sábado, 19 de julho de 2014

A tolerância do intolerável – Por Flávio Henrique da Silva

A partir de algumas reflexões que cotidianamente faço sobre a realidade que vivencio, a cada instante que se passa fico cada vez mais intrigado e instigado a tentar compreender determinadas atitudes, que alguns indivíduos adotam em seu dia a dia; Uma destas atitudes que me chama atenção, é o posicionamento de intolerância perante algumas escolhas que determinados grupos sociais tomam para si, como essência de vida.

O sentimento de intolerância está presente em nosso meio, de variáveis maneiras, seja intolerância por determinados grupos políticos ou determinados grupos sociais, tais como: comunidades ou indivíduos da cor de pele consideráveis inferiores, grupos de indivíduos que detém de uma orientação sexual fora dos “padrões” aceitáveis por diversos segmentos da sociedade, ou pela classe social que determinados indivíduos se encontram. 

Uma forma de intolerância que instiga o meu raso senso crítico é há que se refere a opção religiosa que cada um escolhe para seguir, esta forma de intolerância auxilia a camuflar uma serie de preconceitos que grande maioria dos indivíduos que compõem a sociedade não admite ter, como exemplo podemos usar, a aversão por aquilo que não aceitamos ser diferente de nossos costumes e tradições.

O que estou chamando de intolerância, permeia entre o distanciamento que se tem de outras culturas religiosas, que a maioria das vezes não foram apresentadas nas instituições que teoricamente deveriam formar pessoas, tais como: a família, a Igreja, a Escola, acarretando assim um não reconhecimento do outro, ou seja, determinados indivíduos não reconhecem que se há pessoas que detém determinadas convicções espirituais diferentes das suas. 

Se torna evidente que não direcionei meu olhar a uma intolerância em seu sentido pleno, como poderíamos observar em alguns períodos históricos, onde massacres de judeus e perseguições há cristãos deram o sentido pleno de intolerância.

Alguns exemplos desta intolerância que cito são corriqueiros em nossas vidas, exemplos como a aversão por religiões de matrizes africanas, como o Candomblé e a Umbanda, que são frequentemente ridicularizadas por indivíduos que estão à frente de grandes grupos religiosos  e não detém da menor informação conceitual e do significado espiritual sobre estas religiões; Esta intolerância produzida por pessoas que são influentes nas vidas de alguns indivíduos, acabam acarretando uma reprodução inconsequente e consciente  por parte daqueles que acreditam fielmente na verdade absoluta que lhe foi atribuída por seus superiores religiosos; quem de nós nunca escutou  piadas como “eles fazem macumba” ou  “Os macumbeiros”, em minha visão  isso é uma forma de intolerância induzida  pelos fatores que já  foram aqui supracitados.

Um outro exemplo que se tornou enormemente corriqueiro em nossas agitadas vidas se refere aos Testemunhas de Jeová, que também são frequentemente ridicularizados por suas doutrinas de evangelização, mas o que poucos líderes religiosos e seus fies incondicionais sabem é que, uma das doutrinas seguidas por este grupo é que: as Testemunhas de Jeová acreditam que todas as raças são iguais aos olhos de Deus, ou seja, qual é o motivo de escutarmos insultos como, "pior que acordar cedo no domingo, é acordar com um testemunha de Jeová na sua porta”.

As formas de intolerância sofridas por determinados grupos religiosos ocorrem com uma frequência incalculável, o que tento levantar aqui para o debate é que a intolerância existe de maneira recíproca em grande maioria dos grupos religiosos, me utilizei somente de dois seguimentos religiosos para exemplificar de forma sucinta alguns modelos de intolerância; Mas poderia também exemplificar com a não aceitação por parte de alguns evangélicos ao respeito as imagens que os católicos detém, poderia também utilizar a intolerância que alguns católicos tem perante a frequente e as vezes insistente contribuição financeira que os líderes evangélicos  pedem aos seus fiéis, isso sem mencionar a grande aversão aos que seguem o espiritismo, enfim, é impossível aqui nesta pequena observação abordar todas as formas de intolerâncias existente, o fato é que elas existente e contribui de forma pejorativa na formação do ser humano em sua plenitude.

Creio que é necessário um respeito por parte de todos que seguem algum tipo de religião, pois os seres humanos coexistem e é necessário o respeito para que possamos ter uma vida no mínimo harmônica com os semelhantes, aceitar que alguém siga uma religião diferente da sua não será o apocalipse mas sim o início da caminhada para o Éden, gostaria de enfatizar que não defendo a religião A ou B, porque não sigo nenhuma e nem pretendo ao menos agora seguir, as diferenças existem e elas devem ser respeitadas. 


(Flávio Henrique da Silva, historiador, pós graduando em Políticas e Gestão da Educação Profissional e Tecnológica, pelo IFG e professor na Escola Estadual Professora Judith F. Dias, na cidade Goianira-GO - Bacflavio1@hotmail.com)



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