sábado, 20 de setembro de 2014

Mesquita 'aberta a gays' é alvo de críticas na África do Sul

Um acadêmico muçulmano abriu uma mesquita receptiva a homossexuais na África do Sul, apesar de receber fortes críticas e até ameaças de morte de parte da comunidade muçulmana local.

Mulheres também poderão conduzir as preces na "Mesquita aberta" de Taj Hargey, na Cidade do Cabo. "Estamos abrindo a mesquita para pessoas de mente aberta, não para pessoas de mente fechada", disse Hargey à BBC. Ele afirma que a mesquita ajudará a contestar o crescente radicalismo islâmico.

Hargey, que é professor do Centro Educacional Muçulmano de Oxford, no Reino Unido, disse ao programa Newsday, da BBC, que é chegada a hora de uma "revolução religiosa".

"Na África do Sul há 20 anos, houve uma revolução pacífica provocou a mudança do apartheid para a democracia, e precisamos de algo semelhante na religião", afirmou.

'Invisibilidade feminina'

Hargey, que nasceu na Cidade do Cabo, disse que a mesquita receberia pessoas de todos os gêneros, religiões e orientações sexuais. Além de poder conduzir as preces, as mulheres também poderão rezar no mesmo salão que os homens.

Ele comparou isso às atuais práticas islâmicas que mantêm as mulheres "no fim das ruas, no fundo dos salões, longe dos olhos, longe do pensamento".

No entanto, membros da comunidade muçulmana da Cidade do Cabo criticaram a nova mesquita nas redes sociais. Alguns o chamaram de "herege" e "descrente"Um grupo chegou a tentar impedir a abertura da mesquita.

O Conselho Judicial Muçulmano, que representa os grupos islâmicos da África do Sul, disse que está investigando a nova mesquita ao notar que ela gerou preocupação na comunidade.

Em seu sermão, Hargey condenou o que disse ser o aumento do ódio no mundo entre muçulmanos e cristãos, que ele afirma ser culpa da "teologia torta", de acordo com a agência de notícias AFP.

Perguntado sobre suas credenciais de líder religioso, ele afirmou que tem "um PhD em estudos islâmicos da Universidade de Oxford, ao contrário de meus oponentes, que foram para alguma faculdade de burros no Paquistão ou na Arábia Saudita".

Ele disse à BBC que quer reviver "a mesquita original do profeta Maomé, onde não havia barreiras". "A ideia da invisibilidade feminina é uma inovação que aconteceu depois de Maomé e, infelizmente, se consolidou", afirma.




Nenhum comentário: