quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Aniversários dos nascimentos de Jesus Cristo e de Maomé celebrados quinta e sexta-feira


Os crentes das duas maiores religiões monoteístas do mundo celebram quinta e sexta-feira a festa do nascimento dos fundadores do islamismo e do cristianismo, uma proximidade de datas que não acontecia desde o século XVI.

Os cristãos seguem o calendário gregoriano que tem 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus Cristo enquanto os muçulmanos seguem o calendário islâmico, com 12 meses lunares e um ano de 354 ou 355 dias.

A festa islâmica, o Id Mawlid, aniversário do profeta, é celebrada no 12.º dia do terceiro mês do calendário muçulmano, cujo ano islâmico começa no Dia da Hégira, em que Maomé deu início à jornada de Meca a Medina, corria o ano de 622. (Notícia substituída porque as duas datas não são coincidentes)

Os meses muçulmanos seguem o calendário lunar, pelo que todos os anos se adiantam cerca de 10 dias ao solar, razão pela qual as principais datas do Islão, incluindo o Ramadão, são móveis e não coincidem com o calendário gregoriano.

Por seu lado, o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo num dia fixo e a universalização das celebrações já permitiu que todas as festividades saltassem o Mar Mediterrâneo para os países do norte de África, de maioria muçulmana, e encontraram eco sobretudo em Marrocos.

Alguns consideram tratar-se de uma colonização cultural, enquanto outros falam da globalização do mercado e do consumo. Em Marrocos, segundo relata a agência e notícias espanhola EFE, há escolas que chegam a convidar um "Pai Natal" para os apresentar às crianças, à supermercados adornados com todo o tipo de produtos alusivos à época natalícia.

"Não que os muçulmanos celebrem uma data cristã, mas, de alguma maneira, o espírito natalício, pelo menos o mais comercial, também está nas ruas", escreve o autor do artigo, Javier Otazu.

São várias as lojas em várias cidades do país que vendem árvores de Natal, produto que, curiosamente, é maioritariamente comprado por clientes muçulmanos, que também compram disfarces de "Pai Natal".

Paradoxalmente, o aniversário do nascimento de Maomé passa quase despercebido nas ruas e cidades muçulmanas, uma festa invisível que se passa dentro de casa, contrastando com as grandes datas do calendário islâmico, como o Ramadão e Id Al Fitr, a Festa do Carneiro, que assinala o fim de jejum.

Na Medina de Rabat, um comerciante de produtos associados aos rituais islâmicos adiantou que, nestes dias, vende sobretudo pequenos incensários, destinados a queimar incenso ou sândalo para perfumar casas e mesquitas, mas o movimento na loja é igual a qualquer outro.

Nos últimos anos, tem ganhado peso a leitura salafista do Islão, com um rigor "importado" da Arábia Saudita, em que a celebração de festas é vista com "maus olhos" pelos que pretendem "limpar" a religião islâmica de "impurezas".

A veneração de Maomé, por exemplo, é considerada uma "bida", una inovação que se afasta da norma, e, embora não caia na categoria de "heresia" basta uma visita pelas páginas de sítios de cariz islâmico na Internet para se perceber os muitos que as condenam.

O salafismo, obcecado com o monoteísmo, opõe-se a qualquer culto ou veneração a Maomé, que é apenas um "mensageiro de Deus".

"Assim, as cidades islâmicas contam com um Natal certamente laico e comercia, enquanto as festividades do profeta Maomé ficam relegadas a uma velha tradição com cada vez menos partidários", conclui o autor do artigo.






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