terça-feira, 22 de março de 2016

Entidades católicas e protestantes pedem respeito à democracia no Brasil – Por Tatiana Félix



Diante do atual cenário de intensas manifestações e de polarização política no Brasil, instituições religiosas divulgam manifestos pedindo paz, diálogo e discernimento para a garantia do processo democrático no país.

A Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM) ressalta a importância da defesa da democracia e conclama o povo a "repudiar qualquer ato de intolerância e ódio que está se espalhando sobre as nossas cidades, contra pessoas de movimentos sociais e da esquerda, por insuflar uma convulsão social e a barbárie”.

Em manifesto público, a IPDM pede que a população fique atenta às verdadeiras vias de informação e justiça e condena o vazamento seletivo de informações nos processos de investigação que envolvem suspeitos e réus de várias vertentes políticas, na Operação Lava Jato. Critica a tentativa de se fazer sensacionalismo visando a promover "um ou outro herói da nação”.

Neste sentido, faz um alerta sobre os movimentos que são favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores–PT), já que estes seriam patrocinados por "políticos de conhecida conduta de perseguição aos direitos humanos”.

"Indicamos o fortalecimento, nas ruas, das frentes nacionais de mobilização do povo, conhecidas como Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, bem como a 25ª Caravana dos Movimentos Sociais da Zona Leste para Brasília. É por aí que lutaremos pela igualdade de mulheres, negros, indígenas e pobres, por efetivação da educação, saúde, emprego e investimentos, em avanços socioeconômicos que respeitem a terra, as brasileiras e os brasileiros”, defende o IPDM.

Após a reunião do seu Conselho Permanente, nos últimos dias 08 a 10 de Março, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta-se, com preocupação, sobre o 'grave momento' político pelo qual passa o país. Em nota, a entidade afirma que "vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade”.

De acordo com a CNBB, "o momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito”.

Ressaltando a importância do diálogo, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) declara, também em nota, que o diálogo é "um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça” e lembra que a democracia foi conquistada "a duras penas”, no Brasil.

"Diálogo é a interação entre pessoas através da palavra. Porém, acompanhando as notícias em nosso país, hoje, fica-se com a nítida impressão de que estamos desaprendendo a dialogar. Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra, são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo?”, questiona.

Já para a Igreja Episcopal Anglicana, as investigações de corrupção devem ser enfrentadas com a lei e somente dentro dela, sem interferência de segmentos empresariais, e a exarcebação de ânimos não deve ultrapassar os limites das liberdades constitucionais, nem devem sofrer recuo.

"Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar, a priori, ninguém por causa de seu perfil ideológico. A tentativa de desqualificar pessoas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem provas concretas, bem como outras pessoas com perfil político mais à esquerda, é uma nítida estratégia corporativa, que não ajuda no processo de esclarecimento da verdade. Apenas acentua o caráter político e agrava a tensão no meio da sociedade”, declara a instituição.

Por fim, faz um apelo para que "se respeite o estado democrático de direito e se evite qualquer manobra de desconstrução do resultado das urnas; e se respeite a livre manifestação do pensamento dentro de padrões que não contemplem o ódio e a violência contra pessoas e grupos”.

Diante do que chama de ‘polarização estimulada por uma mídia partidarizada e tendenciosa’, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) exorta o povo brasileiro a expressar, pacificamente, sua opinião e posição sobre o momento, e evitar o incentivo e a prática de qualquer tipo de violência e ilegalidade.

"Precisamos, antes de tudo, preservar a nossa jovem democracia, o Estado de direito e as conquistas sociais que a sociedade brasileira alcançou nos últimos anos", defendeu.






Gerando quase 1000 empregos, Auto da Paixão 2016 tem novo formato e investe em ações sociais – Por Isabela Mercuri


O tradicional ‘Auto da Paixão de Cristo’ começa nesta terça-feira, mas com um novo formato. 

Feito numa parceria entre a Secretaria de Trabalho e Assistência Social (SETAS), a Cia Cena Onze de Teatro e diversos outros setores da administração estadual, a peça segue até o domingo de Páscoa (27/03), tem a entrada gratuita e espera um público de sete e a dez mil pessoas por dia.

