domingo, 17 de janeiro de 2016

Ato inter-religioso reforça a importância da data - Por Rafaella Martinez



Representantes de 15 religiões se uniram para promover a paz através do conhecimento e do diálogo.

Um ato ecumênico a ser comemorado no próximo dia 21/01 celebrará o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa em Santos. A iniciativa é uma realização do Movimento Inter-Religioso pela Cidadania, do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e da Sociedade Islâmica do Litoral Paulista.

“Todas as religiões pregam o amor ao próximo e nosso principal objetivo é promover o diálogo e o respeito entre todas as crenças”, afirma o coordenador do movimento, José da Conceição de Abreu. 

O ato acontecerá na Mesquita Islâmica de Santos e será conduzido pelo sheikh Jihad Hammadeh. A escolha do local de comemoração deste ano foi simbólica em virtude dos últimos acontecimentos mundiais e a perseguição aos seguidores do Islamismo. 

De acordo com o presidente da Sociedade Beneficente Islâmica do Litoral Paulista, Salah Mohammad Ali, há uma tendência de misturar a religião islâmica com a ação de grupos que nada tem a ver com os princípios da crença. 

“O Brasil é um país livre, mas ainda assim recebemos relatos de pessoas que sofrem preconceito por seguirem nossa crença. Muitas mulheres relatam casos de discriminação por usarem o véu. O Islã não é sinônimo de terrorismo. O que nós pregamos é a igualdade entre os homens”.

Para Salah, o debate é um instrumento fundamental para disseminar o respeito por todas as religiões e crenças. “Somos irmãos, não somos inimigos”, finalizou.

Religiões de matrizes africanas são as mais perseguidas no Brasil

Criado com o objetivo de promover a união de todas as religiões existentes no mundo, o Dia Mundial da Religião é uma data emblemática no Brasil, onde também é comemorado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. 

Instituída pela Lei 11.635 de 2007, a data é em memória à iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, que teve a casa invadida e seu terreiro depredado após a publicação de uma reportagem acusando o Candomblé de charlatanismo. Mãe Gilda morreu no dia 21 de Janeiro de 2000, vítima de um infarto. 

Casos como o dela não são isolados no Brasil, nação com uma posição neutra no campo religioso, denominado Estado Laico. Os últimos dados divulgados pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos em 2014, registrou 149 denúncias de discriminação religiosa no país. As principais vítimas são as religiões de matrizes africanas, como o Candomblé e a Umbanda.

“Muitas vezes somos vítimas de escárnio e ceifados do direito de depositar nossas oferendas em lugares públicos. Infelizmente, a discriminação das religiões afro-brasileiras evidencia também um processo discriminatório racial, enraizado na cultura do país”, afirmou Ivo Miguel Santos, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra.

Para ele, ações como a do grupo inter-religioso são primordiais para a construção de uma corrente contra o preconceito e a intolerância. “Estamos em conjunto nesse ato para tentarmos passar nossa ideia de liberdade. Cada ser humano no mundo tem o direito de processar o seu credo”.