sábado, 28 de maio de 2016

'Marcha Para Jesus' reúne milhares caminhando pela paz e pela vida/PI – Por Maria Clara Estrêla


Presente à 15ª edição da Marcha para Jesus, o governador Wellington Dias (PT) afirmou que o evento possui uma importância social muito grande, e contribui para afastar os jovens da violência.

"É um momento de adoração a Deus, de lembrar da importância de como a espiritualidade é importante no combate às drogas e à violência. É um momento de espalhar o amor entre as pessoas. Além de ser uma marcha muito organizada", afirmou o chefe do Executivo, que foi ao evento acompanhado de sua esposa, a secretária de Educação e deputada federal licenciada Rejane Dias (PT), que é evangélica.

Wellington e outros políticos presentes na 15ª edição da Marcha para Jesus ressaltaram a necessidade de combater o ódio na política e melhorar a interlocução com a sociedade, tendo como base o diálogo propositivo.

O pré-candidato a prefeito de Teresina, Amadeu Campos (PTB), comentou que a intensa disputa política no país e o tensionamento das discussões são fatores que têm fomentado um discurso de “nós contra eles”, que prejudica o debate. 

“Esse momento em que há um ódio politico, baseado no nós contra eles, acabou trazendo uma conturbação no país. O brasileiro quer a pacificação disso. Um dia como esse, no evento desse, é para todos nós cristãos buscarmos a paz nas relações políticas e pessoais”, comentou Amadeu.

A deputada federal Rejane Dias (PT), classificou a marcha como um evento da família e da paz. “Nos reunimos no sentido de resgatar os bons sentimentos. Os valores e a importância da família. Destacar os momentos de enaltecer a Deus”, pontuou a parlamentar.

Notícia original

Uma multidão de pessoas reunidas para dizer sim à vida e à paz. Assim pode ser traduzia a 15ª edição da Marcha Para Jesus, que aconteceu na quinta-feira (26/05) em Teresina

Com um percurso de seis quilômetros, adeptos de todas as manifestações religiosas participaram da caminhada com muita música e animação, levando a mensagem de amor e congregação aos piauienses.
A concentração do evento aconteceu no balão do bairro São Cristóvão e o desfecho da caminhada ocorre no cruzamento das Avenidas Frei Serafim com Coelho de Resende.

A Marcha para Jesus deste ano tem como lema: “Marchando Pela Vida”. O objetivo principal, segundo a organização do evento, é mostrar para as pessoas que viver não é só enfrentar dificuldades, mas saber passar por elas de maneira positiva, tentando sempre tirar o melhor dos momentos de adversidade. 

“Estamos juntos dizendo que viver vale à pena. Nós ficamos o tempo todo falando em crise, temos um índice de jovens tirando a própria que é assustador, vemos as pessoas acabando com tudo por conta da droga e do álcool. Queremos mostrar para elas que a vida é a saída. Que viver pode ser, sim, algo lindo”, resume o pastor.

O evento, de acordo com ele, é a congregação de todos os povos, de todas as fés. Significa a quebra de muros e a construção de pontes entre as pessoas, para um propósito maior que é celebrar a vida. 

“Nós vemos avôs, pais, filhos e netos juntos aqui. Os filhos trazem amigos, os amigos convidam os pais... então isso é muito bom de se ver. As pessoas juntas marchando como um só. Porque quando fala em Marcha para Jesus, a primeira coisa que pensam é que é evento só de evangélicos. Não é. É de todo mundo”, afirma o pastor Marcos Sérgio. 

Ele explica que o evento é organizado pela Aliança de Pastores do Piauí, mas que cerca de 40% dos participantes são católicos, e diz esperar que essa porcentagem aumente nos próximos anos.

É o caso de Francilande Alves, que frequenta a Igreja Católica do Dirceu. Ela, que foi acompanhado da filha e da irmã, diz que o propósito da Marcha “não é promover essa ou aquela religião”, mas levar uma mensagem de paz às pessoas. “Deus é paz, ele não faz distinção entre seus filhos e esse momento de união mostra bem isso”, afirma.

Já a estudante Maria de Fátima, frequentadora da Igreja Batista do Esplanada, resume a experiência de participar pela primeira vez da Marcha: 

“É muito bom porque reúne todas as igrejas. É um só povo em um só lugar, e é muito interessante isso. Acaba com os preconceitos, junta todo mundo, então vale muito à pena estar aqui”, diz.

Marchando

As 15 horas, os participantes da Marcha começaram a se concentrar no balão do São Cristóvão. As 17 horas, terá início um ato profético, que vai marcar a saída da caminhada. O percurso total tem extensão de sete quilômetros e encerra na Avenida Frei Serafim, na altura da Rua Coelho de Rezende.

Todo o trajeto será acompanhado por trios elétricos onde bandas gospels e grupos de igrejas de Teresina se apresentam, para animar o público. Uma das atrações é a Banda Manancial, que veio de Salvador e participa pela primeira vez do evento.

“Quem gosta de forró, tem forró. Quem gosta de rock, tem rock, quem gosta de pagode, tem pagode, então são vários estilos. Nós vamos fazer esse percurso com grande animação e orando pela vida”, diz o pastor Fabrício Fonseca, que também integra a organização do evento.

Estrutura

Todo o percurso da Marcha Para Jesus é acompanhado pela Polícia Federal, no trecho da Avenida João XXIII, até a Ponte JK; e depois, a partir da Avenida Frei Serafim, pela Polícia Militar, através da Força Tática e da Ciptran. Viaturas estão dispostas em pontos estratégicos do trajeto, que conta a inda com o apoio de uma ambulância do Corpo de Bombeiros, para casos de emergência.

A Avenida João XXII já foi totalmente interditada e sinalizada entre o balão do São Cristóvão e a Ponte JK. Strans e Ciptran direcionam os motoristas, que precisam passar pelo local, em rotas alternativas.





Roda de tereré em igreja acolhe a todos e tenta apagar cicatrizes das religiões – Por Thailla Torres


Pela primeira vez no oratório da Capela da Inclusão, que integra a Missão da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em Campo Grande, uma Roda de Tereré da Inclusividade é aberta para falar de sexualidade. 

