sábado, 30 de julho de 2016

O Movimento Radical da Reforma (história e atualidade)




Os grupos da reforma mais conhecidos, como os luteranos, zwinglinianos e calvinistas, terminaram por ser aceitos e tolerados para que a situação política da época fosse sustentável depois de um tempo de fortes enfrentamentos.

No entanto, havia outros grupos, pequenos, descentralizados, pacifistas, defensores da interpretação independente da Bíblia, de uma teologia radicalmente cristocêntrica, de uma separação inegociável entre Igreja e Estado, à margem das “igrejas territoriais”, de grande simplicidade litúrgica, e que se tornaram conhecidos, sobretudo, porque se posicionavam contra o batismo infantil.

Por suas ideias radicais e porque rebatizavam adultos, eram chamados “Anabatistas”, e foram fortemente perseguidos, inclusive pelos contemporâneos reformadores protestantes.
Para não serem presos, torturados e queimados vivos ou afogados publicamente, grupos como os Huteritas, Menonitas e Amish migravam para outras partes da Europa e do mundo em busca da livre expressão religiosa.

Conhecer as bases filosóficas e teológicas dos Anabatistas é não apenas compreender que houve uma “ala radical” da reforma protestante, mas chamar atenção para um contramovimento dentro do próprio protestantismo.

Obviamente, não estamos nos referindo a algo como a contrarreforma católica, mas a um movimento de radical preocupação com princípios bíblicos à luz dos quais foram questionadas, não só a instituição católica, mas mesmo as incorreções e imprecisões, segundo os reformadores radicais, ainda presentes nas reformas implementadas por Lutero, Zwínglio e Calvino. Menno Simons deve ser colocado, ao lado dos três primeiros, como um dos quatro nomes mais relevantes para a compreensão do movimento intelectual e eclesiástico que foi a reforma protestante, inclusive no que diz respeito à herança que, afinal, a reforma deixou para a história da cristandade. A influência da reforma radical não é de forma alguma pequena.

O propósito da primeira palestra é mostrar os conceitos fundamentais anabatistas, seu alcance e influência, e indicar as fontes bibliográficas de maior importância disponíveis para os estudos dessa tradição.

Por outro lado, conhecer a história de migração dos Anabatistas é acompanhar a história da Europa, da Ásia e das Américas nos últimos 500 anos. Aonde quer que chegassem, esses migrantes se mantinham separados da comunidade local, mantendo seus dialetos derivados do alemão e holandês, seus costumes e, acima de tudo, sua religião. Sempre que a perseguição os alcançava, as mudanças políticas lhes eram demasiado extremas ou a terra se apequenava para as famílias de agricultores, se mudavam para outra parte do mundo.

Atualmente, muitos desses grupos ainda existem, algumas vertentes adaptadas ao contexto contemporâneo, como no Brasil e nos EUA, mas outras ainda vivendo bastante separadas, assim como os seus antepassados, como os Menonitas no México e na Bolívia.
O propósito da segunda palestra é apresentar as raízes dos anabatistas, e quão diferente ou semelhantemente esses grupos radicais da reforma atualmente vivem e expressam seus valores e princípios religiosos no contexto social, econômico, político e do meio ambiente em alguns dos lugares onde se assentaram.

Este é o primeiro de uma série de eventos a serem promovidos pelo Núcleo de Graduação em Ciências da Religião e pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Federal de Sergipe por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante, que se completam em outubro de 2017.







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