sábado, 15 de fevereiro de 2014

Música religiosa ajuda a pacificar o espírito

Com a intenção de retratar o fenómeno e compreender a sua dimensão, a reportagem de OPAÍS, saiu à rua e abordou algumas figuras ligadas à produção e divulgação deste género musical, entre as quais eclesiásticas, cantores, produtores e também os seus apreciadores. 

A nossa ronda matinal iniciou-se justamente no Parque da Independência (numa altura em que a jovem cantora gospel Elioth Cassoma, procedia ao lançamento do seu mais recente trabalho discográfico e prosseguiu noutros espaços e estabelecimentos da cidade capital destinados à divulgação da música religiosa.

Curiosamente, nestes locais, foi de facto visível a afluência de público com o objectivo de adquirir obras do género. Marcela Gomes, é um dos exemplos: a jovem disse consumir muita música sacra por ajudá-la a meditar, estar bem consigo mesma e com os outros.

Acredita que a música ajuda a reflectir e a mudar de atitude, pese embora haja quem ainda ignore o género e as suas mensagens. Quem também alinha no mesmo diapasão é Rodeth dos Santos, estudante universitária para si, a música religiosa é a mais alta expressão de fé de um cristão, por consolar, aconselhar e contribuir para a harmonia e pacificação dos espíritos. 

Satisfeita pela iniciava das entidades que apostam na sua divulgação, apelou aos jovens que queiram seguir este género a se formarem para que as suas canções sejam repletas de mensagens construtivas e aconselhadoras.

“Temos uma sociedade desarticulada, sobretudo a juventude parece não ter educação de berço. A cada dia que nasce adquire certos vícios que em nada contribuem para uma sociedade sã”, lamentou a jovem.

Na mesma perspectiva, o jovem José Cabral apela ao Ministério da Cultura para colaborar na divulgação deste género musical desde que as músicas tenham mensagens elucidativas que pautem pelo respeito, mudança de comportamento, de modo a que se construa uma sociedade unida e harmoniosa.

Por sua vez, a freira Marlise Hecler, da Editora Irmãs Paulinas, em Luanda, realçou que a música religiosa orienta, evangeliza, eleva e esclarece. É uma verdadeira mensagem de paz e harmonia, que vem inspirando o surgimento de novas vozes.

Recordou que a música religiosa toca no íntimo das pessoas, encaminhando-as até Deus. É uma sonoridade cheia de mensagem bíblica, que eleva os corações de quem canta e de quem ouve.

Caracterizou o surgimento de novas vozes no domínio da música religiosa como um fenómeno muito rico e positivo, devido ao talento que Deus dá a esses artistas de modo a edificar uma sociedade e um povo que viva em perfeita harmonia e paz.

Apelou para que estas vozes cantem de facto coisas que ajudem a crescer, acrescentando que, caso não o façam para em nada contribuir.

Marlise Hecler, admitiu haver lindíssimas vozes, que devem ser usadas para engrandecer Deus, glorificá-lo para que a sociedade viva em harmonia. A freira realça que esta tem sido característica da Editora Paulinasfazer com que a música toque os corações e que através dela, as pessoas possam encontrar-se com o seu Criador, consigo mesmas e com as outras pessoas.

Apela ainda aos executantes desta harmoniosa sonoridade para uma observação atenta ao que existe no campo religioso e nas diversas religiões, para concluir que a música, verdadeiramente evangeliza, levando-nos aos outros e a partir daí descobrir o segredo, porque Deus é aberto e não fechado… 

“Cada música religiosa, cada música sacra, cada mensagem que toca, abre corações para um bom relacionamento com as outras pessoas. Isto é o que nossa gravadora Paulina tem priorizado”. 

Outro factor a que se referiu a freira, foi o fraco investimento no domínio da música sacra, visto que apesar dos vários esforços, os que pretendem seguir esta linha, muitas vezes acabam por ser explorados por certas produtoras. 

“Todos nós temos muitos argumentos por fazer, porque quando ouvimos atentamente uma música, cujo compositor, autor ou cantor vivenciou dentro de si o verdadeiro sentido dela, com certeza sentir-nos-emos como já nos sentimos muitas vezes, tocados por Deus, evangelizados e mudamos de vida. Esta mesma música, faz com que nos convertamos ao verdadeiro, que é a razão da nossa existência, a nossa vida”, defendeu Marlise Hecler.

