domingo, 13 de dezembro de 2015

Gâmbia: presidente declara que país é república islâmica



O presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, declarou a nação da África Ocidental uma república islâmica, argumentando que a decisão foi tomada porque o Islamismo é a religião da maioria dos cidadãos e para romper com o passado colonial do país.

Até o momento, não há indícios de que o anúncio muda as leis da Gâmbia. A declaração de Jammeh tampouco busca aliar o país à organização jihadista conhecida como Estado Islâmico. O presidente fez o anúncio na sexta-feira, em um evento na cidade costeira de Brufut, cerca de 15 quilômetros a oeste da capital do país, Banjul.

"Em linha com a identidade e os valores religiosos do país, eu proclamo a Gâmbia um Estado islâmico", disse o líder. Os muçulmanos representam cerca de 90% da população do país, de 1,8 milhão de pessoas.

"A Gâmbia não pode se dar ao luxo de dar continuidade ao legado colonial", acrescentou Jammeh. A nação conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1965.

Segundo o presidente, os direitos dos cristãos da Gâmbia vão ser respeitados. Ele disse que não haverá regras sobre como se vestir. "Nós seremos um Estado islâmico que respeitará os direitos de todos os cidadãos e não cidadãos".

O chefe do Conselho Supremo Islâmico da Gâmbia, imã Momodou Lamin Touray não disse se apoia a declaração. "Nós ainda não nos encontramos para discutir o anúncio presidencial", disse. Hamat Bah, do partido de oposição Reconciliação Nacional, criticou a decisão.

"Há uma cláusula constitucional que diz que a Gâmbia é um Estado secular", afirmou. "Você não pode fazer uma declaração como essa sem passar por um referendo".



Pernambucanos ajudam na Europa os imigrantes e relatam histórias dramáticas




A religião, muitas vezes distorcida em nome de ações violentas, com mortes, perseguições, estupros e tantas outras crueldades, aqui, pelas mãos de pernambucanos, retoma os sentidos que sempre deveria ter: compreensão, ajuda e, sobretudo, amor, muito amor, pelo próximo. Não importando se o religioso segue Cristo, Maomé, Buda.

O pastor da Igreja Episcopal Carismática Ebenézer Medeiros Paz e o integrante da organização cristã Jovens Com Uma Missão (JOCUM) João Victor decidiram ajudar diretamente os refugiados indo até a Europa para atuar de perto no resgate e na recepção dos que fogem de países marcados pela guerra, como a Síria, Afeganistão e Eritreia.

Só este ano, mais de um milhão de imigrantes devem chegar ao Velho Continente, numa crise imigratória provocada por governos ditatoriais, grupos terroristas e guerras civis. Problemas que não deverão arrefecer em 2016 e já deixaram mais de 400 mil mortes nos últimos quatro anos.

Deixando claro a personalidade desafiadora com uma foto no perfil do Facebook tirada durante um pulo que realizou de paraquedas, João Victor, 18 anos, voltou para casa na semana passada após ter se lançado em outro salto, se não mais arriscado, de maior transformação pessoal do que o retratado na rede social. Ele passou três semanas na Alemanha, principal destino dos que buscam refúgio, ajudando na promoção de ações socializantes para os refugiados.

Ao fim de 2015, os alemães devem computar mais de 800 mil imigrantes recebidos só este ano. João, que trabalha ensinando inglês em uma escola aqui no Recife, decidiu viajar após ver o drama dos imigrantes pelo noticiário. 

“Não tinha dinheiro para ir, mas pedi lá na igreja contribuição e as pessoas foram atenciosas e consegui viajar”, conta, frisando sempre o papel coletivo dos membros da igreja e do bispo Alexandre Ximenes. Pela JOCUM, outros quatro pernambucanos estiveram com ele na Europa.

“O caso que mais me marcou foi o de uma família síria que chegou literalmente a caminhar por oito países dentro da Europa até chegar à Alemanha”, relata o jovem que é cristão protestante. “Essa família é formada pelos pais e quatro filhos. A menor criança com menos de um ano, passou por tudo isso sem chorar. Mostra, tão pequena, muita força só no olhar”.

Sobre como os alemães se posicionam sobre a chegada de mais imigrantes, João conta que existe um terreno dividido, mas a tendência é de um acolhimento maior, pela condição econômica mais favorável. O trabalho dele estava justamente em promover ações nessa aproximação e inclusão dos que chegavam, além de evitar qualquer tipo de confronto para quem, na maioria dos casos, fugiu da morte por motivos políticos ou religiosos.

Essa intolerância religiosa não tem uma identidade única. Os terroristas islâmicos colocam Maomé contra Jesus e os ídolos de outras religiões, até contra islâmicos de outras correntes. Já em outros países, como no Mianmar, os budistas perseguem a minoria muçulmana. Ebenézer elenca a união entre todas essas religiões como o verdadeiro sentido de cada uma delas.

“Tinha membros cristãos como da Samaritan’s Purse, Igrejas Norueguesas, além da Junta Islâmica Americana ajudando com seus voluntários”, explica o missionário pernambucano Ebenézer, que atuou no resgate de quem perecia no mar, exatamente na fronteira da Grécia com a Turquia, na cidade de Molyvos, na ilha de Lesbos. Ele, com 43 anos e morando na Suécia há uma década, esteve na linha de frente durante uma semana em outubro. Agora prepara missionários que desejam atuar na causa.

“Nossa estrutura era precária. Nas praias haviam estações de emergência, com cobertores, alimento, água, alguns tradutores, médicos e psicólogos. Estas últimas categorias nem sempre davam conta da demanda”, explica Ebenézer. 

Assim como Victor, os momentos que mais impactaram o pastor envolviam as crianças, mas de forma trágica. Ele não esquece de ter visto pequenos mortos nos barcos ilegais ou em situações delicadas.

“No segundo resgate veio uma garotinha com síndrome de Down, o barco explodiu perto da praia, consegui retirá-la em segurança”, diz. Outro resgate que ele ressalta foi o de Nür, um jovem de apenas 13 anos que veio sem os pais e decidiu que ajudaria uma garotinha diabética, levando sua mochila e cuidando dela. Ele estava em choque, mas ainda assim quis ajudar. As crianças eram empilhadas nos barcos, literalmente uma em cima da outra para que coubessem mais pessoas.

“Barcos com capacidade para 15 pessoas estavam vindo com 70, os que conseguiam completar a travessia. O resgate dos corpos era sempre a pior parte…”, lamenta.