terça-feira, 6 de outubro de 2015

Refugiados na Hungria: Comunidades religiosas defendem integração



Zoltán Sulok, presidente de Organização de Muçulmanos na Hungria, acredita que “uma forma de integrar os refugiados muçulmanos é tratá-los corretamente. Este é um ponto muito importante. No que diz respeito à religião, o mais importante é que possam praticá-la corretamente, que não sejam impedidos de a praticar”.

Já o presidente da Federação da Comunidade Judáica, András Heisler, é mais optimista e garante que integração não deve ser difícil, de qualquer forma, este é um processo que requer um esforço tanto dos que chegam ao país, mas também dos que acolhem. Assim sendo, o objetivo é integrar e não “assimilar”. 

András Heisler lembra que “se analisarmos a História encontramos muitos exemplos de judeus e muçulmanos a viver juntos, em paz e harmonia. Por isso, acredito que não nos devemos assustar por termos de voltar a viver juntos”.

A euronews contactou os líderes da Igreja Católica, que não quiseram prestar declarações. De qualquer forma, em entrevistas a outros meios de comunicação, disseram que iam seguir as leis hungaras, mesmo em relação aos refugiados católicos.

Os líderes das comunidades judaica e muçulmana defendem que, mais importante que as religiões, é fundamental não esquecer que são seres humanos que fogem de conflitos no Iraque, Síria ou Afeganistão.

Zoltán Sulok garante que “muita gente na Europa, sobretudo na Europa Central e de Leste, esquece que se alguém vem, por exemplo, do Afeganistão, vem de uma zona de guerra. Os afegãos estão em guerra desde 1979. Há uma geração que vem para cá, que nunca viveu numa sociedade normal como a nossa”.


Andras Heisler sublinha que “não acredito que a religião nos deva assustar. Só devemos ter medo do terrorismo. E a responsabilidade dos governos europeus e da União Europeia é fazer um controlo dos terroristas que vêm com os refugiados e migrantes. O seu trabalho é minimizar o risco e o perigo”.




Fadista dá testemunho na Jornada de Teologia


A fadista Aldina Duarte é uma das intervenientes na sexta Jornada de Teologia Prática, que se vai realizar no próximo dia 23 de Outubro, em Lisboa, a partir das 10h00, com o tema:

“Elogio do silêncio”

A iniciativa é organizada por dois departamentos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

 O encontro vai reunir especialistas de variados ramos do saber, como teologia, música, arquitetura e ciências sociais. Entre eles encontram-se o músico Sérgio Peixoto, o monge budista Ives Cretaz, o poeta João Moita, a fadista Aldina Duarte e o teólogo Alexandre Palma.

No texto introdutório da jornada, os organizadores recordam as palavras de David Le Breton, na sua obra: “Du silence”, que escreve que o “único silêncio que a utopia da comunicação conhece é o da avaria, o da máquina que falha, a suspensão da transmissão. É mais uma interrupção da técnica do que a emergência de uma interioridade. O silêncio torna-se, pois, um vestígio arqueológico, um resto ainda não assimilado”.


“Simultaneamente, o silêncio ressoa como uma nostalgia, suscita o desejo de uma escuta sem pressa do rumor do mundo”, acrescenta o autor.






Cidadania e Direitos Humanos – Por Luiz Osellame



A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos realizou na manhã da segunda-feira (05/10), no Teatro Dante Barone, o debate proposto pelo seu presidente, deputado Catarina Paladini (PSB), sobre Liberdade e Diversidade Religiosa.

Curtas-metragens sobre o tema foram apresentados e premiados no encontro. Catarina agradeceu a presença e participação de autoridades, escolas, professores, alunos e avaliou positivamente o encontro e disse ter ficado impressionado com a riqueza das contribuições dadas pelos estudantes, principalmente pela visão de mundo que possuem sobre a liberdade religiosa.

“Isto nos devolve um sentimento bom de futuro, tranquilidade e bem-estar. O mais belo disto é que, entre as liberdades religiosas, o que deve imperar é o sentimento maior do amor ao próximo e o respeito”, sublinhou.

O secretário de Educação do Rio Grande do Sul, Vieira da Cunha, destacou a importância do debate de um tema tão importante como o da liberdade e diversidade religiosa. Destacou ainda a relevância das discussões propostas anualmente por meio da Campanha da Fraternidade, com a proposição de temas que interessam a toda a sociedade, como é a questão tratada no evento.

“É imprescindível que tenhamos em nossas escolas um ambiente de tolerância, liberdade e boa convivência, voltada para uma cultura da paz”, salientou Vieira da Cunha ao parabenizar a CCDH e as escolas pelo trabalho que desenvolvem.

A professora Maria Regina Laner, representante da Associação Nacional das Escolas Católicas (ANEC), agradeceu à CCDH por novamente viabilizar a realização da audiência pública e ressaltou que a educação escolar busca o pleno desenvolvimento da cidadania, onde se insere a questão da liberdade religiosa e o convívio e respeito fraterno entre todos. Ela agradeceu às instituições escolares que participaram da produção de 28 curtas, que trataram justamente do tema: “Liberdade e Diversidade Religiosa”, proposto para este ano.

O coordenador do Conselho do Povo do Terreiro do Rio Grande do Sul, Baba Diba, sublinhou a importância do debate sobre liberdade e diversidade religiosa e defendeu a necessidade do aprofundamento que cada um deve buscar para afastar o perigo do preconceito existente com relação às religiões de matriz africana.

“O Brasil não pode permitir a violência causada pela intolerância religiosa”, alertou, ao defender que o debate sobre a questão seja feito desde os bancos escolares. O representante da Igreja Luterana do Brasil, Jean Marques Regina, advertiu acerca do perigo do aumento da intolerância religiosa que vem ocorrendo no Brasil. 

