segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

China lança base de dados de budas prevenir fraudes no Tibete




As autoridades religiosas da China lançaram nesta segunda-feira uma base de dados de budas vivos na internet com o objetivo de ter todos registrados, para lutar contra a proliferação de pessoas que se fazem passar por eles para roubar ou, segundo o governo, para realizar "atividades separatistas".

A agência oficial "Xinhua" informou que os internautas poderão consultar os nomes dos budas viventes ("rinpoche" em tibetano) no site do governo regional tibetano (tibete.cn) e a da Administração Estatal de Assuntos Religiosos (sara.gov.cn).

Um primeiro grupo de 870 monges foram incluídos na base de dados. Em breve quem não estiver nesta lista será considerado suspeito de fraude. Os budas falsos "ameaçaram a segurança nacional ao usar dinheiro que colhem em atividades ilegais ou separatistas no Tibete", destacou recentemente o presidente do comitê de Assuntos Religiosos do Poder Consultivo chinês, Zhu Weiqun.

Também houve casos de falsos budas viventes que cometeram fraudes, inclusive contra algumas celebridades, como o ator Zhang Tielin, que tinha se tornado adepto das doutrinas de um destes trapaceiros.

Na religião tibetana, um buda vivente é uma pessoa que alcançou o máximo grau de perfeição na roda da vida após múltiplas reencarnações, mas que em lugar de vez de ir ao paraíso, ou nirvana, continua em sua forma terrena.

Alguns destes budas viventes se suicidaram ateando fogo em si mesmos em lugares públicos em protesto pela forte repressão que o regime comunista chinês exerce contra o budismo nas regiões de população tibetana.






Diálogo entre religiões é destaque na Festa do Bonfim


A diversidade religiosa foi evidenciada nesta quinta-feira (14/01), em Salvador, quando baianos e turistas realizaram homenagens ao Senhor do Bonfim, festa que acontece há quase 300 anos.

Vestidos de branco, muitos fiéis começaram a chegar cedo na Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, para o ato ecumênico que dá início à tradicional caminhada de 8 quilômetros até à Colina Sagrada.

Recebido com queima de fogos, o governador Rui Costa chegou à Basílica acompanhado de secretários de Estado e de outras autoridades para acompanhar o ato ecumênico. Esta é a primeira vez que Rui participa, como governador, da Lavagem do Bonfim.

O governador afirmou que a festa religiosa é também um momento de “pedir paz para todos os baianos e saúde para continuar trabalhando por esse estado”. Ele esteve acompanhado também da primeira-dama Aline Peixoto e participou da cerimônia celebrada pelo padre Jairo de Jesus Menezes.

A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, destacou que “as festividades são importantes para agregar a população, sobretudo estimular o diálogo harmonioso entre as religiões”.

Para ela, a sensibilização da sociedade para o enfrentamento à intolerância religiosa ganha força com manifestações deste tipo, lembrando ainda dos avanços da Bahia na implantação dos mecanismos de combate à discriminação racial e diálogo inter-religioso, a exemplo do Centro de Referência Nelson Mandela e da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

Após percorrer todo o trajeto da Festa do Bonfim, a religiosa de matriz africana Joana da Guarda, de Candeias (Região Metropolitana de Salvador), chegou ainda com forças à Basílica, permanecendo por um bom tempo no local para escutar as palavras de fé dirigidas ao público.

Há 40 anos ela faz o percurso vestida de branco e com as contas de diversos orixás. “A fé em Senhor do Bonfim é que motiva e me traz até aqui. É um tempo de renovar as esperanças e agradecer”, afirmou.

Já o motorista Agnaldo dos Santos, não faz o percurso até a Colina, mas, há 34 anos, assiste à missa na Basílica, no Comércio. "Venho todos os anos pedir paz e saúde para todas as pessoas que eu amo e agradecer pelo meu emprego”.

*Ascom Sepromi, com informações da Secom.






Pós-graduação em Religiões, Políticas e Doutrinas Sociais em Portugal



A Universidade Lusófona promove, a partir de Março, uma pós-graduação sobre 

«Religiões, Políticas e Doutrinas Sociais»

 com várias abordagens sobre o papel das religiões na constituição de uma ética e de uma ação social e política.

A pós-graduação, promovida pela «Área de Ciência das Religiões» daquela instituição de ensino em Lisboa, tem um total de 120 horas e será constituída por conferências oferecidas por um painel diverso de especialistas na área, lê-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.

