quinta-feira, 23 de junho de 2016

Avivamento pagão: gregos voltam a invocar os deuses antigos – Por Jarbas Aragão


As figuras que são estudadas como mitológicas em todo o mundo há séculos parecem ter um apelo renovado para os moradores da Grécia.

O culto dos antigos deuses gregos está ressurgindo. As figuras que são estudadas como mitológicas em todo o mundo há séculos parecem ter um apelo renovado para os moradores da Grécia. Segundo o Greek Repórter, seguidores do culto politeísta já recriaram várias áreas dedicadas ao culto dos deuses gregos.

Esses novos pagãos acusam o cristianismo de ter substituído as antigas práticas religiosas do país através da violência. Grupos como o Conselho Supremo dos Helenos Étnicos e a Comunidade religiosa Labrys tenta restabelecer o politeísmo e a tradição cultural antiga, que inclui ofertas aos deuses que habitariam o Olimpo.

Eventos como o festival Prometheia são celebrações públicas que “invocam o antigo espírito grego”. Criada pelo professor de Filosofia Tryphon Olympios, há mais de duas décadas, afirma que o resgate da religião pode mudar o país, afundado por seguidas crises econômicas.

Realizada no sopé do monte Olimpo, “morada” dos 12 deuses da Grécia antiga, ele quer estimular os gregos a “voltar às suas raízes”, insiste o doutor Olympios.

Chama atenção que o movimento não é exatamente pacífico. Recentemente, uma igreja cristã na ilha de Creta foi atacada pelos “seguidores de Zeus”. De tradição ortodoxa, as estátuas em seu interior foram vandalizadas. Além de fezes espalhadas no templo, mensagens contra o cristianismo foram escritas com carvão nas paredes.

Eventos similares foram registrados em outras igrejas. Para os novos pagãos, é uma lembrança de que a maioria dos templos cristãos nos primeiros séculos, eram “casa” das divindades do panteão.

Em abril, na cidade de Olímpia foi consagrada a chama olímpica que veio para o Brasil. A cerimônia oficial, que reproduz um culto a Zeus, foi realizada no mesmo local onde eram realizados os jogos na antiguidade.






Líderes de cinco religiões se encontram no Rio 2016


Encontro define como funciona o centro inter-religioso para atender atletas na Vila Olímpica durante os Jogos.

Representantes de cinco religiões se encontraram nesta quarta-feira (22/06) no Comitê Rio 2016 para definir detalhes do centro inter-religioso que funcionará na Vila Olímpica, onde mais de 10 mil atletas se hospedam durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. 

"É muito bom ver o Rio de Janeiro como um povo acolhedor, onde as religiões se entendem", disse o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, ao lado de Carlos Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016.

O padre Leandro Lenin, coordenador do centro inter-religioso do Rio 2016, apresentou a planta do lugar na Vila Olímpica onde terá uma sala para cada religião: cristianismo, judaísmo, budismo, hinduísmo e islamismo (esta última com uma sala extra para mulheres). 

Haverá um espaço misto de aconselhamento, e o segundo piso será um ambiente de convivência. Uma "cartilha do capelão" foi entregue aos presentes para explicar aspectos básicos do centro.

"O atleta precisa ter com quem se alegrar na hora da vitória, mas também precisa do ombro amigo na hora que perceber que alguma coisa não foi bem. E igualmente precisam de um espaço para a prática de sua fé", disse o padre Leandro Lenin. "O centro não é apenas um ponto de apoio. É também um ponto de encontro, de assistência e auxílio."

A Arquidiocese do Rio de Janeiro convidou representantes de outras religiões para apoiar o projeto Meu Lugar no Rio, plataforma colaborativa que permite que moradores da cidade-sede dos Jogos recebam voluntários em sua casa. 

A plataforma é uma iniciativa inspirada na experiência adotada pela Igreja Católica para receber os voluntários da Jornada Mundial da Juventude em 2013.

"Como os Jogos Olimpícos são um evento laico e esportivo, é interessante que diversas religiões abram as portas de suas casas também para os voluntários", disse o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. "É muito bom ver o Rio de Janeiro como um povo acolhedor, onde as religiões se entendem."

Entre os presentes, estavam o rabino Elia Haber, o monge budista Jyun Sho Yoshikawa, o teólogo muçulmano Jihad Hammadeh e Raga Bhumi Devi Dasi, pioneira do movimento Hare Krishna no Brasil. 

"Esperamos conseguir prover este balanço entre o físico e o espiritual. É muito importante para o atleta trabalhar isso", comentou Haber, que será capelão na Vila Olímpica, aberta a partir de 24 de julho para atletas e representantes dos comitês Olímpicos.