O termo chegou para identificar a comunidade religiosa que acolhe e aceita a todos. Na roda, são colocados em discussões assuntos do cotidiano e um debate com proposito de acolher e ajudar aqueles que em algum momento da vida tiveram cicatrizes por conta das imposições religiosas. 

A congregação, que mostra publicamente o apoio aos homossexuais, também deixa claro que recebe qualquer pessoa, independente de denominação religiosa. A reunião recebeu inclusive ateus, para dividir o que sofre alguém que vai contra regras das igrejas. 

O frei Alexandre Bruno, de 27 anos, explica que é uma iniciativa para as pessoas conhecerem a comunidade e levantar questões importantes como política, igualdade, gênero e, principalmente, respeito à sociedade como um todo. A escolha do tereré foi pela cultura que costuma reunir pessoas e confraternizar.

"A inclusividade de fato acontece quando todos encontram o seu lugar. E é nessa perspectiva que a gente fez essa abertura junto com o tereré, a partir de um bate-papo, para de fato mostrar que a igreja deve aceitar todo mundo", explica. 

A Igreja chegou na comunidade em 2016 e há 6 anos está ligada a trabalhos sociais com pessoas em situações de vulnerabilidade. 

"Nosso foco é a família em sua totalidade, não importa o gênero. A gente sabe que esses debates são muito extensos, mas nós acolhemos as pessoas justamente para explicar o cristianismo e a sua essência que é o amor de Jesus. Pois o resto é tudo invenção do homem", diz o frei. 

Lesli Lidiane Ledesma, de 31 anos, é assistente social, cristã e decidiu conhecer a comunidade graças a um grupo de amigos. 

"Achei importante para buscar incluir determinados grupos que não se sentem incluídoscom outras formas de religiosidade, e isso propõe discussões que estão voltadas a trocas de experiências, formação e o que as pessoas estão buscando", explica. 

Ela acha a proposta da comunidade positiva por mostrar que inclusão tem a ver com informação. "Aqui a gente tem a oportunidade de ver todos os lados, de discutir e conversar de todos os assuntos com mais liberdade", comenta.

O psicológo Arthur Galvão Serra, de 27 anos, é ateu e faz parte da militância LGBT. No entanto, mesmo sem a pratica de uma denominação religiosa, ele gosta do debate. 

"Uma coisa que eu até falei para todos em minha apresentação é que a religião ela tem um papel importante na sociedade. O que me chama atenção é a diversidade de trajetórias e posicionamentos", comenta. 

Ele acredita que a roda é uma forma de colocar pessoas a pensar em assuntos que muitas vezes são deixados de lado pelas próprias doutrinas, como por exemplo a política. 

"Fico interessado em estar lado a lado de determinados movimentos e o questionamento mais interessante é o de política. Algumas religiões se eximem dessas questões e falar de uma vida melhor para o povo soa como partidário, mas não é, a ideia é tentar incluir pessoas que estão alheias a esses assuntos", diz. 

O tereré da "inclusividade" deu certo e a igreja pretende realizar o evento todo mês, em diversas regiões da cidade, para que a comunidade tenha acesso, sempre reforçando o respeito a todos. 

"Se nós não seguirmos o evangelho, nós não vamos alcançar a plenitude. Muitas igrejas não seguem, porque se seguissem, saberiam respeitar as diferenças", finaliza o frei.





domingo, 22 de maio de 2016

Religião tem papel central na Cúpula Humanitária de Istambul



Tão associada a fundamentalismos, terrorismo e violência, a fé ainda tem potencial de promover a paz e o progresso? Essa é uma das premissas do encontro internacional promovido pelas Nações Unidas.

A religião é, sabidamente, capaz de mover montanhas. E, para intensificar sua quase onipresença no mundo, ela passará agora a se engajar mais pelo progresso econômico das nações pobres, ajudando refugiados a construírem uma nova vida e se empenhando por mudar as condições sociais que são solo fértil para os grupos terroristas islâmicos.

Pelo menos é o que desejam as grandes instituições doadoras e os chefes de Estado presentes na Cúpula Humanitária Mundial, que se realiza em 23 e 24 de maio de 2016, em Istambul. O encontro único, em seu gênero, foi promovido pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para quem "a humanidade presencia a maior catástrofe humanitária desde a Segunda Guerra Mundial".

O tema religião consta no topo da pauta da cúpula. Numa sessão especial na segunda-feira, representantes de diversas comunidades de fé estão convidados a expor à comunidade mundial as contribuições que podem prestar na superação das diversas crises humanitárias em curso.

Avanço com a religião, e não contra

Entre os participantes na metrópole turca também está o ministro alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Gerd Müller. "Em muitos países, os chefes religiosos dispõem de grandes prestígios", declarou à DW. 

"Precisamos utilizar esse potencial, sem fechar os olhos para o fato de que a religião também é instrumentalizada para a violência e o terrorismo."

Em colaboração com os grandes protagonistas internacionais de ajuda humanitária, Müller pretende explorar o potencial religioso, sobretudo do islã, para a paz e o desenvolvimento. Seu ministério está desenvolvendo um novo programa antiterror, sob o título: "International Partnership on Religion and Sustainable Development" (PaRD).

"As comunidades religiosas realizaram um trabalho importante, em todo o mundo, no setor da saúde, educação, nutrição e abastecimento de refugiados", afirma o político social-cristão. Cerca de 80% da população mundial se define como crente, "por isso, em muitos assuntos só é possível avançar com, e não contra, a religião".

A iniciativa do ministro Müller é saudada por associações muçulmanas como a Islamic Relief Deutschland. "O governo alemão certamente se alegra pela nossa existência; construímos muito na Síria", afirma a porta-voz da entidade humanitária, Nuri Köseli.

Sacerdotes avançam onde autoridades fracassam

A Islamic Relief Deutschland é uma das maiores contribuintes de sua organização-mãe internacional, a Islamic Relief Worldwide (IRW), ativa em 40 países. 

Em 2014, 113 milhões de euros foram disponibilizados à ONG, que entre seus parceiros conta com os ministérios britânico e sueco do Desenvolvimento, agências humanitárias da ONU, a União Europeia, a Aliança Mundial Luterana e a agência católica Cafod.

Um relatório conjunto da Cafod e da IRW sobre o combate ao ebola na África Ocidental ilustra quão importante pode ser a cooperação com líderes religiosos em regiões de crise. Lá, sacerdotes muçulmanos e cristãos conseguiram, com argumentos religiosos, algo em que autoridades estatais e agências da ONU haviam fracassado: modificar os ritos fúnebres tradicionais e, assim, deter a difusão da epidemia.