A formação que impõe

Quanto menos se esperava, uma crítica se impunha. A interlocutora, lamenta o facto de muitos cantores não terem formação no domínio da música, acrescentando que se todos estudassem verdadeiramente música, ter-se-ia mais elementos para colocar à haste, na linha do verdadeiro conhecimento musical, uma vez que, ao tratar-se de música sacra, deve-se ter em conta a mensagem, os conteúdos bíblicos, catequéticos, entre outros.

“É uma pena termos estudado pouco. Se nós uníssemos profundamente o conhecimento com o dom que Deus nos deu de cantar, louvar, de agradecer, de compor, de tocar, juntando o conhecimento científico nas várias áreas, desde a produção na linha humana, seria muito mais eficaz e eficiente. Como Paulinas, temos este princípio de evangelizar através da música. Não adianta apenas produzir por produzir”.

Exemplo a seguir

A título de exemplo, Marlise Hecler referiu-se ao Padre Zezinho, cantor brasileiro com mais de 50 anos de carreira, que vem lançando jovens na linha da música de evangelização. 

A interlocutora explica que dada a idade e a sua larga experiência, antes de lançar as suas músicas, o sacerdote coloca as suas letras a disposição de peritos nas diferentes áreas: Bíblica, física, psicológica, catequética, entre outras, solicitando uma análise profunda das linhas que deseja cantar.

Cita outro nomes como Valmir Alencar, Os Cantores de Deus Miguel Buila e outros, que se deixam questionar lavando a mensagem a onde quer que seja. “Existem também outros que têm este dom, mas por serem muito fechados, pensarem que são melhores, ninguém os pode aconselhar”. 

“Não é fácil trabalhar com um artista. Mas, um artista deve ser muito humilde e deixar-se ajudar para que dele saiam coisas muito melhores para a edificação da sociedade. Por isso, deve tocar de forma coerente, verdadeira e instrutiva, e não de qualquer maneira”.

Expressão de fé

Por sua vez, o cantor, compositor e produtor de gospel Dodó Miranda, caracteriza o referido género musical como uma das maiores expressões do ser humano, tendo clarificando que a sua distinção provém dos termos God’ (Deus ) e spell (espelhar) ou a palavra de Deus.

Segundo o cantor, é a mais alta expressão na fé do Cristão, por transmitir mensagens de paz, consolação, conselhos, contribuindo de igual modo na vida social. Dodó Miranda admite que a música sacra ajuda na pacificação dos espíritos por ser a palavra de Deus.

Molda o nosso comportamento, ajudando-nos a reencontrar com o Criador, tendo salientado que hoje, se sente feliz por contribuir para o país , falando do evangelho, o que, segundo ele, não foi tarefa fácil.

“Ja passei mal, mas Deus deu-me forças para resistir aos desvios e hoje estamos aqui firmes nos nossos propósitos, continuando sempre firme, não obstante alguns tropeços”.

Testemunho: acreditar nas mensagens e na grandeza da música religiosa

Ao testemunhar a grandeza e o impacto da música religiosa na harmonização de um povo, Siona Júnior, responsável da Tenda da Evangelização da Rádio Ecclésia, em Luanda, disse ser um dos exemplos práticos dos feitos da música religiosa e que foi educado neste princípio.

Recorda-se que, quando a sua mãe cantava uma música religiosa ajudava-o a refletir sobre muitas coisas, e hoje, eventualmente, enfrenta problemas no lar, procura ouvir uma música sacra para acalmar os ânimos e aconchegar-se à família. 

“Gosto de ouvir todos os dias música religiosa. Quando os meus familiares, em particular as minhas cunhadas me visitam, dizem sempre que chegaram à Igreja por ouvirem regularmente na minha residência esta harmoniosa sonoridade. Ao contrário delas, os meus amigos preferem não ouvir pelo facto de eu trabalhar na Rádio Ecclésia. Durante o ano ofereço mais de 15 discos de música sacra principalmente as mulheres”, confessou.

Curiosamente, a Tenda da Evangelização da Portaria da Radio Ecclesia da qual faz parte, recebeu em 2013, 50 obras discográficas e algumas delas não tiveram a oportunidade de passar pela Tenda, por não reunirem qualidade da produção artística. 

“Devo recordar que a Tenda da Evangelização é um projecto que visa contribuir na divulgação do evangelho através da música cantada”. Na mesma pespectiva, a também cantora gospel Elioth Cassoma, confessa que, depois de entoar ou ouvir um louvor, sente-se leve, em paz e os seus problemas são minimizados.




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