quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Livro conta a história de São Jorge, o santo guerreiro


O padre Jeferson Flávio Mengali, de Bragança Paulista [Estado de São Paulo] lançou recentemente o livro: 

"São Jorge - O poder do santo guerreiro”

São Jorge, um dos Santos mais populares do Brasil, agora, é homenageado no livro, que é o primeiro da trilogia "Santos Guerreiros”. Esta reúne também textos sobre São Sebastião e Santo Expedito, já publicados pela Editora Petra.


Mengali mostra o sincretismo e o fascínio que São Jorge desperta nos fiéis, em razão de sua força, energia e proteção, como guerreiro. 

"Esse São Jorge que venho mostrar é o que reúne uma multidão de devotos, em diversos países, o guerreiro que une culturas e simbologias”, revela.

O livro conta com o prefácio de Adenor Leonardo Bachi, mais conhecido como Tite, atual treinador do Sport Club Corinthians, que tem o santo como padroeiro.

"A obra apresenta a história de São Jorge, que é repleta de mitos e lendas, desde a Capadócia (Turquia), local do seu nascimento, até Lida (Israel), que não apenas permanece, mas cresce, inspira, fortalece e encoraja o interior de cada leitor, independentemente do prisma católico ou de outros segmentos religiosos. Padre Jeferson relata, claramente, que mártir e santo não é apenas aquele que sofre torturas e é assassinado (no caso de Jorge, degolado), mas também aquele que dá testemunho de vida, enfrentando os nossos ‘dragões’ diários (‘fantasminhas’, como eu, particularmente, gosto de falar), que são os nossos medos. Aliás, a coragem não é a ausência de medo e, sim, o enfrentamento, a busca, o discernimento e a fé, de seguir em frente, ir até o fim, mantendo sempre nossos princípios”, observa Tite.

Sobre o autor

Padre Jeferson Flávio Mengali pertence à Diocese de Bragança Paulista, onde é pároco na Paróquia São José. Capelão das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, na cidade de Bragança Paulista desde 2006, é diretor Espiritual do Corinthians.

Ficha técnica

Título: São Jorge: O poder do santo guerreiro – Quem é São Jorge e como ele pode transformar a sua vida
Autor: Pe. Jeferson Flávio Mengali
Páginas: 160
Mais informações e aquisição no site: www.petraeditora.com.br.







Presença evangélica na política nacional é abordada na PUC-SP

Frei Bento Domingues vem à UMinho falar de violência das religiões - Por Renata Cunha



O Instituto de Letras e Ciências Humanas promove amanhã, dia 17 de Dezembro, pelas 17h, uma conferência:

 "A violência das Religiões: a raiz do mal e o remédio"

Com Frei Bento Domingues, um dos maiores teólogos portugueses. A conferência, que se irá realizar no auditório do Instituto de Letras e Ciências Humanas, tem como objetivo relacionar a violência e as religiões ao longo da história e no presente, esclarecendo a sua génese e abrindo horizontes de esperança para a sua solução.

Frei Bento Domingues, orador convidado, procurará falar abertamente sobre a violência religiosa, abordando temas controversos como o choque entre Islamismo e Cristianismo.


Natural de Terras de Bouro, Frei Bento Domingues nasceu há 81 anos e, em 1953, entrou para a Ordem dos Dominicanos. Atualmente, é cronista do jornal Público desde 1992 e autor dos livros: “A Humanidade de Deus”, “A Igreja e a Liberdade”, “As Religiões e a Cultura da Paz” e a “Religião dos Portugueses”.



Religião é cultura e a cultura não se suspende – Por Daniel Oliveira





A minha divergência com os religiosos prosélitos é que recuso uma sociedade onde uma religião tem direitos especiais sobre todas as restantes.

A minha divergência com os laicos militantes é considerar artificial a tentativa de expulsar a religião do espaço público (incluindo as escolas). O que moveu o diretor do Instituto Garofani, que tentou transformar um concerto de Natal numa festa de Inverno para que uma grande minoria de crianças muçulmanas não se sentisse excluída, não só foi bem intencionado como essencialmente correto.

O problema é que em vez de criar pontes entre crianças e pais cristãos e muçulmanos tentou amputar uma parte da sua cultura. Em vez de exibir a diferença para a tornar compreensível, tentou escondê-la. Tentando respeitar as crianças muçulmanas (que não são convidadas na escola onde estudam), o diretor não ajudou a construir pontes.

