

Cada vez mais o mês parece ter mais dias. É urgente travar o facilitismo do consumo e os “encostos” que todos os dias os donos do dinheiro nos propõem com arte, manha e juros elevadíssimos. E claro, cuidado com esse intruso “familiar” chamado cartão de crédito, que todos os meses, tão simpaticamente, nos coloca à disposição mais um salário que terá que ser pago e bem pago.

Se o deus do mundo é o dinheiro o resultado só pode ser ganância, egoísmo e miséria humana. Talvez muitas das nossas contas bancárias, a prazo ou à ordem, mostrem alguns dos nossos pecados ocultos. O dinheiro tem destas coisas e denuncia a consciência do homem. Torna-se demasiado evidente que “Não podemos servir a Deus e ao dinheiro”.

Afinal, a velha, mas sempre actual, questão da existência de Deus aí está bem presente, porque se “tudo nos é permitido, nem tudo nos convém”.

Fonte: http://tvl.pt




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Avivamento pagão: gregos voltam a invocar os deuses antigos – Por Jarbas Aragão


As figuras que são estudadas como mitológicas em todo o mundo há séculos parecem ter um apelo renovado para os moradores da Grécia.

O culto dos antigos deuses gregos está ressurgindo. As figuras que são estudadas como mitológicas em todo o mundo há séculos parecem ter um apelo renovado para os moradores da Grécia. Segundo o Greek Repórter, seguidores do culto politeísta já recriaram várias áreas dedicadas ao culto dos deuses gregos.

Esses novos pagãos acusam o cristianismo de ter substituído as antigas práticas religiosas do país através da violência. Grupos como o Conselho Supremo dos Helenos Étnicos e a Comunidade religiosa Labrys tenta restabelecer o politeísmo e a tradição cultural antiga, que inclui ofertas aos deuses que habitariam o Olimpo.

Eventos como o festival Prometheia são celebrações públicas que “invocam o antigo espírito grego”. Criada pelo professor de Filosofia Tryphon Olympios, há mais de duas décadas, afirma que o resgate da religião pode mudar o país, afundado por seguidas crises econômicas.

Realizada no sopé do monte Olimpo, “morada” dos 12 deuses da Grécia antiga, ele quer estimular os gregos a “voltar às suas raízes”, insiste o doutor Olympios.

Chama atenção que o movimento não é exatamente pacífico. Recentemente, uma igreja cristã na ilha de Creta foi atacada pelos “seguidores de Zeus”. De tradição ortodoxa, as estátuas em seu interior foram vandalizadas. Além de fezes espalhadas no templo, mensagens contra o cristianismo foram escritas com carvão nas paredes.

Eventos similares foram registrados em outras igrejas. Para os novos pagãos, é uma lembrança de que a maioria dos templos cristãos nos primeiros séculos, eram “casa” das divindades do panteão.

Em abril, na cidade de Olímpia foi consagrada a chama olímpica que veio para o Brasil. A cerimônia oficial, que reproduz um culto a Zeus, foi realizada no mesmo local onde eram realizados os jogos na antiguidade.






Líderes de cinco religiões se encontram no Rio 2016


Encontro define como funciona o centro inter-religioso para atender atletas na Vila Olímpica durante os Jogos.

Representantes de cinco religiões se encontraram nesta quarta-feira (22/06) no Comitê Rio 2016 para definir detalhes do centro inter-religioso que funcionará na Vila Olímpica, onde mais de 10 mil atletas se hospedam durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. 

"É muito bom ver o Rio de Janeiro como um povo acolhedor, onde as religiões se entendem", disse o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, ao lado de Carlos Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016.

O padre Leandro Lenin, coordenador do centro inter-religioso do Rio 2016, apresentou a planta do lugar na Vila Olímpica onde terá uma sala para cada religião: cristianismo, judaísmo, budismo, hinduísmo e islamismo (esta última com uma sala extra para mulheres). 

Haverá um espaço misto de aconselhamento, e o segundo piso será um ambiente de convivência. Uma "cartilha do capelão" foi entregue aos presentes para explicar aspectos básicos do centro.

"O atleta precisa ter com quem se alegrar na hora da vitória, mas também precisa do ombro amigo na hora que perceber que alguma coisa não foi bem. E igualmente precisam de um espaço para a prática de sua fé", disse o padre Leandro Lenin. "O centro não é apenas um ponto de apoio. É também um ponto de encontro, de assistência e auxílio."

A Arquidiocese do Rio de Janeiro convidou representantes de outras religiões para apoiar o projeto Meu Lugar no Rio, plataforma colaborativa que permite que moradores da cidade-sede dos Jogos recebam voluntários em sua casa. 

A plataforma é uma iniciativa inspirada na experiência adotada pela Igreja Católica para receber os voluntários da Jornada Mundial da Juventude em 2013.

"Como os Jogos Olimpícos são um evento laico e esportivo, é interessante que diversas religiões abram as portas de suas casas também para os voluntários", disse o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. "É muito bom ver o Rio de Janeiro como um povo acolhedor, onde as religiões se entendem."

Entre os presentes, estavam o rabino Elia Haber, o monge budista Jyun Sho Yoshikawa, o teólogo muçulmano Jihad Hammadeh e Raga Bhumi Devi Dasi, pioneira do movimento Hare Krishna no Brasil. 

