quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Natal é principal data religiosa para 91% dos marilienses – Por Marcelo Moriyama




Segundo historiadores, data celebrava o nascimento anual do Deus Sol, se tornando o dia do nascimento de Jesus pela Igreja Católica no século III.

O Natal no Brasil se tornou o período do ano em que mais se reúnem as famílias e amigos em torno de uma festividade. Se a data se confunde cada vez mais com a imagem comercial de Papai Noel, envolto à diversão e troca de presentes, na cidade esse dia ainda é considerado o mais importante do ano para as três principais religiões cristãs de Marília, a católica, as evangélicas e a espírita, que representam 91,8% da população da cidade.

Segundo historiadores, originalmente destinada a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), a festividade foi ressignificada pela Igreja Católica no século III para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano e então passou a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.

Mas no Brasil o Natal ainda mantém forte simbolismo religioso, pois ainda é a maior nação católica do mundo, com 64,6% de fieis (já foi 91,8% em 1970). Os dados são do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em Marília o número é um pouco menor, de 62,6% (135 mil) de católicos. Os evangélicos já são 25,3% (55 mil) e os espíritas 3,2% (7 mil). As três mais representativas religiões da cidade, que somadas formam a maioria cristã, de 91,1% dos marilienses. Os 9% de não cristãos em Marília não passam de 23 mil, entre budismo (1.743), islamismo (79), esoterismo (113), umbanda e candomblé (266) e com maioria sendo os sem religião (11.428). 

Para a católica fervorosa, legionária de Maria, o Natal é a mais importante data de sua religião, que celebra não só o nascimento de Jesus, como o fortalecimento da família. “Hoje tenho 82 anos e desde criança que rezo a novena de Natal, inclusive na véspera da ceia, todos os anos, junto de toda minha família. Tem ano que chega a reunir mais de 100 pessoas em torno da mesa, entre amigos e familiares”, Carmelita da Silva de Souza.

Celebrações envolvem 18 paróquias, 200 templos e 30 centros espíritas

Das duas maiores religiões, a maior, a católica, conta com 18 paróquias e cada uma oferece celebrações de missas é ritos em celebração ao Natal. Na Catedral de São Bento haverá missa às 19h30 do dia 24 e do dia 25. 

Depois vem a religião evangélica, com três subdivisões e 16 ramificações, se dividindo em mais de 200 templos. Cada uma oferece uma programação própria para celebrar o nascimento de Cristo. 

Já os espíritas kardecistas possuem 30 centros espalhados pela cidade e todos celebram o nascimento de Jesus, mas não com ritos e sim com estudos da bíblia.

O Bispo Dom Luiz Cipolino, líder católico local, ainda não proferiu sua mensagem de Natal deste ano. O Papa Francisco também não, mas em encontro com as famílias dos funcionários do Vaticano, no início da semana, já deu um pouco do mote do que deve enfatizar em seu segundo discurso natalino como pontífice. Segundo veiculado pela Rádio Vaticano: Papa Francisco destacou a importância do zelo familiar, incentivando a todos a zelar pelos maridos, esposas e filhos. 

O Papa afirmou que o matrimônio é como uma planta, uma planta que está viva e que precisa ser cuidada todos os dias. “Igualmente, a vida de um casal jamais deve ser dada por ‘óbvia’, em nenhuma fase...” e convidou a recordar que o dom mais precioso para os filhos não são as coisas, mas o amor dos pais, o amor entre eles em sua relação conjugal, “o que faz bem tanto a eles mesmos como a seus filhos”.

Já o presidente do Conselho dos Pastores de Marília, o Pastor Juliano Freire, o Juba, destaca que as diferentes denominações evangélicas interpretam de diferentes modos o Natal, uns celebrando mais, outros celebrando menos, mas todos em comum comemoram o dia do nascimento de Jesus Cristo.

“Para nós o Natal é como uma festa de aniversário e o aniversariante, o principal personagem da festa, é Jesus. Nessa época festejamos como todos os brasileiros, mas vemos a data como um grande dia para se glorificar a Deus e pedir paz na terra”.