As taxas de contágio só caíram do momento em que padres e imãs conseguiram comunicar aos parentes em luto, de forma convincente, que uma despedida digna também era possível sem contato físico. Até então, o manuseio dos cadáveres contaminados garantia o alastramento meteórico do ebola.

"Se os líderes religiosos estivessem integrados desde o início, teríamos salvo muitas vidas humanas", afirma o relatório da Cafod e IRW Keeping the faith (Mantendo a fé), que voltará a ser discutido na Cúpula Humanitária.

Igrejas como pioneiras

A cooperação com chefes religiosos já se apoia em anos de experiência. O ministério alemão do Desenvolvimento trabalha há mais de 50 anos, com sucesso, junto a órgãos humanitários eclesiásticos como a Brot für die Welt e a Misereor, transferindo anualmente para seus projetos 200 milhões de euros.

Um dos principais protagonistas da assistência humanitária e da cooperação para o desenvolvimento é o Aga Khan Development Network (AKDN). A rede leva o nome do chefe religioso dos ismaelitas nizari, uma corrente xiita do islã, dispondo de 80 mil colaboradores e de um orçamento anual de 625 milhões de dólares.

Mas, apesar de todos os esforços pelo diálogo e cooperação, também na Cúpula Humanitária Mundial fica evidenciado o cisma que separa as alas de fé. Pois uma instituição foi intencionalmente excluída do convite a Istambul, a International Islamic Relief Organization of Saudi Arabia.

Como as demais, a entidade criada em 1979 por um decreto do rei da Arábia Saudita presta assistência humanitária. Contudo ela também financia a construção de mesquitas, sendo suspeitada pela ONU de apoiar islamistas radicais.






Agenda de eventos marca o Dia da África, comemorado no dia 25 no Rio de Janeiro


Para começar, lançamento da Coordenadoria de Experiências Religiosas Tradicionais Africanas, Afro-Brasileiras Racismo e Intolerância Religiosa, com diversas atividades, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, no  Largo São Francisco de Paula, no Centro. 

O dia englobará palestras, apresentação da coordenadoria e dos membros. A grade pontuará com mesa de debate, danças, barracas com iguarias, vestuário, acessórios afros, shows, cinema e outros. O encontro pretende recebe em torno de 1.500 pessoas.

O projeto ganha força e já traz parcerias contundentes, vem apoiada pelo IV Encontro Sociocultural, Econômico e Político. Que esse ano aborda o tema: Questões de África: “Uma herança histórica e seus reflexos na sociedade contemporânea”. O encontro traz para o dia: mobilização de alunos e professores. 

A Coordenadoria Experiências religiosas tradicionais africanas, afro-brasileiras, racismo e intolerância religiosa, vinculada ao Laboratório de História das Experiências Religiosas (LHER), foi criada a partir dos trabalhos conjuntos entre o Laboratório e o Centro de Articulação de População Marginalizada (CEAP), frente ao combate à intolerância religiosa no Brasil e os debates em torno da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental, Médio e centros de ensino superior. Tendo como coordenadores Ivanir dos Santos (geral), Elé Semog e Mariana Gino.

“A Coordenadoria pretende promover o debate em torno das multiplicidades das experiências religiosas africanas e afro-brasileiras, aliada a temática do racismo e da intolerância religiosa, temas ‘caros’ para compreensão da formação religiosa do Brasil, um país hibrido constituído através dos processos sócios-históricos entre as culturas religiosas afro-luso - americano. Americano, evidentemente, por sua posição geográfica e sua população indígena; lusitano, por ter sido colonizado pelos católicos portugueses; e africano, por ter aqui aportado os negros escravizados, em vários países africanos, que traziam consigo seus costumes, suas tradições e, principalmente suas religiões e suas experiências religiosas”, afirma Ivanir dos Santos. 

Objetivo Específico da coordenadoria: Apontar os trabalhos acadêmicos que estão sendo desenvolvidos sobre. Discutir sobre a inserção e aplicabilidade da lei 10.639. Destacar o dia 25 de Maio não apenas como um marco histórico dentro das histórias do continente africano, mas também uma rememoração da afirmação da identidade negra no Brasil pós diáspora.

Ao longo do dia 25/05

Diversos segmentos compõem o evento na praça do Largo de São Francisco de Paula: feira com afro empreendedores de moda, sob a coordenação de Silvana Thebas, com penteados afro, oficina de tranças (tranças rasta e nagô, dreads), arte, literatura, exposição fotográfica, barracas iguarias africanas e shows...

Das 8h30 às 9h - Café da manhã orquestrado pela Vate Produções, produzido por Cátia Cruz, com os consulados dos países africanos no Brasil: Republica de Angola: Dr. Rosário Gustavo de Ceita - Benin: Dr. Cesar Haia - Cabo Verde: Dr. Pedro Antônio dos Santos - República Democrática do Congo: Dr. Fernando Pablo Mitre Muppapa - Senegal: Sr. Amina Ngoal - São Tomé e Príncipe / Republica Democrática Saravi: Dr. Washington Machado.

Das 9h10 às 10h10 – Abertura com Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese (UFRJ) - Prof. Mestrando: Babalawô Ivanir dos Santos (UFRJ) – Consulados de Angola; Benin; Cabo Verde; Senegal e República D. do Congo.

Das 10h15 às 11h30 – Mesa Temática: Religiões Tradicionais Africanas, com Prof. Hipólito Sogbos - UFS/Benin - Profª. Leatitia Abyon -UFRGS/Benin e Prof. Dr. Murilo Sebe Boh Meihy (UFRJ).

Das 11h35 às 12h50 – Mesa Temática: Religiões Afro-Brasileiras, com Dra. Helena Teodoro – Mestrando Elaine Marcelina - Universo e Prof. Alexandre Carvalho dos Santos (UFRJ/Padê).