"Esperamos conseguir prover este balanço entre o físico e o espiritual. É muito importante para o atleta trabalhar isso", comentou Haber, que será capelão na Vila Olímpica, aberta a partir de 24 de julho para atletas e representantes dos comitês Olímpicos.






Desconhecimento sobre crenças aumenta intolerância religiosa/TO


Na última roda de conversa sobre o tema, realizada na segunda-feira, 20/06, na Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE), foi exposta a necessidade de ampliar o debate, com relatos de situações de intolerâncias religiosas que as pessoas passam.

O desconhecimento ou a falta de informações sobre as correntes religiosas podem ser a causa da intolerância contra as crenças. 

No Tocantins, o Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa, entidade vinculada à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), tem provocado essa discussão, seja em reuniões públicas e rodas de conversas, momentos estes em que féis islâmicos, judeus, candomblecistas, católicos, protestantes e demais religiões, bem como professores, estudantes e agnósticos do Estado discutem o respeito à diversidade religiosa através do conhecimento básico das religiões e troca de experiências. 

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 64,6% da população se declarou católica no censo realizado em 2010, enquanto 22,2% se declararam evangélicos, ou seja, os cristãos representam 86,6% dos brasileiros. 

Entretanto, apesar dos cristãos serem a maioria, o percentual restante, os 13,4%, mostra a tamanha diversidade de correntes no país, resultantes de inúmeras influências culturais, sincretismos e crenças, que enriquecem a humanidade.

Não há dúvida que há uma diversidade religiosa no Brasil. O Censo 2010 do IBGE mostra isso: 

Espírita, 2%; Testemunha de Jeová, 0,7%; Umbanda, 0,2%; Budismo, 0,13%; Candomblé, 0,09%; Novas Religiões Orientais, 0,08%; Judaísmo, 0,06%; e Tradições Esotéricas, 0,04%. 

Mas até que ponto as pessoas conhecem bem essas outras crenças? Para o Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa, a falta de conhecimento que leva a discriminação.

Quando não se sabe o que prega cada religião se torna mais fácil discriminá-la. Por isso, segundo uma das representantes do Comitê e assessora técnica da Seciju, Bárbara Risomar, a público-alvo a se alcançar nas reuniões são os servidores e estudantes da educação, seja Básica, Fundamental, Médio e Superior. 

"É da educação que mais recebemos reclamações de intolerância religiosa, até mesmo com os mais novos. Por isso, precisamos levar para lá esse debate, para que desde cedo aprendam que existe uma grande diversidade religiosa e é preciso respeitá-la", afirmou.

Na última roda de conversa sobre o tema, realizada na segunda-feira, 20/06, na Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE), foi exposta a necessidade de ampliar o debate, com relatos de situações de intolerâncias religiosas que as pessoas passam, principalmente por desconhecimento da maior parte da sociedade sobre as respectivas religiões.

A representante do Islã, Rosângela Bazaia, deu um breve panorama de como o Islamismo surgiu e a sua enorme contribuição para o Brasil. 

"O Islã trouxe muita coisa boa para nós, brasileiros, além de sermos a religião que mais cresce em adeptos no mundo. Por não nos conhecerem, muitos acabam sendo intolerantes conosco e nos discriminando", lamenta.

A professora da Educação Superior e adepta ao Candomblé, Maria Aparecida de Matos, ensina cultura afrodescendente para universitários e aproveitou o momento para pautar a sua forma de trabalhar. 

"Eu tomo todo o cuidado para não ofender as pessoas de diversas religiões nas minhas turmas de alunos. Sempre procuro escolher textos que não ofendam outras religiões, mas que mostrem o como é a nossa cultura e a nossa religião. Eles precisam conhecer para enxergarem mais a diversidade como algo bom", explica.

Para o professor de cultura religiosa da Educação Básica, Maurício Santos da Luz, a religião é um fenômeno social como vários outros. 

"No entanto, a maioria das pessoas só olha para si, para seu próprio modo de viver, para a sua religião, sem enxergarem as demais, o que dificulta muito o combate à intolerância", ressalta.

A mãe-de-santo (Yalorixá) Tânia Cavalcante afirmou que esse é um espaço conquistado pela sociedade civil. 

"Nós conseguimos criar esse comitê e ele é o lugar ideal para pensarmos juntos no combate à intolerância religiosa. Essa roda de conversa nos mostrou quantos desafios teremos pela frente, mas trabalharemos juntos em formas de disseminar uma cultura de paz, trabalhando como uma forma íntima e única de devoção ao seu deus e deuses", disse.

Ações

A próxima ação do Comitê Estadual será uma reunião aberta à comunidade, em Araguaína, com foco nos professores e estudantes. 

"O debate precisa chegar à sociedade como um todo. Sabemos disso, e a melhor forma de disseminar essa discussão é através dos educadores e dos educandos, que aprendem e ensinam, como uma via de mão dupla", conclui. 

Além disso, o Comitê prevê ações futuras nas escolas de todos os níveis e comunidades, bem como a promoção ao conhecimento das diversas religiões com cartilhas, encontros, dentre outros.






quarta-feira, 22 de junho de 2016

500 anos de protestantismo – Por Teobaldo Witter


Por certo, em muitos lugares no Brasil e na maioria dos países, está acontecendo um movimento chamado 500 dias para os 500 anos. 