Pelo contrário, aprofundou o fosso. Em vez de tentar que cristãos e muçulmanos conhecessem, compreendessem e respeitassem as suas diferenças, tentou eliminá-las do espaço público. Melhor seria que se as crianças cristãs tivessem oportunidade de assistir e conhecer celebrações muçulmana da mesma forma que os muçulmanos podem assistir e conhecer as celebrações cristãs

O diretor do Instituto Garofani de Rozzano, próximo de Milão, decidiu cancelar as festividades de Natal por respeito às várias culturas e credos dos alunos. Cerca de 20% de estudantes não são cristãos, sendo que a maioria pertence a famílias muçulmanas. É, compreende-se, demasiada gente para ser ignorada. Não é verdade o que se escreveu em muitos jornais: o Natal não foi cancelado naquela escola.

Apenas o concerto de Natal das crianças do primeiro ciclo foi adiado para 21 de Janeiro e passou a ser um concerto de Inverno, sem temas com conteúdos religiosos. E o responsável rejeitou a proposta de duas mães que queriam ensinar canções de Natal a crianças de famílias a quem o Natal nada diz. No entanto, as festas de Natal de cada sala continuaram a existir.

A decisão do diretor do instituto, Marco Parma, não caiu do céu aos trambolhões. Como explicou, no último concerto de Natal as crianças muçulmanas não cantaram, ficaram apenas paradas, absolutamente rígidas. E várias foram chamada pelos pais para sair do palco.

Marco Parma não inventou um problema onde ele não existia. Tentou resolvê-lo, procurando transformar aquela festividade, numa escola multirreligiosa, numa coisa que não excluísse uma parte significativa dos alunos. Defendeu que o “respeito pelas sensibilidades daqueles que pensam de forma diferente, têm culturas e religiões diferentes, é um passo em frente para a integração”. E a sua decisão contou com o apoio dos professores.





Ao julgar construção de igreja pelo Estado, ministro recita Oração de São Jorge - Por Pedro Canário



Antes de começar o voto em que defendia que manifestações religiosas não ferem o princípio da laicidade do Estado, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça, pediu licença. Queria recitar a Oração de São Jorge, aquela que fala das roupas e das armas de Jorge.

O caso discutia a construção da Igreja de São Jorge, no Rio de Janeiro, com dinheiro do Estado, autorizada pelo então governador César Maia. Napoleão, relator do recurso na 1ª Turma, foi o vencedor. Defendeu que o princípio da laicidade estatal não impede o Estado de promover ações em favor da religiosidade de uma comunidade.

“Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar”, entoou.

Depois, fez um retrospecto da história das religiões e das manifestações religiosas no Brasil. “Eu mesmo sou filho de Ogum”, disse, lembrando dos orixás do Candomblé para falar do sincretismo religioso no país. Ogum é o senhor da guerra e do ferro, comumente associado a São Jorge, o santo guerreiro da Igreja Católica.






Vigília pela Paz reúne representantes de várias religiões e de instituições públicas/PT




A Cáritas Diocesana de Lisboa, em parceria com o Patriarcado e a Câmara Municipal, decidiu organizar uma: 

Vigília pela Paz 

Neste sábado, no Salão Nobre e na Escadaria dos Paços do Concelho, entre as 17h30 e as 19h15.

A iniciativa conta com a presença do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, juntamente com representantes de várias religiões e de instituições públicas, para “um apelo em uníssono à Paz Mundial”, assinala um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA pelo Patriarcado de Lisboa.

A manifestação insere-se na campanha nacional de Natal da Cáritas, ’10 milhões de Estrelas - Um gesto pela paz’“A crise dos refugiados e a crise migratória no geral, sobretudo nas suas causas, têm levado ultimamente a uma maior e repetida afirmação e defesa do valor incondicional da Paz”, refere a nota de imprensa.

A organização do evento denuncia a violência, “à escala mundial”, recordando que “se sucedem alertas para o perigo real de uma guerra mundial”. “Também a uma escala mais regional, a violência de uns contra outros, em casa, na escola, no trabalho, no espaço público é um fenómeno com proporções muito preocupantes”, denuncia a organização católica.

Os promotores da vigília, aberta à participação de todos os que desejarem, sustentam que “o Diálogo, a Justiça e a Paz são valores fundacionais da sustentabilidade de qualquer sociedade, bens de toda a humanidade”. “A violência, o medo, a xenofobia, o racismo não se vence com a violência, o encerramento de fronteiras, a construção de muros, a exclusão, e a indiferença”, prossegue o texto.

Na carta que foi dirigida aos convidados, D. Manuel Clemente afirma que a “sustentabilidade não é possível na ausência de Paz - que é também e necessariamente Justiça para todos”, e que “nunca é demais o apelo à Paz, mesmo que a humanidade, quase por milagre, se encontrasse em todos os cantos do mundo na mais perfeita e pacífica coexistência”.

