quinta-feira, 16 de junho de 2016

Estado Islâmico está cometendo genocídio contra etnia yazidi, diz ONU


Grupo étnico-religioso reúne 400 mil pessoas na Síria e no Iraque. Crenças yazidis misturam várias religiões antigas do Oriente Médio.

O Estado Islâmico está cometendo genocídio contra os yazidis na Síria e no Iraque na tentativa de destruir o grupo étnico-religioso de 400 mil pessoas por meio de assassinatos, escravidão sexual e outros crimes, disseram investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (16/06).

 As crenças yazidis misturam componentes de várias religiões antigas do Oriente Médio. O relatório da ONU, baseado em entrevistas com dezenas de sobreviventes, afirmou que os militantes islâmicos vêm capturando yazidis na Síria e no Iraque sistematicamente desde agosto de 2014 e procurando "apagar sua identidade" em uma campanha que se encaixou na definição do crime tal como ele é, definido na Convenção do Genocídio de 1948.

"O crime de genocídio deve desencadear uma ação muito mais contundente no nível político, inclusive no Conselho de Segurança (da ONU)", disse o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a comissão de inquérito, em comunicado.

Vitit Muntarbhorn, membro da comissão, disse que a organização tem "informações detalhadas de lugares, violações e nomes dos perpetradores" e que começou a compartilhar dados com algumas autoridades nacionais que estão processando combatentes estrangeiros.

Os quatro membros independentes da comissão exortaram as grandes potências a resgatarem pelo menos 3,2 mil mulheres e crianças ainda nas mãos do Estado Islâmico e para encaminharem o caso para o Tribunal Penal Internacional (TPI).

"O Estado Islâmico não fez segredo de sua intenção de destruir os yazidis de Sinjar (no Iraque), e esse é um dos elementos que nos permitiram concluir que suas ações equivalem a um genocídio", disse outra investigadora, Carla del Ponte. "É claro, enxergamos isto como um roteiro para os processos, para futuros processos".






O desafio de ser cristão nas Arábias – Por Olmes Milani



É importante não generalizar conceitos ou preconceitos a respeito da presença do Islã, seja no Oriente Médio ou nos países do Extremo Oriente da Ásia.

Obviamente, as ações dos grupos radicais, no Iraque e Síria alimentam as notícias das redes da grande mídia internacional, dando a impressão de que o islamismo é igual em todos os lugares.

Expatriados de muitos países que trabalham e moram nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait, Barhein, Qatar e Jordânia, respiram ares bastante diferentes. Certamente a experiência de praticar religiões que não sejam o Islã é muito diferente, se fizermos comparações com países de tradição e cultura cristãs.

Nos Emirados Árabes Unidos, a presença islâmica é avassaladora. São 5.251 mesquitas espalhadas sobre um território, relativamente pequeno, de 83.600 quilômetros quadrados.

Salas de oração, em centros e edifícios comerciais e parques, reforçam ainda mais a atmosfera islâmica do país. Em qualquer parte da cidade, é possível ouvir os chamados para a oração, cinco vezes por dia, emitidos pelos poderosos sistemas de amplificação.

De acordo com o Research Center's Religion & Public Life Project: United Arab Emirates de 2010 , dos quase 10 milhões de habitantes, 77% são islâmicos, 10% católicos, 4% hinduístas, 2% budistas e 7% outras religiões ou nenhuma.

Uma das preocupações comuns de quem vem morar por esses lados, e não é muçulmano, refere-se à prática de sua religião.

"Será que é proibido seguir outra religião?". "Será que existem igrejas cristãs?". "Como será a vida de um cristão em um país muçulmano?". Estas são as perguntas mais frequentes.

Os governantes dos Emirados Árabes Unidos e a mídia, sempre que uma ocasião se apresenta, manifestam seu orgulho de serem considerados um país aberto e tolerante com as outras religiões.  As igrejas cristãs e templos no país são construídos em terras generosamente doadas pelos governantes de cada Emirado.

Atualmente, em todo o país, são 8 os locais destinados às igrejas e templos. Todas as atividades relacionadas com o culto e doutrinação devem ser realizadas, nas dependências das instituições religiosas.

As igrejas não têm permissão para exibir cruzes ou colocar sinos acima do teto. As construções devem ser baixas sem a opulência das igrejas cristãs de outros países. Quase todas a igrejas católicas estão funcionando no limite de sua capacidade.

Além de usar todos os espaços internos dos edifícios, algumas delas levantaram grandes tendas para abrigar os frequentadores do sol, sob as quais participam das funções religiosas, transmitidas por telões.

Por ser um país islâmico cujo feriado semanal é a sexta-feira, as atividades religiosas dos cristãos e outras religiões sucedem neste dia em vez do domingo.

Para atender o maior número de participantes, são celebradas até 15 missas, numa sexta-feira, em 9 ou mais línguas. A curiosidade é que a liturgia dominical é celebrada nos três dias, sexta, sábado e domingo.

A Igrejas Anglicanas, além de edificarem seus lugares de culto, multiplicaram salas para acolher grupos cristãos que não possuem estrutura própria.

Aos estrangeiros e cidadãos locais, respeitar o Islã é tido como obrigatório. Blasfemar ou cometer sacrilégio contra qualquer religião é profundamente ofensivo.

O descumprimento dessas regras pode resultar em prisão ou deportação, previstas pela Constituição do país. O proselitismo com a intenção de converter muçulmanos é proibido, mesmo que seja praticado de maneira inconsciente.

O ensino de qualquer religião que não seja o Islamismo não é permitido, em escolas públicas. Por causa dessas questões, é importante ficar atento às manifestações de fé em público; por exemplo, colocar terços ou adesivos de cunho religioso no carro e usar vestimentas ou acessórios que "denunciem" a sua crença, como as camisetas com imagens de santos e crucifixos. Isso é considerado como proselitismo.

Os muçulmanos têm muita dificuldade de aceitar qualquer ideia religiosa que não seja estritamente monoteísta. Embora não concordem com a definição de Deus Uno e Trino, os cristãos são bem vistos, por serem considerados "do Livro", uma forma que se refere aos cristãos e judeus, por serem monoteístas.

* Missionário Pe. Olmes Milani CS.