quinta-feira, 6 de março de 2014

Veterinários britânicos querem banir abate ritual de animais - Por Filipe d’Avillez

Segundo as regras alimentares judaicas, os animais devem estar conscientes no momento em que são abatidos para alimentação, mas alguns consideram a prática desumana. 

O novo presidente da Associação de Veterinários Britânicos, John Blackwell, quer proibir o abate de animais segundo as tradições judaicas e muçulmanas no Reino Unido. 

O apelo de Blackwell está a incomodar grupos religiosos, nomeadamente os representantes das comunidades que têm regras muito antigas e rigorosas sobre a forma como se devem abater os animais destinados à alimentação.

Segundo as normas da União Europeia, todos os animais devem ser atordoados antes de serem abatidos, para evitar sofrimento desnecessário. Os animais estão assim inconscientes quando são mortos.

Mas as regras destas duas religiões, e mais especificamente as judaicas, insistem que os animais devem estar conscientes no momento em que são abatidos, e que devem ser sangrados. 

A legislação europeia prevê excepções por motivos religiosos, que são aplicadas na maioria dos países, incluindo em Portugal, mas nalguns estados da Europa Central e de Leste tem-se procedido à proibição do abate ritual, levando aqueles que querem manter as suas práticas religiosas a importar carne ritualmente pura de países terceiros.

Países como a Suécia, a Dinamarca e a Polónia proíbem actualmente o abate ritual. A Suíça, que não pertence à União Europeia, também. Em todos os casos as medidas são denunciadas por judeus e muçulmanos como sendo uma infracção dos seus direitos de liberdade religiosa.

Blackwell, contudo, considera que não é uma questão religiosa, mas unicamente de bem-estar dos animais e mostra-se esperançoso que seja possível chegar a um entendimento com a comunidade judaica: 

“Queremos um encontro de vontades para rever as provas científicas. Seria mais produtivo se conseguíssemos esse consenso, em vez de dizer apenas que não o podem fazer”, afirmou, em declarações ao jornal britânico “The Times”. 

Mas o consenso é muito pouco provável, uma vez que as normas que regulam a prática judaica e muçulmana constam das suas escrituras sagradas e não podem ser modificadas.

A sucessão de leis a proibir o abate ritual de animais, bem como outras medidas em países europeus para proibir a circuncisão, estão a preocupar as comunidades religiosas, que falam de ameaças à liberdade religiosa. 

A Igreja Católica tem-se colocado sempre do lado dos judeus e muçulmanos neste debate, apesar de os cristãos não reconhecerem quaisquer limites religiosos à alimentação.




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