Por exemplo, na BR116, São Leopoldo, RS, foi colocado o relógio que fará a contagem regressiva dos 500 dias para os 500 anos da Reforma Luterana. O marco está próximo ao viaduto da rodoviária, no Marco Zero da Rota Romântica. 

Entende-se que no dia 18 de junho de 2016 inicia a contagem de 500 dias para os 500 anos da Reforma Protestante, que será celebrado no dia 31 de outubro de 2017.

No século XVI, foi constituído, na Europa, um movimento cultural chamado Renascimento. Foi uma época de transição entre a Idade Media e Idade Moderna. Seu impacto foi fortemente percebido na Itália, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Portugal e outros países. 

Você conhece o famoso quadro de Leonardo da Vinci? Já ouviu falar da capela Sistina, que foi pintada por Michelangelo? Assistiu ao filme Romeu e Julieta, ou leu os dramas de Hamlet, de Shakespeare? Se deu conta da época das longas navegações de travessia dos oceanos? 

Grandes mudanças foram realizadas. Nesta época, acontecem vários movimentos. Um deles é chamado de movimento religioso do Protestantismo.

O termo protestante vem do documento formal de protesto - Protestatio - que os luteranos apresentaram em uma assembleia em 1529, na chamada de Dieta de Spira. 

O movimento da reforma foi convocado pelo imperador Carlos V, com apoio dos príncipes, para a deliberação de acusação de heresia e proscrição do movimento luterano. 

Os luteranos protestaram, negando a heresia. E, no dia 24 de junho de 1530, apresentaram as teses de sua fé, conforme o documento chamado Confissão de Augsburgo, na Alemanha. Como o protesto se popularizou, os evangélicos luteranos foram identificados como os protestantes.

Ainda sobre o período Renascentista, é fato que foi um grande furacão de ideias que veio a Europa. Atingiu em cheio, a vida e os valores do ocidente, na arte, na cultura, na linguagem, na economia, na psicologia, na filosofia, a antropologia. O ser humano passou a ser a medida de muitas coisas.

A Reforma Luterana Protestante é apenas um destes movimentos da época. Mas é importante. Em termos práticos, a igreja se posicionou contra a venda das indulgências, e a favor da salvação por Fé e Graça. 

Introduziu em suas comunidades a educação pública e universal, o ensino das línguas, do direito e da história. Traduziu a bíblia do latim para a língua do povo para que todos pudessem lê-la e dar a sua opinião.

A Igreja Protestante Luterana, profundamente ecumênica, está presente em todos os municípios do Brasil. Entende que os membros dão o testemunho cristão através dos seus dons que receberam de Deus. 

Estão vivendo e atuando nas esferas públicas, sistêmicas e no mundo da vida. Estão presentes, também, na política, mas, por uma questão de consciência, tem atuação discreta e firme, pois, não se identificam com as bancadas evangélicas, apesar de serem, também, evangélicos.

* Teobaldo Witter, pastor na Igreja Evangélica de Confissão Luterana e professor.




terça-feira, 21 de junho de 2016

Entidades ligadas à Igreja Católica em Manaus discutem reordenamento da saúde – Por Silane Souza



A Cáritas de Manaus e as Pastorais Sociais apresentam o motivo de serem contra o 'reordenamento' da Rede de Atenção em Saúde, em fase de implementação pelo Governo do Estado.

A Cáritas de Manaus e Pastorais Sociais, entidades ligadas à Igreja Católica, realizarão nesta quarta-feira (22/06), a partir das 9h, uma coletiva de imprensa para apresentar o porquê de serem contra o “reordenamento” da Rede de Atenção em Saúde, em fase de implementação pelo Governo do Estado

Na ocasião, também vão estar presentes representantes de comunidades que tem unidades que sofrerão alteração em seu perfil de atendimento, além de movimentos sociais e profissionais da saúde.

De acordo com o vice-presidente da Cáritas de Manaus, padre Orlando Gonçalves Barbosa, a igreja e as organizações envolvidas vêm travando lutas contra as injustiças que atingem toda a população, principalmente os menos favorecidos e esta será uma oportunidade de falar a respeito do reordenamento que prejudica a muitos que precisam de assistência à saúde. “Nós temos consciência que essas mudanças não estão sendo feitas da maneira correta”, comentou.

O padre afirmou que da forma como o reordenamento foi apresentado pelo governo é inconstitucional e fere os princípios da defesa de direitos da população usuária do sistema. Conforme ele, a lei determina que haja um amplo e participativo processo de discussão envolvendo os usuários afetados e não apenas o Conselho de Saúde, coisa que não aconteceu. 

“Tem que haver mudança na saúde, mas não ‘reordenamento’, que é uma estrutura própria a ser tomada em caso de guerra ou terremoto”, lembrou.

A igreja quer criar um diálogo mais profundo com a sociedade como um todo, de acordo com padre Orlando. 

“Parece que está tudo ok, tudo bonito, mas a realidade do Amazonas é diferente. Falta saneamento básico e as pessoas ainda morrem de doenças endêmicas. A saúde precisa ser vista com outro olha. Na coletiva vamos apresentar elementos concretos que mostram essa realidade e convocar a sociedade para um momento de audiência para que a população seja escutada”, frisou.