Ao apelar à Paz, a vigília entende também fazer memória de todas as vítimas mortais da crise dos refugiados. O evento vai contar com um ‘Círio da Luz da Paz’, feito à mão e com mais de 13 anos, que vem de uma fábrica de cera de Cardigos (Beira Baixa), o qual vai ser aceso por uma família de refugiados do Iraque a residir em Lisboa há 6 anos.

Jovens vestidos com as cores dos cinco continentes vão transportar a Luz da Paz para o Hall de entrada dos Paços do Concelho. O Coro de Santo Amaro de Oeiras e Coro Tejo encerram o encontro, nas escadarias dos Paços do Concelho de Lisboa.






Dicionário conta história da Teologia da Libertação – Por Cristina Fontenele



Escrito quase na totalidade por teólogos latino-americanos, está em finalização o Dicionário Histórico da Teologia da Libertação (TdL), que será lançado para o mundo francófono (Europa e Canadá), pela editora belga Lessius, com o apoio de professores eméritos.

Com previsão para setembro do próximo ano, a obra será produzida nas versões francês, castelhano, português e inglês. O trabalho, que já dura três anos, tem o objetivo de apresentar um panorama da evolução da TdL desde o seu surgimento, na época do Concílio Vaticano II [1965], até os dias atuais.

Luis Martínez, teólogo chileno que vive em Bruxelas, na Bélgica, e um dos coordenadores do projeto, explica que o dicionário está organizado em três grandes blocos. A primeira parte desenvolve 10 temas principais da TdL, como, por exemplo, o tema: Libertação, que foi escrito por Leonardo Boff; Cristologia, pelo teólogo Jorge Costadoat, de Santiago [Chile]; e comunidades de base, por Socorro Martínez, da Ameríndia.

"A Gutierrez [Gustavo Gutierrez, considerado o pai da TdL] não pedimos nada, o deixamos tranquilo, mas ele está muito presente em todo o dicionário. Há uma nota bibliográfica, a maior, sobre ele, assim como a de Boff”.

Martínez, por sua vez, escreveu uma nota sobre o sacerdote chileno Ronaldo Muñoz. "Ele foi meu professor, estudamos Teologia e fundamos juntos a Comunidade Teológica do Sul. Em geral, quem escreveu sobre alguém é porque o conhecia”.

Em um segundo bloco, o livro faz um desenvolvimento geográfico da TdL por país e, na terceira parte, são apresentadas em torno de 150 biografias, entre bispos, teólogos, mártires e laicos, que acompanharam a TdL e a mantiveram com sua prática.

Este último bloco é precedido de uma introdução histórica, com os obstáculos, as resistências e as conquistas alcançadas pela TdL. Martínez relata que praticamente todos os teólogos presentes no II Congresso de Teologia da Ameríndia, realizado em Belo Horizonte, em Outubro deste ano, escreveram algum verbete para o dicionário.

"90% da obra foi escrita por teólogos latino-americanos, que falam sobre os próprios colegas e sua realidade. É como escutar uma família falando dela mesma”.

Com a chegada de Papa Francisco, Martínez destaca que a Teologia da Libertação volta a ser "posta sobre a mesa”, quando era creditada por muitos como uma Teologia "morta”. A principal expectativa com o lançamento do Dicionário é, de acordo com o teólogo, apresentar ao resto do mundo um caminho sólido percorrido pela América Latina, a partir da grande recepção do Concílio, sobretudo, à Igreja europeia, que enfrenta muitas dificuldades e está "quase morrendo”, "agônica”.

Segundo Martínez, a Europa é muito etnocêntrica e acredita que não há nada o que aprender com o resto do mundo. "Então, não quisemos entrar em um debate de ideias, mas mostramos os fatos, que são irrefutáveis”, diz o teólogo sobre as discussões em torno do Dicionário e da história da TdL. Para ele, a ideia do projeto foi proporcionar um diálogo entre os teólogos latino-americanos, que contam sua própria história a irmãos de outros lugares.

Nesse contexto, a figura do Papa Francisco, que, segundo Martínez, não é um teólogo da Libertação, mas um fruto também da tradição latino-americana, pode dar um novo impulso à Igreja, que se vê, agora, revitalizada. Com "vontade de sair” e dizer aos "poderosos” que o caminho por eles tomado não surte efeito, sendo necessário salvar a Terra, salvar os pobres.

O teólogo destaca que a América Latina é viva e cheia de esperança, com projetos, e gente que luta, apesar das dificuldades inegáveis em nível social e também de Igreja. Em contraponto, a África está envolta em guerras e desolação, enquanto a Europa tem se fechado em sua riqueza, como uma fortaleza. Dessa forma, Martínez percebe que a América Latina pode ser um convite a se acreditar que um outro mundo é, de fato, possível.

Cristina Fontenele - Repórter- E-mail: cristina@adital.com.br e crisfonte@hotmail.com