Ele sublinhou que a Igreja Luterana é fruto da luta pela liberdade, elogiou o trabalho desenvolvido pelas escolas ao destacar que religião, política e futebol podem ser discutidos, mas sempre com respeito e na busca de um mundo melhor para todos.

Cynthia Bonner, representante da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, parabenizou a CCDH pelo debate sobre liberdade e diversidade religiosa. Enfatizou a necessidade de se passar da tolerância ao respeito, como forma de estabelecer o respeito à própria dignidade da pessoa.

O desembargador Jaime W. Neto, representante do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, salientou que o tema da liberdade religiosa ocupa a pauta internacional, ao mesmo tempo em que se apresenta quotidianamente para cada um de nós.

“Este projeto materializa a colaboração que deve existir entre todos, pois todos somos iguais em liberdade e dignidade”, apontou, ao parabenizar pelo projeto desenvolvido pelas escolas na produção de curtas sobre a liberdade e a diversidade religiosa.

O rabino Guershon Kwasniewski, coordenador do Grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre, igualmente parabenizou pela iniciativa da CCDH em promover o debate. “Igualdade religiosa se faz com educação”, destacou o religioso, ao propor que as pessoas se coloquem no lugar do outro como forma de entender a necessidade do respeito ao outro, ao diferente na sociedade.

Distinção

Durante a audiência pública desta manhã, três dos Curtas na Educação, edição 2015, receberam um certificado por terem sido os mais votados entre as 28 produções inscritas. Receberam a distinção os seguintes curtas:

O Diário de Clara, produzido por alunos do 1º Ano do Ensino Médio – Turma 101, do Colégio Luterano da Paz, de Porto Alegre.

O Recomeço, produzido por alunos do 1ª Ano do Ensino Médio – Turma 101, da Escola Fátima, de Sapucaia do Sul.

O Ato, produzido por alunos do 1º Ano do Ensino Médio – Turma 213, do Colégio Romano Senhor Bom Jesus, de Porto Alegre.

Instituições participantes

Participaram do Concurso Cultural de Curtas da Edição Temática 2015 do Projeto Curta na Educação trabalhos produzidos por alunos das seguintes Instituições: Colégio Coração de Maria; Colégio Luterano da Paz; Colégio Marista Pio XII; Colégio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; Colégio Romano Senhor Bom Jesus; Colégio Sagrado Coração de Jesus; Escola de Ensino Fundamental São Francisco – Menino Deus; Escola Estadual de Ensino Fundamental Dinah Néri Pereira; Escola Fátima; Escola São Luis Guanella e Instituto de Educação São Francisco.


Quer conhecer mais do projeto Curta, assistir os vídeos entre em: www.curtanaeducacao.org.br



Igrejas devem participar da luta pela preservação do planeta, diz Luiz Pinguelli – Por Alana Gandra



Carta Encíclica Laudato Si, divulgada pelo Papa Francisco em junho deste ano, que pede urgência de um diálogo sobre o meio ambiente e o controle das emissões de gases de efeito estufa, foi discutida em 05/10, em encontro que reuniu o Fórum de Mudanças Climáticas e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O evento ocorreu no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujo Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) é sede, desde 2004, da secretaria-executiva do fórum.

O secretário executivo do fórum e atual diretor de Relações Institucionais da Coppe, Luiz Pinguelli, disse que é “bem-vinda” a participação, não só da Igreja Católica, mas de todas as religiões, no esforço pela conservação do planeta.

Segundo ele, a Encíclica do papa deu apoio e publicidade a um problema grave que afeta a todos. “Seja qual for a religião que venha a se interessar por problemas de ordem técnica e que têm importância para a vida humana, isso é bem-vindo”. As igrejas, afirmou Pinguelli, podem atingir um número maior de pessoas devido à sua característica de massa. “Isso é bom”.

A capacitação das pessoas para que entendam e participem da luta pela preservação do planeta pode e deve ser uma atribuição das religiões, disse o coordenador do Ivig-Coppe, Marcos Freitas. Para o professor, as religiões acabam assumindo um papel importante, por sua abrangência, na tomada de decisões da população.

“À medida que a igreja vai aderindo a discussões que andavam longe da discussão religiosa, que nesse caso específico está mais concentrada na questão do aquecimento do clima, essa participação pode dar uma musculatura maior para o tema”.

A aproximação com a CNBB para debater temas vinculados ao meio ambiente não é novidade para o coordenador do Ivig-Coppe que, em 2003, quando diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), promoveu seminário para esclarecer dúvidas dos religiosos sobre a cobrança pelo uso de água.

Marcos Freitas disse que é preciso “aproveitar a onda” do papa Francisco e debater assuntos de interesse para o futuro da humanidade, como aquecimento global, mudanças climáticas. Para ele, o caminho é integrar as religiões nessa discussão.

No último mês de Agosto, lideranças de 12 comunidades religiosas assinaram, no Rio de Janeiro, a Declaração Fé no Clima, na qual manifestaram posicionamento de consenso sobre as mudanças climáticas. O documento pretende ser uma contribuição informal do segmento religioso brasileiro à 21ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que ocorrerá a partir de 30 de Novembro, em Paris.

Para o assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, que articula pastorais sociais da CNBB e movimentos sociais, Ivo Poletto, as religiões podem ajudar a aumentar a consciência de que os membros das comunidades das igrejas precisam ter uma relação amorosa e de cuidado com o ambiente na sua complexidade.


Segundo ele, o homem pode e deve se juntar a outras pessoas de boa vontade para fazer avançar iniciativas, até em nível global, que evitem o agravamento das mudanças climáticas.