segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Lançamento


Este livro trata a contribuição do aconselhamento cristão para o desenvolvimento da conscientização e exercício da cidadania junto aos nordestinos da periferia da cidade de São Paulo.



Analisa a formação do perfil sócio-econômico e religioso dos nordestinos das periferias de São Paulo; as influências de suas origens migratórias; as principais características intrínsecas à formação e modificação de sua identidade cultural e pessoal.

Também caracteriza o tipo de aconselhamento cristão atualmente oferecido, identifica referenciais aplicativos que propiciem a recuperação da identidade pessoal, cultural e a promoção da integralidade humana desses indivíduos, bem como o perfil mais adequado do conselheiro à tarefa.


Por fim, avalia as possibilidades do consequente desenvolvimento da conscientização e exercício da cidadania, para o indivíduo e para a igreja, apresentando limites e perspectivas futuras para ambos. Ainda ressalta os aspectos de importância do aconselhamento cristão para o desenvolvimento da conscientização em cidadania, mediante a utilização de referenciais aplicativos específicos e as consequências para o futuro da igreja cristã no atual contexto brasileiro.




O que tem causado o abandono das religiões pelas pessoas? - Por Max Goniadis


Desilusão dos fiéis, comportamento fraudulento de alguns clérigos e envolvimento das igrejas em escândalos financeiros e sexuais abalam as religiões.

Pessoas em todo o mundo estão totalmente desiludidas quando o assunto é religião. A cada dia que passa, o número dos indivíduos que se autodenomina de ‘não religiosos’ está crescendo ao ponto de muitos especialistas, governantes e críticos em geral traçarem como, no mínimo incerto, o amanhã das denominações religiosas existentes.

Os motivos do abandono gradativo da religião são muitos. Decepção com os atos cruéis e ações terroristas como a do último dia 13/11 na França em nome da religião e também pela participação destruidora dos líderes religiosos em escândalos de caráter sexual, que muitas vezes são abafados pelos seus superiores.

Índice Global de Religião e Ateísmo de 2012 (em inglês), publicado pela Gallup International, com pesquisas de campo realizadas em 57 países que concentram número superior a 73% da população do mundo, revela que as pessoas estão simplesmente deixando de ser religiosas como descrito abaixo: 
  • África Do Sul: regrediu em 19% a quantidade de sul-africanos que afirmavam ser religiosos entre os anos de 2005 a 2012;
  • Austrália: a realidade é que 50% dos australianos afirmam não ser religiosos e 10% são “ateus convictos”;
  • Estados Unidos: caiu em 13% as pessoas ditas religiosas desde 2005; outros 20% que participaram da enquete não eram filiados a nenhuma religião. 30% Dos indivíduos adultos com idade inferior a 30 anos, também não queria saber de religião;
  • França: só 37% dos que responderam o questionário disseram ser religiosos. Outros falaram que são ateus ou não possuem uma religião específica;
  • Irlanda: 45% dos entrevistados deixaram a religião e 10% eram ateus;
  • Japão: conta com 62% de japoneses ateus. Somente 16% dos entrevistados afirmaram possuir uma religião;
  • Tunísia: realizou uma pesquisa de forma independente no ano de 2013 e aproximadamente 60% das pessoas questionadas não continuam indo as mesquitas e fazem suas preces nas próprias casas; 
  • Vietnã: caiu de 53% para 30%. de 2005 a 2012, o percentual de cidadãos que diziam ser religiosos.

Há fatores secundários que reforçam a inclinação das pessoas de abandonar definitivamente as religiões, tais como: a prosperidade material, ou seja, quanto mais rico alguém se torna, também menos religioso ele se diz, ou seja, é correto se afirmar que em várias nações, a prosperidade da riqueza promove o materialismo que não dá espaço para o comportamento religioso.

Um outro componente nocivo são tradições religiosas e normas de moral, onde Tim Maguire, assessor de comunicação da Sociedade Humanista da Escócia relatou que: “se for observado como as igrejas se comportaram através dos séculos, todos compreenderão porque as pessoas não as consideram mais uma bússola moral”, principalmente os jovens.

E para encerrar há a questão da religião e aporte financeiro que expressam o estilo de vida nababesco incorporado por muitos líderes religiosos, diferente da situação econômica em que se encontra o literalmente pobre rebanho que “conduzem”.

