sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Onde termina o extremismo religioso e começa a loucura? - Por Lúcia Müzell



A justiça francesa começou a julgar Alexandre Dhaussy, um homem de 24 anos que esfaqueou um militar em 2013 e insiste ter agido em nome de Alá. 


Mas a defesa sustenta que o jovem não é um terrorista, mas sim tem distúrbios mentais. Distinguir a linha tênue que separa os dois argumentos pode ser uma missão complexa até para os especialistas.

Dhaussy foi analisado por um colegiado de sete psiquiatras e psicólogos que não conseguiram chegar a um consenso sobre a personalidade do acusado. Não raro, os autores de atentados simulam loucura quando confrontados à justiça e à perspectiva de uma pena severa. O contrário também é comum, diante da mediatização dos casos de terrorismo, o suspeito pode se sentir tentado a evocar um atentado apenas para atrair atenção.

O psicanalista e professor de psicopatologia Patrick Amoyel estuda há anos essa complexa questão. Ele adverte que o primeiro desafio é se separar dos estereótipos. “Os que são mais perturbados da cabeça não são necessariamente os mais perigosos. Há pessoas muito equilibradas e que acabam colocando uma bomba no metrô ou em um cinema”, disse.

O especialista destaca que, mesmo entre aqueles que se radicalizam na religião, há inúmeros perfis distintos. Os que se aproximam da rede terrorista Al Qaeda, por exemplo, são mais doutrinados no islamismo fundamentalista, enquanto que os que são atraídos pelo grupo Estado Islâmico tendem a buscar um sentido para a vida.

“Temos todo o tipo de origem sociológica, de pobres a ricos. Há pessoas de famílias normais e de famílias desestruturadas, e a estrutura psíquica pode ser de psicóticos, perversos ou de neuróticos normais. Mas no caso específico do Estado Islâmico, há mais jovens desencantados, desamparados pela família”, explica o professor.

“Com frequência, eles não tiveram a presença do pai. Eles estão em busca de alguma coisa que lhes estruture um pouco, de um reconhecimento. Já os terroristas da Al Qaeda têm em comum o fato de terem uma educação religiosa muito rígida, algo que não necessariamente se verifica nos que seguem o Estado Islâmico”.

O jihadismo, ideologia religiosa radical que surgiu há mais de 1.300 anos, esteve por séculos adormecido até ser resgatado por Osama Bin Laden e a Al Qaeda. Ao pregar a glorificação da morte e da violência e prometer o paraíso aos mártires, faz com que, para muitos jovens, a vida não tenha mais valor.

“É um sistema mental quase psicótico. Eles se motivam por um paraíso totalmente delirante, com 72 virgens, rios de vinho etc. Há um culto à morte e uma série de coisas que se agregam à personalidade psicótica”, afirma. “Ou seja: mexe em coisas que, em geral, o ser humano normal consegue deixar de lado na sua vida”.

O psicanalista observa que, ao contrário dos clichês, os candidatos ao jihad não são pessoas mais propensas ao crime do que outras. Se eles decidem se unir aos terroristas, é porque encontram no discurso radical um conforto para as suas angústias internas. Para outros, é a imersão profunda na religião que é determinante.

Amoyel ressalta que os adolescentes são as presas perfeitas para o ideal jihadista. Não à toa, são os jovens que engrossam as fileiras do grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

“O adolescente é alguém 'radicalizável'. Que seja pela extrema-esquerda, a extrema-direita ou pela religião, há um radicalismo latente nos jovens de 15 a 30 anos. O jihadismo é um discurso que vem trazer sentido à vida, na medida em que a vida não tem nenhum sentido, afinal a verdadeira vida começa após a morte”, analisa.

A decisão final da justiça francesa sobre o caso de Dhaussy vai sair em Novembro. O Ministério Público pediu que ele seja internado em uma instituição psiquiátrica.






 

Filme que aborda pedofilia na igreja é uma das estreias deste fim de semana – Por Paulo Henrique Silva



A névoa e a falta de nitidez presentes em muitas das cenas do filme chileno: “O Clube”, uma das estreias da semana nos cinemas, diz muito sobre para onde a narrativa quer apontar, ao abordar a polêmica questão da pedofilia na Igreja Católica.

