sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Faculdade de Teologia/Braga-PT promove debate sobre a «vida e a fé» nas novas tecnologias e nos dispositivos digitais


O polo regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa vai organizar as jornadas 

‘Do clique ao toque: o diálogo entre a vida e a fé nos dispositivos digitais’


A 23 de caneiro de 2016, na Faculdade de Teologia. “Embora vulgarmente se afirme que as novas tecnologias não têm espaço para as religiões, a experiência atual mostra o contrário, acrescentando até uma alteração no modo como a busca e a expressão das questões religiosas se processam”, contextualiza a organização.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, informa que a jornada de estudo vai tentar responder a várias questões como: “A utilização das novas tecnologias altera o modo como se acede, processa e exprime aquilo em que se acredita? Como é que as comunidades de sentido tradicionais são afetadas pelas comunidades digitais e até que ponto influenciam a vida religiosa?”

Neste contexto, as jornadas ‘Do Clique ao Toque’ começa com a conferência ‘Os dispositivos digitais na configuração do crer’ pelo professor Jorge Sierra Canduela, Santiago de Compostela, a partir das 10h00, no dia 23 de Janeiro de 2016, no Auditório São Tomás de Aquino.

Depois o primeiro painel: "Redes Sociais Digitais", conta com a participação de Bento Oliveira, do projeto ‘iMissio’; Luís Silva, do ‘ABC da Catequese’ e Miguel Mendes do sítio ‘Cristo Jovem’, às 11h30.

‘Identidades e narrativas digitais’ é o nome do segundo painel, a partir das 15h00, que conta com o padre Marcelino Paulo Ferreira do ‘Laboratório da Fé, da Diocese de Braga; o padre António Valério, dos projetos “Passo a Rezar’ e ‘Click to Pray’.

Esta sessão conta também com as intervenções de Paulo Rocha, diretor da Agencia ECCLESIA, e do diretor do Departamento Arquidiocesano de Braga para a Comunicação Social, o padre Tiago Freitas.

As jornadas ‘Do clique ao toque: o diálogo entre a vida e a fé nos dispositivos digitais’ encerram com a conferência: “A Igreja na aldeia global”, que será proferida pelo vice-presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, o padre Américo Aguiar.

A organização assinala que o encontro destina-se, principalmente, a “utilizadores da Web em contexto pastoral”, divulgadores e criadores de recursos digitais para a educação da fé e já aceitam inscrições.




"Se não fizermos nada, incentivamos a islamofobia", diz muçulmano brasileiro – Por Marcelo Freire e Vinícius Boreki



Um simples véu cobrindo a cabeça, chamado hijab, é ao mesmo tempo um símbolo da fé e da preocupação das muçulmanas brasileiras, especialmente após os atentados em Paris que deixaram 130 mortos. 


Isso porque o hijab, em tese, as identificam como adeptas do islamismo, o que, segundo o pensamento de algumas pessoas que buscam alvos para espalhar ódio e intolerância, é sinônimo de terrorismo.

Na última segunda-feira (23/11), Luciana Schmidt Velloso e Paula Zahra relataram ter sido vítimas, respectivamente, de uma pedrada e uma cusparada nas ruas de Curitiba (PR), por serem muçulmanas. Isso sem contar os xingamentos comuns, relatados pela comunidade há algum tempo e intensificados após os ataques ao jornal francês "Charlie Hebdo", em Janeiro.

A orientação geral das entidades islâmicas do Brasil é que as vítimas do preconceito não deixem de relatar os casos à polícia, Ministério Público ou outro órgão competente. "É dolorido, mas necessário. Se não fizermos nada, estaremos incentivando a islamofobia", afirma Gamal Oumairi, diretor-religioso da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná e membro do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial. 

"Dizemos aos adeptos que sempre reajam da melhor maneira possível e, se a outra pessoa persistir, prestar queixa, frisando que é crime de intolerância religiosa, não injúria ou outro crime", diz Sami Isbelle, da Sociedade Beneficente Muçulmana do RJ.

Por outro lado, segundo o xeque Rodrigo Oliveira Rodrigues, da Mesquita do Pari, de São Paulo (SP), existe uma atenção constante para que se detecte qualquer indício de extremismo no discurso ou no comportamento dos fiéis brasileiros. "Somos contra qualquer discurso de violência, inclusive feito por muçulmanos. Se soubermos de alguém com essa linguagem, denunciaremos à polícia imediatamente."

Medo e preconceito

Uma população cujo número de adeptos no Brasil ainda é incerto, o Censo de 2010 registra cerca de 30 mil muçulmanos no país, mas a Federação das Associações Muçulmanas já a estipula em mais de 1 milhão, se une agora para denunciar crimes cometidos contra os fiéis, esclarecer pontos relacionados ao islamismo e, repetidamente, se dissociar de grupos como o autodenominado Estado Islâmico, que utilizam a religião para justificar atos terroristas.

