quinta-feira, 5 de maio de 2016

China exige que EUA pare de interferir nos assuntos internos de outros países através de religiões


A Comissão da Liberdade de Religiões dos Estados Unidos publicou recentemente seu relatório anual de 2016, no qual coloca mais uma vez a China na lista dos países de atenção especial. 

Sobre isso, o porta-voz da Chancelaria chinesa Hong Lei disse hoje (05/05) em Beijing que a parte chinesa deseja que os EUA parem de interferir nos assuntos da China através de religiões.

Hong apontou que a parte norte-americana ignora a realidade, publica todo os anos relatórios semelhantes e distorce e critica as políticas e a atualidade religiosas da China. A parte chinesa se opõe firmemente a esta conduta.

O porta-voz sublinhou que o governo chinês respeita plenamente e garante conforme as leis a liberdade de crença religiosa dos cidadãos. Ele advertiu que os EUA devem prestar mais atenção a seus próprios problemas em vez de criticar os outros países.






Liberdade religiosa no mundo está a piorar, diz comissão norte-americana - Por Isabel Pereira


A maioria dos países de preocupação encontram-se em África, Médio Oriente e sudeste asiático, mas há temas polémicos na Europa Ocidental que merecem a atenção da comissão americana para a liberdade religiosa internacional.

A liberdade religiosa no mundo está a piorar a olhos vistos, segundo uma comissão norte-americano que monitoriza ameaças e violações deste tipo em todo o mundo.

Na maioria dos países supervisionados pela comissão a situação piorou, explicou, segunda-feira, o presidente da comissão, Robert P. George, durante a apresentação do relatório anual, em Washington.

“Na melhor das hipóteses, nos países que cobrimos, as condições de liberdade religiosa não melhoraram. Na pior das hipóteses pioraram muito”, afirmou, citada pelo Religion News Service.

A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) é um organismo governamental independente que todos os anos produz um relatório e faz recomendações ao Departamento do Estado sobre que países devem ser colocados numa lista negra reservada a violadores da liberdade religiosa. O Departamento do Estado pode, depois aceitar ou ignorar estas recomendações.

Há vários anos que a lista negra não sofria alterações, sendo composto pela Birmânia, China, Eritreia, Irão, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Sudão, Turquemenistão e Uzbequistão. Recentemente, porém, foi adicionado um décimo país, o Tajiquistão.

A USCIRF recomenda, contudo, que sejam também acrescentados o Egipto, a República Centro-Africana, o Iraque, a Nigéria, o Paquistão, a Síria e o Vietname. Dos países recomendados em 2015 apenas o Chipre e o Sri Lanka deixaram de constar, pelas suas situações terem melhorado.

Da China ao Irão

Falando dos principais problemas detectados pela comissão, Robert P. George falou da detenção de prisioneiros de consciência, apontando como exemplo a China, onde foram detidas várias pessoas que se opõem a uma campanha estatal para remover cruzes do exterior de igrejas e ainda o Irão, onde sunitas, cristãos e membros da religião Bahá’í sofrem repressão às mãos do Estado. 

O Paquistão é outro exemplo dado pela comissão, com mais pessoas condenadas à pena de morte por blasfémia do que em qualquer outro país.

Para os membros da comissão, a América não pode nem deve separar o combate pela liberdade religiosa dos seus esforços na luta contra o terrorismo, nomeadamente no que diz respeito à perseguição de cristãos e outras minorias religiosas em países do Médio Oriente, como o Iraque e a Síria. 

“O público americano precisa de entender que esta é verdadeiramente uma luta de ideias. Proteger os nossos interesses significa promover os nossos valores, incluindo a nossa crença na liberdade religiosa”.

O relatório publicado na segunda-feira passada não inclui qualquer referência a Portugal, mas há um capítulo dedicado à Europa Ocidental.

Véus, abate ritual e circuncisão

A comissão realça situações como o aumento do anti-semitismo e a violação da liberdade religiosa de muçulmanos em alguns países que proíbem vestes associadas à religião, como o véu islâmico em países como França e Bélgica.