Das 14h05 às 15h20 – Mesa Temática: Racismo, com Profª. Jaciane Belquiades - Prof. Dr. Alain Pascal Kaly (UFRRJ) e Prof Mestrando Elé Semog – UFRJ

Das 15h25 às 16h40 - Mesa Temática: Intolerância Religiosa, com Prof ª. Mestranda Juliana B. Cavalcanti (PPGHC-LHER-UFRJ) e Socióloga Ediene Sales (Estágio de Sá)

Na Ala Parceria Cultural – No Largo São Francisco de Paula

Das 9h às 17h - Projeto Odarah Produção Cultural Afirmativa

O projeto se constitui enquanto plataforma de fomento e visibiliza negócios com ênfase na moda, educação, arte e cultura, geridos por pessoas negras. Em atividade desde 2013, fazendo uma ocupação cultural na FEBARJ (Federação dos Blocos Afro do Rio de Janeiro, na Lapa), atuando enquanto feira de negócios com marcas do Brasil inteiro, bem como enquanto espaço para artistas da fotografia, cinema e artes cênicas, com diversas barracas na praça.

Das 9h às 17h - Projeto Trança Terapia por Gabriela Azevedo - No Largo
São Francisco de Paula

O projeto Trança Terapia visa em sua atuação trabalhar o aspecto artístico das tranças, entendendo essa prática ancestral como a expressão da criatividade de um povo que é matriz cultural para a cultura brasileira. Através da arte com as tranças, disseminamos a valorização da estética negra e valorizamos as culturalidades africanas no embelezamento de mulheres e homens.

Às 9h30 – Roda de Conversa - no interior do IFCS

A produtora Cátia Cruz, abre roda de conversa com o tema “Como se encontra  a situação das mulheres da África, no Município do Rio de Janeiro”.

Convidados para a Roda de Conversa Pan-africanismo Pan-africanismo
Das 10h às 12h30

Tema: União Africana, africanismo e antiafricanismo: alguns apontamentos

Palestrante: Prof.º Dr.º Hippolyte Brice Sogbossi Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe e Membro do Conselho Deliberativo do NEAB/UFS - CECH, Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros

Tema: Nkrumah, África atual e a nova descolonização.

Prof.º Dr.º Pedro Acosta Leya  da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

Tema: Construção de Estado senegalês e o Conflito de Casamance

Palestrante: Prof. º Drº.  Mamadou Alpha Diallo do Departamento de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (UNILA) e Doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pesquisador associado ao Centro Brasileiro de Estudos Africanos (CEBRAFRICA), ao Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE).

Tema: O Cristianismo na África: Uma religião colonial?

Palestrante: Prof.º Dr.º ALAIN PASCAL KALY

Das 14h às 16h30

Tema: Unidade cultural africana

Palestrante: Luanda Maat: Cientista social formada pela PUC-Rio, pesquisadora independente de Afrocentricidade, Africologia e Mulherismo Africana, integrante do Grupo de Pesquisa e Pratica de Yoga Kemética (antigo egípcia) - Rio, ex-coordenadora do Fórum Estadual de Juventude Negra do Rio de Janeiro e dos coletivos de estudantes universitários negros Luis Gama e Sankofa . Ex-mestranda do Programa de Políticas Públicas, Estrategias e Desenvolvimento do Institutode Economia da UFRJ (2012-2015)

Tema: A prática da Yoga do Antigo Kemet: ferramenta de luta e libertação atual para a diáspora Africana

Palestrante: Emaye Ama Mizani: Fundadora da Mesob Ta-Urt - A Mesa da Terra e representante nacional da Kemetic Yoga Brasil - Maat Flow.

Tema: Identidade Real Africana

Nabby Clifford: Embaixador do Reggae no Brasil

Sombra Di Polon

Tema: Um espaço revolucionário e independentista sociocultural, político e religioso de herança Kaabunke e Afro-porturguesa

Tchinho Kaabunke  Sociologo, Arquiteto, Urbanista e Ambientalista, Programa de Pós Graduação em Sociologia UFF, Programa de Pós Graduação em Urbanimo UFRJ, Centro Africano de Estudantes

Às 17h - Apresentação artística Padê – No Largo São Francisco de Paula
Projeto em Africanidade na Dança Educação- PADE/UFRJ, coordenado pelo professor Alexandre Carvalho, desenvolve estudos sobre as questões da memória e identidade afro-brasileira, tendo como foco de pesquisa os cultos de matriz africana. Pautados nas ações afirmativas, sobretudo na lei 10.639/2003, produz trabalhos artísticos acadêmicos, que tratam da luta contra a intolerância religiosa, preconceito e o racismo e destaca a importância da Cultura Afro-brasileira. Com 12 integrantes fazem performance de 10m na praça: Iroko Cumieira do Mundo.

Na Ala Expo Afro – na Estrada do Salão Nobre do IFCS

Das 9h às 17h - Projeto Crenças por Thabata Castro.

Exposição com 17 fotos e um políptico (que é um conjunto de 12 fotos, funcionam como um conjunto). Em diversos tamanhos que variam entre 70x50 cm e 10x15cm. Realiza esse projeto desde 2007, formada em História da Arte pela UERJ. A exposição concentra em três festejos “O Cortejo”, que sai do Mercadão de Madureira e vai até a orla de Copacabana, o do “Dia 2 de Fevereiro”, que sai da FEBARJ e vai até a Praça XV, onde também sai uma barca que vai até a entrada da Baia de Guanabara e por último os festejos de “São Jorge”, na Igreja da Rua da Alfândega, no Centro.

Na Ala África na Praça - Largo São Francisco de Paula

Às 9h – A festa ganha parceria da Feira Cultural e Gastronômica Paladares da África – 2ª. Edição. Em torno de 50 barracas compõe a feira na praça do Largo São Francisco. Contará ainda com o DJ Nilson Newboys, entre DJs convidados angolanos, cabo verdianos, congoleses e brasileiros, que se revezam no decorrer do dia. As barracas com acessórios, tecidos, esculturas, turbantes, variam de R$ 3,00 a R$ 150,00.

Às 12h30 – gastronomia - com iguarias africanas como micondes, paracuca, doce de coco, doce de ginguba, ginguba torrada, banana assada, mufete de peixe frito, fungi de milho de bombo, cachupa, kizaca, entre outros. Os quitutes variam entre R$ 3,00 a R$ 20,00.

Às 15h – Desfile de moda com trajes africanos de Cabo Verde, Senegal, Congo, entre outros.

Às 17h – Shows com diversos convidados.  

