Instituto cobra mais participação social na Comissão da Verdade

O Instituto de Estudos da Religião (Iser) criticou a forma como a Comissão Nacional da Verdade (CNV) está conduzindo as investigações sobre crimes políticos cometidos por agentes de Estado durante o regime militar. 

Em relatório elaborado junto com grupos de defesa dos direitos humanos, o instituto diz que falta transparência ao colegiado.

A avaliação faz parte das conclusões parciais do relatório apresentado ontem às entidades convidadas a avaliar o primeiro ano de atuação da comissão. O texto final será formalizado até a próxima semana.

Para o grupo, a comissão falha ao não publicar resultados parciais dos trabalhos realizados e por não atender aos pedidos de informação feitos pelos movimentos ligados ao tema. 

"Faltam esclarecimentos sobre os procedimentos seguidos para o levantamento, sistematização e tratamento das informações que comporão o relatório final da CNV, assim como para a coleta de depoimentos e testemunhos", diz o texto.

O instituto cobrou mais abertura para a participação da sociedade civil nos processos da comissão. "Durante o primeiro ano da CNV, foram reivindicados formatos mais participativos. Porém, os mecanismos criados pela comissão para responder a essas demandas são considerados insuficientes", diz o relatório.

'Esforço'

O relatório, no entanto, elogiou o "esforço" da comissão por analisar documentos e coletar depoimentos que ajudaram a esclarecer parte dos casos ocorridos na ditadura. Como exemplo, o documento destacou a alteração do atestado de óbito de Vladimir Herzog. 

Em 2012, a Justiça de São Paulo atendeu ao pedido da comissão e determinou que passasse a constar como causa da morte "lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório em dependência do 2.º Exército (DOI-Codi)" e não mais "asfixia mecânica".

Em maio, quando a comissão completou um ano, o colegiado apresentou balanço parcial. Além de mostrar mapa preliminar dos centros de detenção e tortura no País, acusou a Marinha de ocultar informações e afirmou também que houve práticas de tortura antes da instauração do AI-5, que aumentou a repressão durante a ditadura. Os trabalhos de investigação da comissão serão realizados até dezembro de 2014, de acordo com cronograma definido pela presidente Dilma Rousseff.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Líder da Igreja Sagrada Esperança Universal reitera apelo à paz

Faleceu patriarca da Igreja Sagrada Espiritual em Angola

"Negociar e acomodar identidade religiosa na esfera pública"