No dia 30 de maio, a Cáritas de Manaus e Pastorais Sociais realizaram uma caminhada contra o que chamou de “desajuste da saúde”. A concentração foi em frente à Susam, onde ocorria a primeira reunião do Conselho Estadual de Saúde sobre o assunto. O objetivo era fazer com que a entidade não autorizasse a implantação do reordenamento, que prejudica principalmente os mais pobres além de crianças, mulheres e idosos, na opinião da igreja.

Audiência

Na terça-feira (21/06), Cáritas de Manaus, Pastorais Sociais, sociedade civil, entre outros, participaram de uma audiência pública realizada pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal (MP-AM e MPF, respectivamente) para discutir o reordenamento da rede estadual de saúde pública da capital. 

“O objetivo foi conhecer a fundo o plano de reestruturação da saúde e tirar dúvidas não apenas da população, mas também do Ministério Público”, disse a promotora de Justiça Cláudia Câmara.

Conforme ela, o MP-AM monitora o reordenamento desde o mês de maio, por meio de um inquérito civil. Várias unidades de saúde incluídas no plano da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) já foram inspecionadas pelo MP-AM. 

“A audiência veio ajudar a direcionar o nosso trabalho dentro do inquérito já instaurado e poderá indicar as novas medidas a serem tomadas nessa investigação”, afirmou.

A audiência foi organizada pela 54ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública do MP-AM e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF. A sessão foi realizada durante a tarde na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, na Zona Oeste.






O Islã não pode ser reformado. Algo na teoria e na vivência dessa religião dificulta uma reforma - Por Tarek Abi Samra



O fundamentalismo islâmico estende o tapete vermelho ao terrorismo? Conseguirá o Islã abdicar das interpretações extremistas? 

Não há reconciliação possível entre o Islão e a modernidade ou o Ocidente, defende nesta entrevista o escritor e filósofo libanês Ali Harb.

Que relação tem o Islão com o terrorismo que grassa pelo mundo?

Desde os ataques do 11 de Setembro (as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova York) esta pergunta surge muitas vezes em destaque na imprensa e provoca polêmicas inflamadas, senão mesmo manifestações de ódio. Há quem argumente que o terrorismo é uma aberração, sem ligação ao Islã enquanto tal; a estes chamam-lhes cegos. Outros acreditam que se trata de uma religião intrinsecamente violenta; a estes costumamos apelidar de islamofóbicos.

Ambas as partes invocam este ou aquele versículo do Corão, procurando assim demonstrar ora a barbárie do Islão ora a sua natureza tolerante. Mas isso é esquecer que uma religião nunca pode ser reduzida a um livro fundador, uma vez que é sobretudo uma prática milenar que cristalizou num grande número de instituições e de formas culturais; seria como remeter todos os regimes comunistas apenas para O Capital, de Karl Marx.

Ali Harb recusa-se a fazer este tipo de regresso aos textos fundadores, para aí descobrir a essência da religião. Segundo este escritor e filósofo libanês, uma simples leitura do Corão mostra que esse livro sagrado tanto diz tudo como o seu oposto.  Será, pois, necessário adotar um método diferente, abordar o Islã de uma perspectiva: como doutrina de salvação, isto é, como um sistema de pensamento que se afirmar detentor da verdade absoluta, à semelhança do cristianismo e do judaísmo, bem como das “religiões políticas” do século 20, como o comunismo ou o fascismo.

Semelhante abordagem revela um potencial terrorista muito real, inerente ao Islã, ideia que Harb desenvolve no seu mais recente livro, Al-Irhab sunna’ihi wa Al-Murshed, Al –Taghiya, Al-Muthaka (O terrorismo e os seus criadores: o pregador, o tirano e o intelectual), Arab Scientific Publishers, 2015).

A definição implícita de terrorismo por trás das teses do seu livro parece bastante ampla e aplica-se tanto a atos de violência como a sistemas filosóficos...

É verdade. Considero que o terrorismo é essencialmente uma atitude intelectual, a do homem que acredita ser o único detentor de uma verdade absoluta, o único autorizado a emiti-la. Essa verdade pode ser no domínio social, religioso, político ou moral; pode ter que ver com Deus, a nação, o socialismo, a liberdade ou o humanismo.

O terrorismo é também uma forma de agir: quem acredita ser o único possuidor da verdade comporta -se em relação ao outro, ao diferente ou ao antagonista, segundo uma lógica de exclusão, seja a nível simbólico através do takfir(declaração de apostasia)  e da excomunhão, ou outras declarações de traição - seja ao nível físico - exílio ou assassínio. O lema do terrorismo é: pensa como eu, senão acusa-te e condeno-te. É neste sentido que o terrorismo é praticado pelo pregador que tem um projeto religioso, pelo tirano com um projeto político, ou pelo intelectual impulsionador de um projeto revolucionário para transformar a realidade. O pregador excomunga, o tirano condena e declara qualquer um traidor, o intelectual teoriza e o militante ou o jihadista atuam ou matam.

O terrorismo islâmico tem sido influenciado pelos regimes totalitários?