Com o grupo Batacotô - do ioruba, como líder e fundador o baterista Téo Lima, foi conhecido, no Brasil, um tipo de tambor usado, principalmente na Bahia do século XIX, pelos africanos revoltados. Tido como elemento fortemente incitador das massas rebeladas, sua importação foi proibida depois da grande insurreição de 1835, conhecida como Revolta dos Malês.  Em 1991, o nome batizou o grupo vocal e instrumental de música popular que une um pouco de música de raiz brasileira com guitarristas de rock, teclados, contrabaixos aliados ao suingue do jazz e ao ritmo dos bateristas de escola de samba. E é exatamente essa mistura que dá um tempero especial ao grupo cuja base “afro” é a identidade que sustenta todas essas experimentações.

Seguindo pelo show – Dudu Fagundes, “O 'Maestro das Ruas'' começou trabalhando sentado num banquinho em frente à Escola Nacional de Música, na Lapa, fazendo partituras com papel e caneta na mão. Depois comprou equipamentos de informática, instrumentos, fez parcerias com outros profissionais da área e começou a desenvolver trabalhos no meio artístico. E traz novidades com novo trabalho, com o CD “Uma Nobreza Rara”, no repertório, as músicas “Luanda Ainda”, “Minha Crioula”, “Bem Vindo, Soul África” e “Preto e Branco”.

O projeto fecha com participação de Nego Álvaro, de longa trajetória acompanhando grandes músicos. Nego Alvaro faz participação com as músicas “O Canto das 3 Raças”, “Emoriô” e o sucesso gravado na voz de Beth Carvalho “Estanhou O Que?”

Na Ala Cine Áfricas - sessão com filmes africanos, no interior do IFCS, a partir das 10h

Filmes:

Keita: A herança do Griot: Direção: Dani Kouyaté, Roteiro: Dani Kouyaté, Gênero: Drama, Origem: Burkina Faso/França, Duração: 94 minutos, Tipo: Longa-metragem  

I love Kuduro: Direção: Mário Patrocínio, Produção: Mário Patrocínio, Roteiro: Coréon Dú, Mário Patrocínio.

Virgem Margarida: Direção: Licinio Azevedo, Gênero Drama, Países cooperadores na produção Nacionalidades França, Portugal, Moçambique.

Emitaï: Direção Sembène Ousmane, país Senegal, ano1971, duração 35mm, cor, 96’ | Idiomas diola/francês.

Xala: Direção Sembéne Ousmane, país Senegal, ano 1975, duração35mm, cor, 117’ | Idiomas wolof/francês.

Ceddo: Direção Sembène Ousmane, país Senegal, ano1976, duração 35mm, cor, 111’ | Idiomas wolof /Legendas em português.

Mister Johnson: No Coração da África: Direção Bruce Beresford

Entenda: O Dia Internacional da África foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, por reconhecimento ao dia 25 de Maio de 1963, quando chefes de Estado africanos reuniram-se na Etiópia. Nesse dia, fundou-se a Organização da Unidade Africana (OUA), sendo conhecida hoje como União Africana, que tem como objetivos: manter a unidade e a solidariedade africana, eliminar o colonialismo, garantir a soberania dos Estados Africanos e a sua integração econômica, bem como fomentar a cooperação política e cultural no continente.

Dia 25 de Maio - QUARTA, das 9h às 20h
No Instituto Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ)
Largo São Francisco de Paula, 1 – Centro
Entrada franca 




sábado, 21 de maio de 2016

Escócia: igreja protestante aprova ordenação de homossexuais casados – Por Russell Cheyne


Moção foi adotada por ampla maioria, 339 votos a favor e 215 contra. A instituição continua, no entanto, a não celebrar casamentos homossexuais.

A Igreja Protestante da Escócia aprovou este sábado a ordenação de homens e mulheres casados com uma pessoa do mesmo sexo, três anos depois de ter aceitado a ordenação de homossexuais.

A Igreja Protestante escocesa já tinha autorizado, em 2015, a ordenação de pastores, homens ou mulheres, que vivessem em união civil com alguém do mesmo sexo, mas adiou o caso dos casados por um ano, para permitir um debate interno sobre a questão.

"De algum modo, fizemos a mudança fundamental no ano passado e, para muitos, hoje tratava-se de clarificar a situação e de agir em conformidade com a lei escocesa", explicou o reverendo John Chalmers. A moção foi adotada por 339 votos a favor e 215 contra.

A Igreja Protestante da Escócia aprovou em 2013 uma moção autorizando a ordenação de homossexuais, depois de anos de debate entre os setores liberal e tradicionalista.

Apesar da mudança hoje aprovada, a Igreja Protestante da Escócia continua a não celebrar casamentos homossexuais. A Igreja Protestante da Inglaterra, em contrapartida, não permite a ordenação de homossexuais em união civil ou casados com pessoas do mesmo sexo.






sexta-feira, 20 de maio de 2016

Marxismo e Religião: Água e óleo? Um papo com o professor de História e religioso Thiago Nascimento - Por Lula Vilar


Um dos assuntos que tem se tornado comum, em alguns campos da intelectualidade, tem sido a junção entre o marxismo e as religiões. 

Não por acaso, muitas visões de esquerdas (apoiadas nas teorias de Karl Marx) encontram respaldo dentro de algumas igrejas, apesar de estudos filosóficos apontarem para uma mistura entre água e óleo.

Eis que me interessei sobre o tema. O objetivo é conversar com pessoas que encontrem sentido nesta união e com as que não encontram. Confesso: estou no segundo grupo.  Pedi sugestões para alguns amigos para o contraponto e pretendo trazer em breve. Mas, agora publico a conversa que tive com o religioso Thiago Nascimento.

Nascimento possui graduação em História e mestrado em Serviço Social pela Universidade Federal de Alagoas. Foi professor durante muitos anos em rede pública e privada. Atualmente, é técnico em Assuntos Educacionais da Universidade. Paralelo a isto, é pastor da Igreja Batista Plenitude há dois anos. Há uma história de conversão na vida de Nascimento que se deu em 2005.

Eis a conversa:

Na visão do senhor, e de muitos historiadores críticos, o marxismo não combina com religião. No entanto, o que mais enxergamos é esta corrente materialista se infiltrando nas Igrejas, independente se católicas ou protestantes. Por que, em seu entendimento, isto ocorre?

