sábado, 10 de janeiro de 2015

Viva o Islão – Por Miguel Esteves Cardoso


O direito da liberdade religiosa vem do mesmo princípio que nos deu a liberdade de expressão.

Recebi um email racista a dizer que os muçulmanos não acreditam na liberdade de expressão. E daí? Faz parte da liberdade de expressão ser contra a liberdade de expressão.

Não há nenhuma religião que goste da liberdade de expressão. A única religião a ter uma Inquisição assassina foi cristã e católica e ibérica. As nossas leis contra a blasfémia só há pouco foram abolidas.

A religião muçulmana é a mais democrática (no sentido de aceitar todos os que a procuram) de todas. A religião judaica é propositadamente difícil para quem se queira converter. A versão católica do cristianismo também se faz cara.

O Islão é contra a liberdade de expressão porque acredita que a blasfémia é um pecado, como também acreditavam até há pouco tempo (se é que mudaram) as duas outras grandes religiões monoteístas.

Os religiosos podem pensar o que pensam. A grande república francesa, iniciada por Napoleão, foi a primeira a defender a liberdade de culto dos judeus e muçulmanos, proibindo que os cidadãos fossem desconsiderados por causa da religião que professavam.

A França magnífica que se levantou para defender essa mesma república em que não pode haver excepções foi a primeira a declarar-se livre das religiões: igualmente livre e independente de todas.


O direito da liberdade religiosa (de seguirmos a religião que quisermos) vem do mesmo princípio que nos deu a liberdade de expressão que o Charlie Hebdo exerceu e exercerá sempre que lhe der na bolha.



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