sexta-feira, 6 de maio de 2016

convite


Russos esperam mais ajuda de Deus – Por Ekaterina Sinelschikova


Pesquisa mostra aumento significativo de busca por religião desde 1991.

Os russos começaram a esperar por ajuda divina ou a falar sobre a predestinação das pessoas por Deus duas vezes mais que nos últimos 25 anos, de acordo com pesquisa realizada pelo VTsIOM (Centro de Pesquisas de Opinião Pública da Rússia).

O estudo interrogou 1.600 pessoas vivendo em 130 áreas povoadas das 46 regiões da Rússia de 23 a 24 de abril deste ano.

No âmbito da pesquisa, 67% dos respondentes disseram que, de algum modo, esperam pela ajuda de Deus em sua vida diária, um aumento de 18% desde 1991, quando apenas 49% faziam tal afirmação.

Também caiu o número de respondentes que disseram não acreditar em Deus, de 21%, em 1991, para 14%, neste ano. Enquanto 11% disseram não esperar por ajuda divina.

Comparando os dados aos de 1991, os russos passaram a acreditar mais em fenômenos associados a religião. 50% disseram que acreditam em milagres religiosos, um aumento de 18% em relação a 1991, quando 32% sustentavam tal afirmação.

Enquanto 42% disseram-se confiantes de que existe vida após a morte, esse índice não ultrapassava os 33% há 25 anos. E se 40% agora acreditam em demônios e no inferno, eram apenas 25% e 24% que o faziam em 1991.

Ao responder sobre se a vida humana é predestinada por forças divinas, 48% disseram que sim, contra os 25% de 1991.

Naquele ano, 45% dos respondentes diziam que a vida humana não dependia dos planos de Deus, enquanto, agora, apenas 26% dos respondentes sustentam essa afirmação.

A favor de um banimento em nível legislativo de manifestações antirreligiosas se manifestaram 58% dos respondentes na atualidade, indicador que não registrou mudança desde 1991. 25% se mostraram contra tal iniciativa, enquanto 17% estavam indecisos.

"Nenhuma igreja está vazia"

O crescimento do sentimento religioso entre os cidadãos é notado, principalmente, pela Igreja Ortodoxa Russa. O número de paróquias está crescendo não só em quantidade, mas também qualitativamente, de acordo com o porta-voz da Igreja, Aleksandr Volkov.

"Experimentamos a primeira onda de religiosidade logo após o período soviético, quando multidões de pessoas foram às igrejas, mas nem sempre foi um esforço consciente. Agora, as pessoas estão fazendo isso com mais disposição", disse Volkov à Gazeta Russa.

Nos últimos cinco anos, Moscou aumentou significamente seu número de paróquias: de 894, em 2012, para 1.110, em 2015. Mas isso não é o suficiente, de acordo com Volkov.

"Agora entendemos que precisamos muito mais igrejas. Nenhum dos templos construídos está vazio. Todos estão cheios ou até superlotados", diz.






Religião transnacional



As culturais se comunicam, se transformam e, nestes diálogos e tensões, terminam por possibilitar que novos fenômenos apareçam. 

Esta é uma maneira de falar dos temas que perpassam a obra do antropólogo Ismael Pordeus Jr., professor titular da Universidade Federal do Ceará e doutor em Etnologia, pela Universidade Lyon 2.

Ele participa hoje do Ciclo de Conferências Antropologia do Ceará, realizado pela UFC, do Laboratório de Estudos da Oralidade (LEO) e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). 

Acontece a partir das 9h30, no Auditório Luiz de Gonzaga, do departamento de Sociologia, localizado no Centro de Humanidades III da UFC. 

A entrada é gratuita. Intitulada "Percurso Antropológico Luso-Afro-Brasileiro", a conferência contará ainda com a participação do debatedor Robson Cruz, doutor em Antropologia Cultural (UFRJ).

Ismael Pordeus Jr. Acompanha, desde a década de 1980, as transformações do fenômeno religioso que se dá nesta ponte que liga três continentes e muitas culturas. 

Ele descobriu, descreveu, interpretou e convidou a ouvir os atores de caso ímpar da antropologia cultural, a migração da umbanda e da jurema, religiões brasileiras de matriz cultural africana, para Portugal. 

No Velho continente, práticas e saberes são recriadas, a partir do contato com tradições da fé local. O resultado da imersão do antropólogo no campo é uma obra textualizada a partir de relatos orais, performances e imagens.

O conferencista é autor de livros como "Umbanda: Ceará em transe" e "Festa de Iemanjá". Suas pesquisas contemplam religiões como a umbanda e a jurema e a santeria.

Leituras

Três livros registram bem este trajeto antropológico. Editado pela Imprensa de Ciências Sociais, de Lisboa, "Portugal em transe: Transnacionalização das religiões afro-brasileiras, conversão e performances" (2009) é baseado em trabalho de campo realizado no país ao longo de 12 anos. No período, o antropólogo vivenciou estadias de terreno mais prolongadas, em 1998, 2005 e 2007.

Publicado em 2000, pela Terceira Margem, "Uma Casa Luso-Afro-Brasileira Com Certeza - Umbanda em Portugal" também registra a experiência. Neste livro, o antropólogo divide o espaço da escrita com uma protagonista desta experiência luso-afro-brasileira, que descreve em primeira pessoa as vivências deste trânsito.

Por fim, merece destaque: "Jurema Sagrada: do Nordeste Brasileiro à Península Ibérica" (2013), editado pelo LEO. Escrito pelo juremeiro Arnaldo Beltrão Burgos, o Obá Tòwgún, o livro foi organizado pelo antropólogo, que assina o texto de apresentação. Devoção de ascendência indígena, de raiz nordestina, a jurema tem aproximações dos credos da umbanda e do candomblé. 

O livro registra a jurema de matriz lusoafrobrasileira, definição esta que cabe a uma série de crenças que, nas últimas décadas, tem se movimentado pelos continentes africano, americano e europeu. Outro diferencial do livro é a presença dos escritos do próprio religioso.

Mais informações:

Ciclo de Conferências Antropologia no Ceará: "Percurso Antropológico Luso-Afro-Brasileiro", com Ismael Pordeus Jr. Às 9h30 no Auditório Luiz de Gonzaga, no Centro de Humanidades III, da UFC (Av. Da Universidade, 2995 - Benfica). Gratuito. Contato: (85) 3366.7419.