Após um hiato no ano de 2015, quando a peça foi cancelada por falta de recursos, neste ano o evento foi produzido com parte dos recursos da Lei Rouanet, além de patrocinadores e uma participação do governo do estado. 

De acordo com o Secretário da SETAS, Valdinei de Arruda, o investimento do governo foi de cerca de 1,5 milhão (1/3 do valor gasto). Para reduzir ainda mais o valor em 2017, todo o cenário e figurino serão reaproveitados.

O elenco conta com mais de duzentos atores, e o protagonista, Jesus Cristo, será interpretado por Henri Castelli. O global, que já passou por este papel algumas vezes, chegou a Cuiabá na sexta-feira e contou, em coletiva, que a experiência em Cuiabá é uma das mais emocionantes: 

“Cheguei na sexta, e já vim conhecer e ensaiar. Ensaiamos No sábado também de manhã e à tarde, e estou correndo para decorar os textos e marcações. Hoje [segunda, 21] acontece o último ensaio aberto, e eu tenho certeza que, como este é um evento grandioso, mesmo se tivermos algum errinho passará [despercebido]”, afirmou.

Segundo Henri, também é muito emocionante trabalhar com os atores trazidos pela inclusão social: “É muita emoção ver como eles se esforçam, trabalham para que fique tudo perfeito. (...) Essa é a maior produção que eu já participei, e é uma peça que envolve muito amor, e religião. As pessoas se emocionam assistindo também”.  


Neste ano, dos 270 atores da peça, 85 são oriundos de programas sociais. De acordo com a primeira-dama do Estado e coordenadora do Núcleo de Ações Voluntárias (NAV), Samira Martins, o protagonista é o único que começou a trabalhar agora: 

“Todos os outros atores estão ensaiando desde Janeiro, e recebendo vale-transporte, alimentação e cachê”, afirma.

Valdinei de Arruda explica que eles foram selecionados a partir dos cadastros de projetos sociais, e muitos são egressos do trabalho infantil, trabalho escravo, além de haitianos, indígenas e mulheres oriundas de situações de violência: 

“E o mais importante é que eles não são identificados, os outros atores não sabem que eles são destes grupos. Porque é um processo de inclusão mesmo. Vocês não vão saber quem são eles, e nem o Henri sabe quem são”. 

Além dos atores, a produção do Auto da Paixão gerou quase mil empregos. Sendo 130 diretos (de pessoas que trabalham o dia todo para a produção) e 550 indiretos (como os reeducandos e reeducantas do sistema prisional, que produziram o cenário e os figurinos). 

Religião

Este é também o primeiro ano em que o Auto da Paixão será um evento ecumênico, feito com uma parceria entre a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. De acordo com o Arcebispo de Cuiabá, Dom Milton, o acordo foi firmado durante o encontro da Fraternidade, que a cada cinco anos é também ecumênico: 

“Durante o encontro, que foi realizado no Palácio do Governo, eu insisti para que eles [outros grupos cristãos] participassem”, explicou. O líder do Conselho de Ministros Evangélicos de Cuiabá e Mato Grosso não compareceu à coletiva. 


Durante os cinco dias de evento, será fomentado o turismo religioso na cidade. Para isso, a Secretaria Adjunta de Turismo vai disponibilizar um ônibus que levará os turistas às principais Igrejas e pontos religiosos de Cuiabá. 

Os hoteis da cidade também aderiram, e vão oferecer até 60% de desconto na hospedagem para quem disser que vai ao Auto da Paixão.

A peça começa diariamente às 20h, mas o espaço estará aberto às 17h e tem na programação shows católicos e gospeis, além de feira de artesanato e gastronômica. A Secretaria de Municipal de Mobilidade Urbana vai disponibilizar, diariamente, ônibus gratuitos saindo da Praça da República para o Sesi Papa, e com retorno até meia-noite.

Auto da Paixão de Cristo

Sesi Papa
De 22 a 27 de março
Horário: Abertura do evento às 17h
Peça: Das 20h às 21h30
Entrada Franca