quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sem saída de fim de ano, presos participam de culto em presídio no AC – Por Aline Nascimento


'A burrice que fiz, não faço mais', diz condenado por tráfico de drogas. Mais de 400 presos do regime fechado participaram do culto ecumênico.

Os presos da Unidade de Regime Fechado I (URF I), no presídio Francisco de Oliveira Conde (FOC), em Rio Branco, participaram de um culto ecumênico para celebrar o fim de ano na manhã desta terça-feira (30). 

Mais de 400 detentos sentenciados tiveram as celas abertas e se organizaram em uma tenda montada na quadra do presídio para ouvir pregações, louvores e tomar banho de sol. Esse é o terceiro ano que a administração do URF I realiza o evento.

"Esse é um momento de confraternização, já que não podemos ficar com nossa família, vamos confraternizar com os amigos daqui", conta Selmir da Silva, de 32 anos, preso há cinco anos por tráfico de drogas.

Pai de três filhos, o detento revela que essa é a segunda vez que está cumprindo pena. Na primeira vez, ficou três anos dentro do presídio. Quando ganhou o benefício de sair e começar uma nova vida, Selmir diz que não conseguiu emprego e passou a vender drogas novamente. Depois de seis meses nas ruas, ele voltou para o presídio onde foi condenado a dez anos por tráfico de drogas.

"Aqui a vida é diferente, a gente aprende a conviver uns com os outros. A burrice que fiz, não faço mais", garante.

Isac do Nascimento, de 37 anos, foi preso pelo mesmo crime que Selmir. Condenado a 17 anos e 10 meses, Isac já cumpriu quatros anos de sua condenação. Ele afirma que alguns anos atrás, os presos não tinham esse benefício, sendo uma conquista para os detentos.

"Isso é muito gratificante. Não tínhamos isso antes, a direção está entendendo mais a gente e esse momento é um ato de confiança", argumenta o detento.

As crenças são a mais variadas entre os presos da unidade. Existem os evangélicos, católicos, adventistas, espíritas e aqueles que preferem não ser denominados com nenhuma religião. 

Durante o culto de celebração, os presos leram a bíblia, ouviram pregações, cantaram louvores e oraram. Aqueles que não quiseram participar do evento, ficaram em um lugar mais afastado tomando banho de sol e conversando com colegas de outras celas.

De acordo com a coordenadora técnica do URF I, Priscila Oliveira, a data do evento foi escolhida pelos próprios preso. A coordenadora explica que o evento foi realizado com o apoio da juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Rio Branco, Luana Campos, do diretor do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Martin Hessel e dos agentes de penitenciários.

"A gente ia fazer esse culto só em janeiro, mas fizemos uma reunião com os presos e eles pediram que fosse realizado ainda esse ano para celebrar o Natal e a virada do ano", conta.

Ainda de acordo com a coordenadora, a administração convidou sete igrejas para realizar os cultos dentro do presídio. Na manhã desta terça, o evento contou com a presença dos membros do Ministério da Família e da Assembleia de Deus Ágape.


"Já tem três anos que fazemos esse evento, é sempre tranquilo. Não podemos oferecer muito para eles, esse é um pequeno momento de confraternização", finaliza a coordenadora.




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