domingo, 3 de janeiro de 2016

O futuro do cristianismo é africano


O futuro do cristianismo é africano. O centro de gravidade da religião mais popular do mundo está se deslocando em direção ao local de nascimento da própria humanidade.

Roma, e por extensão a Europa, tem sido o centro do cristianismo desde que o imperador Constantino se converteu à religião, de acordo com a tradição cristã. Dois milênios depois, o cristianismo é a religião mais popular do mundo, há 30% mais cristãos no mundo do que muçulmanos, por exemplo, e a Europa ainda é o continente com a maior população cristã.

No entanto, os padres e ministros europeus estão pregando em igrejas cada vez mais vazias. Apenas 10% dos adultos na França e na Suécia vão à igreja uma vez por mês ou mais. 

Na Irlanda, a frequência regular caiu de 90% em 1990 para 60% em 2009. O encolhimento das congregações levou a Igreja da Inglaterra, uma das maiores proprietárias de terras da Grã-Bretanha, a fechar 1.900 igrejas desde 1969, ou 11% do total.

Embora a imigração tenha aumentado a parcela não-cristã da população europeia, a maior parte da perda de devotos cristãos se deve ao aumento do secularismo e a uma tendência entre os jovens de favorecer a “espiritualidade” individual sobre a religião organizada. 

Os dados da pesquisa European Social Survey (ESS), que entrevistou 55 mil europeus em 29 países em 2012, mostram que cerca de um terço dos europeus que se consideram cristãos dizem que frequentam missas uma vez por mês ou menos. Em toda a Europa cerca de 190 milhões de pessoas vão à igreja regularmente a partir de uma população cristã nominal de 585 milhões.

Por outro lado, os africanos subsaarianos estão abraçando o evangelho com o zelo dos convertidos. De acordo com o Centro para o Estudo do Cristianismo Global do Seminário Teológico Gordon-Conwell, em 1910, apenas 9% das 100 milhões de pessoas no continente africano eram cristãos; hoje, a participação é de 55% de uma população de um bilhão.

Além disso, dados do World Values ​​Survey (WVS), que abrange 86 mil pessoas em 60 países, indicam que eles são muito devotos: em cinco países da África Subsariana para os quais existem dados disponíveis (Gana, Nigéria, Ruanda, África do Sul e Zimbábue), 90% das pessoas que se autodenominam cristãs também disseram que frequentam a igreja regularmente. 

Se essas nações são representativas da região como um todo, então talvez 469 milhões de devotos cristãos agora vivem na África. Outros 335 milhões ou mais de cristãos vivem na América Latina, três quintos mais do que na Europa.

A África Subsaariana não é apenas o lar de cristãos mais devotos do mundo; ela também é a região com a população de mais rápido crescimento do planeta. E sua pobreza enraizada significa que, mesmo se a região experimentar décadas de rápido desenvolvimento econômico, é improvável que ela alcance os níveis de riqueza que tendem a corresponder a um aumento da secularização.




Grã-Bretanha deixou de ser um país cristão, afirma relatório


Após dois anos de estudos, a Comissão sobre Religião de Crença da Vida Pública concluiu que a Grã-Bretanha deixou de ser um país cristão e, portanto, precisa parar de agir como tal.

Presidida pela baronesa Butler-Sloss, ex-juíza, e formada por representantes de diversas religiões, a comissão é tida como independente de influências do governo. Em um relatório de 150 páginas, a comissão afirma que a vida pública precisa ser descristianizada, para corresponder à nova realidade do país.

Argumenta que o declínio da Igreja da Inglaterra, o crescimento do percentual da população de ateus, agnósticos e sem religião em geral, e o fortalecimento do Islã impõem a necessidade de um "novo acordo” na sociedade.

Esse novo acordo, segundo o relatório, deve incluir o fim da administração de escolas públicas por religiosos e de cultos nesses estabelecimentos, inclusão de representantes religiosos na Câmara dos Lordes (ao lado dos da Igreja da Inglaterra), adição de outras crenças no cerimonial de coroação, proteção às mulheres contra tribunais da sharia, acréscimo de mensagens não religiosas no programa Today, da BBC Radio 4, etc.

Porta-vozes do governo e da Igreja da Inglaterra reagiram fortemente à conclusão da comissão.Nota da Igreja afirmou que parece que a comissão foi “sequestrada” por humanistas.