A professora de espiritismo do centro Luz e Verdade, Silvia Shauer Valderramas, o espiritismo é uma filosofia e uma ciência que tem como base a religião cristã, o estudo dos ensinamentos de Cristo pela ótica mediúnica interpretada por Alan Kardec. "Para nós esta é também uma das datas mais importantes de nossa fé”.

Ela convida a todos para no dia 24 de Dezembro, às 20h, assistirem ao orador Jose Alfredo Santana, que apresentará a Palestra de Natal: Os Espíritas entenderam a missão de Jesus? “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai senão por mim”.





Aniversários dos nascimentos de Jesus Cristo e de Maomé celebrados quinta e sexta-feira


Os crentes das duas maiores religiões monoteístas do mundo celebram quinta e sexta-feira a festa do nascimento dos fundadores do islamismo e do cristianismo, uma proximidade de datas que não acontecia desde o século XVI.

Os cristãos seguem o calendário gregoriano que tem 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo enquanto os muçulmanos seguem o calendário islâmico, com 12 meses lunares e um ano de 354 ou 355 dias.

A festa islâmica, o Id Mawlid, aniversário do profeta, é celebrada no 12.º dia do terceiro mês do calendário muçulmano, cujo ano islâmico começa no Dia da Hégira, em que Maomé deu início à jornada de Meca a Medina, corria o ano de 622. (Notícia substituída porque as duas datas não são coincidentes)

Os meses muçulmanos seguem o calendário lunar, pelo que todos os anos se adiantam cerca de 10 dias ao solar, razão pela qual as principais datas do Islão, incluindo o Ramadão, são móveis e não coincidem com o calendário gregoriano.

Por seu lado, o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo num dia fixo e a universalização das celebrações já permitiu que todas as festividades saltassem o Mar Mediterrâneo para os países do norte de África, de maioria muçulmana, e encontraram eco sobretudo em Marrocos.

Alguns consideram tratar-se de uma colonização cultural, enquanto outros falam da globalização do mercado e do consumo. Em Marrocos, segundo relata a agência e notícias espanhola EFE, há escolas que chegam a convidar um "Pai Natal" para os apresentar às crianças, à supermercados adornados com todo o tipo de produtos alusivos à época natalícia.

"Não que os muçulmanos celebrem uma data cristã, mas, de alguma maneira, o espírito natalício, pelo menos o mais comercial, também está nas ruas", escreve o autor do artigo, Javier Otazu.

São várias as lojas em várias cidades do país que vendem árvores de Natal, produto que, curiosamente, é maioritariamente comprado por clientes muçulmanos, que também compram disfarces de "Pai Natal".

Paradoxalmente, o aniversário do nascimento de Maomé passa quase despercebido nas ruas e cidades muçulmanas, uma festa invisível que se passa dentro de casa, contrastando com as grandes datas do calendário islâmico, como o Ramadão e Id Al Fitr, a Festa do Carneiro, que assinala o fim de jejum.

Na Medina de Rabat, um comerciante de produtos associados aos rituais islâmicos adiantou que, nestes dias, vende sobretudo pequenos incensários, destinados a queimar incenso ou sândalo para perfumar casas e mesquitas, mas o movimento na loja é igual a qualquer outro.

Nos últimos anos, tem ganhado peso a leitura salafista do Islão, com um rigor "importado" da Arábia Saudita, em que a celebração de festas é vista com "maus olhos" pelos que pretendem "limpar" a religião islâmica de "impurezas".

A veneração de Maomé, por exemplo, é considerada uma "bida", una inovação que se afasta da norma, e, embora não caia na categoria de "heresia" basta uma visita pelas páginas de sítios de cariz islâmico na Internet para se perceber os muitos que as condenam.

O salafismo, obcecado com o monoteísmo, opõe-se a qualquer culto ou veneração a Maomé, que é apenas um "mensageiro de Deus".

"Assim, as cidades islâmicas contam com um Natal certamente laico e comercia, enquanto as festividades do profeta Maomé ficam relegadas a uma velha tradição com cada vez menos partidários", conclui o autor do artigo.