Os impulsionadores de novos projetos religiosos foram influenciados, sem dúvida, pelos exemplos de Franco, Hitler ou Mussolini, pela sua forma de governar e as suas técnicas para controlar os homens, através da mobilização e da sua reformatação, de modo a criar um rebanho que reproduza incansavelmente a mesma ideia feita. Esse dualismo do dirigente endeusado e da população que o adora é uma criação relativamente recente. Os regimes totalitários, independentemente da modernidade e secularismo dos seus projetos, são uma reminiscência do pensamento religioso, como evidencia a sacralização das respectivas doutrinas e a criação da figura do líder único.

Em que sentido você afirma que um muçulmano moderado e tolerante é coisa que não existe?

Qualquer religião monoteísta, por definição, é um reservatório inesgotável de práticas violentas. É uma das suas inesgotáveis potencialidades, uma espécie de vírus alojado no interior dos seus genes culturais. Sendo a religião baseada na exclusão do outro, leva ao dualismo entre o crente e o ímpio, o fiel e o apóstata. É impossível entender a questão de outra forma. No lslã, a violência é agravada por um dualismo adicional, o da pureza e da impureza. É o grande escândalo do pensamento religioso islâmico: o não muçulmano é um ser conspurcado, impuro; é uma das formas mais vis de violência simbólica. Daí a minha afirmação de que não há muçulmanos moderados ou tolerantes que sejam fiéis aos dogmas e às práticas da sua religião, a menos que sejam hipócritas, ignorantes da sua doutrina ou tenham vergonha desta.

O exemplo mais flagrante é a relação entre sunitas e xiitas. Após séculos de conflitos e de hostilidade, a coexistência pacífica destes dois grupos resulta, não de pretensos valores de moderação e de tolerância inerentes às suas doutrinas, mas devido à integração de uns e de outros em instituições da sociedade moderna: a escola, a universidade, o mercado, a empresa... Sempre que um dos lados regressa à doutrina original, o conflito eclode de novo, de uma maneira cada vez mais cruel e destrutiva. Isto leva-me a dizer que estamos na presença de duas “religiões” mais hostis entre si do que em relação ao Ocidente ou a Israel.

Você defende que as religiões só se tomam tolerantes depois de derrotadas. A única solução para as nossas sociedades seria derrotar o lslã, como a Europa derrotou o cristianismo durante o Século das Luzes? Ou pode o lslã ser reformado?

O lslão não pode ser reformado. As tentativas de reforma que se sucederam ao longo de um século, no Paquistão, no Egito ou noutros lugares, falharam todas e só geraram modelos terroristas. É por isso que não confio na renovação do discurso religioso, propalada por alguns muçulmanos e até mesmo por alguns leigos. A única saída é a derrota do projeto religioso tal como é encarnado pelas instituições e poderes islâmicos, com as suas ideias mumificadas e métodos estéreis. Além disso, sou muito crítico em relação ao conceito de tolerância, um dos escândalos do pensamento religioso em geral, uma vez que implica uma espécie de indulgência por parte do crente para com o outro diferente dele. O primeiro acredita piamente que o outro é um pecador, um ímpio e um renegado, senão mesmo uma vergonha para a Humanidade. A tolerância anula, assim, qualquer possibilidade de diálogo; só o pleno reconhecimento do outro permite que alguém quebre o seu narcisismo e entre em diálogo com ele.

O atual incremento do terrorismo poderá ser entendido como um sinal de dinamismo e vitalidade do Islã?

Falar de vitalidade do fenômeno religioso recorda uma frase famosa atribuída a André Malraux sobre o “regresso da religiosidade”. A religião está, manifestamente, ressurgindo. Mas é um retorno assustador, que transformou o jihadista num monstro e num carrasco. Não convém deixar-se enfeitiçar por palavras como “regresso” ou "vitalidade".

Qualquer fenômeno ou atividade tem dois aspetos: uma coisa que começou por ser benéfica, pode degenerar e produzir efeitos nocivos, se não conseguirmos modificá-la e fazê-la evoluir. É o que está acontecendo na França: o seu modelo social e econômico, o melhor da Europa, desgastou-se e precisa ser renovado, coisa que a França parece incapaz de fazer. Assim, considero que o projeto religioso do lslã, tal como foi reformulado há mais de um século, não exibe nem vitalidade nem criatividade; está reduzido a uma simples regressão ao passado, a uma reação motivada pelo desejo de vingança contra o Ocidente que acordou a civilização islâmica da sua letargia.

Defendo igualmente que o projeto do Islã contemporâneo falhou em toda a parte onde os islâmicos tomaram o poder, e em que organizações terroristas, como o Estado Islâmico e outras semelhantes, trabalham na sua própria destruição e na do projeto religioso em geral. Quero dizer com isso que as sociedades árabes necessitam de atravessar todas as calamidades, desastres, massacres e guerras civis para se convencerem de que o lslã já não é válido para construir uma civilização desenvolvida e moderna. Não há reconciliação possível entre o lslã e a modernidade ou o Ocidente.

Por que você diz que as elites intelectuais contribuíram para a ascensão do fundamentalismo religioso?