O mais curioso é que os livros religiosos das principais religiões do mundo, condenam a postura hipócrita dos seus dirigentes. A Bíblia dos cristãos, por exemplo, afirma em um dos seus evangelhos que o Cristo disse através de uma parábola baseada na humildade que: 

“as raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem (Jesus Cristo) não tem onde deitar a sua cabeça”. Que crassa e triste diferença da maioria das religiões e seus líderes da atualidade que levam a perda da fé de grande parte da população.






A laicidade como princípio diretor da vida democrática – Por Iraci del Nero da Costa *



A existência de um Estado que paute sua legislação segundo os postulados de uma dada religião, estado teocrático, revela-se absolutamente incompatível com as conquistas democráticas e com as liberdades em suas mais diversas dimensões; conquistas e liberdades estas que se definem como os alicerces do mundo moderno.

Povos e Nações que perseverem em atitudes contrárias à laicidade democrática e à universalização das liberdades mostrar-se-ão incapazes de um convívio internacional pacífico e de uma vivência apta a garantir a plena prosperidade e felicidade de seus integrantes e dos demais seres humanos. Aqui enquadram-se, também, os estados confessionais, menos rígidos do que os teocráticos, porém igualmente discriminadores. Nota 1.

Enfim, se os adeptos de uma dada religião impuserem os preceitos de sua crença aos que não a seguem estarão cometendo um crime contra a liberdade e a democracia. Nota 2.

A ofensa imperdoável a estas duas postulações maiores que marcam o laicismo e, portanto, condenam os estados teocráticos assim como os estados confessionais, vale para os militantes de uma dada facção política ou ideológica que incorram nas aludidas imposições exclusivistas e discriminadoras; as ditaduras do mais variado tipo entre as quais se encontram o nazismo, o fascismo e o assim chamado socialismo real são exemplos de tal perversão. Nota 3.

Podem ocorrer, ademais, no âmbito de Estados constituídos, quadrilhas de criminosos que impõem rígidas normas de conduta aos habitantes de determinadas áreas, mais ou menos extensas, por eles dominadas pela força de armas. Estes são casos aparentados com as ditaduras acima referidas. 

No Brasil e no México, ora tomados como exemplos, são comuns ocorrências deste tipo as quais devem-se, por via de regra, a bandos vinculados ao tráfico de drogas ou, como se dá em favelas brasileiras, a policiais, outros funcionários públicos e mesmo civis, todos degenerados que se reúnem em gangues autodenominadas "milícias" e cujo objetivo é escorchar moradores desses locais e/ou explorá-los politicamente impondo-lhes candidatos.

Há, por fim, casos híbridos em que se mesclam os três modelos aqui descritos. O assim autoproclamado Estado Islâmico distingue-se como um exemplo evidente de tal formação, pois, como sabido, se trata de um grupo de marginais que alega ser jihadista (orientação religiosa islâmica) e cujo comportamento segue um molde ditatorial com respeito à população enquadrada por seu poder armado. Tal grupo, ademais, além de aliciar pessoas das nações ocidentais decidiu expandir sua ação terrorista para além das fronteiras dos pontos territoriais em que exerce influência direta.

Notas

1. Os estados ditos confessionais adotam uma religião oficial ou privilegiam um dado grupo religioso em face de seus segmentos populacionais que optam por outras doutrinas ou visões do mundo; os privilégios referidos podem assumir um caráter econômico, político ou judicial.

2. Na antiguidade os estados teocráticos assumiram variadas formas e filiaram-se a  religiões as mais diversas; no período medieval reinos e impérios vincularam-se à igreja católica; já nos dias atuais são tomados como estados teocráticos, por exemplo, o Vaticano, católico por sua própria natureza, o Irã que se define como uma República Islâmica e Israel que, embora possua um sistema parlamentar calcado no sufrágio universal e possa ser considerado um estado confessional, é entendido por muitos analistas como um estado teocrático caracterizado como um Estado Judeu.

3. Parece ser dispensável lembrar que a Síria, a China e Cuba são, nos dias correntes, os exemplares mais evidentes de regimes ditatoriais.


* Professor Livre-docente aposentado da Universidade de São Paulo.