Veja só, dentro do cristianismo existem muitas vertentes e muitas leituras diferentes. A visão ortodoxa, que leva em conta o texto bíblico e o ensino apostólico desde o I século, antagoniza com o marxismo definitivamente. No entanto, dentre as diferentes leituras se encontram aquelas que se aproximam da interpretação marxista da história e da perspectiva da esquerda em geral. Os exemplos mais conhecidos são a Teologia da Libertação entre os católicos e a Teologia da Missão Integral entre os protestantes. Visões do evangelho que apresentam um Jesus que "escolheu os pobres", que está do lado dos excluídos, que prega algum tipo de luta social contra as injustiças ou que se insurge contra a ordem estabelecida. É claro que esta concepção não se sustenta com base nos textos do Novo testamento. Nenhum deles. Na verdade ela ignora alguns aspectos cruciais do ensino de Jesus. Para explicar a razão disto é preciso estudar a história, o nascimento de cada um destes movimentos (no caso a T.L. ou a T.M.I.) e o contextos político e social no qual foram gerados. Mas de forma geral afirmo que esta infiltração marxista dentro de alguns segmentos cristãos acontece pelo abandono da ortodoxia. O ensino da Bíblia e da doutrina cristã da maneira como é apresentada desde os primeiros discípulos de Jesus, com sua visão de mundo, concepção de homem e valores morais, não permite que o cristão tenha ideias socialistas, por exemplo. A apropriação política do evangelho, ou a esquerdização de Jesus só encontra lugar onde o ensino dos fundamentos bíblicos foi abandonado.

Completando a pergunta, como o senhor enxerga fenômenos como a Teologia da Libertação?

Especificamente falando da TL, eu diria que ela é fruto de uma leitura equivocada dos evangelhos. Surge em um certo período histórico e se difunde em regiões onde aquele pensamento encontra eco. Populações exploradas e fragilizadas, necessitadas de um discurso que encoraje a luta política e a subversão de uma ordem opressora, onde havia uma herança católica que foi explorada pela TL e pelos grupos políticos que fizeram uso dela. O final dos anos 60 foi uma época fértil para a expansão desse tipo de ideias e a América Latina foi o lugar ideal. A abertura proporcionada pelo Concílio Vaticano II, o contexto de lutas sociais da época, a Guerra do Vietnã, a Guerra fria e a situação específica do continente latino americano favoreceram leituras do cristianismo influenciadas pelo marxismo. Existe na TL a ideia falsa de que o evangelho faz a opção pelos pobres. A ideia de que a luta política ou a busca pela transformação social são formas de fazer a vontade de Deus e que a luta de classes foi apoiada por Jesus. Eles pegam textos isolados do contexto, passagens interpretadas com um fim específico para criar todo um ideário onde Jesus é um revolucionário que lutou contra as injustiças sociais e os poderosos da época, que se colocou ao lado dos pobres contra os ricos, etc. O foco do ensino deixa de ser a luta contra o pecado e a libertação espiritual para ser a "emancipação humana" do capital. Os fundamentos do evangelho são trocados. Esta análise serve também para a Teologia da Missão Integral e movimentos afins. Claro que existem diferenças entre eles, de temporalidade e mesmo na doutrina, mas as influências são as mesmas e a lógica do movimento é muito parecida.

Quais são os pontos cruciais que separam o marxismo da religião? Por que um cristão não pode, digamos assim, ser marxista? Ou pode?

Vou responder sob a ótica cristã. A base filosófica do marxismo é o materialismo dialético. Na filosofia materialista Deus não existe. Nós somos unicamente matéria e, embora exista algo como o pensamento ou as ideias, a matéria é anterior e possui a primazia na relação com a ideia. O homem é um ser historicamente construído. As ideias são reflexo da base material (as relações que os homens travam entre si no processo de produção de riqueza material da sociedade, ou seja, o trabalho), a religião, a moral, a filosofia e direito são criação do homem. Não há espaço para revelação divina ou para crer em um homem imagem e semelhança de Deus que seja obra prima da criação. O materialismo dialético é uma filosofia ateísta e não por acaso os grandes expoentes do marxismo são/fora ateus. Marx escreveu que a religião é o ópio do povo nos Manuscritos de Paris, de 1850. A cosmologia marxista é oposta à cristã. A concepção de homem é radicalmente diferente. Inclusive o marxismo não é só uma filosofia, ou um conjunto de ideias sobre economia e política. É uma forma de interpretar a realidade que se pretende ser completa. É uma ideologia que abrange todas as áreas do conhecimento e da ação humana. A adesão a ela precisa ser completa. Possui um modelo de sociedade a ser alcançado e uma concepção de História. Esta concepção é antagônica ao cristianismo. A moral cristã não faz sentido dentro da lógica do marxismo, a família é vista como criação do homem em um contexto de surgimento da propriedade privada; valores como santidade, pecado, ressurreição, justificação, não existem na ideologia socialista e não fazem sentido. A plataforma comunista dizia "fim da propriedade privada, do Estado e do casamento monogâmico". Entendendo cristão como aquele que acredita em Deus, em Jesus Cristo como filho de deus que veio a terra para redimir o homem do pecado e que crê na Bíblia como Palavra de deus inspirada e infalível, digo que o indivíduo pode ser cristão ou marxista, não as duas coisas. Não é porque são diferentes, mas porque são antagônicos. É claro que existe aquele cristão que não conhece tudo da Bíblia, ou que não conhece tudo no marxismo e não vê incompatibilidade. Mas se estudar e descobrir o que de fato está por trás das ideias, vai perceber que não dá para ser as duas coisas. Conheço muitos cristãos que se dizem de esquerda. Eles não sabem o que é o comunismo de fato, não conhecem as raízes do pensamento nem os desdobramentos da história.  Ou se conhecem são aqueles cristãos nominais que não tem um real compromisso com a Bíblia. É só dar uma olhada rápida em qualquer livro de História: a agenda da esquerda contém tudo o que a Bíblia condena. Cristãos e esquerdistas sempre estão em lados opostos nas barricadas. Todos os países onde o socialismo assumiu o poder perseguiram os cristãos.

Como cristão, quais os males que o marxismo traz para a sociedade na visão do senhor?