"Infelizmente, após esse tipo de atentado, algumas pessoas que não têm muito conhecimento associam isso ao Islã. A mídia também tem dado destaque à palavra Estado Islâmico, e isso acaba ficando no subconsciente dessas pessoas, que nos agridem de forma verbal ou até física", diz Sami Isbelle.

"Não é nem Estado, é uma organização terrorista e nem Islâmico, pois vai contra os princípios do islamismo", acrescenta o xeque Rodrigues. "As pessoas acabam achando que o grupo representa o Islã e que todos os muçulmanos são recrutas. Pagamos uma culpa por algo que repudiamos. Somos vítimas também. O Estado Islâmico ataca mesquitas da Arábia Saudita, do Iêmen, Iraque, Turquia, Tunísia, no Líbano, mas não é tão notícia como quando acontece com os europeus", diz o xeque.

"É como culpar o católico pela Inquisição"

Segundo o xeque Rodrigues, o olhar desconfiado das pessoas com os islâmicos se tornou rotineiro. "O pessoal sai da fila do supermercado, se afasta, seguranças às vezes nos perseguem, cria-se esse sentimento de medo. Há relatos de pedras atiradas, ofensas, principalmente contra as mulheres, porque as pessoas acham que o Estado Islâmico faz o que a religião prega. Mas é o mesmo que culpar um católico pela Inquisição [grupo da Igreja Católica que, na era Medieval, combatia os hereges]."

Uma das duas agredidas em Curitiba, Paula Zahra evita pegar o ônibus em Curitiba por medo de agressões. "Quando pego, procuro ficar perto do motorista. E, normalmente, não pego o 'expresso' [que circula pelas faixas exclusivas] para evitar problemas", conta. Seu filho, de 9 anos, não foi à aula nos últimos dias devido a esses problemas. "Seus colegas dizem que a mãe dele é uma mulher-bomba", relata.

Oumairi, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, relata que o preconceito também está nas situações burocráticas do dia a dia. "Nesta semana, uma irmã teve que brigar para fazer a foto de sua carteira de habilitação com o véu. Essa é uma conquista que tivemos há dois anos no Paraná, mas ainda é preciso justificar."

Esclarecimento e solidariedade

A segunda frente em que as instituições islâmicas trabalham é no esclarecimento sobre a religião, se dissociando dos radicais que pregam a violência contra os não muçulmanos, no caso do Estado Islâmico, por exemplo, contra todos que não sejam sunitas ou não sigam as regras de conduta determinadas pelo grupo.

"Esse grupo é composto por mercenários, fanáticos, cuja orientação não está fundamentada no sagrado Alcorão. É realmente importante conhecer mais sobre o Islã, pois não se pode criticar sem conhecer profundamente os preceitos, o que o livro sagrado ensina", diz Nasser Fares, presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana e representante da Mesquita Brasil, que fica no bairro paulistano do Cambuci.

"Estamos proporcionando o acesso às informações corretas para que as pessoas tirem suas dúvidas e compreendam mais sobre a religião. Também ficamos perplexos. Não sabemos quem criou o Estado Islâmico, quem o financia, quem o apoia. É preciso pesquisar a origem para entender quais os reais interesses para dar um basta a tudo isso", afirma Fares.

Essa busca das pessoas para conhecer o islamismo, por outro lado, tem se transformado em um dos fatores que estimulam a conversão para a religião, segundo Fares, o que é motivado também pelo ambiente de tolerância religiosa que é visto no Brasil, apesar desses casos de islamofobia. "Aqui todas as religiões encontram espaço e podem se manifestar livremente. Este ambiente de tolerância prevalece sobre qualquer opinião ou manifestação negativa", diz.

"As pessoas começam a querer ir para a mesquita para entender se esse tipo de violência tem a ver com o Islã. E elas recebem material de leitura que mostram que esses atos não correspondem aos princípios islâmicos", afirma Sami Isbelle, que também relata o número de mensagens de solidariedade de não muçulmanos que criticam a islamofobia e o ataque à religião.

"É um fator novo e está dando um conforto para nós. As pessoas ligam, mandam mensagens e até vão para a mesquita dizer que sabem que não temos nada a ver com terrorista. Quando essas vozes começarem a se destacar em relação às que atacam, a islamofobia vai diminuir. Até porque o brasileiro é um povo que não gosta de injustiça e tem como característica a solidariedade. A gente sempre conviveu bem nesse sentido", finaliza Isbelle.