sábado, 25 de janeiro de 2014

Mídia e Igreja precisam superar seus preconceitos - Por Alvaro Real

Entrevista com José Luis Restán, que compartilha sua experiência como jornalista unindo seu amor à verdade e à Igreja.

“O lugar cotidiano que me permite estar frente à verdade sem esconder-me se chama Igreja”, afirma José Luis Restán, unindo seu amor à verdade e seu amor à Igreja. O presidente adjunto da rede COPE (Rádio dos Bispos da Espanha) mostra à Aleteia suas convicções mais profundas, fala das atitudes fundamentais do jornalista cristão e da necessidade do testemunho na profissão.

Sendo um profissional de busca da verdade, o jornalista acaba ficando com suas crenças "à flor da pele". As crenças ajudam ou prejudicam o jornalista?

Para começar, todo mundo tem "crenças", até um agnóstico. Ninguém entra na realidade de maneira neutra, isso seria inumano. O cristão entra em relação com tudo tendo o olhar amplo que a fé lhe confere, com uma razão aberta, com a certeza de que a vida não é um jogo absurdo, mas um caminho.

O que vem primeiro: a verdade ou a pertença à Igreja?

Não há conflito entre verdade e pertença à Igreja. Pertencer à Igreja é estar em um caminho contínuo e dramático de relação com a Verdade que se fez carne. A verdade não é um princípio abstrato, não é uma fórmula, a verdade é o significado de tudo, e este significado só é desvelado plenamente por Jesus Cristo. Portanto, a verdade vem primeiro, mas o lugar cotidiano que me permite estar frente a ela sem esconder-me se chama Igreja.

Mas pode haver momentos de contradição. O que o jornalista deve fazer?

A contradição é parte da vida humana. Não temos um manual de instruções, mas uma razão aberta e sustentada pela fé,e uma liberdade que nos move a aderir à verdade e ao bem. Este é o caminho. Mas, para mim, razão e liberdade são educadas na Igreja, não conheço outro lugar.

O jornalista é uma "pedra angular" desta sociedade. É suficiente que ele exerça sua profissão com responsabilidade e justiça, ou precisa ser coerente em sua vida pessoal?

A coerência na vida pessoal é saudável para todos, sejam jornalistas, bombeiros etc. A pessoa é uma unidade e, se uma parte sofre, as demais são afetadas. Mas esta coerência é uma tensão, uma tentativa de ser fiel, de viver justamente; nem sempre se consegue.

O que os católicos podem oferecer ao mundo do jornalismo?

Um infatigável amor à realidade (que não é um jogo nem um "carpe diem"), que é o antídoto frente ao cinismo imperante. E também a consciência dos limites das ações humanas, a memória do bem na história humana e a certeza de que a última palavra é da misericórdia de Deus.





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