sábado, 20 de dezembro de 2014

Religiões se dividem ao comemorar o natal



Diferentemente dos católicos, os seguidores de outras religiões não comemoram o nascimento de Jesus Cristo nos dias 24 e 25 de dezembro. 

Muçulmanos, judeus e budistas não celebram a data. 

Segundo representantes religiosos do ABC, as demais religiões não reconhecem no nascimento ou na morte de profetas motivo de comemoração.

No judaísmo, segundo a Associação Israelita de Santo André, não é comemorado o Natal. Entre as principais tradições judaicas está o Shabat, dia sagrado durante a semana quando os israelitas não trabalham e se dedicam apenas às ações religiosas. 

"Como Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, nossa ideia é, uma vez por semana, se desconectar do mundo e se dedicar ao espiritual, no sábado", explica o rabino Yosef Tawil.

Com significado diferente, a Páscoa judaica recebe o nome de Pessach e relembra a passagem do povo judeu pelo Mar Vermelho, depois de ser libertado da escravidão no Egito. A celebração dura uma semana. 

"Nessa data, comemoramos o nascimento do povo judeu. Então, nos tornamos os escolhidos por Deus para levar luz às nações, que significa dar exemplo de boa conduta moral e ética", afirma o rabino.

Entre as principais datas comemorativas judaicas estão o Yom Kippur (Dia do Perdão) e Rosh Hashaná (Ano-Novo), ambos em setembro.

Os budistas também não comemoram o nascimento de Jesus. Segundo a associada budista da BSGI (Brasil Sokagakkai Internacional), Silvana Vicente, algumas famílias comemoram pelo convívio com a cultura brasileira. 

"Uma das premissas da cultura budista é a inseparabilidade da pessoa e seu ambiente. Então temos que respeitar a cultura local", explica. Já para o Ano Novo, a importância da religião budista aumenta. 

"O Ano Novo é muito importante porque é o momento que dá a partida para uma nova fase, quando se renovam objetivos e traçam metas", afirma Silvana.

Evangélicos

Assim como os católicos, os evangélicos também comemoram o nascimento de Jesus Cristo na passagem do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Segundo o pastor Gilberto Ciarolo, os evangélicos fazem um culto comemorativo com peças teatrais. 

"Estamos bastante alinhados com a comemoração católica. A única diferença é que não temos o presépio", afirma. Ciarolo conta que os evangélicos oram, cantam o hino e fazem a ceia, tudo dentro de casa. 

O Ano Novo também é comemorado pelos evangélicos. Porém, passam a virada na igreja fazendo orações e cada família leva a sua ceia e a refeição é feita dentro da igreja.

"Comemoro, mas por causa da família", diz filha de muçulmano

Os muçulmanos também não comemoram o Natal. Segundo o sheik Juma Momade, do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina (CDIAL), localizado em São Bernardo, a religião muçulmana não comemora nenhum tipo de nascimento ou morte de profetas.

"Respeitamos todos os profetas, mas não celebramos o nascimento ou a morte deles", afirma.

Yasmim Bahjat Ayache é descendente de muçulmanos, e seu pai segue rigorosamente os costumes. Sua mãe é brasileira, então Yasmim também segue hábitos fora da religião islâmica. A estudante afirma que acompanha alguns costumes, mas que pode optar por outras opções. 

"Eu acabo comemorando o Natal por causa da família da minha mãe. Fazemos um jantar em casa e ficamos juntos, mas a família tradicional muçulmana não comemora nada. É um dia como todos os outros", explica.

Na religião islâmica existem apenas duas comemorações anuais. Segundo o sheik, no mês 9 do calendário lunar, aproximadamente entre julho e agosto do nosso calendário, se comemora o Eid Al-Fitr. É uma celebração que marca o fim do jejum do Ramadã.

Durante o mês do Ramadã os muçulmanos devem abster-se de fumar, comer, beber, ter relações sexuais desde antes do nascer do dia até ao anoitecer. 

O festival do Eid al-Fitr celebra o fim deste jejum, bem como a força que os muçulmanos acreditam ter recebido de Allah para poderem executá-lo. 

À semelhança de outras celebrações muçulmanas inicia-se como o registro visual da Lua Nova. O festival é assinalado com uma oração comunal no meio da manhã, geralmente realizada em praças ou recintos de feiras, uma vez que as mesquitas não possuem espaço para tantas pessoas.


Outra comemoração é o Eid Al-Adha, dois meses após o fim do jejum do Ramadã. É um festival muçulmano que sucede a peregrinação a Meca. No Eid al-Adha são feitos a troca de presentes e o sacrifício de animais, com a carne é dividida com familiares e os pobres.



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