A produção de Pablo Larraín, um dos melhores realizadores de seu país na atualidade, está longe de clarificar o papel dos padres excomungados na trama, que começa quase redimindo-os e, logo depois, os joga num processo de linchamento moral.


Mas não há céu ou inferno para eles, um aspecto que acaba inquietando o espectador à medida que o filme avança. Eles próprios não sabem o que fazer de suas vidas a não ser esperar, pelo castigo, pela salvação ou pela continuidade em seu longo purgatório.

Harmonia arranjada

Confinados numa casa litorânea de paisagem idílica, os padres guardam em silêncio os pecados do passado, criando um curioso contraste, no qual a cidade (praticamente não se vê pessoas) ganha um quê fantasmagórico, sublinhado pela fotografia enevoada.


A chegada de uma perturbada vítima e de um padre representante da nova Igreja só faz botar tudo para fora, desestabilizando a harmonia arranjada, mas, ao final, não tiram nada do seu lugar. Pode-se fazer uma leitura humanizada desses clérigos que caíram em tentação, mas também de uma luta por sobrevivência, custe o que custar.




Fundação espírita comemora 20 anos com projeto de apoio a idosos - Por Diogenes Matos



O projeto do lar para idosos está em fase de construção, com previsão de conclusão para 2016.

Solidariedade é palavra marcante na Fundação Lar Harmonia, localizada próximo ao bairro da Paz, em Salvador. Diversos projetos voltados para educação e saúde são mantidos através de doações financeiras, de cestas básicas, alimentos não perecíveis, material de higienização, além de serviços técnicos de manutenção e prestação de serviços voluntários.

À frente do Lar Harmonia está o psicólogo clínico e escritor Adenáuer Novaes. Ele deixa claro, que, apesar de o Lar ter princípios e tradições espíritas, não é feita distinção entre religiões. Com 20 anos de criada, a Fundação também não tem filiação político partidária e seus dirigentes trabalham de forma gratuita nem recebem qualquer tipo de remuneração direta ou indireta.

Apoiam Adenáuer nessa jornada, donas de casa, adultos e jovens, com objetivo de amenizar a miséria social, moral e espiritual vivida por grande parte da sociedade, segundo informa o site (http://www.larharmonia.org.br/) do Lar Harmonia.

As principais ações sociais promovidas pelo Lar são: Ambulatório Médico-Odontológico Eurípedes Barsanulfo, AMEB; Creche Escola Teresa Cristina, CETC; Escola Allan Kardec; Núcleo de Psicologia PsiHarmonia, com atendimento psicológico individual e às famílias e comunidades; Núcleo Jurídico e de Cidadania Mª Terezinha Ferraz Freire de Novaes, NJC, que presta assistência jurídica gratuita; Oficinas Profissionalizantes Bezerra de Menezes, que proporciona o aprendizado técnico a adolescentes em situação de risco social, de forma a inseri-los no mercado profissional de trabalho.

Questionado sobre como consegue conciliar a profissão, a religiosidade e a família, Adenáuer enfatiza o apoio de todos os voluntários para a administração da Fundação Lar Harmonia. “São diversos profissionais voluntários e parcerias com órgãos que contribuem para nossos atendimentos, que chegam a quase 5 mil por mês”, revela Novaes.

Sua religiosidade começou aos 17 anos, por si só. Em uma palestra espírita ele viu que a lógica abordada era justamente aquilo que ele acreditava como fundamento da vida. Para quem acredita que todo espírita psicografa, em seus livros publicados Adenáuer garante que seus escritos são inspirados em reflexões pessoais, muito embora consciente do auxílio espiritual.

Projeto de apoio a idosos

Hoje, um dos projetos da Fundação, segundo afirma Adenáuer, é a construção de um lar para idosos. A ideia do lar é para que, os idosos que não têm família, ou vivem sozinhas, possam conviver juntas, uns cuidando dos outros.

O projeto do lar para idosos está em fase de construção, com previsão de conclusão para 2016. Os interessados em ajudar o lar para idosos deve entrar em contato com a Fundação Lar Harmonia pelo telefone (71) 3286-7796.






TV Cultura lança projeto colaborativo


O que você faz no segundo domingo de Outubro? 