Como cristão eu diria que a primeira coisa é a perda de referencial. Sem Deus as coisas perdem sentido. Não existe padrão absoluto para moralidade em uma sociedade ateísta. O próprio ser humano perde valor. Os indivíduos enquanto subjetividade perdem valor. O cristianismo defende a liberdade. Defende a individualidade do ser humano, a capacidade de tomar decisões e assumir responsabilidades. No socialismo todo mundo é igualado mesmo no que é diferente, as pessoas são niveladas por baixo. A liberdade desaparece, o Estado controla os corações e mentes...Existe um prejuízo maior ainda do ponto de vista moral, a degradação da família, a destruição de valores tradicionais. Se Deus não existe o certo e o errado, o bom e o mau são relativos. O cara pode tomar atitudes altamente condenáveis segundo padrões cristãos, que são aceitas dentro da lógica do pensamento materialista, porque existe uma finalidade que se torna mais importante. Vemos isso no procedimento dos políticos da esquerda no Brasil e no mundo. Discursos demagógicos e mentirosos. Vemos a falta de ética, a corrupção, o uso da mentira e da difamação, o uso de estratégias totalmente imorais para manter o poder e ter controle. É claro que estes problemas citados não são exclusividade da esquerda. A questão é que quando um cristão é anti-ético, imoral ou corrupto ele está em discordância com o que acredita. Um cristão que faz isso é um hipócrita. O ensino cristão não aceita a mentira, o roubo, a corrupção, etc. Mas quando o esquerdista age assim ele não está sendo coerente, porque a natureza do discurso esquerdistas traz implicações morais que tornam aceitável o uso de certas estratégias e práticas. É por isso que os governos socialistas cometeram genocídios sistemáticos no século XX. Porque o indivíduo perde valor e o certo e o errado assumem nova configuração, dentro da lógica de manutenção do poder daqueles grupos. Por isso os socialistas falam em liberdade e igualdade, em fim das classes sociais e estabelecimento de uma sociedade justa, mas quando chegam ao poder instalam ditaduras, acabam com a liberdade, criam governos militaristas, perseguem seus inimigos, torturam e matam. A elite continua no poder, no caso a burocracia estatal formada pelo partido, e o povo continua amargando a miséria, e sem a possibilidade de ascensão ou mobilidade social que uma economia de mercado permite. Como eu tinha mencionado na resposta anterior, a ideologia marxista se pretende geral. Há uma concepção de homem e de mundo e um modelo de sociedade que se pretende construir. Os caras sabem como a família cristã é importante para o nosso modelo de sociedade, por isso tantos ataques à família. A família é a célula inicial da sociedade e esta é a razão da esquerda tentar criar novos modelos de família. Eles precisam acabar com a família cristã e estabelecer sua agenda moral para alcançar êxito em sua transformação da sociedade. Por isso a esquerda dá tanta ênfase à ideologia de gênero, casamento gay, liberação sexual, uso indiscriminado de drogas, aborto, relativismo moral. Faz parte da estratégia de criação de novos valores e destruição da sociedade cristã. Evidencia de novo nosso antagonismo.

Qual a importância da religião neste momento de turbulência política que estamos vivendo, uma vez que ele também é fruto desta mentalidade secularista na qual estamos inseridos?

Falando especificamente do evangelho, ele é "o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê" (Ro 1:16). A proposta de Jesus é um caminho de justiça, integridade, verdade, transparência, amor, humildade. Acredito que estes valores são muito úteis para a vida em sociedade e a convivência entre as pessoas. Inclusive a prática política que se fundamente em valores como estes é uma prática diferenciada, sobretudo honesta. A mensagem de Jesus transforma o indivíduo. Ela não impõe uma forma de pensar para uma coletividade, não pode ser forçada de cima pra baixo, mas entendida e aceita por cada sujeito. E cada sujeito transformado por esta mensagem, espiritualmente liberto das amarras do pecado, está apto a ser um agente de transformação, a abençoar as pessoas e a sociedade em geral. Os ensinamentos contidos no sermão da montanha sobre convivência, humildade, integridade, perdão, se fossem aplicados na sociedade criariam um mundo muito mais justo e agradável, para todos. É nisto que eu creio. E são estes valores que a visão de mundo marxista tenta destruir. É claro que não é só o marxismo que luta contra o padrão bíblico de família e os princípios morais cristãos. Outras correntes de pensamento ateístas, não necessariamente materialistas, combatem o cristianismo. Mesmo dentro do movimento liberal encontramos defensores da agenda moral da esquerda para a sociedade.  A mentalidade secularista anticlerical ou anticristã surge bem antes do marxismo. Marx viveu entre 1818 e 1883, e temos filósofos ateus bem antes disso. Por este motivo o cristão precisa saber em que crê e conhecer a fundo as doutrinas políticas que defende. Eu acredito que a concepção cristã de homem e de mundo é verdadeira, por isso creio que os princípios bíblicos para a sociedade, no que se refere à moral e à prática dos indivíduos, são bons para a sociedade. Então considero muito importante a defesa destes valores e entendo perfeitamente a luta da esquerda ou de certos grupos ditos progressistas para acabar com estes valores ou invertes os valores morais. É disto que trata por exemplo a estratégia gramsciana de construção da hegemonia.

As religiões, de forma geral, são vistas como um “ópio do povo” dentro de um Estado laicicista. São atacadas e é cobrado que a visão religiosa fique fora da política, como observamos nas discussões do Senado e Câmara de Deputados, além de outras casas legislativas. Como o senhor observa isto?

Pessoalmente sou totalmente a favor do Estado laico. Mas o que é Estado laico? Existe muita confusão quando se fala sobre isso. Estado laico é diferente de Estado ateu ou Estado laicista. Não é um Estado contra as religiões, ou que proíbe as manifestações religiosas. Muito pelo contrário. O Estado laico não tem uma religião oficial não se baseia em uma religião específica, mas protege todas as religiões e concede liberdade de culto, de expressão e de pensamento. A constituição brasileira estabelece liberdade religiosa e inclusive protege os lugares de culto. Os que enxergam a religião dessa forma negativa são em geral ateus que querem se ver livres das limitações que a religião estabelece. Ou que veem na moral cristã, por exemplo, um entrave ao seu plano de governo e seu modelo de sociedade. Acredito que o político deve entender que serve à toda a sociedade, não a uma pequeno grupo, mas isso não quer dizer que ele deve abrir mão daquilo que acredita. É preciso ter bom senso e equilíbrio. Nossa sociedade foi fundada sobre valores cristãos. Todo o pensamento ocidental foi largamente influenciado pela Bíblia. Mesmo os críticos das Escrituras acabam fazendo uso dos princípios dela, quando convém a eles. Acredito que quando o político age com justiça, ética, respeito, se baseando na verdade e buscando fazer o melhor na sua função, para servir à sociedade, ele está praticando os princípios cristãos. No governo atual, por exemplo, quando vemos discussões sobre o papel das igrejas e uma busca por afastar a religião da política o que se quer na verdade é que os valores cristãos sejam afastados. Estes grupos querem estabelecer a sua agenda moral e pra isso precisam calar os que defendem a família e a vida.