Desconhecimento sobre crenças aumenta intolerância religiosa/TO


Na última roda de conversa sobre o tema, realizada na segunda-feira, 20/06, na Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE), foi exposta a necessidade de ampliar o debate, com relatos de situações de intolerâncias religiosas que as pessoas passam.

O desconhecimento ou a falta de informações sobre as correntes religiosas podem ser a causa da intolerância contra as crenças. 

No Tocantins, o Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa, entidade vinculada à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), tem provocado essa discussão, seja em reuniões públicas e rodas de conversas, momentos estes em que féis islâmicos, judeus, candomblecistas, católicos, protestantes e demais religiões, bem como professores, estudantes e agnósticos do Estado discutem o respeito à diversidade religiosa através do conhecimento básico das religiões e troca de experiências. 

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 64,6% da população se declarou católica no censo realizado em 2010, enquanto 22,2% se declararam evangélicos, ou seja, os cristãos representam 86,6% dos brasileiros. 

Entretanto, apesar dos cristãos serem a maioria, o percentual restante, os 13,4%, mostra a tamanha diversidade de correntes no país, resultantes de inúmeras influências culturais, sincretismos e crenças, que enriquecem a humanidade.

Não há dúvida que há uma diversidade religiosa no Brasil. O Censo 2010 do IBGE mostra isso: 

Espírita, 2%; Testemunha de Jeová, 0,7%; Umbanda, 0,2%; Budismo, 0,13%; Candomblé, 0,09%; Novas Religiões Orientais, 0,08%; Judaísmo, 0,06%; e Tradições Esotéricas, 0,04%. 

Mas até que ponto as pessoas conhecem bem essas outras crenças? Para o Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa, a falta de conhecimento que leva a discriminação.

Quando não se sabe o que prega cada religião se torna mais fácil discriminá-la. Por isso, segundo uma das representantes do Comitê e assessora técnica da Seciju, Bárbara Risomar, a público-alvo a se alcançar nas reuniões são os servidores e estudantes da educação, seja Básica, Fundamental, Médio e Superior. 

"É da educação que mais recebemos reclamações de intolerância religiosa, até mesmo com os mais novos. Por isso, precisamos levar para lá esse debate, para que desde cedo aprendam que existe uma grande diversidade religiosa e é preciso respeitá-la", afirmou.

Na última roda de conversa sobre o tema, realizada na segunda-feira, 20/06, na Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE), foi exposta a necessidade de ampliar o debate, com relatos de situações de intolerâncias religiosas que as pessoas passam, principalmente por desconhecimento da maior parte da sociedade sobre as respectivas religiões.

A representante do Islã, Rosângela Bazaia, deu um breve panorama de como o Islamismo surgiu e a sua enorme contribuição para o Brasil. 

"O Islã trouxe muita coisa boa para nós, brasileiros, além de sermos a religião que mais cresce em adeptos no mundo. Por não nos conhecerem, muitos acabam sendo intolerantes conosco e nos discriminando", lamenta.

A professora da Educação Superior e adepta ao Candomblé, Maria Aparecida de Matos, ensina cultura afrodescendente para universitários e aproveitou o momento para pautar a sua forma de trabalhar. 

"Eu tomo todo o cuidado para não ofender as pessoas de diversas religiões nas minhas turmas de alunos. Sempre procuro escolher textos que não ofendam outras religiões, mas que mostrem o como é a nossa cultura e a nossa religião. Eles precisam conhecer para enxergarem mais a diversidade como algo bom", explica.

Para o professor de cultura religiosa da Educação Básica, Maurício Santos da Luz, a religião é um fenômeno social como vários outros. 

"No entanto, a maioria das pessoas só olha para si, para seu próprio modo de viver, para a sua religião, sem enxergarem as demais, o que dificulta muito o combate à intolerância", ressalta.

A mãe-de-santo (Yalorixá) Tânia Cavalcante afirmou que esse é um espaço conquistado pela sociedade civil. 

"Nós conseguimos criar esse comitê e ele é o lugar ideal para pensarmos juntos no combate à intolerância religiosa. Essa roda de conversa nos mostrou quantos desafios teremos pela frente, mas trabalharemos juntos em formas de disseminar uma cultura de paz, trabalhando como uma forma íntima e única de devoção ao seu deus e deuses", disse.

Ações

A próxima ação do Comitê Estadual será uma reunião aberta à comunidade, em Araguaína, com foco nos professores e estudantes. 

"O debate precisa chegar à sociedade como um todo. Sabemos disso, e a melhor forma de disseminar essa discussão é através dos educadores e dos educandos, que aprendem e ensinam, como uma via de mão dupla", conclui. 

Além disso, o Comitê prevê ações futuras nas escolas de todos os níveis e comunidades, bem como a promoção ao conhecimento das diversas religiões com cartilhas, encontros, dentre outros.