Contribuíram de duas maneiras. Em primeiro lugar, através do fracasso dos seus projetos de modernização e reforma. A sua atitude era utópica. Comportaram-se de uma forma simplista em relação às ideias que propunham, tomando-as por verdades absolutas, modelos preestabelecidos, sem necessidade de qualquer modificação para poderem ser aplicadas à realidade. Ora, uma ideia, ao transitar de uma sociedade para a outra, deve passar por uma espécie de transformação criativa, a fim de ser eficazmente posta em prática em qualquer domínio. Em segundo lugar, alguns intelectuais apoiaram regimes despóticos, nas versões secular ou teocrática, a pretexto de que lutavam contra a hegemonia dos Estados Unidos. O mais famoso dos que defenderam essa posição é provavelmente Chomsky, que considera que a credibilidade do intelectual se mede em função da sua oposição à política norte americana.

Assim fazendo, eles iluminaram o caminho para muitos intelectuais árabes, que assim se atiraram nos braços dos tiranos.






quinta-feira, 16 de junho de 2016

Estado Islâmico está cometendo genocídio contra etnia yazidi, diz ONU


Grupo étnico-religioso reúne 400 mil pessoas na Síria e no Iraque. Crenças yazidis misturam várias religiões antigas do Oriente Médio.

O Estado Islâmico está cometendo genocídio contra os yazidis na Síria e no Iraque na tentativa de destruir o grupo étnico-religioso de 400 mil pessoas por meio de assassinatos, escravidão sexual e outros crimes, disseram investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (16/06).

 As crenças yazidis misturam componentes de várias religiões antigas do Oriente Médio. O relatório da ONU, baseado em entrevistas com dezenas de sobreviventes, afirmou que os militantes islâmicos vêm capturando yazidis na Síria e no Iraque sistematicamente desde agosto de 2014 e procurando "apagar sua identidade" em uma campanha que se encaixou na definição do crime tal como ele é, definido na Convenção do Genocídio de 1948.

"O crime de genocídio deve desencadear uma ação muito mais contundente no nível político, inclusive no Conselho de Segurança (da ONU)", disse o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a comissão de inquérito, em comunicado.

Vitit Muntarbhorn, membro da comissão, disse que a organização tem "informações detalhadas de lugares, violações e nomes dos perpetradores" e que começou a compartilhar dados com algumas autoridades nacionais que estão processando combatentes estrangeiros.

Os quatro membros independentes da comissão exortaram as grandes potências a resgatarem pelo menos 3,2 mil mulheres e crianças ainda nas mãos do Estado Islâmico e para encaminharem o caso para o Tribunal Penal Internacional (TPI).

"O Estado Islâmico não fez segredo de sua intenção de destruir os yazidis de Sinjar (no Iraque), e esse é um dos elementos que nos permitiram concluir que suas ações equivalem a um genocídio", disse outra investigadora, Carla del Ponte. "É claro, enxergamos isto como um roteiro para os processos, para futuros processos".






O desafio de ser cristão nas Arábias – Por Olmes Milani



É importante não generalizar conceitos ou preconceitos a respeito da presença do Islã, seja no Oriente Médio ou nos países do Extremo Oriente da Ásia.

Obviamente, as ações dos grupos radicais, no Iraque e Síria alimentam as notícias das redes da grande mídia internacional, dando a impressão de que o islamismo é igual em todos os lugares.

Expatriados de muitos países que trabalham e moram nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait, Barhein, Qatar e Jordânia, respiram ares bastante diferentes. Certamente a experiência de praticar religiões que não sejam o Islã é muito diferente, se fizermos comparações com países de tradição e cultura cristãs.

Nos Emirados Árabes Unidos, a presença islâmica é avassaladora. São 5.251 mesquitas espalhadas sobre um território, relativamente pequeno, de 83.600 quilômetros quadrados.

Salas de oração, em centros e edifícios comerciais e parques, reforçam ainda mais a atmosfera islâmica do país. Em qualquer parte da cidade, é possível ouvir os chamados para a oração, cinco vezes por dia, emitidos pelos poderosos sistemas de amplificação.

De acordo com o Research Center's Religion & Public Life Project: United Arab Emirates de 2010 , dos quase 10 milhões de habitantes, 77% são islâmicos, 10% católicos, 4% hinduístas, 2% budistas e 7% outras religiões ou nenhuma.

Uma das preocupações comuns de quem vem morar por esses lados, e não é muçulmano, refere-se à prática de sua religião.

"Será que é proibido seguir outra religião?". "Será que existem igrejas cristãs?". "Como será a vida de um cristão em um país muçulmano?". Estas são as perguntas mais frequentes.

Os governantes dos Emirados Árabes Unidos e a mídia, sempre que uma ocasião se apresenta, manifestam seu orgulho de serem considerados um país aberto e tolerante com as outras religiões.  As igrejas cristãs e templos no país são construídos em terras generosamente doadas pelos governantes de cada Emirado.

Atualmente, em todo o país, são 8 os locais destinados às igrejas e templos. Todas as atividades relacionadas com o culto e doutrinação devem ser realizadas, nas dependências das instituições religiosas.

As igrejas não têm permissão para exibir cruzes ou colocar sinos acima do teto. As construções devem ser baixas sem a opulência das igrejas cristãs de outros países. Quase todas a igrejas católicas estão funcionando no limite de sua capacidade.

