domingo, 10 de janeiro de 2016

Galileu na Prisão e outros mitos sobre Ciência e Religião

Até à década de 1970, o paradigma há muito dominante na história da ciência era o da ciência triunfante e da religião em conflito permanente e feroz com aquela. Este é o paradigma que ainda persiste nos principais meios de comunicação e em algumas publicações académicas.

Todavia, há uma nova geração de historiadores da ciência e historiadores da religião que se tem debruçado sobre os episódios destas duas disciplinas, analisando-os à luz dos valores e conhecimentos dos respectivos protagonistas.

Este livro é fruto de algumas dessas investigações. Juntamente com outros vinte e quatro académicos que se dedicam a esta nova história da ciência, Ronald L. Numbers esclarece vinte e cinco mitos, que define simplesmente como «afirmações falsas», contrariando a ideia de que ciência e religião estão perpetuamente numa luta sem quartel.

Cada um dos capítulos de Galileu na Prisão mostra o quanto temos a ganhar em ver para além dos mitos. Numa obra simultaneamente informativa e lúdica, os autores, que incluem agnósticos, ateus e cristãos, desmontam ideias que têm sido apresentadas sob a capa de verdade histórica, desde o encarceramento de Galileu à conversão de Darwin no leito de morte, passando pela crença de Einstein num Deus pessoal que “não joga aos dados com o universo”. Sendo o obscurantismo o maior inimigo do conhecimento, a leitura deste livro que o enfrenta é imprescindível.

Dados do produto

Título: Galileu na prisão e outros mitos sobre ciência e religião
Título Original: Galileo goes to jail and other myths about science and religion
idioma: Português (PT)
encadernação: Brochura
formato: 15,5 x 23
páginas: 340
coleção: TRAJECTOS
ano de edição: 2012
ano copyright: 2009
edição: 1ª.






Católicos e budistas condenam estigma do Islã em visita a mesquita francesa - Por Augusto Pinheiro


Centenas de mesquitas em toda a França realizam neste fim de semana uma jornada de portas abertas, oferecendo um "chá da fraternidade", com o objetivo de receber pessoas de diferentes crenças e de mostrar que o islamismo é uma religião de paz. 

A data foi escolhida pelo Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) para coincidir com a semana de um ano dos atentados contra o jornal satírico Charlie Hebdo e o supermercado  judaico Hyper Casher, que deixaram 17 mortos em Paris.

A reportagem da RFI visitou a mesquita de Villejuif, na periferia sul de Paris, onde os fiéis recebiam os visitantes com um largo sorriso, um folheto sobre os preceitos básicos do islamismo, uma mesa de delícias árabes, chá de menta e café e muita disposição para conversar. 

Para entrar, era preciso tirar os sapatos, prática comum em todas as mesquitas. Não houve nenhum tipo de revista na entrada. Os visitantes puderam presenciar o ritual de oração muçulmano na sala do térreo, onde rezavam os homens. As mulheres oravam em uma sala separada, no primeiro andar.

O imã Muhammed Belki Ben, que assumiu o posto há dois meses, contou que o objetivo da jornada é mostrar o verdadeiro Islã. "Nosso principal valor é a fraternidade. Atualmente, devido aos atentados e a outras coisas que acontecem no mundo, os franceses têm uma impressão muito ruim do Islã. Queremos mostrar que somos uma religião de paz e de união", afirmou. "Todas as religiões levam a um só caminho, o caminho de Deus".

O padre católico Jean-Pierre, que exerce sua função em uma igreja do bairro, achou a iniciativa "muita boa para que possamos nos encontrar e nos conhecer". "O evento é uma bela ideia, que permite que pessoas que vivem em um mesmo país, que têm a humanidade em comum, possam se reunir independentemente das suas religiões", disse. O padre acha que não há uma "demonização" do Islã na França. 

"Mas, infelizmente, os atentados mancham a imagem da religião. Há um medo da violência, que, porém, não deve ser transformado em medo do Islã. Não devemos generalizar, mas, ao mesmo tempo, devemos refletir por que os atentados acontecem. Porque é um sinal de que a nossa sociedade está doente".

Católicos e budistas

A budista Dauphine, de 25 anos, trabalha na associação Coexister e se interessa muito pela questão interreligiosa. "Quando soube que haveria a jornada, chamei minhas companheiras de apartamento para vir comigo. É uma ideia formidável. O acolhimento é caloroso, os doces árabes são deliciosos e estamos aprendendo muito sobre o Islã. Ainda quero conversar com mais pessoas e visitar a sala das mulheres", disse. 

Mas ela também tem uma crítica: "Acho terrível que apenas pensem nesses eventos depois de atentados. Deveriam ser realizados sempre". Ela espera que essa jornada possa ajudar as pessoas a ver que, nas mesquitas, há apenas pessoas que rezam. "Mas, infelizmente, as pessoas que estão aqui hoje são aquelas que já sabem disso".

A católica Annie, acompanhada do marido, estava entretida em uma conversa com uma jovem muçulmana. "Eu e meu marido militamos há muito tempo pela aproximação interreligiosa e pelo diálogo entre religiões. É muito importante essa oportunidade de se conhecer melhor. O preconceito se deve ao desconhecimento, à ignorância. O fato de dialogar e de se reunir regularmente é muito importante".

Ela participa de uma associação em Villejuif que promove o diálogo entre as religiões, com reuniões sobre diferentes temas, entre judeus, católicos, muçulmanos, protestantes e praticantes de outras religiões.

Folheto sobre o Islã

Na entrada da mesquita, havia folhetos sobre uma mesa, com o título: "Compreender o Islã - Folheto Pedagógico". Entre os temas abordados estão uma breve descrição das bases da religião, os preceitos de conduta, as principais festas e a atitude em relação às outras religiões. 

Sobre este último assunto, o folheto diz que "o muçulmano respeita as outras religiões do Livro (judaísmo, cristianismo) e acha que o Corão chegou para completar as revelações precedentes. O diálogo com as outras religiões é encorajado".

Há um ponto apenas sobre o terrorismo que diz que "o Islã, que é uma religião de misericórdia, não permite o terrorismo". E continua: "Provocar terror nos corações dos civis sem defesa, a destruição em massa de edifícios e de propriedades, o bombardeio e a mutilação de homens, de mulheres e de crianças inocentes são todos atos proibidos e detestáveis aos olhos do Islã e dos muçulmanos. Os muçulmanos praticam uma religião baseada na paz, na misericórdia e no perdão".

Havia ainda um livro à venda por € 3, "A Verdadeira Face de Maomé, o Profeta da Misericórdia", de Nouredine Aoussat, e um calendário gratuito com imagens de mesquitas na África.

Grande Mesquita de Paris

O presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano, Anouar Kbibech, disse que a ideia da jornada surgiu depois que as lideranças religiosas refletiram sobre o que poderiam fazer para promover a coesão nacional neste período de aniversário dos atentados.

Nem todas as 2.500 mesquitas e salas de culto muçulmanas irão participar da iniciativa. No entanto, as mais importantes, como a Grande Mesquita de Paris, confirmaram que estarão com as portas abertas para visitas. A sala de oração de um bairro popular de Ajaccio, na Córsega, atacada durante o Natal, também participa da operação.