As campanhas contra a circuncisão por motivos religiosos e também contra o abate de animais de acordo com normas religiosas, que afecta judeus e muçulmanos, também merecem a preocupação do grupo.

Há ainda uma secção dedicada a problemas de objecção de consciência. É referido o caso de famílias na Alemanha que foram multadas e perseguidas por optarem por educar os seus filhos em casa, em vez de os mandar para escolas estatais, sendo que pelo menos uma procurou asilo nos Estados Unidos quando o Estado ameaçou retirar-lhes os filhos.






Galeria Theodoro Braga/PA recebe a exposição “Entre Luz e Escuridão”, de Paula Giordano



A exposição 

“Entre Luz e Escuridão – Fotografias de Paula Giordano”

Reúne 16 fotografias ‘fineart’, termo que faz referência à fotografia feita puramente por impulso artístico e estético em oposição àquela feita com objetivo documental ou publicitário. 

O conjunto de imagens leva o espectador a mergulhar na temática da religião, mais precisamente dos cultos de umbanda e do candomblé.

O projeto foi um dos selecionados pelo edital “Pauta Livre 2015” do Programa de Incentivo à Arte - Seiva, da Fundação Cultural do Pará. A exposição abriu no dia 4 de maio, às 19h, na Galeria Theodoro Braga, e seguirá aberta para visitação gratuita até o dia 30, de segunda a sábado, das 9h às 19h, incluindo agendamento para visitas escolares.

“As imagens apresentadas trazem de forma poética e quase etérea, a atmosfera que envolve esses ritos religiosos, o homem na sua relação com a fé, o divino, com seus signos e representações marcantes, porém de uma maneira subjetiva, misteriosa, insinuativa, que desperta o olhar, interroga”, assinala Paula Giordano.

O desejo de estudar o tema, conta a fotógrafa, emergiu em 2013, quando teve contato com o trabalho de José Medeiros e Pierre Verger, fotógrafo e etnólogo autodidata que após alguns anos assumiu o nome religioso Fatumbi, passando a assinar Pierre Fatumbi Verger. 

“Foram suas fotografias que me marcaram enormemente e me despertaram esse desejo, esse caminho, essa busca. Meu trabalho prossegue, contudo, trago neste momento ao público imagens marcadas pela transcendência dos rituais”, diz ela.

Paula ressalta também a admiração e o respeito pelo trabalho do fotógrafo Guy Veloso que a influenciou "com sua generosidade a seguir na fotografia, adotando essa arte como forma de expressão artística, pessoal e de sensibilidade”. 

Está será a segunda exposição individual de Paula Giordano, que estreou em 2013, quando selecionada para a 22ª Mostra de Artes Primeiros Passos CCBEU, com a fotografia: “Sem Farinha Não Há Trabalho”. A primeira mostra individual veio em 2014, com “Casa de Farinha”, também selecionada no edital da Galeria Theodoro Braga.

De acordo com Eliane Moura e Renato Torres, da Fundação Cultural do Pará, que assinam o texto curatorial da mostra, com este novo trabalho Paula Giordano “aprofunda sua pesquisa na imagem fotográfica, construindo imagens que revelam significativos fragmentos de um ritual afro-religioso popular de mais de 40 anos: o Festival de Iemanjá da Praia Grande, na ilha de Outeiro, e da Praia do Cruzeiro, no distrito de Icoaraci”.

A artista sempre teve como enfoque do seu trabalho o homem e suas diversas formas de expressão. “Fotografia precisa ter emoção", defende. Além disso, sempre manteve relação com diversas formas de arte, como a pintura, dança e teatro. 

Contudo, é no estudo da fotografia e no desenvolvimento de suas habilidades nesse universo que há cerca de cinco anos vem encontrando espaço para o amadurecimento artístico e pessoal e para a expressão de sua sensibilidade.

Exposição: “Entre Luz e Escuridão – Fotografias de Paula Giordano”- Galeria Theodoro Braga, subsolo do Centur, Gentil Bittencourt, 650 – Nazaré. Abertura dia 4 de maio (quarta-feira), às 19h. Visitação até 30 de maio, de segunda a sábado, das 9h às 19h. Informações: (91) 3202-4313. Entrada franca.