Além de usar todos os espaços internos dos edifícios, algumas delas levantaram grandes tendas para abrigar os frequentadores do sol, sob as quais participam das funções religiosas, transmitidas por telões.

Por ser um país islâmico cujo feriado semanal é a sexta-feira, as atividades religiosas dos cristãos e outras religiões sucedem neste dia em vez do domingo.

Para atender o maior número de participantes, são celebradas até 15 missas, numa sexta-feira, em 9 ou mais línguas. A curiosidade é que a liturgia dominical é celebrada nos três dias, sexta, sábado e domingo.

A Igrejas Anglicanas, além de edificarem seus lugares de culto, multiplicaram salas para acolher grupos cristãos que não possuem estrutura própria.

Aos estrangeiros e cidadãos locais, respeitar o Islã é tido como obrigatório. Blasfemar ou cometer sacrilégio contra qualquer religião é profundamente ofensivo.

O descumprimento dessas regras pode resultar em prisão ou deportação, previstas pela Constituição do país. O proselitismo com a intenção de converter muçulmanos é proibido, mesmo que seja praticado de maneira inconsciente.

O ensino de qualquer religião que não seja o Islamismo não é permitido, em escolas públicas. Por causa dessas questões, é importante ficar atento às manifestações de fé em público; por exemplo, colocar terços ou adesivos de cunho religioso no carro e usar vestimentas ou acessórios que "denunciem" a sua crença, como as camisetas com imagens de santos e crucifixos. Isso é considerado como proselitismo.

Os muçulmanos têm muita dificuldade de aceitar qualquer ideia religiosa que não seja estritamente monoteísta. Embora não concordem com a definição de Deus Uno e Trino, os cristãos são bem vistos, por serem considerados "do Livro", uma forma que se refere aos cristãos e judeus, por serem monoteístas.

* Missionário Pe. Olmes Milani CS.





segunda-feira, 13 de junho de 2016

Evento inter-religioso pede a governos e países que cuidem do meio ambiente – Por Alana Gandra


O Aterro do Flamengo foi palco no dia 12/06 de um evento inter-religioso, aberto ao público, o Sacred Earth 2016, que integra uma ação global em prol do clima, adotada por cerca de 40 países e mais de 130 grandes cidades, entre as quais o Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil.

Segundo o teólogo Clemir Fernandes, coordenador institucional do Instituto de Estudos da Religião (Iser), um dos organizadores do evento, a iniciativa reúne ambientalistas e religiosos para lembrar os seis meses da assinatura do Acordo de Paris contra alterações climáticas, em dezembro do ano passado, e conscientizar os governos de que o acordo precisa de legislações locais para ter sentido de fato.

“Não basta assinar um acordo em Paris se isso não é efetivado com políticas nacionais. É um empenho de lembrar o que aconteceu e os seis meses que faltam para a vigésima segunda sessão da Conferência das Partes (COP 22), da Organização das Nações Unidas (ONU), no Marrocos, em novembro deste ano”, informou o teólogo. 

O evento mostra a urgência de ratificação do Acordo de Paris, que só entrará em vigor quando for assinado por um total de países que representem pelo menos 55% das emissões globais dos gases de efeito estufa.

O Sacred Earth lembra o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último dia 5, e o aniversário de um ano do lançamento da encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, primeira da história da Igreja Católica a falar sobre meio ambiente. Esse conjunto de fatos mobilizou religiosos e não religiosos a promover o evento deste domingo, disse Fernandes.

“O objetivo é mobilizar a sociedade para essa temática do clima. A luta é para que a temperatura do planeta não aumente mais de 1,5 grau Celsius até 2050”.

Fernandes salientou que o objetivo é que governos, empresas e países possam se mobilizar em torno de uma agenda que construa, de modo efetivo, a possibilidade de a temperatura não aumentar dois graus, porque isso comprometeria a vida de todas as espécies animais e das pessoas mais pobres. Foi feito também um apelo pela ratificação do Acordo de Paris pelo Congresso Nacional, que se repetirá antes da COP 22, em novembro.

O secretário-executivo regional da Federação Universal dos Movimentos Estudantis Cristãos da América Latina e Caribe (Fumec ALC), Marcelo Leites, protestante, disse haver muita relação entre o meio ambiente e o cuidado da “casa comum”, como muitos religiosos chamam a natureza, no sentido ético, moral, porque o mandato comum que as religiões têm eventualmente pode diferir entre si na decisão de como fazer determinada coisa ou de como religar os homens com Deus.


O sacerdote da Casa do Perdão, André Meireles, destacou que, como a religião espírita umbandista tem uma ligação estreita com o meio ambiente, porque recebe ensinamentos dos ancestrais indígenas e africanos, “por si só a vida deles já nos ensina o respeito à natureza”.

 A entidade participa há sete anos do Movimento Umbanda do Amanhã (Muda) e, com outros terreiros, desenvolve atividades anuais de mutirão de limpeza de cachoeiras e parques.




Câmara Municipal de Taboão realiza Fórum de Liberdade Religiosa


Na noite de segunda-feira, dia 06/06, o vereador André da Sorriso recebeu líderes religiosos na Câmara Municipal de Taboão da Serra para a 92ª edição do Fórum Paulista de Liberdade Religiosa e Cidadania. 

Mais de 80 pessoas compareceram ao evento mesmo com a forte chuva que atingiu a região.

