quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dilma passa ao ataque e a religião entra na campanha - Por Lina Santos

A presidente do Brasil passou ao ataque na segunda-feira no segundo debate com a adversária Marina Silva, a ecologista que ameaça a sua reeleição em outubro. 

Rousseff e a candidata do PSB estão empatadas, segundo uma sondagem. Governo resgata proposta de 2009 para rever Lei das Religiões e conceder benefícios a instituições religiosas.

As medidas avançadas por Dilma Rousseff são uma resposta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao apoio que as igrejas evangélicas estão a dar à candidatura de Marina Silva, ela própria evangélica. 

As medidas, a que a imprensa brasileira chama de "pacote anti-marina", pretendem dar resposta à popularidade crescente da candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Frente a frente pela segunda vez em uma semana ontem, Dilma Rousseff, candidata à reeleição, aproveitou todas oportunidades para acusar a candidata apoiada pelo PSB de não explicar como é que pretende financiar os "os 140 milhóes de reais de despesas [cerca de 46 milhões de euros] previstos no seu programa".

"A candidata Silva falou mas não respondeu à questão de saber de onde é que ela vai tirar o dinheiro" para financiar o seu programa, nomeadamente a afetação à educação do equivalente a 10% do PIB", cita a AFP. "Não se pode apenas prometer", disse, mais incisiva do que no primeiro debate entre os sete candidatos há uma semana.

A mudança de tom acompanha as sondagens, cuja ascensão tem sido fulgurante, depois de Marina Silva ter entrado na corrida à última hora com a morte do candidato Eduardo Campos, num desastre de aviação.

Segundo uma primeira sondagem do Instituto DataFolha publicada na sexta-feira, Marina Silva está empatada com Dilma Rousseff nas intenções de votos dos brasileiros na primeira volta das eleições, marcada para 5 de outubro. E pode mesmo ultrapassá-la por 10 pontos a haver uma segunda volta, com 50% de intenções de voto contra 40% para a presidente atual.

Marina Silva respondeu aos ataques de Dilma Rousseff, fragilizada pela sondagem mas também pela entrada em recessão da economia brasileira no primeiro semestre, dizendo que o programa seria financiado metendo fim "ao desperdício nas contas públicas".


A candidata do PSB tentou encostar Rousseff às cordas, dizendo que a presidente deveria admitir os seus erros. 

"Pode parecer que estou plenamente satisfeita. Não estou", respondeu a presidente pêtista, "no mais perto que esteve da autocrítica", descreve o jornal "Folha de São Paulo".




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