“O lugar social e político das religiões na atualidade”; “Da Caridade à Solidariedade”; “Bergoglio e a Teologia da Libertação: entre a ruptura social e a utopia política?”; “Laudato Si - Sobre o cuidado da Casa Comum, um novo programa civilizacional” e “Francisco, desafio na (re)construção da Fraternidade” são os temas de algumas conferências proferidas por peritos nesta área, tanto católicos como de outras confissões religiosas.

Esta iniciativa tem a coordenação do investigador Joaquim Franco e do frade franciscano capuchinho Fernando Ventura.





O espaço sagrado - Por José Justino Porto



Sacralização do Mundo, Homogeneidade Espacial, e Hierofania.

Para o homem religioso, o espaço não é homogêneo: o espaço apresenta roturas, quebras; há porções de espaço qualitativamente diferentes das outras. Em Ciências das Religiões, essa passagem ocupa bem esse espaço.

“Não te aproximes daqui, disse o Senhor a Moisés; tira as sandálias de teus pés, porque o lugar onde te encontras é uma terra santa”. (Êxodo, 3:5).

Há, portanto um espaço sagrado, e por consequência “forte”, significativo, e há outros espaços não-sagrados, e por consequência sem estrutura nem consistência, em suma, amorfos. Mais ainda: para o homem religioso essa não-homogeneidade espacial traduz-se pela experiência de uma oposição entre espaço sagrado, o único que é real, que existe realmente e todo o resto, a extensão informe, que o cerca.

“O Espaço Sagrado, portanto, em que medida é uma descoberta, ou seja, é pura revelação, O Espaço nas mais diversas “Basílicas está inserido espalhadas pelo mundo é um solo “Sagrado”. Para o homem religioso; porque nada pode começar, nada se pode fazer sem uma orientação prévia e toda orientação implica a aquisição de um ponto fixo.

É por essa razão que o homem religioso sempre se esforçou por estabelecer-se no “Centro do Mundo”. Para viver no mundo é preciso fundá-lo e nenhum mundo pode nascer no “caos” da homogeneidade e da relatividade do espaço profano. A descoberta ou a projeção de um ponto fixo, o “Centro”, equivalente à criação do Mundo, e não tardaremos a citar exemplos que mostrarão, de maneira absolutamente clara, o valor cosmografia do espaço sagrado.

Em contrapartida, para a experiência profana, o espaço é homogêneo e neutro: nenhuma rotura diferencia qualitativamente as diversas pastes de sua massa. É preciso acrescentar que uma tal existência profana jamais se encontra no estado puro. Seja qual for o grau de dessacralização do mundo a que tenha chegado, o homem que optou por uma vida profana não consegue abolir completamente o comportamento religioso.

Isso ficará mais claro no decurso de outras exposições: veremos que até a existência mais dessacralização conserva ainda traços de uma valorização religiosa do mundo.

(Profº. Ms José Justino Porto, historiador, geógrafo e sociólogo, mestre em Ciências da Religião pela PUC-GO – jjtininho@Gmail.com)





Assistência espiritual discutida em Fátima/Portugal – Por Juliana Batista




Plano de ação da Associação Portuguesa de Capelães e Assistentes Espirituais Hospitalares espera promover “a credibilização dos capelães”. Esta e outras propostas vão estar em análise durante um encontro em Fátima.

O reforço da cooperação entre assistentes espirituais de várias religiões é discutido esta segunda-feira, 18 de janeiro, em Fátima, durante uma reunião da associação católica do setor com a Coordenação Nacional das Capelanias Hospitalares (CNCH).

Entre outras propostas, o programa da Associação Portuguesa de Capelães e Assistentes Espirituais Hospitalares (AsER) prevê estabelecer “relações formais e informais” e “formas de colaboração, com o grupo inter-religioso e assistentes espirituais organizados” de outras religiões.

"Sensibilizar as instâncias públicas e as administrações dos hospitais e advogar o direito dos doentes à assistência espiritual e religiosa e outros direitos" é outras das ideias que fazem parte do plano de ação da AsER para os próximos três anos, divulgado pela agência.

Apesar da sua consagração na lei, a assistência espiritual ainda não está estabelecida em todos os hospitais, devido a “uma certa inércia”, lamentou o coordenador do Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Outra das propostas da AsER visa promover “a credibilização dos capelães junto das instâncias públicas e do Estado, motivando para a responsabilização, integração nas instituições, formação acreditada” e profissionalização.

Depois de uma reunião dos órgãos sociais da AsER, às 10h30, na Casa de São Nuno, em Fátima, decorrerá à tarde o encontro com as Capelanias Hospitalares, coordenadas por Fernando Sampaio, sacerdote responsável pelo Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.