Foram recebidos representantes de algumas religiões como Adventistas, Católicos, Umbandistas, Budistas e representantes de outras igrejas evangélicas. Debates sobre a liberdade religiosa e o papel que cada cidadão têm para que este direito seja garantido foram feitos durante todo o evento.

Estavam presentes o Diretor de liberdade religiosa e assessor jurídico da Igreja Adventista do Estrado de São Paulo, Dr. Alcides Coimbra, Diego Barreto, que é diretor da divisão de liberdade religiosa da região sul da Igreja Adventista, Pai José Siqueira, representando a Umbanda, Pedro Francisco dos Santos, do Budismo e o Monsenhor Aguinaldo do Santuário Santa Terezinha representando os católicos. Tornando o evento ainda mais bonito, vários jovens e adolescentes do grupo de “Desbravadores” da igreja Adventista participaram do evento.

“Estou em Taboão da Serra há 53 anos. É a primeira vez que vejo uma reunião de pessoas de religiões diferentes falando sobre liberdade religiosa. Acredito que Deus é um só, e tanto os sacerdotes da Umbanda, quanto os pastores evangélicos tem um único objetivo, levar as pessoas que nos procuram a ficarem mais próximas ao Pai”, disse Pai José Siqueira.

“O Budismo tem como princípio o respeito da divindade da vida humana e a liberdade religiosa, assim, respeita todas as crenças religiosas e procura diálogo entre elas, enfatizando a compreensão mutua entre diversos seguimentos religiosos para uma sociedade mais harmoniosa e humanitária”, explicou Pedro Francisco dos Santos.

O Dr. Alcides Coimbra parabenizou o vereador Dr. André da Sorriso por suas iniciativas em prol da liberdade religiosa em Taboão da Serra, destacando as leis do dia do adventistas, do abono de faltas escolares, dia da liberdade religiosa, e  lei da não realização de concursos públicos aos sábados na cidade.  

“Nós representamos 25% da população do mundo que vive em um país com liberdade religiosa, e esquecemos que os outros 75%, não vivem assim. Precisamos lutar pela liberdade religiosa e estar atentos para erguer a nossa voz em protesto e ter debates como este, pela conscientização”, discursou.

O prefeito Fernando Fernandes também esteve presente no Fórum. “A religião é um braço cultural, e o Brasil tem uma diversidade cultural muito grande, então nós temos braços culturais de várias manifestações religiosas na nossa cultura, como a Umbanda que foi trazida pelos africanos, e nos falta sabedoria pra aceitar esses braços culturais e é isso o que acontece em debates como este”, disse.

O vereador agradeceu a presença de todos e falou sobre a causa da liberdade religiosa. “Essa questão de liberdade religiosa vai de encontro com a liberdade do cidadão que está na Constituição. Temos que orar e vigiar para que nossos diretos sejam respeitados, então como está na bíblia temos que orar e vigiar”, ressaltou.

Reconhecimento

Ao final do Fórum, Dr. André recebeu homenagem da Igreja Adventista. “Foi uma grande honra ser agraciado, foi uma surpresa muito boa. Nossa luta pela Liberdade Religiosa continuará sempre e precisamos que mais lideranças aqui em Taboão da Serra e em outras cidades abracem essa causa”, concluiu.





sexta-feira, 10 de junho de 2016

Encontro religioso pede paz entre islã, judaísmo, budismo e cristianismo



Mais de 80 autoridades, embaixadores e representantes dos 40 países que fazem parte da Rota da Seda participaram nesta sexta-feira, em Valência, de um apelo conjunto à oração (multaqa) pela paz das quatro principais religiões praticadas ao longo da rota: islamismo, judaísmo, budismo e cristianismo.

O encontro religioso aconteceu no Museu São Pio V, durante o segundo encontro mundial da plataforma digital Rota da Seda, organizado pela Unesco e que chegará ao fim no próximo domingo.

O secretário regional do Turismo, Francisco Colomer, comentou sobre o projeto da nova Rota da Seda. "Historicamente fomos capazes de resolver nossas diferenças com violência, mas agora podemos fazer de outra maneira, temos que buscar no acervo de nossas culturas", afirmou.

"Na linguagem, encontramos conceitos como a cruzada, guerra santa, o povo escolhido, pureza de sangue, inquisição ou xenofobia, mas também é possível explorar nas mesmas culturas e encontrar noções como aliança, harmonia, concórdia ou miscigenação. Temos que procurar conversar sobre a melhor versão da condição humana", ressaltou Colomer.

O embaixador do Cazaquistão na Espanha, Bakyt Dyussenbayev, ressaltou o aprendizado que se pode ter com a Rota da Seda. "Foi um fenômeno econômico, político, cultural e inclusive religioso de onde podemos aprender várias lições", apontou.

Em seu discurso, o diretor do Museu São Pio V, José Ignacio Casar, destacou o valor simbólico do encontro religioso realizado no local e concordou com Colomer quando falou sobre as "situações de expulsão e retirada a força da população atualmente no Mediterrâneo".

O Museu Valenciano da Ilustração e a Modernidade (Muvim) receberá amanhã a sessão de encerramento, onde discursará o ex-diretor-geral da Unesco Federico Mayor Zaragoza.