O que esse dia significa para você? Esse ano vamos mostrar o Círio a partir de um olhar único: o seu. O projeto “Cirio.Doc” vai desenvolver o primeiro filme colaborativo sobre a maior procissão religiosa da América Latina.

Baseado no projeto: “Life in a Day”, do cineasta Ridley Scott, o projeto quer registrar um dia especial: 11 de outubro de 2015. 

Milhares de relatos pessoais se entrelaçam em uma história única. Um filme que você verá em salas de Cinema da cidade e na tela da TV Cultura. Todos podem participar, seja em Belém ou em qualquer parte do mundo. 

Basta compartilhar o seu vídeo na sua rede social com a tag: #meucirioeassim, ou acessar o site: www.ciriodoc.com.br e postar o seu vídeo, que pode ser feito por celular, tablet ou câmera.

No site você também pode ter mais informações de como participar. É importante que os vídeos sejam gravados no dia 11 de Outubro de 2015. O prazo para envio de material a partir do site é o dia 16 de Outubro de 2015.

Os autores cujos vídeos fizerem parte do corte final do filme serão creditados como corealizadores do filme. Essas pessoas também podem ser convocadas para participar de eventos como o lançamento do filme em salas de Cinema da cidade.

Serviço:

Lançamento do Site: dia 02 de Outubro de 2015.
Dia de gravação de vídeos: 11 de Outubro de 2015.
Prazo para envio de material no site: 16 de Outubro de 2015.






Assembleia de Deus estreia operadora de celular para o público evangélico – Por Bruno Ferrari



Operadora chamará Mais AD e tem como público-alvo cristãos evangélicos. Ela irá compartilhar a rede da Vivo.

A igreja Assembleia de Deus tem cerca de 18 milhões de fiéis no Brasil. É o equivalente à base de usuários de importantes operadoras brasileiras. Visando esse público, e outros cristãos, a Assembleia começa hoje a cadastrar clientes da Mais AD.

Eis a apresentação que ela mesma faz em seu site: "uma operadora de telefonia móvel virtual exclusiva da Assembleia de Deus, que vai conectar ainda mais todos os Cristãos, principalmente com a Palavra de Nosso Senhor".


Segundo a agência Reuters, a operadora utilizará capacidade de rede da Vivo. A Mais AD tem parceria com a Movttel, empresa que tem entre os investidores Ricardo Knoepfelmacher, ex-presidente da Brasil Telecom, operadora incorporada à Oi. Quem sabe com ajuda divina o serviço de telefonia móvel melhore no Brasil.



Angola: muçulmanos denunciam destruição de mesquitas – Por Liliana Henriques



De acordo com António Pedro Emous, certas mesquitas foram destruídas por não terem obtido autorização de construção.

Certas vozes da comunidade islâmica angolana têm vindo a público para denunciar restrições à sua liberdade de culto no momento em que o governo tem conduzido nos últimos meses uma auscultação aos líderes religiosos com vista a submeter ao parlamento possíveis alterações à legislação sobre a liberdade religiosa em Angola.

Num país onde têm vindo a multiplicar-se as igrejas, muitas continuam por oficializar. De acordo com o Instituto de Assuntos Religiosos de Angola, existem ao todo 1200 igrejas e congregações religiosas no país, mas apenas 83 são reconhecidas legalmente.

Em virtude da actual lei sobre a liberdade religiosa, para uma seita ou religião ter existência legal, tem que agregar pelo menos 100 mil fiéis. Contudo, depois de emendas, este texto poderia reduzir esta fasquia mínima a 60 mil fiéis para o Estado reconhecer legalmente uma congregação religiosa.

Todavia, neste cenário, o Islão tem um estatuto específico: apesar da sua existência ser conhecida, a religião muçulmana em Angola continua por registar legalmente. Ao confirmar que várias mesquitas têm sido destruídas pelo país fora, António Pedro Emous, presidente do Centro Islâmico de Documentação em Luanda, considera que obstáculos a nível político contribuem para a ausência de legalização do Islão em Angola.

Favorável à proposta da redução do número mínimo de fiéis para uma religião ser legalizada, este responsável não deixa, contudo, de se mostrar crítico perante o surgimento de múltiplas congregações no país.