Com um cristão deve proceder diante do momento político? Até que ponto ele deve se envolver e como se envolver? É legítimo ele se candidatar?

No momento político atual acredito que o cristão deve orar muito. Orar pelo país, orar pelo povo...É preciso ter sempre equilíbrio, se informar, saber o que está acontecendo. As decisões precisam ser tomadas com o máximo de informações, pra serem acertadas, e dentro de nossos princípios. Como o cristão deve se posicionar? Se posicionar a favor de visões políticas que se harmonizem com nossa linha de pensamento. Fazer frente a ideologias nocivas à família e á sociedade. Sobre envolvimento, somos seres políticos. Todas as nossas ações tem implicações políticas (não falo de política partidária, falo de política no geral). Envolver-se em política é natural em um Estado democrático de direito. O limite deste envolvimento é o limite da ética. Se o crente se candidata ou não, é escolha dele. O cristão pode se candidatar, mas deve fazer isso enquanto indivíduo. A igreja de Jesus não foi chamada para lutar por poder político ou pra conquistar posições dentro do aparelho de Estado. Nossa luta é outra e em outra frente. Mas o indivíduo é livre pra proceder como quiser.





quinta-feira, 19 de maio de 2016

Racismo e intolerância religiosa são temas de palestra promovida pela SSP


Na manhã desta quarta-feira, 18/05, policiais militares e civis de diferentes unidades participaram do Encontro: 

“Desmistificando o Sincretismo: A polícia dialogando com a comunidade”

O evento, pactuado em audiência pública promovida pelo Ministério Público em março deste ano, tem como objetivo promover uma pauta de discussões entre os órgãos que compõem a segurança pública, no que diz respeito ao racismo e à intolerância religiosa.

O babalorixá Janilson Teixeira, palestrante do evento, informa que o objetivo maior é o diálogo e a reflexão. “Temos que trabalhar as diferenças da sociedade, em um processo de parceria e transmitir aquilo que nos deixa vulnerável, enquanto minoria religiosa”, pontuou Janilson.

O encontro, de viés antropológico, faz parte de uma das etapas do plano de ação do Projeto: “Racismo: Conhecer para Enfrentar”

Uma campanha nacional coordenada pelo Grupo de Trabalho Enfrentamento ao Racismo e Respeito à Diversidade Cultural, da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais (CDDF) do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A coordenadora do Núcleo de Analise de Pesquisas e Políticas Públicas, Cidadania e Prevenção, Abigail Souza, informa que o objetivo desse encontro, é quebrar paradigmas criados historicamente. “A SSP na perspectiva do seu trabalho de excelência, preza pelo respeito à pluralidade, pelo trabalho de prevenção e pela harmonia da sociedade”, enfatizou.

Aqui no Estado, está à frente o Ministério Público Estadual, por meio do Promotor de Justiça Dr. Luis Fausto Dias de Valois Santos. No atendimento às reivindicações promovidas pela instituição, coube às Polícias Civil e Militar a participação no evento.

Para a Capitã da Polícia Militar Jussara, é um marco histórico tanto para o candomblé como para a instituição. “É de suma importância para os alunos aqui em formação, conhecer as religiões para poder respeitá-las”, concluiu.






quarta-feira, 18 de maio de 2016

Elementos afros e católicos compõem missa em igreja em Macapá


Todas as terceiras terças-feiras de cada mês, membros de religiões de matriz africana e da igreja católica São Benedito, localizada no bairro Laguinho, Zona Central de Macapá, se reúnem para celebrar a Missa Afro, utilizando elementos afros, como banho de cheiro, cânticos ao som de caixas de marabaixo e a presença de padre e pais e mães de santo.

Criada há cerca de 3 meses pela Pastoral Afro-Brasileira do Amapá, a missa afro tem representantes da umbanda, candomblé, tambor de mina e catolicismo. Nesta terça-feira (17/05), o evento celebrou o fim do clico do marabaixo no Amapá.

A cerimônia iniciou por volta das 18h, com a realização de uma ladainha para a Santíssima Trindade, como parte da celebração do Clico do Marabaixo.  

Os símbolos das religiões de matriz africana presentes na igreja representam mistura de crenças dos participantes. Ao final, foi realizado um banho de cheiro, onde os líderes religiosos respingaram nos fiéis água à base de ervas e perfumes.

A assistente social Heloísa Jucá, de 48 anos, participou pela primeira vez da missa-afro. Ela disse que é importante a celebração para a diversidade de crenças e culturas.

“Gostei da ideia da missa afrodescendente e pretendo, sim, participar sempre, pois é uma forma de preservar a cultura e identidade do povo amapaense”, disse.

De acordo com a coordenadora da Pastoral Afro-Brasileira no Amapá, Antônia Guina, a missa afro é a forma como os descendentes dos quilombos expressam a fé através das danças, ladainhas e batuque dos tambores, seguindo a liturgia da igreja católica

“Além dos rituais comuns da missa católica, os fiéis participam de ladainha, banho de cheiro e os cânticos são celebrados ao som de caixas de marabaixo. Uma forma de manifestar a fé cristã e preservar acultura de matriz africana”, enfatizou.

O coordenador diocesano da Pastoral Afro, padre Francivaldo Lima, disse que a missa é uma forma de celebrar as religiões africanas e combater o preconceito.

“Precisamos colaborar na construção de uma sociedade justa e solidária. E é isso que estamos fazendo aqui, promovendo a integração de negros e negras, que sofrem até hoje com a discriminação e o preconceito”, enfatizou.